You Like Girls: "YES" or "NOT"?
8 Capítulo 8.
Notas iniciais
Depois de ontem, eu e Hinata estamos muito melosas –– mais pela parte dela, não minha, ok? Ok. Era óbvio que a gente estava planejando tudo, de como falar para os nossos pais sobre nós e etc, e ouça o que eu digo, parece que vai dar certo se tudo correr como esperamos. Eu espero que nossos pais entendam como nós nos gostamos, e possam aceitar isso numa boa, porquê também aceitaremos o seu ódio e horror de ter duas ovelhas negras na família.
Fico imaginando como Naruto deve estar agora. Será que ele também está planejando contar aos pais sobre ele e o Sasuke? Ou ele ainda está com dúvidas sobre si mesmo? Bem, tanto faz. Mentira. Infelizmente, não sou o tipo de pessoa que diz “tanto faz” e deixa por isso mesmo. Só espero que os dois tenham se entendido.
–– Olá. –– Hinata disse, se levantando e chamando minha atenção. Tínhamos deitado fazia pouco tempo, e como nenhuma de nós duas dormimos de madrugada, ela caiu em sono profundo. Ela se levantou e deu uma olhada para toda a nossa “casinha”. –– Eu ainda não acredito que temos de ir embora daqui uma hora.
–– Sabe que podemos vir aqui quando quiser. –– falei. Hinata ainda era o tipo de garota que se apegava ás coisas muito rápido. –– Até porquê eu não agüentaria ficar mais uma noite. Aprendi que, meu computador faz bastante falta nessas horas... –– Parei de falar para ficar a observando. Hinata não tem um defeito sequer, e se tem, esconde muito bem.
–– Pode me dizer o porquê de estar me olhando desse jeito? –– ela perguntou.
–– É que eu ainda não consigo me tocar de que você realmente está aqui. –– respondi, tentando não piscar, porquê sabia que se fizesse isso, começaria a chorar. Deus, porquê estou tão sentimental?! –– Não acredito que estamos aqui. Juntas.
–– É mesmo estranho. –– Hinata disse, olhando para a mesma direção no teto que eu. –– Um dia, somos melhores amigas, e no outro, namoradas.
–– Mas espera... Eu não te pedi em namoro! –– falei me levantando, e ela riu. Mas que porra...?
–– Então peça agora. –– Hinata disse, erguendo as sombrancelhas em seguida. Entendi agora. Ela só estava esperando a hora certa para falar isso.
–– Mas não acha que estamos indo rápido de mais? –– perguntei.
–– E o que custa tentar? –– ela perguntou de volta. –– Isso mesmo, não custa nada. Agora, vá em frente e me peça em namoro. É uma ordem.
Respirei fundo, e fechei os olhos, mas toda vez que os abria, começava a rir. Pode até parecer que estou fugindo do assunto ou algo assim, mas não é isso, é vergonha mesmo. Teve um minuto que Hinata ficou muito séria, e então eu soube que deveria parar de fazer brincadeiras e fazer o pedido de uma vez.
–– Hinata Hyuuga... –– comecei, tentando não rir ao máximo. –– Quer namorar comigo?
–– Que pedido mais “nhaa”! –– ela falou, virando o rosto. –– Mas mesmo assim, aceito, porquê acho que você merece uma chance.
E depois de dizer isso, pulou encima de mim, me derrubando e me beijando logo em seguida. Como sempre, eu senti “aquilo” –– aqui usado, como que o beijo de uma garota, é totalmente diferente que de um garoto. Como dizer... tem mais amor, saca? –– e sorri.
Uma hora depois, estávamos esperando Neji perto da estrada. Hinata me disse que se arrependeu por ter adiantado nossa pequena viagem, porquê não sabia que iria chover tanto, mas eu disse a ela que depois poderíamos voltar. Aproveitei que Neji estava demorando para fumar, e acredite só? Hinata bateu a mão na minha e me fez deixar o cigarro cair em uma poça de lama. Ela disse que se eu queria continuar a namorar com ela, deveria parar de fumar. Mas eu não sou uma fumante tão viciada assim, fumo apenas dois cigarros por dois dias seguidos em cada MÊS, então, como pode ver, Hinata está fazendo birra atoa e não, eu NÃO vou parar de fumar, mesmo que eu continue com o risco de acabar perdendo ela.
Séculos depois, Neji chegou e infelizmente, Tenten tinha vindo dessa vez. Me sentei no meio, e Hinata teve a coragem de se sentar no meu colo. Não pude dizer um “ah, sai pra lá”, porquê eu estava agradecida por ela ter feito isso –– assim, Tenten não ficaria me encarando.
Encostei o carro no banco, e não demorou para que o sono viesse, mesmo que Hinata me sacudisse e gritasse para que eu ficasse com os olhos abertos. Com certeza, posso dar mais atenção para ela mais tarde...
Eu estava seguindo em uma rua, segurando a mão de Hinata. Ela, me contava alguma coisa que era provavelmente muito engraçada, já que não parava de sorrir. Só foi parar, quando avistou Naruto e Sasuke. Espere... Naruto e Sasuke?!
–– Então vocês finalmente se acertaram? –– perguntei, rindo em seguida. Os dois ficaram vermelhos ao mesmo tempo, o que era, muito fofo. –– Parece que a sorte está ao nosso favor, Naruto.
–– Eu não diria isso para você... –– Naruto disso, abaixando o olhar.
–– Como assim? –– perguntei, porquê realmente, não tinha entendido.
–– Ah, não é nada! –– Hinata disse dessa vez, apertando minha mão. –– Nada, nada...
Eu soube que não era nada quando vi um casal de preto sair da minha casa chorando. Óbvio que eu quis saber o que eles dois estavam fazendo ali, vestidos de preto e ainda por cima, chorando. Soltei a minha mão da de Hinata, e sai correndo para a minha casa.
Quando fui falar com o casal, eles simplesmente desapareceram. Tudo bem, não estou entendendo mais nada. Voltei a correr e entrei em casa. Lá dentro, minha mãe estava na cozinha, e Sasori estava sentado no sofá com a sua namorada loira dos olhos azuis –– que era mais linda do que eu imaginava. Ele tinha os olhos vermelhos, e ao me ver, passou a mão rapidamente sobre eles.
–– Sasori, o que aconteceu? –– perguntei, sentando a frente dele. –– Porquê todo mundo está vestido de preto e chorando?
–– Não aconteceu nada, Sakura. –– ele respondeu. Meu irmão realmente não sabe mentir, assim como eu. –– Isso é imaginação sua.
–– Imaginação minha?! –– perguntei novamente, dessa vez, um pouco mais com raiva. –– Mas espera... Onde está o papai?
Sasori abriu a boca para falar alguma coisa, mas as lágrimas que caíram dos seus olhos, não o permitiram que fizesse isso. Porquê diabos até o meu irmão estava chorando?! De pouco me importava agora. Segui para o quarto do meu pai. Enquanto andava pelo corredor, vi várias velas acesas em mesinhas e algumas fotos em preto e branco. Eu estava começando a ficar com muito medo de que tivesse acontecido o que eu estava pensando. Eu abri a porta e...
–– SAKURA! –– Hinata gritou, me acordando. –– Que saco, você só sabe dormir.
Então eu vi que não passara de um pesadelo, mais um. Não sei porquê ando sonhando que meu pai morreu, mas espero que isso não aconteça de verdade. Se bem, que eu gostaria que parte daquele sonho fosse verdade, e Naruto e Sasuke tivessem se acertado –– embora eu ainda não goste da cara daquele emo chato que com certeza só usa óculos para dar uma de “fodão”.
–– Hinata, não acorda as pessoas assim. –– falei, voltando a fechar os olhos. Mas antes de conseguir fazer isso, ela me deu um tapa no rosto, e não foi nada leve. –– PUTA QUE PARIU, FICA QUIETA UM POUCO!
–– VOCÊ É MINHA NAMORADA AGORA, PORRA! –– Hinata gritou de volta, e Neji parou o carro sem avisar , fazendo com que ela quase fosse parar no vidro.
–– Como é isso daí, Hinata?! –– ele perguntou, se virando para nos encarar. –– Que história é essa de “namorada”?!
–– Bem... Eu iria te contar. –– Hinata respondeu. Eu não acredito que ela fudeu com tudo. –– Mas eu acho que agora você já sabe, né...
–– Ah, é mesmo? –– Neji voltou a perguntar. Eu nunca tinha o visto tão sério em toda a minha vida. –– Agora que eu sei de tudo, a primeira coisa que vou fazer, é ligar para o seu pai e contar pra ele isso.
–– Não, por favor! –– Hinata gritou novamente. Ela acabou dando um pulo no meu colo, e bateu a cabeça no teto do carro. Embora eu ainda estivesse chateada com ela pelo o que ela acabou de fazer, acabei rindo. –– Você sabe o que ele vai fazer quando souber disso.
–– Sei, ele vai te mandar embora da minha casa! –– Neji gritou. Meu Deus, eu sinto que a coisa vai ficar feia, quanto pra Hinata, e ainda mais para mim. –– E outra, ele vai...
–– Você acha mesmo que falando essas merdas todas, elas vão parar de ser namoradas? –– Tenten perguntou pela primeira vez. Eu sinceramente tinha achado que ela tinha morrido, já que não falava nada fazia praticamente mais de uma hora. –– Pare de ficar falando, e falando, e falando... Até porquê, você nunca teria coragem de entregar Hinata.
–– E o que acha que eu devo fazer? –– ele perguntou a ela. Eu continuava quietinha atrás de Hinata.
–– Seguir logo para casa, porquê eu estou com fome. –– Tenten respondeu. Aí garota, agora sim estou começando a gostar dela, porquê eu também estou com fome. Neji ligou o carro, e seguimos novamente.
Ninguém disse nada praticamente o caminho inteiro, e não seria eu que iria ser a louca a puxar assunto com aqueles três. Hinata não parava de dizer que estava com MUITA raiva de mim, que nunca mais iria olhar para a minha cara, que eu podia desaparecer da vida dela que ela não sentiria saudades de mim, mas ela continuava sentada no meu colo.
Quando chegamos, eu fui primeira a descer. Não me pergunte como eu consegui deixar Hinata dentro do carro e sair que nem louca, mas eu consegui. Neji olhava para mim e para Hinata com um olhar severno, muito severo. E Tenten, bem, quando fui perceber, ela já estava na cozinha com a geladeira aberta e pegando o que os braços conseguiam.
Chamei Neji para fora, e puxei a porta.
–– Neji, eu sei que é estranho essa coisa de lésbicas. –– comecei. E não, com certeza não era estranho, mas eu tinha que disfarçar. –– Mas entenda que eu e Hinata nos gostamos, e... Eu acho que uma hora ou outra você, assim como todos que conhemos, vai ter que aceitar e conviver com isso.
–– E eu sei que vocês vão sofrer muito por causa disso. –– Neji disse depois de alguns minutos. –– Eu não sei o quanto você ama Hinata, ou quanto tempo começou a sentir isso... Mas a única coisa que eu te peço, é que não a abandone quando criticarem vocês duas.
–– É claro que não! –– respondi animada. –– E por acaso, isso quer dizer que você nos aceita?
–– Bem... É. –– ele disse meio sem jeito, olhando para todos os lados possíveis. –– Aceito sim, com certeza.
–– AH, MEU DEUS! –– falei um pouco alto, já o abraçando. –– MUITO OBRIGADO, NEJI!
–– Tá ok, sem problema. –– ele disse. –– Agora me solte antes que Tenten chegue aqui, veja essa cena e te mate. –– Me larguei dele no mesmo segundo, e ainda olhei para os lados, mas por sorte Tenten não estava ali.
Depois disso, peguei minha mochila e fui para casa, porquê não queria ficar ali, com a Hinata daquele jeito, quase que bufando de raiva. E só pra deixar algo bem esclarecido: NAMORADAS são bem mais piores do que NAMORADOS.
Cheguei em casa correndo, para ver meu pai e ele estava sentado no sofá, assistindo TV. Abri um sorriso enorme ao vê-lo daquele jeito, e suspirei aliviada. Ele achou estranho, óbvio, mas eu não falei nada. Subi para o meu quarto.
Enjoei tanto Hinata por causa do meu computador, e cá estou eu agora, encarando a tela dele sem nenhuma vontade de ligar. Eu acho que quando você encontra algo melhor para fazer, o computador acaba perdendo o posto de coisa mais importante na sua vida, e foi assim que aconteceu comigo. Embora eu morasse a menos de três ruas da casa de Hinata, é.
Eu estava com vontade mesmo era de ir lá na casa do Naruto, mas com certeza os pais dele estão lá e aí fica complicado chegar perguntando “e aí cara, você e o Sasuke já estão se pegando de novo?”. Até porquê, quando eu estou lá, os pais dele tem a mania de ficar nos observando a cada segundo, e isso está se tornando um pouco chato.
Acho que hoje vou ficar em casa, porquê amanhã é segunda e a escola começa tudo de novo, infelizmente... Meu celular vibrou e imagine quem era?
–– Oi amor! –– Hinata gritou. Meu Deus, ela sabe que eu odeio esses apelidinhos melosos. –– Vamos sair hoje, não vamos?
–– Não era você que estava dizendo que eu podia desaparecer da sua vida que não sentiria saudades? –– perguntei, rindo logo em seguida. Provavelmente ela teria ficado emburrada. –– Eu não sei se vou sair hoje, Hinata. Amanhã tem escola, esqueceu?
–– Eu quero ir para a escola com você. –– ela disse, e sua voz estava séria. Muito séria.
–– Mas a gente já vai pra escola juntas, sua retardada! –– brinquei novamente, mas ela não riu. Estou começando a estranhar essa dela ficar toda séria.
–– Eu estou falando “juntas”, como “namoradas”. –– Hinata explicou . COMO ASSIM?! –– Você vai, não vai?
–– Hinata... –– comecei. Eu não sabia o que dizer. Não é que eu não queira ir, nunca seria isso, mas acabamos de começar a namorar e eu não contei pra praticamente ninguém. –– Eu não sei se isso vai dar certo. E você ainda está namorando com o Sasuke! Não acha que vai pegar mal?
–– Você está com medo do que vão falar? –– ela perguntou. Bem, talvez fosse isso também. –– Sakura, eu nunca me importei com o que as pessoas falavam de mim e não vai ser agora que eu finalmente estou com você, que vou começar a me importar. E você também, do que está com medo? De te xingarem ou virarem as costas? Deixe que façam isso, então. E quanto ao Sasuke, eu posso muito bem terminar com ele em menos de um minuto.
E mais uma vez, eu fiquei sem saber o que caralhos dizer.
–– Alô? Sakura? –– Hinata perguntava do outro lado da linha. –– Você já dormiu de novo?
–– Nossa Hinata... –– tentei falar alguma coisa útil. –– Eu... Tudo bem, nós vamos para a escola amanhã como namoradas.
–– AH, QUE ÓTIMO! –– ela comemorou. Ainda bem que ela não percebeu a minha voz de choro. –– Vamos sair hoje, por favor? Ainda são 20:00 horas, por favor, por favor.
–– Quer ir na casa do Naruto? –– perguntei sem nem mesmo saber se Naruto iria querer nos receber. Sim, eu vou contar para Hinata que ele é gay e quem é seu namorado. –– Se formos sair, eu só vou ir lá.
–– Tá ótimo! –– ela comemorou mais uma vez. Que namorada eu fui arrumar, hein? –– Se arruma, que agorinha chego na sua casa. –– E desligou. Também te amo, Hinata.
Me virei na cama e vi minha mãe me encarando. Eu tinha medo até de perguntar quanto tempo ela estava ali. Porquê, meu Deus, se ela tivesse ouvido a conversa toda, sinto que vou morrer se fazer isso. E ficamos ali, nos encarando –– mas ela estava me assustando cada vez mais.
–– Você vai sair? –– ela perguntou por fim.
–– Sim, vou. –– respondi, sem nem mesmo piscar. –– Então não precisa guardar comida para mim.
–– Ah, sim... –– ela disse, indo até a porta e saindo. Agora sei como é o começo de um infarto.
Me levantei e fui tomar banho. Eu estava em uma animação enorme para sair, enorme mesmo. Tanta animação, que arrumei qualquer roupa, e nem sequei meu cabelo.
Quando desci, minha mãe continuava lá, me olhando de um jeito estranho. Saí quando que a coisa ficasse feia.
Me encontrei com Hinata quando abri a porta. Aquela bisca descarada estava com uma saia mais curta que a inteligência, e continuava frio, porquê tinha chovido um tempo atrás. Como ela conseguia usar aquelas coisas e continuar tão quente?! Eu juro que vou queimar todas essas roupas quando formos casadas. E também, NUNCA deixarei que nossos filhos vejam uma pouca vergonha como essa.
–– Hinata, antes de chegarmos, preciso te contar algo. –– falei a parando, quando estávamos quase a ponto de tocar a campainha. Ela acenou com a cabeça positivamente e cheguei perto de seu ouvido. –– Naruto e Sasuke são gays.
–– O QUE?! –– ela gritou. –– GAYS?!
–– Meu Deus, fala baixo! –– ordenei, a puxando um pouco para longe. –– É, eles são gays. E você, você mesmo, está atrapalhando o relacionamento deles.
–– E porquê você tá falando isso? –– ela perguntou.
–– Porquê você está com o Sasuke agora, sua sonsa! –– respondi. Tudo bem, eu preciso parar de xingar tanto a Hinata. Era legal quanto éramos melhor amigas, mas não somos mais só isso. –– Os pais deles não sabem disso, então, por favor, não abra a boca e saia contando para todo mundo, principalmente a Karin e a Shion. Entendeu?
–– Entendi. –– ela respondeu, e andamos novamente para perto da porta.
Demorou um pouco para Naruto abrir a porta, e ele estava chorando. Muito. Não deu para perceber quando estávamos chegando, mas a sua casa estava quase cheia de pessoas que olhavam para a gente como se não fossemos bem-vindas, e Sasuke estava lá também. Soltei a mão de Hinata no mesmo segundo.
–– O que aconteceu? –– perguntei. –– E porquê todas essas pessoas estão aqui?
Não deu tempo de Naruto responder, porquê seu avô, Jiraiya, passou na frente dele e veio abraçar Hinata e eu. Ele era legal, e quase sempre me mostrava seus livros eróticos, mas naquele momento, eu estava mais preocupada em saber o que tinha acontecido.
–– Olha só para você, como cresceu! –– ele elogiou Hinata, e ela deu uma volta. –– Juro que se eu tivesse a sua idade, você seria minha. –– O olhei de um jeito tipo “saia para lá, ela é MINHA namorada”, mas, bem, nem ele nem ninguém sabia disso. Ainda. –– E você também, Sakura! Continua... Fofa.
–– Obrigado, vovô. –– agradeci. –– E só para lhe informar, eu cresci três centímetros desde a última vez que nos encontramos.
–– Sempre o jeito durona. –– ele disse, rindo em seguida. Mas espere aí, o braço dele está na cintura da MINHA namorada?! Tudo bem Sakura, se controle.
Os dois começaram a conversar sobre um milhão de coisas, e Hinata ria como se cada palavra fosse uma piada diferente. Olhei novamente para a porta, e Naruto estava lá, de olhos fechados.
–– Quer sair daqui? –– perguntei, e ele fez que sim com a cabeça. Peguei em sua mão, e saímos.
Não nos distanciamos muito, mas o bastante para que não poder ouvir nenhum barulho de nenhuma pessoa conversando. Me sentei em um banco, e Naruto ficou em pé, encostado na parede.
–– Não vai me contar o que aconteceu? –– perguntei, tentando puxar algum assunto. Nunca seria normal do Naruto ficar em silêncio como ele estava.
–– Se importa de só levantar e vir me abraçar? –– ele perguntou. Mas que pergunta mais idiota.
Me levantei, tirando as mãos dos bolços e o abracei. Bem, eu não era TÃO boa em abraçar as pessoas. Para ser sincera, eu não sei mesmo abraçar uma pessoa. As pessoas me abraçam, mas, eu não consigo retribuir. É estranho.
–– Tenho uma novidade. –– falei tentando sair do abraço, mas ele me puxou de volta. –– Eu e Hinata estamos namorando escondido.
–– Está falando sério? –– ele perguntou de volta, colocando no queixo no meu ombro. –– Que ótimo.
–– É, estou. –– respondi. –– E você e Sasuke, hein?
–– Por favor, não fale dele. –– Naruto pediu, me apertando mais como se sua dor fosse desaparecer depois daquele abraço.
–– Amanhã eu e Hinata vamos para a escola. –– falei, tentando mudar de assunto. –– Como namoradas.
–– Eu acho que isso também é ótimo. –– ele disse.
–– Eu não acho tanto, para ser sincera. –– falei o que nunca teria coragem de dizer para Hinata. –– Por enquanto, Neji, Tenten e você sabe sobre a gente, mas mesmo assim... Fico com medo de quando for contar para a minha família, em especial, para a minha mãe.
–– Eu acho que quando uma pessoa diz que te ama, no caso sua família, ela fica do seu lado, não se importando como você está... –– Naruto disse, e não demorou muito para que ele começasse a chorar. –– Não se importando com o caminho que você vai seguir, ou o que vai virar daqui pra frente...
–– Tudo bem, já pode calar a boca e chorar. –– disse somente.
Não demorou também para que começasse a chover bem fraquinho. Era aquela chuva que eu, quando criança, tinha o prazer de pegar quando estava triste, porquê assim eu poderia chorar a vontade. E quando me perguntassem o que estava acontecendo, eu apenas diria que eu tinha olhado para o céu e de lá caiu água nos meus olhos. Eu ainda costumo usar isso ás vezes.
Eu não sabia o que estava acontecendo com Naruto, mas com certeza era algo muito triste, porquê ele chorava tanto, que eu sentia vontade de passar toda a sua dor para mim. Alguns segundos ele gritava, bem baixinho, mas ainda gritava.
Depois que a chuva passou e ele limpou o rosto, voltamos para a sua casa. Me deparei com Hinata contando alguma coisa –– que era provavelmente mentira ––, enquanto era rodeada por velhos pervertidos. Peguei minha namorada de lá, me despedi de todo mundo com um aceno de mão e fui embora. Hinata fez birra e tive que a levar até em casa.
Eram 22:00 horas quando eu pude finalmente pular na minha cama. Minha mãe ainda estava acordada, e entrou no meu quarto alguns segundos depois. Fiquei a olhando enquanto ela pegava algumas roupas minhas que estavam jogadas.
–– Você soube? –– ela perguntou do nada.
–– Do que? –– perguntei de volta, realmente curiosa para ouvir a resposta.
–– Nossa, você vive dentro da casa do garoto e não soube? –– ela riu da cara que eu fiz.
–– Sério mãe, o que é? –– perguntei novamente, já sem muita paciência.
–– Os pais daquele seu amigo, Naruto, sabe? –– concordei com a cabeça. –– Então, eles morreram.
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