You Have Me
39 Helena
Alice
- Querida, eu não te vou julgar nem fazer nada, só quero saber como essa cicatriz apareceu no teu pulso. Eu sei que ela é nova. – Começou ela calmamente. – Só quero perceber, querida. Está bem? – Perguntou. Apenas afirmei com a cabeça. Eu não sabia se ela ia compreender ou não o que tinha acontecido. Eu mesma não compreendia. Agora, parecia tudo uma estupidez, mas na altura pareceu-me tão certo. A única solução. - Eu cortei-me. – Respondi simplesmente. Ela olhou para mim preocupada. - O que aconteceu? Porque fizeste isso de novo, querida? – Perguntou ela. Eu fiquei calada, não sabia o que dizer. – Só quero perceber. – Disse ela acariciando a minha bochecha.- Todos deixaram-me. Eu não conseguia aguentar o que estava a sentir. Era demasiado, Esme. Doía tanto. - Todos, quem? – Perguntou ela confusa.- A Ellen, a Rose, o Jasper… Eu fiquei sozinha, não sabia o que fazer, não sabia lidar com os sentimentos. Só sabia que estava a sofrer e queria pôr a dor emocional de lado. Na altura pareceu-me correcto, pareceu a única solução mas eu arrependi-me logo e prometi que nunca mais o fazia. – Expliquei tentando conter as lágrimas. – Depois quando eu e o Rose voltámos a ser amigas, ela descobriu e obrigou-me a ir ao hospital levar pontos. Tirei-os no Sábado. – Olhei para a Esme e vi-a de olhos fechados. Não sabia o que ia na cabeça dela. Não conseguia perceber se ela me tinha compreendido ou não. Ela voltou a abrir os olhos e eu vi medo e dor lá. Aquilo atingiu-me como uma faca no coração. Eu não queria ver a Esme com esta expressão no olhar. - Querida, promete-me uma coisa. – Pediu ela. – Não faças mais isso, por favor, por mais difícil que seja a situação, não faças mais isso. Eu não posso perder-te. Eu amo-te como uma filha e pensar que provocaste essa dor em ti, magoa-me. Tu não mereces isso, Alice. – Disse ela limpando as lágrimas que caiam dos meus olhos. – Não chores, amor. Não precisas de chorar. Eu estou sempre aqui para ti. Para qualquer situação. Quando te sentires como te sentiste no dia em que te cortaste, vem ter comigo e eu ajudo-te. Só te peço que nunca mais provocas essa dor em ti. - Eu prometo. – Disse entre soluços. Saber que a Esme me amava como uma filha, era o melhor sentimento que eu alguma vez poderia experienciar. Eu não conseguia dizer o quanto significava o amor dela por mim. - Shh, querida. Está tudo bem. – Disse ela para eu me acalmar. – Preferes creme ou violeta para o teu quarto? - Violeta. – Respondi dando um sorriso pequeno. - Se quiseres, podes ir querida. – Disse ela. – Estou a acabar um projecto. – Explicou ela beijando-me a testa e levantando-se do sofá. - Vou fazer os trabalhos de casa. – Disse-lhe saindo do escritório. Passei por a sala e não estava lá ninguém. Deviam estar todos no quarto. Fui em direcção ao quarto onde eu dormia. Tirei os cadernos e os livros da mala e comecei a fazer os trabalhos de casa. Quando estava a tentar fazer os de matemática, alguém bateu à porta. - Entre. – Disse. - O que estás a fazer? – Perguntou a Rose entrando no meu quarto.- A tentar fazer os trabalhos de matemática, mas acho que vou desistir. Estou quase à uma hora a tentar perceber o exercício e não consigo. – Expliquei.- Deixa ver. – Pediu ela. Passei-lhe o livro e ela começou a ler o exercício. – Não é assim tão difícil. Queres que eu te ajude? – Perguntou ela.- Sim, se faz favor. – Ela esteve ao meu lado a explicar-me o exercício até eu o conseguir perceber. Eu tinha imensas dificuldades com a matemática. Quando eu consegui perceber e fazer os outros exercícios, pus os livros de lado e fui-me sentar na cama com a Rose.- O que a minha mãe queria falar contigo, Alice? – Perguntou a Rose curiosa. - Ela descobriu a cicatriz. – Respondi. A Rose olhou para mim surpreendida. - Como? – Perguntou.- Não sei. Veio perguntar-me o que é que eu tinha feito.- O que respondeste?- A verdade. Não ia mentir, não para a Esme. - E ela? - Pediu para que eu não fizesse isso de novo. – Respondi olhando para as minhas cicatrizes.- Eu também não quero que faças isso de novo, Alice. É demasiado perigoso e eu não te quero perder. Em toda a minha vida, acho que foste a única pessoa que é realmente minha amiga. – Disse a Rose com a voz embargada. - Eu não vou fazer outra vez. Já te prometi e já prometi à Esme. Nunca mais vou voltar a cortar-me. – Prometi-lhe, abraçando-a. - Meninas, venham jantar! – Chamou a Esme do piso de baixo. Eu e a Rose levantámo-nos as duas da cama e fomos para baixo, para jantarmos. Quando estávamos a descer as escadas, ouvimos a Esme a falar com alguém à porta de casa. Quando descemos as escadas completamente conseguimos perceber que era a Helena. O que ela estaria aqui a fazer? – Não, o Jasper não pode falar contigo, agora. Eu digo-lhe que tu passaste por aqui e amanhã, ele fala contigo. Está bem? – Perguntou a Esme. A Helena reparou na nossa presença. Ficou um pouco a olhar para nós e depois afirmou com a cabeça para a Esme. Ela retirou-se e a Esme fechou a porta de entrada.
- O que ela queria, mãe? – Perguntou a Rose.- Queria falar com o Jasper, mas eu disse que ele não podia falar agora. – Respondeu a minha mãe. – Ele anda tão abatido, falar com a Helena não vai melhorar o seu humor.- Pois não. – Respondeu a Rose.- Vamos comer? Estão todos à nossa espera. – Informou a Esme. Fomos as três para a mesa e comemos num ambiente muito divertido. Ficámos sentados à mesa a conversar uns com os outros até quase às onze da noite. Depois de ajudar a Esme a arrumar a mesa e a cozinha, desejei as boas noites a toda a gente e fui para o meu quarto. Vesti o meu pijama e deitei-me na cama. Adormeci num instante. Na manhã, seguinte acordei com o despertador. Levantei-me a contra-gosto e fui até à casa de banho fazer a minha higiene. Eu odiava levantar-me cedo. Tentei despachar-me o mais rápido que consegui, mas estava com muito sono, tinha me deitado um pouco tarde. Quando estava despachada, desci para tomar o pequeno-almoço. Já estava lá todos. Sentei-me ao lado da Esme e tirei algo para comer. Não estava com muita fome. - Bom dia, querida. – Disse a Esme dando-me um beijo na testa. – Dormiste bem? – Perguntou carinhosamente.- Sim, dormi. – Respondi sorrindo para ela, omitindo a parte dos pesadelos. Havia sempre uma parte da noite em que eu tinha pesadelos, mas já estava muito melhor. Já não era a noite inteira. Comi o mais rápido que pude, visto que estava atrasada e estavam todos à minha espera. Quando acabei, fui buscar a minha mala ao meu quarto e depois fui ter com eles ao carro. Sentei-me no banco traseiro com a Rose. Encostei a minha cabeça ao banco e fechei os olhos. Estava cheia de sono e só de pensar que ia ter matemática. Gemi de frustração. - O que foi, Alice? – Perguntou a Rose.- Vou ter matemática. – Respondi abrindo os olhos.- Não é assim tão mau. - Para mim é. Não percebo nada do que o professor diz e depois ele parece que faz de propósito. Todas as aulas, tem que me perguntar alguma coisa. Ele sabe que eu não percebo a matéria, não percebo porque é que ele insiste em perguntar-me. – Disse um pouco mal-humorada. Ouvi-os a rir. O resto da viagem foi feito em silêncio. Quando chegámos à escola, saí do carro e fui em direcção à entrada da escola com a Rose. Íamos ter aulas, uma perto da outra, por isso, aproveitámos e fomos juntas. As aulas até ao almoço passaram rápidas. Fui ter com a Rose para almoçarmos e depois fui para a aula de matemática. O Jasper tinha esta aula comigo, mas ele ainda continuava sentado ao lado da Helena. No outro dia, deu-me a impressão de ele ter ido pedir ao professor para trocar mas o professor não deixou. Como sempre não percebi nada do que demos na aula de matemática. Eu estava atenta e tentava perceber, mas não conseguia. De vez em quando dava por mim a olhar para o Jasper. Eu tinha saudades de estar com ele. Eu ainda o amava e muito mas estava magoada. Eu nem sequer sabia se ele ainda gostava de mim ou não, mas tinha imensas saudades dele. Nós praticamente não nos falávamos. É horrível. - Alice, queres vir tentar fazer o exercício ao quadro? – Perguntou o professor. Ele não desistia. - Eu não sei fazer, professor. – Respondi. - Tentas, se estiver mal eu corrijo. – Levantei-me calmamente do meu lugar e fui até ao quadro. Li o exercício e tentei percebe-lo. Eu sabia o que ele pedia, não sabia era como chegar ao resultado. Tentei fazer qualquer coisa para chegar ao resultado, mas como previra estava errado e o professor teve que apagar e resolver ele o problema. Quando a aula acabou, arrumei as minhas coisas lentamente. Claro que a sala esvaziou num instante, era a última aula do dia. Quando dei por mim, só estava eu e a Helena na sala. Ela parecia estar à espera de qualquer coisa. - Ainda bem que te apanho sozinha. – Disse ela com um sorriso maldoso no rosto. – Porque é que agora, vens com o Jasper para a escola? E no outro dia estavas em casa deles, aquelas horas? – Perguntou ela começando a ficar irritada. – O que continuas a fazer aqui? Eu pensava que ias para uma instituição para fora de Forks. - Como é que sabias que eu ia para uma instituição fora de Forks? – Perguntei surpreendida. - Eu descobri que estavas a viver sozinha naquela casa e liguei para a assistência social. Era, suposto teres ido embora! – Respondeu ela com raiva. - Foste tu. – Exclamei mais para mim mesma do que para ela. - Sim, fui eu. Queria que desaparecesses de Forks para o Jasper deixar de estar preocupado contigo. Ele parece que não pensa em mais nada. Mas ainda não respondeste! O que fazes aqui? – Quase gritou chegando-se cada vez mais perto de mim. Neste momento, os nossos narizes quase tocavam e ela agarrava fortemente o meu braço direito.- A Esme e o Carlisle acolheram-me. – Respondi gaguejando um pouco. A Helena estava fora de si, nunca pensei vê-la assim. Ela riu-se um pouco.- Eles não vão aguentar-te muito tempo. Tu só trazes problemas para as pessoas. Eles daqui a uns tempos vão livrar-se de ti. – Disse ela maldosamente. - Isso é mentira. A Esme e o Carlisle são boas pessoas e gostam de mim, não me vão deixar. - Como os teus pais? Ou como a tua tia? – Perguntou ela no gozo. – Ou espera, ou como o teu irmão? - Como é que sabes disso tudo? – Perguntei à beira das lágrimas. - Apenas sei. Isso não te interessa. – Respondeu ela apertando mais o meu braço. – Vamos fazer assim. Deixas o Jasper livre para mim e eu fico quieta.- Mas eu não estou com o Jasper. – Disse.- Mas ele não pára de pensar em ti. Qualquer coisa e ele vem com: “Eu e a Alice…” ou “A Alice…”. Qualquer tema de conversa vai parar a ti. Eu quero o Jasper para mim, Alice. Ainda não percebeste que eu amo o Jasper. Se ele não quiser ficar comigo, eu arranjo maneira com que tu vás para fora de Forks, não te esqueças que eles são apenas a tua família de acolhimento. - Mas eu não tenho culpa se ele não gosta de ti. – Disse para ela quase num sussurro. - Não me interessa. Estamos entendidas? – Afirmei com a cabeça. Eu não tinha a culpa se o Jasper não quisesse ficar com a Helena. Eu não queria ir para fora de Forks. Percebi que ela faria mesmo aquilo que me disse. Como é que ela sabia tanto da minha vida? Eu nunca contei para ela, nunca contei para ninguém sem ser para a Rose, para o Jasper e para a Esme e o Carlisle. Eu estava com medo que algo acontecesse. Eu não queria mesmo sair do pé deles. Mesmo estando com eles à pouco tempo, eu estava adorar. Eu percebia que aquilo é que era uma família e eu sentia-me tão bem no meio deles. Ela saiu rapidamente da sala. Quando acordei do choque, peguei na minha mala e fui a correr para o estacionamento. Eles já deviam estar à minha espera. Segurei as lágrimas para não caírem. Não queria que eles soubessem que se tinha passado alguma coisa. Eles estavam os três encostados ao carro, à minha espera. Cheguei-me ao pé deles e desculpei-me. - Desculpem o atraso, estive a falar com o professor de matemática. – Inventei uma desculpa. Entrei no carro e sentei-me no banco traseiro. A Rose sentou-se ao meu lado e o Edward e o Jasper, sentaram-se à frente. - Está tudo bem, Alice? – Perguntou a Rose preocupada. - Sim, está. – Menti. Eu estava arrasada. Só queria estar sozinha. O que ela me disse era verdade. Toda a gente me abandonou, porque é que a Esme e o Carlisle também não o fariam. Ainda por cima, eles nem eram meus parentes. Eu estava com medo que isso acontecesse. Eu amava demais a Esme e o Carlisle. Eles eram como se fossem os meus pais. Sempre me trataram com tanto carinho. Continuei a fazer um esforço enorme para não chorar no carro. Quando o Jasper estacionou o carro na garagem, saí do carro e fui em direcção o meu quarto. Pousei a mala ao pé da cama e depois fui em direcção da casa de banho. Fechei a porta e sentei-me encostada a ela. Foi aí que desabei, que as lágrimas fugiram e os soluços tornaram-se violentos. Eu estava com medo.
Notas finais
Desculpem o meu atraso. Só consegui postar mesmo agora! Tenho três testes para a semana e passei o fim de semana a estudar. Ainda tive que escrever os capitulos! Espero que compreendam.
Espero os vossos comentários! (: (: Também queria uma recomendaçãozita! *.* ahaha
Beijinhos
S2
Espero os vossos comentários! (: (: Também queria uma recomendaçãozita! *.* ahaha
Beijinhos
S2
Fale com o autor