You Got A Hold Of Me
55 Capítulo 055 - Despertar.
Notas iniciais
O carro em que viajavam Quinn, Rachel, Santana, Brittany e Blaine finalmente estacionava em frente a delegacia de Lima, onde estavam esperando em frente Shelby, Will e o doutor Parker. Rachel se emocionou ao ver seu pai e Hiram também ali. Seu coração se partiu ao ver o rosto preocupado, emocionado e um pouco entristecido de Leroy, ela não podia dizer exatamente se ele estava triste ou sentindo-se culpado.
Meu pai está aqui! — Rachel disse apressada, pois ela estava entre Quinn e Brittany no banco de trás, sua namorada abria a porta.
Calma, meu amor, só um momento. — Quinn pediu soltando o cinto e abriu a porta para logo sair e oferecer mão para a namorada, Rachel não duvidou em aceitar a ajudar e tão rápida ainda foi ao encontro do pai.
Santana saiu do carro observando atentamente, ela e a morena não haviam conversado direito, algo superficial entre um abraço apertado e o choro. A latina estava bastante fragilizada, ela precisava de um pouco de razão para equilibrar as emoções e não ser muito sentimental, pois ela ainda era Santana Lopez.
Papai! — Rachel se agarrou ao pai com força, fechando os olhos ao sentir-se quase carregada no colo, ela sorriu emocionada.
Estrelinha, me perdoe! Perdão, minha filha! — o homem quase carregou a filha — Eu devia ter sido atencioso, ter te perguntado mais sobre suas mudanças, eu devia...
O senhor foi incrível! — Rachel se afastou cortando o pai, os dois se olharam atentamente, a garota sorriu com os olhos brilhantes — Se aguentei isso por muito tempo é porque o senhor foi o melhor pai que eu poderia ter, o seu amor me fez não pensar em coisas absurdas para solucionar aquilo e nem enlouqeucer. Foi o melhor.
Não o suficiente. — Leroy insistiu pegando as mãos da filha.
Mas foi o melhor. — garantiu Rachel sorrindo, foi então que ela notou a figura culpada de sua mãe um pouco atrás do pai, os olhos vermelhos e um lenço em mãos — Mamãe... — a morena deixou os olhos se encherem de lágrimas e correu para abraçar a mulher que se entregava as lágrimas.
Sou eu a que te devo desculpas, eu trouxe aquele monstro para a sua vida. Destrui ela. — Shelby disse entre soluços, Rachel esfregou as costas da mãe e apertou-a em seus braços com força.
Não fez isso, não foi você. — sussurrou Rachel — Eu passei muito tempo acreditando que eu podia ter feito algo, que eu era a culpada, me torturando por isso... — Leroy virou e abraçou o marido, Hiram o apertou em seus braços, Quinn respirou fundo ainda próxima ao carro apenas por observar a cena, mas Brittany apareceu ao seu lado e lhe abraçou — Mas não tenho culpa, nós não temos.
Rachel sorriu se afastando da mãe e pegou uma de suas mãos, logo virando para o pai e estendendo sua mão, Leroy tratou de pegá-la e dar a outra mão a Shelby. Os três sorriram o máximo que foi possível.
Eu vou precisar muito de vocês, pois agora sabem o que passou e eu preciso de todo o amor de vocês. — Rachel pediu se jogando nos braços dos pais, lágrimas contidas despencando quase controladamente. Leroy apertou as duas mulheres em seus braços, beijando em seguida a cabeça das duas. Shelby apertou a filha em seus braços.
Vá até lá, Quinn. — incentivou a latina virando para a amiga abraçada a sua namorada.
Não posso. — a loira negou virando o rosto para a latina.
Você disse tanto para Rachel não se culpar, mas vai ser tão hipócrita a ponto de se culpar? — Santana questionou dura e Quinn a encarou dolorosamente.
Levou alguns segundos para que Quinn saísse dos braços de Brittany e lentamente se aproximasse da família. Will, Hiram e o doutor Parker sorriram para a garota que retribuiu, mas a família saiu do abraço para observar quem se aproximava.
Olá. — disse Quinn timidamente, Rachel sorriu entre os braços dos pais.
Querida, não estamos te culpando. — Shelby garantiu observando a loira tensa.
Vamos, Q, entre nesse abraço pois você é da família! — ordenou Leroy estendendo a mão para a loira, Quinn soltou uma profunda respiração aliviada e pegou a mão do homem indo de encontro a Rachel, as duas se abraçaram e Leroy e Shelby voltaram a estar dando aquele calor humano que a filha precisava.
A morena abriu os olhos para observar os amigos, ela sorriu para Santana e acenou com a cabeça, a latina deixou uma lágrima escapar e mandou um beijo no ar para a morena antes de ser puxada por Brittany e Blaine para um abraço.
Olá, Rachel. Olá, Quinn. — o doutor Parker se aproximou dos quatro a sua frente e eles saíram do abraço, as garotas sorriram para o psicólogo — Rachel, você precisa entrar, o advogado está lá dentro e eu vou com você, seus pais também vão poder acompanhar.
E a Quinn? — Rachel virou-se preocupada para a namorada, a loira também ficou apreensiva, mas ela acenou com a cabeça para o homem e virou para a morena.
Meu amor, me escute. — Quinn sorriu segurando o rosto de Rachel entre suas mãos, mantendo seus olhares juntos — Você não pode se desesperar agora, seus pais estarão com você. E eles são as pessoas certas para estarem lá dentro com você.
Eu só estou aqui porque você estava do meu lado, segurando a minha mão. — Rachel disse tocando as mãos da loira em seus rosto, Quinn respirou fundo e sorriu.
Eu estou com você. Aqui... — Quinn levou uma das mãos até o pescoço da morena e puxou a corrente escondida dentro da blusa, mostrando o pequeno Q, Rachel abaixou a cabeça para observá-lo e sorriu.
Take my love, I'll never ask for too much. — Rachel sussurrou juntando seus lábios aos de Quinn rapidamente.
Just all that you are and everything that you do. — Quinn completou beijando a namorada novamente e acariciou o rosto dela — Agora vá lá, eu te espero aqui.
Eu te amo. — a morena sussurou antes de afastar-se e pegar as mãos dos pais, ela sorriu e entrou no local com o doutor Parker, seus pais e os padrastos logo atrás.
A loira respirou fundo ao ver todos passarem da entrada da delegacia, seu corpo parecia pesado, parecia despencar. E ela cairia se não fosse Blaine surgindo logo atrás dela, segurando-a pela cintura e sussurrando coisas animadoras em seu ouvido, Quinn sorriu.
O desgaste emocional era horrível, mas ela teria que ter forças sobre humanas, pois a vida de Rachel havia sido uma confusão por muito tempo e agora era hora de curar tudo aquilo. Ela podia escolher ficar fora de tanto drama e se afastar. Mas como? Ela amava Rachel, jamais deixaria a garota quando ela mais precisava. Ela não voltaria para a Califórnia, ela não se moveria para longe de Rachel. Nunca.
Quinn atravessou a porta da sua casa e suspirou pesado, ela nunca achou que seria tão terrível fazer aquilo. Ela agradeceu, pois Frannie lhe informou pelo telefone que havia preferido deixar as crianças com os avós por mais uns dias, esses, os pais de Josh, estavam fragilizados e desapontados com o filho, não estavam perdoando o homem, também não estavam o ajudando em nada, ignoravam o assunto. A loira encarou a escada, certamente sua irmã estaria trancada no quarto, cansada e esgotada. Seriam tempos difíceis, pois apesar de tudo era o companheiro de Frannie de longa data e agora tinha que encarar aquela dura realidade.
Rachel testemunhou contra ele? — Frannie surgiu na entrada da cozinha, com uma xícara de café quente nas mãos, a fumaça entregava que era recém-preparado. Quinn havia virado rapidamente e assustada, mas relaxou um segundo depois.
Testemunhou. Por sorte Josh estava desorientado ainda ontem e confessou, achando que Rachel já tinha o entregado. — Quinn informou em tom baixo, cauteloso — Tudo ficou confirmado hoje. Preferiram continuar deixando ele acreditar que ela contou ontem e ele continuou afirmando tudo hoje, porém agora exigindo benefício por facilitar as coisas.
Bem dele com um bom advogado auxiliando. — Frannie suspirou cansada.
Você arrumou o advogado? — Quinn perguntou com o tom ainda leve, Frannie riu sem humor e encarou a xícara.
Sim, arrumei um advogado. — Frannie ergueu o olhar para ver o espanto nos olhos da irmã mais nova — Eu não fico mais um dia casada com aquele homem, foi para isso que arrumei um advogado. E já me interei que ele abusou de uma criança menor de doze anos, Quinn, ele não sairá mais da cadeia.
A loira mais velha abaixou o olhar brilhante pelas lágrimas e se direcionou até as escadas, Quinn sentiu-se mal e deu um passo em direção a escada.
Eu sinto muito, Frannie! — Quinn disse com a voz emocionada — Por favor, não sinta-se culpada ou mal por isso, você não tinha como saber o monstro que ele era. E eu te peço que não culpe a Rachel, por favor.
Não diga essa bobagem nunca mais. — repreendeu Frannie e virou no primeiro degrau, algumas lágrimas escorregando sobre as bochechas — É claro que ela não teve culpa alguma. Como ela está?
Bem, está com os pais em casa agora. Esperei ela terminar o depoimento, mas disse que vinha ficar com você agora. — disse a loira mais nova aliviada.
Devia ter ficado com ela, precisa de você. — a Fabray mais velha abaixou a cabeça e chorou silenciosamente, Quinn liberou as próprias lágrimas jogando a bolsa no ombro no chão.
Você também precisa de mim e eu de você. Ainda é a minha irmã e precisa de mim agora. — Quinn avançou até a Frannie e abraçou-a forte.
Por que isso tem que acontecer conosco? — Frannie soluçou, Quinn segurou a cabeça dela e acariciou as madeixas loiras.
Por que não conosco? — Quinn perguntou e as duas desabaram no choro. Quinn fechou os olhos.
Seria difícil, muito difícil, mas a única saída certa era enfrentar aquilo com a cabeça erguida. Quinn não deixaria sua irmã e nem os sobrinhos caírem, só de pensar que teriam de explicar as crianças, pelo menos a Jaden detalhadamente, isso fazia a garota sentir-se quase impotente.
Ela seguraria as pontas, ela podia fazer aquilo pela sua família. E nela agora incluíam Leroy, Shelby e Rachel. Era a sua família e ela os ajudaria, ela seria a ponta forte, não a única, mas seria uma das pontas que apertaria tudo em volta, mantendo todos unidos e bem.
Acho que nunca tinha visto essa família tão unida! — comemorou Leroy com sua xícara de chá em uma mão e biscoitos em outra, andando em volta da sala.
Rachel sorriu bebendo o seu próprio chá e aconchegando-se no abraço de Shelby, a mulher sentia que enfim estava restabelecendo aquela conexão de mãe e filha com a garota. Finalmente estava tudo voltando ao normal.
Me sinto grato de fazer parte dessa família. — Will estendeu sua xícara no ar, Hiram o imitou antes de rir.
Somos dois, meu caro. Somos dois. — concordou Hiram.
Will e eu queremos dizer algo a vocês, nossa família. — disse Shelby em um tom sério, Rachel até se afastou para observar a mãe com atenção — Devido aos últimos acontecimentos, vamos adiar o casamento.
Oh, não! — Leroy foi o primeiro a lamentar, Rachel abaixou o olhar enquanto Hiram falava.
Por que vão adiar? Sei que o motivo é óbvio, mas precisam de alegrias. — Hiram justificou de imediato sua opinião.
Não há clima, Rachel vai ter que enfrentar isso agora... — a garota cortou a mãe.
Não, nem pensar esse casamento vai ser adiado. — Rachel disse firme e olhou para Will, ela sorriu para o homem — Desculpe, senhor Schuester. Fui horrível com o senhor por algum tempo, mas acho que podemos consertar isso sem que o casamento seja adiado.
Ah, Rachel, podemos consertar isso a qualquer hora. Só respeitei a decisão da sua mãe, ela está se importando com você e eu compreendo a situação. — Will disse dando um bondoso sorriso a garota.
Mas eu não compreendo. — Rachel virou para a mãe — Mãe o mundo não pode parar a minha volta. Eu vou enfrentar tudo o que vem pela frente, julgamento, depoimentos, tribuinais e o que for. Só me prometa que não vamos parar de viver, ou adiar momentos felizes pelo tempo complicado que vai chegar.
Você tem certeza disso? — Shelby perguntou pegando as mãos da filha, Rachel sorriu.
Errou ao não me antecipar sobre o pedido de casamento, não erre agora me usando como desculpa para adiar o casamento. — a garota usou um tom divertido — Senão pode aprontar tudo a tempo, apenas diga a verdade mamãe, tudo dará certo.
Todos riram da brincadeira de Rachel que se lançou para os braços da mãe, em um abraço firme e emocionante. Nada podia ser parado. Ela não queria parar mais nenhum segundo de sua vida com aquele assunto que por tanto tempo lhe assombrou.
Rachel estava ganhando gás para recuperar em sua vida tudo o que foi perdido com o tempo. Principalmente seus sonhos, sua amizade com Santana, seu velho eu voltava a aparecer.
Será que um pobre pai preocupado pode saber como é ter a filha saindo de um longo pesadelo? — Leroy perguntou aparecendo na cozinha, Rachel virou assustada e logo sorriu. Ela havia se oferecido para devolver a bandeja com as xícaras e o pote biscoitos a cozinha, também para lavar tudo.
É como despertar. — disse Rachel e se aproximou do balcão, ficando em frente ao pai, ela espalmou as mãos no balcão e respirou fundo — Me perdoe por não ter contado antes, mas era complicado. Eu me culpava e pensava que todos me culpariam.
Nunca pensei que diria isso, mas... — Leroy sorriu de lado — Essa é a coisa mais idiota que já pensou, estrelinha. Mas não se torture mais pensando nisso, venha cá, me deixe te abraçar e fazer cafune na sua cabeça como quando era pequena e eu podia fazer isso com você no colo.
Rachel sorriu contornando o balcão e indo de encontro aos braços protetores de seu pai, ela se escondeu ali, fechando os olhos e sentindo o perfume do pai. A morena sentia-se feliz, como em muito tempo não se sentia.
Quais os seus planos agora estrelinha? — Leroy perguntou esfregando carinhosamente o braço da filha, Rachel sorriu.
Estar pronta a tempo para as Nacionais de corais, escolher um vestido para a formatura da Mercedes, não fazer feio no casamento da mamãe e passar o Natal com Quinn na Califórnia... — a morena mordeu o lábio inferior e levantou o rosto para encarar o pai — Eu preciso contar uma coisa.
O homem sorriu em antecipação, mas acenou com a cabeça permitindo que a filha contasse.
Tive minha primeira relação sexual. — Rachel sorriu ao corar um pouco — E foi a coisa mais maravilhosa que eu já fiz na vida, que apesar de tudo isso que está acontecendo, nada, absolutamente nada consegue apagar tudo o que eu vivi com a Quinn. Pois foi o melhor momento da minha vida.
Me alegro em saber que foi bom pra você. Que Quinn se comportou como uma verdadeira dama, pelo menos espero. — Leroy brincou acariciando os cabelos da filha.
Pai e filha trocavam um olhar confidente, carinhoso e doce.
Não sei se é errado falar isso, mas... — Rachel sacudiu um pouco a cabeça — Quinn é o ser mais belo e mais fascinante que eu já vi.
Com roupa ou sem roupa? — disparou Leroy fazendo as bochechas da filha acenderem violentamente.
Com. Porque sem eu ainda duvido que ela seja real, deve ser algum anjo. — Rachel abraçou o pai escondendo o rosto para a diversão de Leroy.
Tudo estava tão bem afinal.
Rachel sabia que ainda tinham coisas para serem colocadas no lugar, mas era hora de confiar nas palavras de Quinn. Todos poderiam enfrentar aquilo e todos estavam ao seu lado, lhe amando.
E agora ela só queria amor.
O miado de um gato faminto entrando na cozinha fez com que Leroy e Rachel virassem para a porta de entrada da cozinha, o pequeno Pierre miava pedindo por atenção e comida.
Posso saber como ganhei um neto? Porque isso foi uma novidade. — Leroy sorriu para o gato.
Foi a Quinn. — Rachel sorriu antes de ir preparar a tigeja de leite do gato, ele lembrava Quinn e lembrar da loira era a melhor coisa possível.
Notas finais
Para o próximo: Califórnia, Madison e Puck (aliás é o título do capítulo), uma notícia vai deixar a Rachel insegura.
E o que pareceu sacudir a minha alma foi meu pai dizendo assim:
"Ser feliz é o mais importante. Eu tenho orgulho de você."
;)
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