You Like Girls: "YES" or "NOT"?
3 Capítulo 3. - Parte 1.
Notas iniciais
Estou postando agora porquê está perto de cortar minha internet, então, não se surpreendam se eu desaparecer.
Eu acordei com o sol na minha cara, e quando levantei, mal acreditei no que tinha ali; Hinata estava só de sutiã e calcinha, o que é até maneiro da parte dela, tirando que ela ás vezes dorme totalmente sem roupa alguma. E o pior, é que ela estava com aquela perna por cima de mim. O problema mesmo é que a perna dela é pesada pra CARALHO, sério mesmo. Eu me levantei, e ela ainda me xingou por ter acordado ela, que lindo. Olhei no celular e já eram 14:00, eu quase morri quando olhei as horas, e acordei Hinata correndo. Acabei tropeçando e ficando por cima dela. Era estranho, mas não tanto como antes de mim ter beijado ela.
–– Acorda, Hinata, acorda! –– eu gritava enquanto pulava na cama e balançava ela. –– Acorda, desgraça!
–– O que foi?! –– Vish, fudeu, porquê ela já acordou gritando. –– Porra, Sakura, eu custei dormir...
–– A gente tá atrasada pra escola! –– eu disse, e ela voltou a deitar.
–– Tá de brincadeira? –– ela perguntou com o travesseiro na cara. –– A escola não vai morrer, só porquê a gente não foi.
–– Mas hoje tinha prova! –– Voltei a gritar, e Neji gritou lá do quarto pra mim calar a boca. Espera... São 14:00 e ele ainda tá dormindo?! Eu achei que ele era mais responsável, bem, ele era antes de largar a faculdade e conhecer a Tenten.
–– E daí, Sakura? –– ela perguntou, se virando pro outro lado. –– Tanto faz a prova.
“Tanto faz a prova.” Eu repetia na minha cabeça, e tentava me convencer que tanto fazia mesmo a prova que iria decidir praticamente minha vida pro final do ano. Quando você estuda com Ibiki, é realmente difícil passar no final do ano, e Hinata não sabia disso, e brincava com fogo, fazendo graçinhas na aula dele e não obedecendo a nenhuma de duas ordens. Espero que ela repita também... Mentira, eu não quero que ela repita, não quero me separar dela de novo.
Eu estava procurando alguma migalha pra comer quando Tenten apareceu lá também. Ela me olhou de um jeito estranho, e tudo que eu fazia ela me seguia com os olhos. Eu particularmente odeio isso, porquê eu fico vermelha e também porquê eu não me sinto a vontade. Foi então que eu decidi falar com ela, e descobrir de uma vez quando era o problema dela comigo.
–– Tenten, na boa, o que eu fiz com você? –– perguntei de uma vez, tremendo por dentro.
–– Eu não gosto da sua cara. –– ela respondeu, enquanto tirava o lápis de um dos olhos olhando no microondas. –– E muito menos do seu irmãozinho.
–– E o ódio que você tem com ele, desconta em mim?! –– eu perguntei. Se pensar bem, eu já ouvi Sasori falar de uma Tenten para mim. Eu achei que fosse uma das brincadeiras dele, já que eu estava rindo demais quando nos falamos pela internet, e pensei que ele estava contando dez em inglês só que mais rápido. Sasori não mora com a gente, o que é muito ruim, já que ele é uma das únicas pessoas que conseguem me fazer chorar de tanto rir. Ele não é meu irmão mais velho de sangue, é adotado, mas é como se fosse mesmo da família.
–– É. –– ela respondeu sorrindo, e tomando o leite que eu tinha colocado para mim.
–– Olha Tenten... –– eu comecei, me sentando de frente com ela. –– Eu sei que meu irmão já fez muitas burradas na vida, principalmente com garotas quando ele ainda estudava. Mas se quer odiar alguém, odeie ele e não eu, porquê não tenho culpa alguma dele ter te abandonado.
Eu saí antes que ela metesse na minha cara. Tinha perdido a fome, até porquê eu não era de comer pela manhã. Quando cheguei no quarto de Hinata, ela já estava de pé e secava o cabelo, quer dizer, o novo cabelo. Me sentei na cama, enquanto pensava no que Tenten tinha me dito, eu teria que descobrir o que Sasori tinha feito pra ela. Óbvio que, não era algo bom, porquê meu irmão não costumava tratar as garotas como deveriam ser tratadas. Ele era um completo idiota, ainda continua sendo, mas pelo menos já é maior de idade.
–– Hina, eu vou voltar pra casa. –– eu disse, colocando o pijama de qualquer jeito dentro da minha mochila.
–– Eu vou com você! –– ela disse, tirando o secador da tomada com a maior força, que fez um barulho estranho demais. –– VAMOS!
Ri da forma que ela falou tão animada, enquanto eu só peguei a mochila e passei por ela sem falar nada. Quando passamos pela sala, Tenten ainda me olhou de um jeito estranho e com os olhos cerrados, só passei direto tentando ignorar. É difícil ignorar uma garota com um olhar desses, sério.
Na rua, Hinata não parava de fazer graçinhas, enquanto ouvia uma música muito ruim. Hinata ainda tinha gostos ruins, embora tivesse mudado um pouco. Antigamente ela gostava de rock, mas agora ela gosta de funk. Eu não tenho nada contra, mas ficar ouvindo isso perto de mim e ainda no último volume, é sacanagem. Deixei ela de boas, enquanto cantava gritando a música, porquê eu gostava de ver o sorriso que ela dava depois que uma música acabava.
Cheguei em casa, e não tinha ninguém. Chamei, chamei e chamei, e nada. Tinha um bilhete encima da mesa, fui ler enquanto Hinata abria a geladeira e tomava o resto de algum refrigerante.
“Sakura,
Tive que sair com seu pai, e como sabe, hoje é o dia das compras, então você vai ter que ir. O dinheiro e a lista está perto da geladeira, onde você costumava prender o dedo. Peça para trazerem para nossa casa, ás 20:00, que é a hora que vamos voltar. Se puder, leve Hinata com você, para que ela possa te ajudar.
Mamãe.”
–– Que caralho é esse aí? –– perguntou Hinata, que bebia o refrigerante direto do bico, eu disse que era que beber em um copo, ai que vaca.
–– Eu vou ter que fazer as compras. –– eu disse, pegando a chave. –– E você vai comigo!
–– ENTÃO VAMOS! –– ela gritou, pulando nas minhas costas enquanto eu tentava trancar a porta.
No caminho, encontramos com Naruto, que me olhou do mesmo jeito que na escola no dia anterior. Ele perguntou porquê eu e Hinata não tínhamos ido, e eu respondi que porquê a gente tinha ficado muito tempo conversando de madrugada e acabou esquecendo de colocar o celular pra despertar. Hinata quase abriu a boca pra responder, mas eu não deixei, porquê ela provavelmente falaria que nós duas não tínhamos ido porquê ficamos nos beijando e depois eu não me lembro do que acontece, mas ela falaria.
Quando chegamos no supermecado, Hinata foi pegar um carrinho, enquanto eu como sempre, pedi uma caneta pra ir riscando o que já tinha pegado. O que eu mais estranhei quando Hinata voltou, era que ela estava dentro do carrinho e quem estava o guiando, era Sasuke.
–– Trouxe mais ajuda! –– disse Hinata, se levantando no carrinho, sorrindo, e virando para beijar Sasuke. –– Vamos ás compras!
–– É, vamos. –– eu disse, de uma forma nada animada, e comecei a andar no supermecado.
Tentava andar o mais longe de Hinata e Sasuke, porquê eles ficavam de mimimi e apelidinhos chatos pra caralho, coisas que eu acho desnecessário de fazer. Me arrependi de não ter levado meus fones, seria útil quando eu colocasse tudo no carrinho e fosse passar. O pior é que Hinata pegou dois refrigerantes meus, um pra ela e outro pro Sasuke, se aquilo continuasse, eu iria fazer os dois pagarem mais tarde. Ela foi pro fim do supermecado porquê queria comprar algo, e Sasuke ficou me encarando.
–– Você tem algum compromisso hoje? –– ele perguntou de uma vez.
–– Não, porquê? –– eu não estou interessada no que ele vai dizer, só estou puxando assunto.
–– Bem, eu e a Hinata vamos sair mais tarde. –– Francamente... –– Era pra ser somente nós dois, mas ela quer muito te levar, por isso convidei o Naruto, pra vocês ficarem juntos. Você vai, né?
–– Não sei. –– respondi. Depois do que o Naruto tinha feito alguns dias atrás, ele andava estranho comigo e não seria uma boa idéia ficarmos juntos.
–– Ah, Sakura, não seja tão anti-social. –– Sasuke continuou, pegando a caneta que antes estava atrás da minha orelha. –– Naruto gosta de você, e quando falei seu nome, ele falei um milhão de “com certeza”. Não vai decepcioná-lo tanto assim, ou vai?
–– Tá, eu vou. –– eu disse, mesmo não querendo mesmo ir, só por causa do Naruto, porquê vê-lo triste, para mim, é horrível. –– E eu não estou sendo anti-social. –– Peguei a caneta que ele balançava perto do rosto, e coloquei atrás da orelha novamente. Eu realmente não gostava do Sasuke, e nem sabia o porquê.
Depois de um século, Hinata voltou com umas três caixas de sorvete, e Sasuke pagou tudo. Pedi para minha casa quando fosse 20:00 e saí com os dois. O pior de tudo em ter uma melhor amiga, é ela ter um namorado, e você não, e esse era o meu caso. Tive que ficar escutando todas aquelas coisas melosas de novo, e nas vezes Hinata me perguntava se eu estava bem, acenava com a cabeça que “sim”, sendo que eu só queria ir embora de uma vez por todas. Quando nos sentamos em uma praça, e Sasuke contou que eu também sairia com os dois, a criatura pirou.
–– Então você vai mesmo?! –– Hinata me perguntava sem parar, enquanto me olhava deitava sobre o colo de Sasuke.
–– Sim. –– respondi somente. –– Mas não pense que estou fazendo isso por você, e sim pelo Naruto.
–– Não tem problema. –– ela disse se levantando. Porra, nem sentada a uma hora no colo daquele namoradinho dela fazia seu cabelo ficar ruim, pelo contrário, parecia que ficava ainda mais lindo. –– O importante é que você vai!
–– É... –– eu disse encarando o celular, para não ficar olhando para aquele rosto de princesa que Hinata tinha, mas infelizmente, nem mensagem eu tinha pra responder, então logo meu disfarce seria descoberto, e do nada, eu tive uma idéia que podia me salvar. –– Já volto.
Disquei o número do Naruto enquanto seguia em frente, coloquei o celular no ouvido e nada dele atender. Tive que ligar quatro vezes para ele atender de vez, com certeza estava jogando vídeo-game ou na internet, ocupado de mais para me dar atenção. Quando eu disse “oi”, ficou tão animado que pude ouvi-lo cair de algum lugar, e provavelmente a cena não tinha sido a melhor para se ver.
–– Então... Com que roupa você vai? –– eu perguntei depois que perdemos o assunto.
–– Não era eu quem deveria estar te perguntando isso? –– ele disse, rindo em seguida. –– Mas, eu vou com aquela camiseta branca, sabe?
–– Ah, sim, sei... –– eu respondi, nem imaginando que camiseta branca deveria ser essa. –– Vai ficar muito daora.
–– Sakura, será que você não dormiria aqui em casa hoje? –– ele perguntou, e fiquei sem entender por um tempo.
–– E porquê eu faria isso? –– quis saber, mostrando dedo para Hinata que me gritava lá atrás.
–– Meus pais vão sair, e bem, o pai do Sasuke não anda gostando muito da minha cara depois do que eu fiz quando fui dormir lá. –– ele respondeu, e eu sabia, que o que ele deveria ter feito, era algo ruim. –– Se vir para cá, será mil vezes melhor do que passar a noite na casa de Sasuke ou na rua. Olha, eu prometo não fazer nada de madrugada, até posso dormir no chão e você na minha cama.
–– Naruto... –– eu comecei, sorrindo como se ele estivesse na minha frente. –– Não precisa me prometer isso. Eu sei que não vai fazer nada.
–– Então você vai vir? –– ele perguntou todo alegre. Realmente, eu queria que Naruto não gostasse de mim.
–– Sim, eu vou. –– respondi apenas, ouvindo ele dar uma risada estérica e Kushina dar um grito para ele aprender a rir mais baixo.
–– Agora eu vou ter que desligar, pra ir tomar banho. –– ele disse e pareceu se levantar.
–– Não, por favor! –– eu disse, quer dizer, quase gritei. –– Pode falar mais um pouco comigo?
–– Claro que posso! –– ele respondeu animado como sempre.
–– Mas se tiver que ir tomar banho, pode ir. –– eu disse. –– Afinal, vamos nos ver daqui algumas horas.
–– E se você vir agora pra cá e já trazer suas coisas? –– ele voltou a perguntar, e até que não era uma má idéia vindo de um idiota como ele.
–– É, acho que vou fazer isso mesmo. –– respondi me levantando. –– Daqui a pouco chego aí.
Pulei do banco e acabei me ferrando por isso, porquê virei o pé, que ótimo. Fui mancando até onde Hinata e Sasuke estavam, e a cena que vi seria boa, se eu estivesse no lugar dele. Sasuke olhava dentro da blusa de Hinata –– que com certeza, estava sem sutiã. Apenas ignorei e segui em frente sem dar explicação pra onde eu ia.
Se aproximava das 17:00 quando eu cheguei em casa e subi para meu quarto. Só peguei a mochila que tinha levado para a casa de Hinata e coloquei algumas outras coisas dentro, e escrevi um bilhete dizendo que eu não durmiria em casa novamente, provavelmente minha mãe me mataria no dia seguinte por não parar em casa, mas tanto faz, a última coisa que eu quero agora é ouvir a voz dela reclamando e reclamando e reclamando... Coloquei a mochila nas costas, peguei os fones que estavam na sala e saí pela rua.
Passei mensagens com Naruto nesse tempo, combinamos que ele ficaria do lado de fora da casa para eu saber direito onde ele morava –– isso porquê eu raramente saía de casa para passear e essas coisas, por isso não sabia onde ficava qualquer coisas e quase sempre me perdia. Quando cheguei perto de sua casa, pude ver, mesmo de longe, ele sorrindo e pulando de alegria por me ver. Soube que ele não tinha tomado banho, quando chegou perto de mim e me abraçou.
–– Me dá aqui! –– ele disse pela terceira vez pegando na alça da minha mochila. –– Isso não é coisa pra uma princesa como você carregar!
–– Não tá pesado. –– eu disse somente. –– E eu não sou nenhuma princesa. –– Naruto me olhou estranho, mas depois sorriu.
Entrei na casa dele e aquilo mais parecia um paraíso. Fiquei olhando tudo o que meus olhos me permetiam, e subi para o quarto dele. O mais estranho depois que eu coloquei minha mochila no chão e sentei na cama, foi que o Naruto estava totalmente vermelho. Se fosse vergonha de MIM, então ele está sendo um idiota –– nada mais que o normal, certo? É, certo.
–– Que horas você marcou com aquele emo depressivo? –– eu perguntei e Naruto continuou me olhando sem falar nada, aquilo tava começando a me assustar e pensei em ir chamar Kushina, mas ela apareceu na porta naquele segundo.
–– Eu e seu pai já estamos de saída... Você tá me ouvindo, idiota? –– Kushina veio até perto da cama e deu um tapa na cabeça de Naruto que o fez acordar de vez.
–– O que foi, mãe? –– ele perguntou, passando a mão pela cabeça.
–– Estou dizendo que eu e seu pai estamos saindo agora. –– ela disse, depois olhou para mim e Naruto, assim fazendo umas três vezes seguidas. –– Juízo vocês dois hoje a noite, entenderam?
–– Sim, senhora. –– eu disse e Kushina se virou para mim com os olhos arregalados e punhos cerrados.
–– Senhora não, Sakura, por favor. –– ela disse, deu um beijo na testa do Naruto e na minha, e então saiu. Quando a porta se fechou lá embaixo, ele se virou para mim, normal novamente, acho.
–– Vou tomar banho. –– ele disse, pegando a toalha e colocando na cabeça. –– Mas... não quer entrar comigo?
–– Claro que não. –– eu respondi como se fosse óbvio, e realmente era. –– Porquê diabos eu tomaria banho com você?
–– Porquê eu tenho medo de alguém entrar no banheiro e me matar. –– ele respondeu e comecei a rir, escondendo que eu também tinha aquele medo. –– Pode ao menos ficar dentro do banheiro?
–– Tá, eu ficarei lá, mas nem pense em fazer graçinha e abrir o vidro do box. –– eu disse, o virando e o empurrando para dentro do banheiro.
Me sentei no vaso e ali fiquei olhando para a parede. Eu tinha era sorte do box ter um vidro com uma cor um pouco negra, ou Naruto já teria feito alguma coisa pra me fazer olhar para lá dentro. Estava tudo bem, até ele começar a cantar e gritar meu nome logo em seguida. Se fosse baixo, até que eu agüentaria ficar ouvindo, mas ele é profissional em berrar, então, daqui a alguns segundos, não duvido que achem que o Naruto está sendo assassinado.
–– Cala essa boca aí dentro, idiota. –– eu falei, batendo no vidro e ouvi um barulho enorme de algo caindo. Estou começando a me arrepender por ter vindo pra cá.
–– Ai, socorro! –– ele gritou, colocando a mão no vidro. –– Sakura, vem aqui me ajudar, sério.
–– Sei que vai fazer graçinha, então pode morrer aí dentro! –– eu disse, e ele levantou a mão, tinha SANGUE. Óbvio que eu abri o box no mesmo segundo, e ele estava encolhido sorrindo de lado. Fechei os olhos para não ver o que ele tinha lá embaixo, até porquê eu não iria gostar mesmo. Tentei sair, mas o idiota tinha trancado o negócio. –– ME DEIXA SAIR DAQUI!
–– Só se você me dar um beijo. –– ele disse, passando alguma coisa no meu rosto. –– Vamos, Saky, abra os olhos...
–– Eu não to de brincadeira, porra! –– gritei. Cadê as pessoas agora pra acharem que sou eu quem tá morrendo? Oh, não tem. –– Me deixa sair daqui!
–– Tá bem... –– ele apenas disse, destrancando o box. Abri os olhos e vi o quanto ele estava com uma expressão triste. –– Pode ir.
–– Nunca, mais nunca mesmo na sua vida, conte para alguém que eu fiz isso. –– eu disse, já tirando as roupas. Porquê estou fazendo isso, ainda não sei, mas se alguém olhasse para Naruto a um segundo atrás como ele olhou para mim, faria a mesma coisa, disso eu tenho certeza.
Encostei Naruto na parede e o beijei, e então percebi a diferença que era beijar um garoto e uma garota. A diferença, pelo menos para mim, era que garotas beijavam com mais amor e garotos, bem, beijavam mais para dizer aos amigos que “pegou” mais uma por aí. O chuveiro me molhava inteira, e estava muito quente, deixando uma fumaça para todo o canto do banheiro, eu paticurlamente gostava que isso acontecesse, assim ele não podia ver que eu não estava gostando daquilo. Não sei o que me deu por deixá-lo me encostar no vidro do box, era pra ser só um beijo e depois eu tomaria banho com ele –– porquê não existia mais razão para mim ter vergonha dele –– mas se tornou nisso. Comecei a sentir algo diferente quando ele começou a beijar meu pescoço, e então puxei seu rosto, nele ainda estava um sorriso malandro e eu retribui aquele sorriso. Quando vi que ele faria alguma coisa mais “avançada”, o afastei de mim balançando a cabeça negativamente.
–– O que foi? –– ele perguntou me olhando confuso. –– Fiz algo que te desrrespeitou?
–– Claro que não. –– eu respondi abrindo um sorriso. –– Você é um príncipe, Naruto, mas o problema sou eu.
–– Como assim? –– ele voltou a perguntar, se enfiando debaixo do chuveiro de novo.
–– Eu não gosto de garotos. –– eu confessei de uma vez. –– E acho que gosto mesmo de garotas. Mas ainda não sei... Entende?
–– Acho que sim. –– ele disse, e ao ver que eu estava meia que querendo chorar, me puxou pela mão e jogou um pouco de água na minha cara. –– Mas não se preocupa com isso, porquê hoje o tempo voa, amor.
–– Seu idiota. –– eu ri e ele me abraçou. –– Você gosta de mim, né? –– Silêncio. Cara, eu nunca na minha vida quis que Naruto gostasse logo de mim, uma garota desajeitada que não sabe nem o que é. –– E você esperou seus pais saírem pra tentar transar comigo, né? Você não presta, sabia?
–– Isso não é novidade alguma. –– ele disse, apoiando o queixo na minha cabeça. –– Puta merda, quantas horas estamos aqui gastando água?
–– Eu não, você, porquê a casa não é minha, então eu posso gastar o quando quiser, porquê seu que não vou pagar nada. –– eu disse, começando a tomar banho de verdade. Como ele já tinha ficado horas ali, decidiu sair primeiro. Ainda pude ouvir ele resmungar alguma coisa, mas infelizmente não deu para entender, é nisso que dá nascer gostando mais de garotas do que garotos.
Saí depois de um minuto, e para a minha tristeza, minhas roupas estavam todas molhadas, isso seria difícil, porquê era eu quem teria de lavar depois. Coloquei a toalha e quando cheguei ao quarto, fiquei surpresa por ver que Naruto tinha tirado a roupa que eu ia usar e ainda arrumado tudo direitinho na cama. Quem ficar com ele, vai ser uma pessoa, considerada por mim, mais feliz do mundo, porquê o Naruto não é do tipo que pega e depois joga fora, Shion é um bom exemplo disso, eles terminaram mas ainda conversam numa boa e tudo que ele pode, ajuda.
–– Aonde que a gente vai? –– perguntei enquanto tentava pentear meu cabelo.
–– Pizzaria. –– ele respondeu se jogando na cama.
–– Pizzaria? –– eu perguntei mais para mim mesma. –– Mas é meio chato ir em pizzaria, não acha?
–– Não quando a comida é de graça. –– ele disse, e joguei a escova nele, que para minha infelicidade, acabou conseguindo desviar.
–– Ah, tá ótimo assim, não tá? –– eu perguntei olhando para o espelho e depois para Naruto.
–– Está mais princesa que o normal. –– ele disse, piscando para mim.
–– Pela miléssima vez, eu não sou uma princesa. –– eu disse perdendo a paciência com aquilo, e ele apenas sorriu. Ás vezes me pergunto se Naruto só sabe sorrir, porquê né.
Saímos e quando estávamos perto de virar a esquina, ele parou e xingou. Óbvio que eu não entendi nada, mas ele pegou na minha mão e começou a correr de volta para casa. Pediu para mim esperar do lado de fora, e foi o que fiz. Quase uma hora depois, Naruto voltou com uma câmera. Ligou o negócio e falou para mim sorrir, a única coisa que fiz foi dar um sorrisinho enquanto ele tinha um sorriso ENORME na cara. Depois de tirar a foto, me mostrou e eu mandei ele apagar, mas Naruto apenas desligou a câmera e a enfiou no bolso de trás da calça, e depois desse pequeno episódio sem graça, seguimos para a tal infernal pizzaria.
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