You Like Girls: "YES" or "NOT"?

10 Capítulo 10. - Parte 2.


Notas iniciais
Oi zenti ♥
Eu tentei postar antes, mas o nyah fechou na hora que eu cliquei em postar ~palmas~.
Enfim, cá está o capítulo. Espero que gostem, e boa leitura a todos ♥

Quando eu cheguei no hospital, ninguém me falava nada. Eu juro que odeio essa coisa de não me falarem nada, sério. Fiquei sentada com Hinata ao meu lado, desde que saímos de sua casa, ela não tinha soltado a minha mão.

Quando o médico chegou até nós, todos se levataram, até mesmo Hinata. Mas eu preferi ficar sentada, porquê não sabia o que poderia vir.

Ele disse um monte de coisas, e entramos em seu quarto depois de horas. Meu pai estava com os braços cheios de fios, conectados em um monte de aparelhos que faziam um barulho estranho e ao mesmo tempo chato. Eu confesso que nunca imaginaria o ver daquele jeito.

–– Bem, agora, o que precisam fazer, é ficar de frente com ele. –– o médico explicava. –– Se ele se lembrar de vocês, vai levantar dois dedos, mas se não, vai levantar um dedo.

Minha mãe foi primeiro. Ela estava chorando pra porra. Meu pai ficou alguns minutos a observando, e levantou dois dedos e sorriu.

Foi a minha vez. Eu me aproximei da cama, e fiquei ali, o observando, enquanto ele fazia a mesma coisa comigo. Me surpreendi quando ele levantou três dedos de uma mão, e dois na outra.

–– Não se lembra? –– perguntou o médico a ele.

–– Eu sei que o nome dela é Sakura, e que sua cor favorita é preto. –– ele respondeu, ainda extremamente rouco. Eu não acredito que isso está acontecendo comigo.

–– Ele vai se lembrar de mim com tempo, não vai? –– perguntei desesperadamente ao médico.

–– Talvez sim, talvez não… –– ele tentava responder. –– Só o tempo vai saber.

–– É, mas eu sou filha dele! –– gritei. Mesmo com todo mundo ali, eu estava fora de mim. –– Ele conheceu minha mãe, que mal passa tempo com ele! E porquê não a mim?! –– Hinata pegou meu braço, e eu acabei saindo dali.

Ficamos no corredor. Eu não sabia o que dizer, nem fazer. Eu só quero que o meu pai volte a saber quem eu sou, e que nunca, mais nunca mesmo, se esqueça. Infelizmente, todos meus pedidos, nunca são escutados por um cara lá em cima.

–– Olha, Sakura… –– Hinata começou. –– Eu sei que isso está sendo difícil, mas... Ele vai se lembrar de você, com certeza! Você deveria avisar o seu irmão, não acha?

–– Aquele idiota não precisa saber de nada. Praticamente nem faz parte da família mesmo. –– respondi, ainda olhando para o chão. –– Se quiser, pode ir para casa com Neji. Sei que Tenten vai ficar desconfiada quando acordar e ver que saímos.

–– Claro que não. –– ela disse. –– Eu prefiro ficar aqui com você.

Hinata ia se aproximando para me abraçar, quando alguém a empurrou e fez aquilo em seu lugar. Abri mais ou menos os olhos, e pela cabeleira loira, eu soube logo que era Ino. Mas espere, o que...

–– Ah, Sakura, eu soube o que aconteceu com seu pai! –– ela disse, ainda abraçada comigo. Me empurrou do nada, me observando preocupada. –– Como você está?

–– Porquê você está aqui, Ino? –– perguntei, a olhando seriamente. –– Que eu saiba, você nunca foi minha amiga.

–– Sakura! –– Hinata disse, batendo o pé no chão.

–– Desculpe, Ino. –– me desculpei, o que eu odiava do fundo do coração fazer. –– Eu não estou com um pingo de paciência agora.

–– Não tem problema. Eu te entendo, de verdade. –– Ino disse, me lançando seu sorriso mais convincente. Então o pai dela já bateu a cabeça e não se lembrou de quem ela era, mas somente seu nome e sua cor favorita? Oh meu Deus, eu necessito dessa garota como melhor amiga a partir desse segundo.

–– Tudo bem, então. –– falei somente, saindo de seu abraço provavelmente falso. –– Eu vou... Não sei pra onde, mas mesmo assim estou indo. Já volto.

Saí do hospital quase que correndo. Eu estava tentando, desesperadamente, mentir para eu mesma que aquilo era somente um pesadelo... Foi quando o meu celular vibrou. O peguei, e quando li o nome que estava ali, quase infartei de vez. Era Sasori. Resolvi atender, porquê eu sabia que ele não iria desistir.

–– Alô? –– perguntei. –– O que foi, Sasori?

–– Oi, pequena! –– ele gritou do outro lado. –– Como estão as coisas por aí?

–– Está tudo ótimo… –– respondi com uma voz de choro. Puta merda, porquê logo agora?! –– E aí?

–– Sakura, você está chorando? –– Sasori desconfiou. Eu sabia que se respondesse, iria entregar que estava chorando, mas se não respondesse, ele iria descobrir do mesmo jeito. –– Pode me contar o que aconteceu. Agora.

Fiquei em silêncio por mais alguns minutos, e saí de tão perto do hospital. Ninguém precisaria ouvir eu chorando, ninguém mesmo.

–– Sakura? –– Sasori gritava sem parar. –– SAKURA!

–– Quer saber o que aconteceu, né? –– comecei a falar. Oh meu Deus, como eu sou tão sensível. –– O que aconteceu, foi que o nosso pai sofreu amnésia e não se lembra de mim! Porquê você não está aqui agora? Porquê você não pega essa sua namorada e vem logo pra cá? Você tem noção do quanto eu sinto a sua falta? Provavelmente não. Você sabia, Sasori, sabia que eu sempre fui apegada a você, e mesmo assim, foi embora. Eu sei que não foi de propósito, mas mesmo assim! Você nunca está aqui quando as coisas acontecem! Aliás, corrigindo minha frase: MEU pai sofreu amnésia, porquê você, é como se não fizesse parte da família, ou pelo menos, é assim que eu penso agora. Satisfeito?

Eu estava chorando, e muito. Nunca pensei que algum dia eu falaria uma coisa como isso para o meu irmão. E ele, provavelmente também deve ter ficado com os olhos cheios de lágrimas. Ou assim, eu espero, pelo menos.

–– Olha Sakura, eu não posso simplesmente pegar as minhas coisas e ir… –– ele começou.

–– Sempre a mesma desculpa! –– praticamente gritei. –– “Olha Sakura, eu não posso simplesmente pegar minhas coias e ir”, “Sakura, eu vou no natal”, “Pequena, eu estarei no seu aniversário”, “Irmãzinha, eu logo volto para casa”. Mas porquê você nunca volta?! Me diz, o que te prende aí?

–– Não é fácil explicar... –– ele tentava responder. –– E eu acho também não vai ser fácil entender.

–– Sasori, do fundo do meu coração... –– comecei, fechando os olhos. –– Vá para o inferno. –– E desliguei, levando a mão a testa.

Eu queria sair daquele lugar. Queria ir para algum, que ninguém pudesse me encontrar. Nem mesmo Hinata. Sabe quando você quer morrer? Então, era mais ou menos isso que eu estou sentindo agora. Mesmo que eu finalmente esteja com Hinata, mesmo que minhas notas tenham aumentado, é isso que eu quero. E pode achar que é drama ou não, pense o que quiser, porquê quem sente mesmo, sou eu.

Peguei o celular novamente, e liguei para Naruto. Ele tinha que atender. Tocou umas quatro vezes, e eu tive que deixar um recado:

–– Naruto, eu sei que os seus pais morreram, e a última coisa que você quer agora, são mais problemas. Mas o meu pai sofreu amnésia e não se lembra de mim... Consegue entender mais ou menos a minha situação agora? Eu não espero que você venha, e se não quiser, não precisa mesmo vir. O que eu espero mesmo, é que ao menos você, esteja bem. Acho que é só isso.

Voltei para dentro do hospital, mesmo não querendo. Deitei minha cabeça no colo de Hinata, e ela segurava minha mão que ainda tremia. Que puta vontade de chorar e desaparecer ao mesmo tempo.

Neji já tinha ido embora fazia menos de uma hora, e eu agradeci por isso, ou Tenten faria da minha vida um inferno novamente.

Sabe quando você não agüenta segurar o choro nem respirando fundo e dizendo um milhão de vezes que não deve fazer aquilo? Então, é assim que estou agora também. E por isso, mesmo de olhos fechados, eu chorei. Coloquei a mão sobre os olhos no mesmo segundo, antes que Hinata percebesse, mas já era tarde demais.

–– Não, não, não. Pare de chorar. –– Hinata disse. –– Por favor.

–– Quem estava chorando mesmo? –– brinquei, limpando as lágrimas e dando um sorriso falso. É, eu não era boa nem em fingir felicidade. –– Eu falei com o Sasori...

–– E? –– ela perguntou, e eu pude ver o quanto estava curiosa para saber o que tinha acontecido.

–– Eu o mandei ir para o inferno... –– respondi erguendo as sombrancelhas. –– Mesmo que tenha sido meio idiota, me aliviou de alguma forma.

–– Bem, se te ajudou, então não tem problema! –– Hinata disse, sorrindo em seguida.

–– Obrigado, de verdade. –– falei, sorrindo de lado.

–– Quando vai aprender? –– ela perguntou, me surpreendendo. –– É obrigaDA, e não obrigaDO!

–– Ah sim... Eu tinha me esquecido, desculpe. –– me desculpei rindo do meu próprio erro. Quem dera se fosse assim tão fácil, rir das coisas ruins que acontecem comigo.

Fiquei encarando o teto, enquanto Hinata olhada para frente. Vez e outra, ela comprimentava alguém, com aquele sorriso lindo que ela tinha. Hinata realmente era popular, muito mesmo. E eu? Bem... Eu era o que pode se chamar de “odeia pessoas e é estranha”, é nesse caminho que tá as coisas.

Naruto não tinha ido me ver, nem deu sinal de vida. Eu até que entendo um pouco como ele está se sentindo, e não o culpo de forma alguma por não ter tempo para mim agora. Até porquê, a vida é dele, e mesmo que eu precise dele quase 24 horas por dia, ele também tem que viver. Pensando bem, eu nunca segurei o mundo do Naruto... Que dizer, ele já segurou o meu quando estava caindo, mas o dele, parecia sempre estar firme. Realmente só parecia. Com certeza, por dentro, ele está chorando e implorando ajuda...

–– Quer dormir na minha casa hoje? –– Hinata perguntou, chamando minha atenção.

–– Dormir na sua casa? –– perguntei de volta. –– Eu não sei.

–– Sua mãe me disse que vai passar a noite aqui, então, você precisa de um lugar para ficar. –– ela explicava. –– Pode ir para a minha casa, se quiser, é claro.

–– Eu vou pra lá, mas pode me prometer uma coisa? –– perguntei e ela confirmou com a cabeça, para que eu continuasse. –– Não tente nada comigo de madrugada. Eu não estou com clima e essas coisas todas hoje, sério.

–– Sakura, eu sei a hora de parar. –– Hinata disse, muito séria. Tão séria que eu fiquei arrependida por ter dito aquilo. –– E tudo bem, nós vamos somente dormir.

Depois de algumas horas, eu e Hinata fomos para a casa dela. Fomos a pé mesmo, porquê nós duas preferimos desse jeito. E também, era ótimo andar, principalmente quando você tem um milhão de coisas rodando na sua cabeça.

Ao chegarmos lá, subimos direto para o quarto. Ainda eram 21:00 da noite, mas eu não estava com a menor disposição para ver televisão ou algo do tipo. A cama era minha melhor amiga naquele momento.

Me deitei, e logo Hinata veio em seguida. Estava escuro, e tudo que iluminava no quarto, eram a luz da tela de nossos celulares.

–– Eu acho que você está com medo. –– Hinata disse, pegando minha mão por baixo da coberta. –– Me diga do que.

–– Do que? –– perguntei de volta. –– Bem, eu acho de que meu pai nunca mais se lembre de mim.

–– Mas eu disse que ele vai se lembrar. –– ela disse, se aproximando e ficando tão perto, que em um empurrão ou descuido, nos beijaríamos. –– Você só tem que pensar em outra coisa, Sakura.

–– Eu não consigo. –– confessei de uma vez.

–– Eu sei que consegue. –– ela disse, me beijando.

Foi o beijo mais estranho que eu já tinha recebido, e também dado. Tinha... medo, tristeza e todos os sentimentos ruins que Hinata parecia passar para mim e eu para ela.

–– Por favor, Hinata, não. –– pedi, mas mesmo assim estava abraçada com ela. –– Eu disse que não estava com clima.

–– Você confia em mim, Saky? –– ela perguntou.

–– É claro que sim! –– respondi no mesmo segundo. –– Mas não é isso...

–– Então confie mais uma vez. –– Hinata disse, me olhando. –– Tá?

–– Tá... –– respondi, meia sem graça.

Hinata não tirou minha roupa e nem a dela. Ela não faria o que eu não queria, então, apenas nos beijamos por um longo tempo.

De madrugada, eu acabei acordando, e ela também. Estava chovendo lá fora, e fiquei olhando para o teto com um certo tédio. Hinata também fazia a mesma coisa, enquanto segurava uma das minhas mãos.

E quando foi 04:00 horas da manhã, ela tirou a roupa, dizendo que estava com “calor”. Não que eu acreditei, claro, eu conseguia mentir melhor que isso. Eu sabia o que ela estava querendo, e eu também queria aquilo, mas e a vergonha?

–– Segure na minha mão, e tudo vai ficar bem. –– ela disse, e eu fiz aquilo. –– Pode dizer a hora que não quiser mais. Eu realmente te respeito.

E pela primeira vez na minha vida, eu fiz sexo. E ainda por cima, com uma garota. A garota que era a pessoa que eu mais amava no mundo, e que nunca faria algo para perdê-la.

Notas finais
Bem... eu sei que ficou um horror esse final. Eu até tentei melhorar, mas não deu certo, então, me desculpem.