You Have Me
77 Second Chance
Alice
O que é que ele estava a fazer aqui? Porque raio é que ele está aqui outra vez? O que ele quer? Estou com tanto medo que ele volte a discutir comigo. Não sei o que fazer. Mal o vi, fugi para o meu quarto. Não sei como o encarar. Enfiei-me no chuveiro e abri a água quente para aliviar um pouco a tensão. Relaxei um pouco mas o medo não desapareceu. Quando acabei, saí do chuveiro, vesti um pijama e deitei-me na cama. Não queria descer, não queria correr o risco de o encontrar lá em baixo. Mesmo que eu conseguisse enfrentá-lo, eu não queria fazer a Esme sofrer! Eu sabia que ela estava feliz por o pai dela estar cá, eu sabia que ela o amava, não queria piorar ainda mais as coisas.
Eu teria que descer para jantar eventualmente, a Esme não me deixaria não jantar ou vir jantar para o quarto. Mas eu tinha tanto receio de descer e ele começar outra discussão!
Ouvi baterem levemente à porta e depois ouvi a voz do Jasper a dizer que ia entrar. Ele e entrou e fechou a porta atrás dele.
– Já deitada na cama? – Comentou ele num tom de brincadeira.
– Estou cansada, não posso estar deitada? – Perguntei, entrando na brincadeira.
– Claro que podes! – Respondeu, juntando-se a mim na cama.
Aproximei-me dele e aconcheguei-me a ele, sentindo o seu amor e a segurança que ele sempre me transmitia. Ele passou o braço pela minha cintura para nos aproximar mais um pouco e deixei-me ficar ali apenas a sentir o cheiro e o calor dele.
– Não te preocupes! Se ele voltou é porque percebeu que fez porcaria. – Disse ele percebendo logo com o que eu estava preocupada!
– Como é que sabes?
– Porque sempre foi assim! Ele arranja uma discussão, chateia-se com a mãe e depois passado uns meses volta para lhe pedir desculpas e como agiu mal perante o que tinham discutido. Se ele voltou, é porque já deve ter pedido desculpas e percebeu que agiu mal.
– Bem, espero que seja isso. Eu só não quero voltar a discutir com ele. Sei o quanto isso magoaria a Esme e isso é o que eu não quero fazer.
– Vais ver que sim. Ele não vai querer arranjar outra confusão, pelo menos logo depois da mãe o ter perdoado.
– Espero que sim. Não faço questão que ele goste de mim mas não quero que ele magoe a Esme por minha causa.
– Eu sei, Lice! Vais ver que vai correr tudo bem.
– Sabes quanto tempo é que ele vai ficar por cá?
– Não, não sei. Acho que nem ele sabe quando irá embora. – Respondeu. Não disse mais nada durante um tempo, fiquei apenas aconchegada a ele como gostava de fazer. Passado uns minutos a Esme veio chamar-nos para irmos jantar. Não estava com muita vontade de descer e jantar com ele na mesma mesa, mas o Jasper fez me descer para comer, alegando para eu agir o mais naturalmente possível em durante a estadia do avô dele aqui.
Quando chegámos lá a baixo, já estava toda a gente sentada à mesa à nossa espera para comer. Eu e o Jasper sentámo-nos um ao lado do outro e deu-se assim início à refeição. Todo o jantar foi acompanhado de uma conversa agradável, à qual eu não participava muito. Ainda não conseguia dizer muito com o pai da Esme próximo de mim. Mas todos estavam felizes, conseguia perceber isso, principalmente a Esme. Ela estava feliz por ter o pai em casa e vê-lo tão envolvido com as pessoas que ela tanto ama.
Depois do jantar e de ajudar a Esme a arrumar tudo, fui ter com eles à sala. Era dia de passar o episódio da nossa série preferida na televisão e nós juntávamo-nos sempre para ver e comentar o episódio. O Jasper estava sentado na poltrona individual e decidi por me sentar ao colo dele. Ele, como sempre, aconchegou-me no seu colo e beijou-me a testa ternamente. Pousei a minha cabeça, na curvatura do seu pescoço e fiquei assim, durante todo o episódio. Por estranho que pareça, o pai da Esme esteve connosco o tempo todo sentado no sofá a assistir ao episódio também. A Esme estava a ler no escritório enquanto o Carlisle resolvia alguma coisa do trabalho. Quando o episódio acabou, acabaram por mudar para outro canal ficando a passar outro programa na televisão. Eu perdi o interesse pela televisão e fiquei apenas a apreciar o facto de ter o Jasper tão próximo e o carinho que ele me fazia na nuca. Acabei por fechar os olhos e relaxar.
– Olha a dorminhoca, já a querer dormir! – Ouvi o Edward a dizer o que me fez rir com os outros.
– Não tenho a culpa de adormecer facilmente se estiver confortável. – Resmunguei
– Normalmente, quando alguém diz que adormece quando está confortável, fala de uma cama ou de um sofá, não do colo do namorado! – Comentou a Rose rindo ao mesmo tempo, levando o Edward e o Jasper a rir também.
– Vocês estão é com inveja! – Disse para eles. – Não é Jazz? – Perguntei olhando para ele. Ele riu-se um pouco.
– Sim, eles estão com inveja! – Respondeu, beijando-me de seguida a minha testa. Aconcheguei-me melhor nele e voltei a prestar atenção à televisão. Já tinham mudado de canal outra vez e estava a passar uma série que víamos de vez em quando. Prestei atenção durante uns minutos ao episódio mas voltei a fechar os olhos inconscientemente. Eu estava cansada, dias de praia sempre me deixavam cansada. Voltei a abrir os olhos, não queria adormecer já. Estive neste processo de combater o sono durante algum tempo. O facto de o Jasper me continuar a acariciar a nuca também não ajudava.
– Querida, vai para a cama! Estás a lutar contra o sono. – Disse a Esme encostada ao sofá onde a Rose e o Edward estavam. — Sorri e abri os olhos lentamente, olhando para ela. Ela sorria carinhosamente para mim. – Vá, anda para cima. Também me vou deitar. Subimos as duas. – Disse ela estendendo a mão para mim. Dei um beijo na bochecha do Jasper e desejei-lhe boa noite. Ele fez o mesmo. Levantei-me de seguida do colo dele e fui ter com a Esme. Subimos as duas juntas e depois dela me deixar no meu quarto e me desejar boa noite, foi para o dela. Assim, que entrei no quarto preparei-me para ir para a cama e de seguida aterrei lá. Estava cansada e sonolenta, não demorando assim a adormecer.
Na manhã seguinte, quando acordei já era perto do meio-dia, o que significava que eles não deviam ter querido ir à praia. A Rose acordava-me sempre cedo quando queria ir à praia. Levantei-me e fui tomar um duche rápido, vesti algo confortável para andar por casa e desci para comer algo.
– Bom dia, querida! Dormiste bem? – Perguntou a Esme.
– Dormi. – Respondi sorrindo. – Vim comer algo, estou com alguma fome.
– Não comas muito querida, daqui nada, vamos almoçar.
– Está bem. Onde estão todos? – Perguntei, visto que a casa estava silenciosa.
– Na piscina. – Respondeu ela.
Comi num instante e depois fui buscar o meu bloco de desenhos e o meu lápis para ir desenhar lá para fora. Não me apetecia ir para a piscina, além do tempo estar agradável. Mas a água é sempre muito fria para mim, preferia ficar a apanhar sol.
Assim, que cheguei lá fora deparei-me com todos dentro de água. Incluindo o Carlisle e o pai da Esme. Sempre pensei que ele fosse demasiado sério, para entrar numa piscina para entrar na brincadeira com os netos e os seus namorados, visto que a Bella e o Emmet também se encontravam na piscina. Sentei-me numa das espreguiçadeiras e comecei a desenhar, o que me fez perder a noção do tempo e do espaço. Quando voltei a dar por mim, alguém estava sentado na espreguiçadeira ao meu lado, a chamar-me. Quando olhei e percebi quem era, encolhi-me inconscientemente na cadeira.
– Desculpa, não queria assustar-te. – Disse o pai da Esme num tom baixo. – Só queria falar um pouco contigo. – Continuou. Eu continuei em silêncio, visto que não sabia o que dizer e não estava em condições de dizer alguma coisa. — Sabes, fazes-me lembrar a Esme quando ela tinha a tua idade. – Comentou, o que me fez olhar intrigada para ele. – Ela também andava sempre com um caderno de desenho para todo o lado e desenhava em todo o lado, principalmente depois da mãe dela ter morrido. Acho que a ajudava a exteriorizar tudo o que sentia. – Explicou ele percebendo que eu estava confusa. Eu sabia que a Esme trabalhava, já não tão ativamente, no ramo do design de interiores e decoração mas não sabia que ela gostava tanto de desenhar, ou pelo menos gostou.
– Não sabia. – Disse num sussurro.
– Bem, mas não foi disso que vim falar. – Disse ele agora mais contido. – Eu queria vir-te pedir desculpas por tudo o que se passou na festa de anos da minha filha. A Esme é tudo para mim e sempre a quis proteger de tudo, principalmente depois da mãe dela morrer. Mas sei que às vezes, quando penso que a estou a proteger, no fundo só estou a magoa-la. E o que aconteceu nos anos dela, foi um desses momentos. Eu reagi muito mal e disse coisas que não devia ter dito. Por isso, peço desculpas e espero que algum dia me perdoes por tudo o que te disse e por tudo o que te fiz passar. – Finalizou. Acho que fiquei surpresa demais com tudo o que ele disso. Não estava propriamente à espera de um pedido de desculpas vindo dele. Não sabia o que dizer, uma vez que, neste momento, não conseguia dizer com sinceridade que o perdoava. Ele disse coisas que me magoaram profundamente e magoou a Esme, algo que eu não levo de forma simples. Mas ele mostrava-se verdadeiramente arrependido, isso era certo.
– Não posso dizer, agora, que o desculpo. Porque não seria sincero. Não o desculpo totalmente, ainda. Ainda magoa o que me disse e o facto de ter feito a Esme sofrer. Principalmente, por ter feito a Esme sofrer. – Comecei num tom baixo. – Mas podemos tentar conviver e tentar conhecermo-nos melhor. Consigo tentar dar-lhe uma segunda oportunidade, se quiser aceitá-la. – Respondi. Sabia que tentar conhece-lo e tentar conviver com ele, iria fazer a Esme feliz. Por ela, iria tentar, podia ser que me surpreendesse. – Talvez um dia, o conseguirei perdoar totalmente, mas hoje não. Espero que compreenda.
– Eu compreendo, Alice. – Respondeu sinceramente. – E obrigada por me dares uma segunda oportunidade, eu vou aceitá-la e vou faze-la dar certo. – Disse com convicção. Sorri para isso. – Já agora, o desenho está fantástico. Onde é? Parece-me que conheço o local.
– A praia de La Push. Adoro desenhá-la, acho um locar muito bonito.
– Bem me parecia e tens razão é um local muito bonito. Já não vou lá há alguns anos. – Comentou. – Bem, acho que vou voltar para dentro de água. Não vens para a piscina?
– Não, obrigada. A água é muito fria.
– Acho que devias tentar, ela hoje está bastante boa!
– Talvez depois de almoço. – Respondi.
Ele voltou para dentro de água como disse e eu voltei a embrenhar-me no meu desenho. Quando voltei a dar por mim era a Esme a chamar-me para irmos almoçar. O almoço foi agradável e estavam todos de bom humor, fazendo com que o almoço tenha sido divertido também. Mas também quando se almoça com o Emmet, o almoço acaba sempre por ser divertido.
O resto da tarde passou rápido, entre conversas e brincadeiras. Eu acabei por não ir à piscina, não arranjei coragem para isso. Noutro dia, iria. Quando o sol se pôs, o Emmet e a Bella acabaram por ir para casa deles. Acabei por ajudar a Esme com o jantar e depois de jantarmos num ambiente menos tenso do que o da noite passada, fiz companhia à Rose na sala a ver um filme. Quando o filme acabou já me encontrava ensonada, indo de seguida para a casa, adormecendo num instante.
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