You Got Me
7 Capitulo Sete
Capitulo Sete
Eles logo voltaram para a estrada e percorreram um longo percurso em silencio. Até Declan resolver falar.
_ Deve ser um cara muito especial.
_ Quem? _ perguntou Anna.
_ Seu namorado.
_ Ah o Jeremy, é sim. _ disse ela. _ Ele é cardiologista.
Declan resolveu deixar o assunto de lado já que em uma conversa, que estava mais para um monólogo da parte dela e que ele fez questão de ignorar ela havia mencionado a profissão do namorado.
Foram andando até que chegaram a uma estação de trem. O lugar estava às moscas e só havia lá um recepcionista idoso com tédio.
_ Oi! _ disse Anna. _ Quando sai o próximo trem pra Dublin?
_ Você chegou bem na hora. _ disse o senhor. _ O próximo trem sai em duas horas e quarenta e três minutos.
Anna o encarou por um tempo antes de se decidir.
_ Eu quero uma passagem, por favor.
_ São uns bons Bob pra Dublin sabia? _ disse o senhor.
_ Bob?
_ É. Bob. Dinheiro. _ disse ele.
_ Ah ta... _ disse Anna virando-se para Declan e o encarando de forma sanguinária enquanto ele ria baixinho.
Depois de comprar a passagem, ela foi até o lado de fora da estação e sentou-se em um banco. Ao lado desde um cachorro estava sentado. Declan se aproximou e sentou-se ao lado dela.
_ Ballycarbery¹. _ disse Declan.
_ Pra você também. _ disse ela.
_ Não. É o castelo Ballycarbery. _ disse ele apontando para as ruínas do castelo no topo da colina à frente. _ É umas das dez maravilhas da Irlanda. Deve levar uns quinze minutos até lá.
_ Eu não quero perder o trem. _ disse ela.
_ É, acho que tem razão. Não quer perder o trem. _ concordou ele.
_ Não.
_ Só duas horas e meia. _ disse ele. _ O tempo vai voar...
_ Eu vou ficar aqui. _ disse ela convicta.
_ Faz o que quiser. _ disse ele levantando-se do banco.
_ Vou ficar.
Ele começou a andar na direção do castelo e ela ficou ali. O cachorro latiu na sua direção e ela foi brincar com ele, mas o mesmo começou a rosnar na sua direção e ela rapidamente levantou do banco.
_ Ah, Declan! Espera! Eu amo castelos! _ disse correndo na direção dele.
¹- O Castelo Ballycarbery existe mesmo na Irlanda. Hoje é um ponto turístico.
Enquanto eles subiam Anna foi reparando na paisagem ao redor.
_ Nossa aqui é lindo. _ disse ela encantada com a vista.
_ É uma pena que não vai chegar a Dublin antes das lojas fecharem.
_ Eu penso em outras coisas além de compras ta legal! Eu tenho uma vida, um trabalho... _ disse ela.
_ E o que você faz?
_ Eu monto apartamentos.
_ Monta apartamentos? _ disse ele e ela concordou. _ E o que é isso?
_ Quando alguém está vendendo um apartamento ou uma casa, eu encho de coisas e faço o lugar ficar o mais bonito possível.
_ E as pessoas ficam com as coisas?
_ Não, eu levo embora. Eu só apresento as possibilidades. Eu dou vida ao lugar.
_ Espera aí, me deixa ver se entendi. Então faz o trabalho né?
_ É.
_ E eles compram a casa né?
_ É.
_ E depois vai lá e leva todas as coisas né?
_ É.
_ Interessante. _ disse ele sorrindo. _ É uma vigarista.
_ O que? _ disse ela enquanto eles subiam. _ Não! Eu não sou uma vigarista! Eu ajudo as pessoas a decidir o que querem! E muitas delas não sabem o que querem até eu mostrar as possibilidades! _ defendeu-se.
_ Aham...
_ Você sempre faz isso! Enxerga o pior das pessoas! _ disse ela.
_ Não... _ disse ele rindo.
_ Ah não? Eu queria saber quem é que ganha um elogio de você!
_ Eu posso pensar em um elogio pra você. _ disse ele virando-se para ela e a encarando com um sorriso torto. _ Mas me responde essa: O seu apartamento pega fogo, o seu lindo apartamento. O que você leva?
_ O que? _ perguntou ela sem entender.
_ Se a sua casa pegasse fogo e você só tivesse sessenta segundos... O que levaria?
_ Ah... Eu...
_ Responde! Seria o seu chiuaua de estimação? _ brincou ele.
_ Eu não quero brincar disso com você.
_ Já respondeu. _ disse rindo.
_ Ah é? Então responde você! O seu lindo bar ta pegando fogo! E o fogo ta subindo as escadas e você só têm sessenta segundos... O que você levaria? _ questionou ela.
_ Eu sei exatamente o que eu levaria. _ disse ele.
_ Ah é? E o que é?
_ O que eu levaria? _ perguntou ele e ela concordou. Ele sorriu pra ela antes de dizer. _ Não vou te contar.
Ela o encarou e revirou os olhos.
_ Você sabe criticar, mas não aguenta uma crítica!
Eles continuaram a subir até que passaram por um grande arco de pedra que anteriormente deveria ter sido a entrada do castelo. Anna encarava tudo aquilo encantada. O lugar era lindo.
_ Nossa, é um castelo mesmo... _ disse ela olhando para todos os lados.
_ Eu falei. _ disse Declan andando.
Anna apressou-se a segui-lo pelas ruínas, evitando as pedras grandes.
_ Então, qual é a história desse lugar? _ questionou quando o alcançou.
_ Bem, há muitos séculos, havia uma mulher linda chamada Grym. Ela foi prometida em casamento para um cara chamado Fion que era um militar carrancudo e velho que tinha idade para ser pai, não, tinha idade para ser avô dela. _ disse ele enquanto eles subiam cada vez mais. _ Mas então, não havia paixão. Na noite do noivado ela conheceu um guerreiro bonito e jovem chamado Gean. Eles se apaixonaram, foi amor à primeira vista. Na mesma noite, ela colocou um sonífero na bebida de todos e os dois fugiram para cruzar um rio próximo. Quando Fion acordou, Grym já tinha ido e aí ele ficou louco. Chamou o exército e foi atrás dela, mas os povos dos vilarejos da Irlanda ficaram com pena de Gean e Grym. _ disse ele parando perto de uma escada de pedra. _ Eles esconderam os dois nas florestas, nos celeiros, nos castelos. Eles dormiam à noite e iam embora. _ disse ele indo para a escada e começando a subir. _ Vem. _ ele a chamou.
_ É seguro? _ perguntou ela duvidosa sobre a escada.
_ Claro. _ disse ele segurando a mão de Anna e a puxando escada acima.
_ Ah e eles só dormiam. _ disse continuando a história. _ Porque Gean era um homem bom e estava sofrendo muito por trair Fion e em respeito a ele... Sabe... Não consumou o ato.
_ Entendi. _ disse ela subindo na frente.
_ Pois é. _ disse ele subindo logo depois.
Então terminaram de subir a escada e pararam de frente para a vista mais linda que Anna já havia visto.
_ Então chegaram a esse castelo. _ disse Declan prosseguindo com seu conto. _ Com essa vista.
_ Nossa. _ disse Anna admirando.
Estavam em um ponto alto do castelo e logo a frente havia um lindo lago e em volta do mesmo algumas árvores e o sol se escondendo entre as nuvens no horizonte.
_ E dizem que não resistiram à beleza e bem aqui neste lugar eles... _ disse ele olhando pra ela. _ Consumaram seu amor.
Anna o encarou por alguns segundos até finalmente perceber. Ou pelo menos perceber o que ela achava que estava acontecendo.
_ Ah meu Deus, você está dando em cima de mim.
_ Eu o quê? _ disse Declan a encarando confuso.
_ Fala sério! Eu sou a jovem recém chegada que não consegue resistir ao estranho bonitão? Para.
_ Eu o quê? _ disse Declan mais confuso ainda.
_ Você não achou mesmo que eu ia cair nessa né?
_ Não fique se gabando querida. A história é verdadeira. Mas com certeza não é sobre você. _ ele a encarou daquele jeito provocativo que ela odiava.
_ Não é? _ disse ela não levando fé em suas palavras.
_ Arrogante e... _ disse ele contendo-se para não falar coisa pior.
_ Arrogante e o que? _ disse ela encarando-o esperando.
_ Ah essa é difícil. _ disse ele fazendo uma expressão pensativa. _ E... Americana?
Ela o encarou revirando os olhos quando um barulho chamou sua atenção. Anna olhou para trás e Declan viu seu rosto começar a ficar branco como papel.
_ Ai não... O trem! _ disse ela saindo correndo escada abaixo com ele logo atrás.
Nesse momento começa a chover. Anna arranca seus sapatos e começa a correr ladeira abaixo na direção da estação enquanto gritava para o trem esperar.
_ Eu tenho passagem! _ gritou ela.
Declan corria atrás dela da melhor forma que podia, tentando não escorregar na lama.
_ Você tinha que me levar lá pra cima né! _ disse Anna para ele irritada. _ Uma das dez maravilhas da Irlanda! _ reclamou enquanto a chuva ficava cada vez mais forte.
Ela foi descendo cada vez mais rápido na agonia de pensar em perder o trem quando escorregou na lama e desceu o resto do caminho escorregando e rolando.
_ Ai não... _ disse Declan indo logo atrás dela tomando cuidado para não acontecer o mesmo com ele.
Anna saiu rolando sem parar até cair em uma poça de lama. Ela se levantou lentamente até ficar sentada enquanto Declan a alcançava.
_ Que bom. Isso poupou muito tempo. _ disse ele parando ao lado dela e lhe oferecendo a mão para ajudá-la, a qual ela recusou com um tapa e levantou sozinha.
_ Eu odeio você. _ disse ela.
Correu para a estação, porém era tarde demais. O trem já havia partido. O senhor da recepção ficou ali com sua mala observando o trem partir. Anna encarava aquela situação desolada.
_ Antigamente eu teria segurado o trem pra você. _ disse o recepcionista. _ Mas agora é tudo “tempo é dinheiro”.
Anna sentia que estava à beira das lágrimas. Declan que chegou logo depois todo molhado parou do lado do recepcionista.
_ Ora não fique assim. _ disse o senhor. _ Você vai chegar onde tem que estar. _ disse ele. _ Poxa, a previsão era de sol.
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