Notas iniciais
Estou postando este agora, porquê... sim KKKKKKKKKKK' Bem, eu acho que vou demorar um tiquinho pra postar o outro, mas mesmo assim... E se preparem, pra muita melação. Adios ♥

Tudo bem, eu estou com vontade de matar a Hinata. A razão disso, é que ela foi tentar montar a barraca e acabou por DESMONTAR e QUEBRAR ela inteirinha, e agora, a gente tem que dormir naqueles sacos de dormir, enquanto a lona do que sobrou daquela barraca novinha nos cobre. Parece ser bastante legal dormir desse jeito, quase como brincar de casinha, mas quando chovisca algumas vezes, acredite, não é. Parece muito que estão jogando dinamites encima da lona, e eu não consigo dormir.

Faz somente um dia desde que chegamos aqui, e eu estou seriamente com vontade de ligar pra minha mãe e falar pra ela mandar meu pai vir me buscar. Nunca fui apegada com internet, e todas essas coisas, mas agora tudo isso está fazendo falta –– muita mesmo. Hinata me PROIBIU de ouvir música antes de dormir, porquê segundo ela, estamos agora em um ar “natural” e então, devemos respeitar a natureza e não afetar seus ouvidos com o tipo de música ruim que eu ouço. Mas eu acho que a natureza até gosta, quem não gostaria de ouvir um rock bem pesado?

Hoje ela teve uma idéia muito idiota; a gente iria fazer uma fogueira. Eu tinha um esqueiro na minha mochila –– a razão disso, por ter levado duas caixinhas de cigarro comigo –– e falei que seria mais fácil se a gente fizesse isso da MINHA maneira ao menos uma vez. Mas Hinata apenas balançou a cabeça e disse que “NÃO!”, ainda acrescentou novamente a coisa da natureza e todas essas coisas que eu estou começando a decorar. Depois de no mínimo uma hora, ela conseguiu acender aquele monte de galhos quebrados que chamava de “fogueira”.

–– Ah, isso sim é vida. –– Hinata disse, enquanto se deitava para olhar o céu. Estava escuro, então podia se ver as estrelas bem claramente. –– Não acha?

–– Não. –– respondi, me arrependendo uns dois segundos depois por isso, porquê ela acabou por jogar lama no meu rosto. –– Porra, não faz isso. –– falei pegando uma garrafa e tacando água pra lama sair.

–– Tá limpinha? –– ela perguntou. Assenti com a cabeça, somente. –– Então deita aqui do meu lado.

Quase imediatamente foi isso que eu fiz. Nossos sacos enormes de dormir estavam grudados, e formava quase um couxão, nos separando por centímetros. Fiquei olhando para a mesma direção que Hinata. Antes eu não sabia, mas as estrelas, vistas daquele fim de mundo, eram mais lindas que o normal. Talvez nem fossem, e isso era apenas mais um pensamento louco da minha cabeça. Que seja. Isso é coisa de gente apaixonada.

–– Está fazendo frio, não acha? –– Hinata me perguntou, e não deixando tempo para que eu respondesse, me abraçou. –– Pronto, agora vai melhorar. Minha mãe costumava dizer, que quando está frio, é só você ficar bem quietinha, que logo esquenta.

–– Você tá parecendo uma velha falando assim, sabia? –– perguntei, rindo um pouco em seguida.

Depois disso, foi silêncio total. Nem eu, nem Hinata conseguimos falar alguma coisa –– mas na minha cabeça, três pequenas palavras me atormentavam para sair. Estranhei um pouco quando ela levou a mão até meu queixo, e levantou meu rosto o suficiente para olhar em seus olhos. Cara, eu sempre vou pirar quando olhar para ela. Sempre.

–– Tem outra coisa que minha mãe não disse que pode esquentar. –– ela disse, se aproximando de mim. E então, aconteceu a mesma coisa de alguns dias atrás.

Eu estranhei aquela atitude de Hinata, porquê geralmente ela não deveria fazer isso, quando está namorando com um cara. Mas acho que ela é o tipo de garota que gosta de mecher com fogo, mesmo que na maioria das vezes saia queimada. Retribui o beijo, tentando não ficar tão vermelha só pelo fato dela ter colocado uma das pernas por cima de mim. Não precisei me afastar dela, porquê ela fez isso primeiro.

–– Eu te amo, Sakura. –– Hinata disse, me fazendo ficar ainda mais vermelha e arregalar um pouco os olhos. Ela achou graça daquilo, e logo em seguida me abraçou. –– Então por favor, me ame também.

Me levantei naquele mesmo instante, e olhei confusa para ela –– sem dizer que quase cai na nossa pequena fogueira. Eu não sabia o que dizer, como sempre. Comecei a andar de um lado para o outro, como se esperasse que o vento me desse uma resposta, mas não foi isso que aconteceu. Peguei meu saco de dormir, e comecei a sair, para entrar novamente pra debaixo da nossa lona. Mas Hinata também se levantou, e começou a dizer algo que me fez parar...

–– Eu acho que você precisa de alguém que te queira. –– ela disse. –– Bem, eu quero você. Então seja corajosa! E me queira também!

Não sei porquê ela estava falando tanto “também”, como se implorasse que eu a amasse –– como se eu já não fizesse isso durante todos esses anos. Me virei, olhei para ela por mais um tempo, e segui em frente. Eu poderia muito bem ficar e dizer o quanto a amo, e seríamos felizes, mas não é assim que as coisas funcionam. Pelo menos não para mim.

Tentei ficar em um lugar bem mais longe que o normal de Hinata, e me recusava também a sequer olhá-la. Quando ela voltou para dentro, estava começando a chover. Pude perceber que ela olhou diretamente para o meu lado, e achando que eu deveria ter dormido, apenas foi para o seu canto.

O que eu tinha acabado de fazer? Nem mesmo eu sabia. Tinha dado um fora da garota que eu amo a anos, pelo simples fato de ainda não saber se gosto de garotas ou não, pelo simples fato do preconceito e pelos simples fato de que eu talvez seja expulsa da família ao me “revelar”.

No meio da noite, lá pelas 04:00 da manhã, eu comecei a chorar. Era um choro desesperador, onde eu cerro os dentes e somente eu posso ouvir minha própria tristeza. Mas dessa vez não foi assim. Eu estava deitada de bruço enquanto chorava, quando deixei um grito sair. Hinata de imediato se levantou e veio até mim. Eu já sabia que ela não estava mesmo dormindo, e acredite, eu não fiz isso somente para chamar sua atenção, pelo contrário, por mim, nem tinha a acordado.

–– O que foi, Sakura? –– Hinata me perguntou, enquanto tentava olhar para o meu rosto.

–– O que foi que eu acabei de te dispensar. –– comecei a falar, mesmo que eu não percebesse. –– Entendeu? Foi isso que foi. Tudo o que eu já sonhei em fazer com você, tudo o que já sonhei em fazer para nós duas. Tudo se foi. Meus sonhos, e expectativas. Eu fiz tudo errado e deu nisso.

–– Não deu nada errado. –– Hinata disse, e eu levantei um pouco a cabeça, deixando somente meus olhos aparecerem. –– Eu estou bem aqui, na sua frente e não vou te deixar até que você me conte tudo o que já sonhou para nós. Entenda que eu nunca vou desistir de você, nunca mesmo.

Parei de chorar depois que ela disse isso. Será mesmo que aquilo era verdade? Eu não queria ouvir ou ler que ela nunca iria desistir de mim, eu queria ver aquilo, na prática. Hinata se sentou ao meu lado, e ficamos olhando para o chão por um bom tempo.

–– E o preconceito? –– perguntei, chamando sua atenção. Hinata me olhou de um jeito indecifrável, mas logo depois sorriu.

–– A gente supera. –– respondeu. –– Até porquê não vai ser pessoas zoando da gente, que vai me fazer querer terminar com você. Eu já disse que te amo? Oh, espere, eu acho que não. –– ela começou a fazer uma voz engraçada, que me fez rir e logo em seguida Hinata fez cócegas em mim, me derrubando e ficando por cima do meu corpo. Ela se afastou e olhou para mim, antes de recomeçando a me beijar.

Talvez eu esteja fazendo a coisa certa, ou talvez não. Quem sabe? Sempre fui certinha, fazendo tudo nos limites, como se fosse uma santa. Mas acontece que nessa história de amor, eu acabo virando outra pessoa. Uma pessoa mais sensível, que fica chateada até com apelidos antigos. Fico imaginando minha família recebendo essa notícia, e sonhando que eles me aceitem. E se não aceitarem? Bem, eu ainda não pensei nessa parte.

–– Ei, não acha que está frio? –– Hinata perguntou, levantando o corpo e se enfiando por baixo da coberta, me levando junto. –– Acho que podemos fazer aquela coisa que minha mãe não citou.

Eu e Hinata ficamos horas nos beijando, e aquelas foram as horas mais preciosas da minha vida. Não sei o que a sociedade vai falar, o que vão achar ou o que deixarão de achar, mas sei que eu amo essa garota mais do que qualquer coisa, e agora que finalmente nos acertamos, nunca mais a deixarei ir pelo simples medo de dizer um “eu te amo” quando nos encontramos na rua ou na escola. Estar com ela aqui e agora, é quase como um sonho que antes eu só podia presenciar quando tomava aqueles remédios da minha mãe, mas agora parece que eu posso senti-la a todo segundo que eu quiser. Me apaixonar pela minha melhor amiga... Uma das piores e melhores coisas que eu já poderia ter feito na minha vida.