You Have Me

9 Make Her Happy


Jasper

Depois de sair da escola, decidi passar pela instituição. Provavelmente, a Alice estaria lá sozinha. Cada vez gostava mais de estar com ela. Gostava de a fazer sorrir, era tão raro ver o sorriso dela, mas ele era tão bonito. Ela já tinha passado por muito na vida, e nunca soube o que era o amor.

Quando cheguei à instituição, comecei a ouvir a Ellen a gritar com alguém. Muitas da vezes, ela era um pouco bruta na maneira como falava. Não sabia com quem é que ela estava a falar. Decidi entrar mas a Alice passa-me à frente a correr, a chorar. A Ellen tinha ido longe demais com a Alice. Estava praticamente, sempre a gritar com ela, mesmo que a Alice não tenha feito nada de especial.

- Não é preciso ser tão bruta com ela. – Disse-lhe.

- Preciso. Ela precisa de aprender as regras aqui da instituição. – Disse ela chateada.

- A Alice é frágil e se estiver sempre a zangar-se com ela, ela provavelmente vai tentar outra vez suicidar-se. – Disse-lhe. Tinha medo que ela tentasse outra vez. Da outra vez que ela tentou e eu encontrei-a, fiquei muito assustado, fiquei com medo que ela morresse. Nunca me tinha sentido assim em relação a alguém mas a Alice fazia com que eu sentisse necessidade de a proteger.

- Se ela mais alguma vez, tenta uma coisa dessas, expulso-a da instituição. – Disse ela fria.

Nem sequer me dei ao trabalho de responder, virei-lhe as costas e fui até ao quarto da Alice. Abri a porta devagarinho para não assusta-la e deparei-me com ela deitada na cama a chorar. Não gostava nada de a ver chorar. Ela merecia ser feliz e desde que a conheço só a tenho visto chorar. Cheguei-me ao pé dela. Agachei-me para ela conseguir ver a minha cara.

- Alice, não fiques assim. – Disse acariciando-lhe a mão. – Eu estou orgulhoso de ti, subiste as notas todas. – Disse sorrindo um pouco para ver se ela sorria.

- Eu…Eu esfor… esforcei-me tanto… — Disse ela entre soluços.

- Eu sei, por isso é que estou orgulhoso. Não ligues à Ellen. – Disse-lhe.

- Está bem… — Disse ela limpando as lágrimas. Ela levantou-se e ficou sentada na cama. Sentei-me ao lado dela.

- Anda, vamos sair. – Disse-lhe. Ia levá-la ao centro comercial, visto que na rua estava a chover e estava muito frio.

- Onde? – Perguntou ela a soluçar, ainda.

- Ao centro comercial. – Disse-lhe. Ela deu-me um sorriso fraco, mas foi um sorriso.

- Nunca fui a nenhum… — Disse-me ela, baixinho.

- Há sempre uma primeira vez para tudo. – Disse-lhe sorrindo. Ela levantou-se da cama e foi à casa de banho lavar a cara. Penteou-se e vestiu um casaco.

- Estou pronta. – Disse ela um pouco mais feliz.

- Então vamos, acho que vais gostar. Se quiseres até podemos ir ao cinema. – Disse-lhe. Fazia de tudo para a ver um pouco mais feliz e a sorrir.

- Não, não é preciso… — Disse ela. Via-se que ela queria ir mas por alguma razão disse que não.

- Eu sei que queres ir. – Disse-lhe.

- Não tenho dinheiro. – Confidenciou-me ela. Ela disse que não porque não tinha dinheiro para pagar o bilhete.

- Não faz mal, eu pago! – Disse-lhe. Ela ia abrir a boca para contestar. – E nada de dizer que não. Eu é que convidei, eu é que pago. – Disse-lhe. Ela abriu um sorriso tímido e inconscientemente formou-se um sorriso no meu rosto.

- Ok… — Disse ela vencida.

Fomos os dois em direcção ao meu carro. Ela sentou-se no banco ao lado do motorista e eu no lugar do motorista. Conduzi até ao centro comercial mais próximo. Ela passou o caminho todo a admirar a paisagem. Íamos em silêncio, mas um silêncio confortável.

Chegámos ao centro comercial em vinte minutos.

- Chegámos! – Anunciei. Ela abriu a porta e saiu do carro, eu fiz o mesmo. – Então, onde queres ir primeiro? – Perguntei.

- Não sei… — Disse tímida. Ela era adorável quando estava envergonhada.

- Primeiro, podemos ir ver as montras das lojas e depois vamos ao cinema, à sessão das seis, o que achas? – Achei que ela gostaria de ver roupa e outras coisas. Afinal de contas, ela era uma rapariga.

- Pode ser. – Respondeu ela. Dirigimo-nos para a entrada do centro comercial e fomos dar uma volta por lá. Ela ficou fascinada, quando viu tantas lojas. Transformou-se noutra Alice. Ela ficou tão feliz, o sorriso não lhe saiu da cara. Ela arrastava-me para todas as montras. Não sei como não se cansava. Eu estava feliz por ter conseguido fazê-la sorrir. Quando olhei para o relógio, percebi que estava na hora de irmos para o cinema.

- Alice, vamos para o cinema? – Perguntei-lhe quando parámos numa montra de uma loja de roupa para raparigas.

- Vamos! – Disse ela alegre. Ela parecia que estava aos pulinhos de tanta felicidade. Ri-me. – O que foi? – Perguntou-me ela.

- Nada, acho piada quando tu ficas aos pulinhos de tanta felicidade. – Disse-lhe.

- Eu não faço isso! – Defendeu-se ela.

- Fazes, fazes. – Disse-lhe, ainda a rir.

- Deves estar a ver mal. – Disse ela. Ri-me outra vez. E ela riu-se comigo. O riso dela era lindo. Estava tão feliz por conseguir fazer a Alice rir. Ela merecia ser feliz.

- Que filme queres ver? – Perguntei-lhe.

- O que tu quiseres. Escolhe tu. – Respondeu ela. Escolhi um filme de comédia. Não sabia muito bem os gostos dela. Mal comprámos os bilhetes, entrámos logo para a sala de cinema. Sentámo-nos nos nossos lugares e esperámos que o filme começasse. Passei o filme todo a ouvir a Alice rir, não me cansava de ouvir. Fiquei contente por ter escolhido bem o filme. O filme passou num instante.

- Já acabou? – Perguntou ela, quando as luzes acenderam.

- Sim, acabou. Gostaste? – Perguntei.

- Gostei! – Disse ela sorrindo. – Obrigada, Jasper. – Disse ela abraçando-me. Aconcheguei-a nos meus braços e abracei-a também.

- De nada, Alice. Só queria ver-te feliz. – Disse um pouco mais baixo. – Vamos para a instituição?

- Sim. – Disse ela.

Fomos os dois até ao meu carro e depois eu conduzi até à instituição. Quando lá chegámos era hora de jantar. A minha mãe e os meus irmãos ainda estavam lá. A Alice entrou e foi comer. Ela devia estar com fome. Não comia desde a hora de almoço.

- Boa noite, querido. – Disse a minha mãe, dando-me um beijo na bochecha. – Onde estiveste?

- Fui com a Alice ao cinema. Ela estava um pouco triste, e fui tentar alegrá-la. – Disse-lhe. Ela sorriu ternamente para mim.

- Conseguiste? – Perguntou.

- Consegui! – Disse sorrindo. – Ela passou a tarde toda a sorrir. – Disse-lhe. A minha mãe sorriu carinhosamente para mim.

- Vamos para casa? O teu pai deve estar quase a chegar.

- Vamos. Só me vou despedir da Alice. — Disse-lhe.

- Ok, vai lá.

Fui até à sala, onde ela comia. Ela estava a comer calmamente e muito pensativa mas ainda continuava a sorrir.

- Boa noite, Alice. Até manhã. – Disse-lhe.

- Até manhã, Jasper. – Despediu-se sorrindo para mim. Sorri também para ela e fui-me embora. A minha mãe veio comigo e o Edward e a Rose foram no outro carro.

- Tu gostas da Alice. – Disse a minha mãe.

- Gosto, como amigo. – Disse-lhe.

- Não, há algo mais.

- Mãe, andas a ver coisas. – Disse eu rindo um pouco.

- Não ando, não. Daqui a uns dias vais-me dar razão. – Disse ela sorrindo. Fomos o resto do caminho para casa em silêncio. Quando chegámos, o meu pai tinha acabado de chegar. Entrámos todos e a minha mãe foi preparar algo rápido para jantarmos. Depois de jantar, fui ver televisão e a minha mãe veio para o pé de mim com um molho de cartas.

- O que é isso? – Perguntei-lhe.

- São as cartas das crianças lá da instituição. – Disse ela, sorrindo. Ela todos os anos pedia, para que as crianças escrevessem o que queriam no Natal.

- A Alice também escreveu? – Perguntei.

- Escreveu.

- Lê a carta dela. – Pedi.

- Está bem, deixa só encontrá-la. – Ela procurou no meio de todas as cartas a carta da Alice. – Está aqui. – Disse a minha mãe quando a encontrou. Desdobrou-a e começou a ler. – “Nunca pedi nada para o Natal. Nunca tive muito para pedir e este ano vai ser igual. Não tenho nada para pedir sem ser o impossível e já há muito tempo que não acredito em milagres. Tudo o que queria para este Natal, era ser amada. Ter alguém que se preocupasse comigo, que sempre que me visse mal, me viesse consolar. Queria ter alguém que me abraçasse quando precisasse, que me desse força quando precisasse de me erguer e seguir em frente, que me limpasse as lágrimas quando estas me escorriam pelas faces… Queria amor, apenas isso. Mas sei que isso é o impossível, porque todos os natais, pedia o mesmo, todos os dias peço o mesmo e nunca tive ninguém que me amasse, por isso desisti de pedir. Não valia a pena. Acabei por desistir de tudo. Do amor, da alegria, da amizade… de tudo. Nada valia a pena e agora muito menos vale. A única pessoa que me amou deixou-me e não tenho forças para continuar a lutar contra tudo sem ninguém. Por isso apenas desisti… Sei que era para pedir algo para o Natal nesta carta, mas simplesmente não tenho nada para pedir. Não há nada, que queira mais do que o amor e como isso é impossível, não quero nada. Porque sem o amor, nada me vai parecer bonito, nada me vai agradar, por isso quero primeiro o amor, e depois a ver se quero outras coisas.

Espero que tenha um bom natal. Alice” – Assimilei tudo o que a minha mãe me leu. A minha mãe estava a chorar descontroladamente. Ela queria apenas amor, algo tão simples e que nunca ninguém lhe conseguiu dar.

- Nunca pensei que ela se sentisse assim. – Desabafei com a minha mãe. A minha mãe não conseguia dizer nada. Ela era sensível e ajudava toda a gente. Ela também não tinha percebido a necessidade da Alice ter alguém que a amasse. Acho que ela se culpava um pouco por isso. Levantei-me do meu sofá e abracei-a. Ela afundou a sua cabeça no meu ombro. Sentia as lágrimas da minha mãe a molhar-me a camisola.

- Coitadinha… Ela nunca teve amor. – Disse a minha mãe quando se acalmou. – Nunca percebi que era isso que lhe faltava. – Continuou ela, ainda a chorar. Nesse momento, o meu pai entrou na sala e ficou preocupado quando viu a minha mãe naquele estado.

- O que se passou? – Perguntou preocupado.

- A mãe esteve a ler a carta da Alice. – Disse simplesmente. As palavras dela ainda ecoavam na minha cabeça.

- Essa rapariga já passou por muito. – Disse o meu pai.

- O que queres dizer com “já passou por muito”? – Perguntou a minha mãe. Também não sabia o porquê, mas consegui perceber que a vida dela nunca foi um mar de rosas.

- Os pais não a amavam, quem cuidava dela era o irmão. Eram pobres e todo o dinheiro que os pais ganhavam, gastavam em álcool. Quando o pai arranjou um emprego em Boston, foi para lá com a mãe e deixou a Alice e os irmãos cá, sozinhos. O irmão mais velho também saiu de casa, ficando apenas ela e o outro irmão. A casa foi assaltada uma noite e ela viu os assaltantes a matarem o irmão, ela também era para ser morta mas a ajuda chegou a tempo e conseguimos que ela sobrevivesse. – Contou o meu pai. A minha mãe chorava ainda mais. Nunca pensei que ela tivesse visto o irmão a morrer. Nunca pensei que a vida dela, tivesse sido tão má. Recostei-me no sofá e fiquei a pensar. A minha mãe estava a chorar ao colo do meu pai. Já estava um pouco mais calma mas ainda chorava. Ela tinha sofrido, mesmo muito, sabia que ela tinha sofrido mas nunca pensei que fosse tanto. Levantei-me do sofá e dirigi-me para o meu quarto. Deitei-me na cama e tentei adormecer, mas não consegui. A Alice não me saía da cabeça. Não me saía da cabeça tudo o que ela tinha passado. Não era para admirar que ela fosse tão frágil. Passei a noite toda às voltas na cama a pensar na Alice. Só cheguei a adormecer por volta das cinco da manhã.

Notas finais
Então? Gostaram do ponto de vista do Jasper?? Espero mesmo que sim! ^^ Fico à espera dos vossos comentários! (:
Beijinhos
S2