No dia seguinte, as aulas passaram num instante. Quando elas acabaram voltei para casa. Decidi ir fazer logo os trabalhos de casa, hoje tinha bastantes e estava com esperança de os conseguir fazer rapidamente. Abri os meus livros e os meus cadernos na minha secretária e comecei a faze-los. Ao início tudo correu bem, eu agora tentava prestar mais atenção às aulas e em algumas disciplinas estava bem melhor. Conseguia fazer os trabalhos de casa facilmente, mas quando chegou a matemática, começou a correr mal. Por mais que eu prestasse atenção às aulas, eu não conseguia perceber nada da matéria. Nada mesmo. Fiquei a tentar mais um bocado, mas nada me dava certo e de certeza que estava a inventar coisas que nem deviam existir em matemática. Passado um pouco, acabei por desistir, já estava um pouco farta e muito irritada. Matemática deixava-me sempre assim. Como sempre, para acalmar um pouco, fui desenhar. Já tinha o meu bloco quase cheio, não podia esquecer-me de comprar outro. Embrenhei-me de tal forma no desenho que perdi a noção da realidade. Só acordei quando alguém bateu à porta do meu quarto.
- Entre! – Disse continuando a desenhar. Estava a desenhar a praia de La Push. Há muito tempo que o Jasper não me levava lá e já estava com saudades, eu, simplesmente, adorava aquela praia. Senti a cama a afundar do meu lado e olhei para ver quem era. – Rose. – Disse sorrindo assim que a vi. Percebi que ela vinha-me contar algo. Já a conhecia suficientemente bem.
- Foste tu que desenhaste? – Perguntou ela olhando para o meu desenho.
- Sim, mas não está nada de especial. – Respondi tentando fechar o caderno.
- Alice, está lindo. Parece uma fotografia a preto e branco da praia de La Push. – Disse ela admirando o desenho. Sorri envergonhada. – Ali, porque é que tens tanta vergonha dos teus desenhos? – Perguntou a Rose curiosa.
- Não sei. – Respondi sincera. – Apenas não me sinto muito à vontade com as pessoas a verem-me os desenhos. Não sei explicar, Rose.
- Mas vais ter que mostrar ao psicólogo. – Disse ela.
- Eu sei. – Respondi meio nervosa. – Estou a pensar seriamente a fingir que me esqueci de levar o bloco de desenhos. – Disse-lhe.
- E depois ele vai pedir que leves para a outra sessão e que desculpa vais dar? – Perguntou ela. Eu sabia que ela compreendia a minha vergonha mas também percebia o ponto dela. Ia ser difícil esquivar-me em todas as sessões. – Alice, não tens de ter vergonha daquilo que desenhas. Para começar, desenhas extraordinariamente bem e olha que se eu não achasse isso não to dizia. E depois, desenhar é a maneira como te exprimes e o psicólogo só quer ver isso, mais nada.
- Mas eu acho que é por eles representarem tanto de mim que eu tenho medo de os mostrar. Não sei, faz-me sentir exposta. – Disse.
- Eu compreendo, Alice. Mas só expondo os teus sentimentos é que vais começar a melhorar, porque eu sei que ainda há aí dentro, uma quantidade de sentimentos por resolver. – Explicou ela olhando nos meus olhos. – Eu compreendo que deva ser difícil porque eu acho que também me sentiria desconfortável, mas tens de tentar, aos poucos. Se começares a sentir-te desconfortável, dizes ao psicólogo que queres parar. Ele não pode obrigar-te a falar nada. Está bem? – Perguntou ela.
- Está bem. – Respondi, sorrindo um pouco. – Queres ver os meus desenhos? – Perguntei. Eu sabia que ela queria. Ela, praticamente, todos os dias, chateava-me por causa disso. Ela era mesmo muito curiosa.
- Vais deixar-me vê-los? – Perguntou ela com os olhos a brilhar e com um sorriso enorme no rosto. Se eu soubesse que ela iria ficar tão feliz por ver os meus desenhos, já lhos tinha mostrado.
- Sim. – Respondi. – Quero que tu sejas a primeira a vê-los. – Disse sorrindo para ela. Voltei a abrir o meu caderno, no primeiro desenho e pus o caderno entre nós duas. Ela começou a ver os desenhos. Não dizia nada, apenas via os desenhos ao mínimo detalhe e depois passava a folhas com um cuidado exagerado com medo que a folha rasgasse. Quando ela chegou ao desenho onde estava a nossa família representada, ela ficou a encarar o desenho muito mais tempo que os outros.
- É a nossa família. – Disse ela num tom baixo. – Está lindo, Alice! – Exclamou ela admirada.
- Obrigada. – Agradeci no mesmo tom dela. Ela voltou a passar as folhas e passou-se mais um tempo até ela acabar de ver todos os desenhos.
- Estão lindos, Alice! – Admirou ela quando acabou de os ver todos. Corei um pouco com o que ela disse. – Não deves ter vergonha de mostrar os teus desenhos. Das pessoas que conheço, és a que desenhas melhor.
- Obrigada, Rose, mas não precisas de exagerar! – Disse.
- Ali! Tens de perceber o talento que tens, tens de perceber que és boa nisso! Não tenhas medo de admitir isso. Tu és tão talentosa e não reconheces isso. – Comentou ela. – Devíamos emoldurar todos os teus desenhos, Alice. – Disse ela fazendo-me rir.
- Mas, mudando de assunto. Quando entraste no meu quarto, pareceu-me que me ias dizer alguma coisa. – Comentei.
- Ah, já me esquecia! Bem, a mãe faz anos no próximo fim-de-semana. – Começou ela. – Não te assustes, está bem?
- Não estou a perceber nada, Rose. – Disse um pouco confusa. Porque é que eu haveria de me assustar com os anos da Esme?
- Bem, é normal, quando a mãe faz anos, que se convide a família toda para um almoço cá em casa. E quando eu digo a família toda, estou a dizer, avós, tios, primos, tanto do lado da minha mãe como do lado do meu pai. Ainda é alguma gente. – Comentou a Rose cautelosa. E ela tinha razões para isso. Eu estava a entrar em pânico. A família toda? Nunca tinha pensado em conhecer a família deles. Era estranho. Provavelmente, eles irão ver-me como uma estranha que entrou clandestinamente na família. Eu nem sabia se eles já tinham conhecimento de quem eu era. – Alice, estás pálida! Respira! – Pediu a Rose.
- A família toda? – Perguntei num fio de voz.
- Sim, toda.
- Achas que a Esme ficaria muito chateada se eu não fosse ao almoço? – Perguntei. Eu sabia que ela iria ficar, mas tinha medo de conhecer o resto da família deles.
- Alice! – Repreendeu a Rose. – Claro que vai! Tu és parte da família, vais participar no almoço também. – Disse ela. – Eles não são assim tão assustadores. Vais ver que vais gostar deles.
- Eu não tenho dúvidas que irei gostar deles, Rose. Esse não é o problema. O problema é eles gostarem de mim.
- Não penses nisso agora. Está bem? Quando chegar ao momento, logo vez o que irá acontecer. Sabes que por mais que eles não gostem de ti, ou não te aceitem, tu sempre serás minha irmã e filha da Esme e do Carlisle. Nós nunca te iremos deixar, Ali. És demasiado importante para nós, toma consciência disso. – Disse ela beijando a minha bochecha e acariciando a minha mão para me reconfortar. Sorri um pouco para ela e depois abracei-a. – Vai correr tudo bem, Ali. Nós vamos estar ali para ti.
- Espero que corra tudo bem, Rose. – Desabafei. – Entre! – Disse assim que ouvi bater à porta do meu quarto.
- Queridas, o jantar está na mesa. Vamos comer. – Informou a Esme, sorrindo maternalmente para nós. Levantámo-nos as duas da cama e fomos com a Esme para baixo. Já estavam todos à nossa espera. Assim que nos sentámos, começamos a comer. Como estávamos todos juntos, a Esme e o Carlisle aproveitaram para informar que no Sábado, dia de anos da Esme, ia haver um almoço de família. Eu tentei não entrar em pânico outra vez, não queria que a Esme ponderasse sequer a ideia de não fazer o almoço por causa de mim, porque eu tinha a certeza que se eu tivesse a mesma reação que tive quando a Rose me contou, ela cancelaria tudo. E eu não queria isso.
Via-se que ela estava feliz por ir ver a família e por isso, eu ia tentar não entrar em pânico por causa disso. Continuámos a jantar e depois de todos acabarmos fui para o meu quarto desenhar. Era estranho, mas eu refugiava-me sempre a desenhar. Era quando me sentia melhor. Desenhei até o sono vir e depois deitei-me para dormir. Amanhã, tinha aulas e para variar tinha que acordar cedo.
Notas finais
Muito atrasada eu sei! :$ Mas a partir de agora prometo que vou normalizar as postagens dos capitulo! (: Espero que tenham gostado dos capitulos e fico a espera dos vossos comentárioss!
Beijinhos
S2
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