You Got A Hold Of Me
39 Capítulo 039 - Olá.
Notas iniciais
Quinn limpou uma lágrima que escorria pelo canto de seus olhos. A loira estava sentada em um canto do seu quarto, revivendo mentalmente tudo que havia se passado no dia anterior.
Após ser levada por Blaine e Santana, Quinn passou o resto do dia trancada no quarto. Tudo doía e ela não encontrava um segundo para pensar em como agir, como digerir aquilo tudo e todos não sabiam por onde começar a resolver aquele problema. Rachel estava pensando que ela estava mentindo e jogando o tempo todo, mas ao mesmo tempo ela estava ciente que sua namorada, ou ex-namorada, não estava confiando nela em primeiro lugar.
Aquilo fazia doer ainda mais.
E Santana também estava arrasada, mas ela não demonstrava sua fragilidade, não pela animadora. Foi ela a primeira a chegar a conclusão da falta de confiança de Rachel, a latina estava ferida com aquilo e tratava de aliviar sua própria dor com o seu jeito agressivo.
O quarto da loira se tornou seu próprio ponto de estabilidade. Ali nada lhe atingia e nada passava da porta, nada que lhe provocasse mais dor. Seu celular havia sido atirado na parede após insistentes ligações de Blaine, Santana e até de Frannie. O seu estômago doía de fome, mas nada doía mais que o seu rosto, depois de dois tapas no mesmo lado, sua bochecha tinha uma leve marca roxa, o olho esquerdo estava vermelho por conta da sequência dos golpes, sua visão nesse olho era uma bagunça, também havia o corte na sobrancelha e os hematomas do acidente. Mas o doutor Thomas, o mesmo que lhe atendeu na rua, foi quem apareceu em sua casa na noite passada para cuidar do seu estado.
Quinn bateu a cabeça na parede e fechou os olhos. Até seus pensamentos doíam. O doutor Thomas explicou para sua irmã a discussão com Finn na rua e essa exigiu saber de tudo, foi um choque para a Fabray mais velha descobrir o verdadeiro motivo do acidente dos pais e de como Quinn vinha lidando secretamente com aquilo, ela ofereceu apoio para ajudar a irmã mais nova a superar aquilo.
Mas Quinn não queria apoio, ela queria voltar no tempo, nunca ter colocado os pés em Lima.
Sempre que chegava nesse pensamento, "nunca ter colocado os pés em Lima", Quinn lembrava dos olhos e dos sorrisos alegres de Rachel, era aí que tudo caia e as lágrimas voltavam a inunda-lá. Doía tanto não ter aquela garota, doía tanto não ter uma notícia. Mas ao mesmo tempo doía a falta de confiança, então tudo se misturava em um poço de dor angustiante.
Dor e revolta se entrelaçavam em algo torturante.
Batidas na porta do quarto fizeram Quinn se afastar da parede, sempre que ela ouvia batidas sua mente ia até uma Rachel arrependida.
Quinn... é o Jesse. — a loira suspirou contendo a vontade de chorar — Santana me explicou tudo e me trouxe até aqui. Quinn, eu vim para te ver, senão me atender eu faço o que? Entro no quarto de hotel e morro de tédio?
Quinn se colocou de pé e arrumou o cabelo em um rabo de cavalo frouxo, a garota enxugou o canto dos olhos e foi em direção a porta.
Quinn... — Jesse foi cortado pela porta se abrindo e lhe apresentando Quinn, uma Quinn de aparência abatida e derrotada.
Eu sei o que você quer dizer. Mas eu não aguento mais ouvir que tudo vai ficar bem. — a loira informou em um fio de voz.
Jesse concordou com a cabeça e abriu os braços para que a garota se atirasse sobre ele. Um abraço reconfortante, de alguém que estava completamente de fora e o único que queria apenas confortar Quinn.
É hora de comer. — Jesse empurrou o copo de leite com o prato com um sanduiche para perto de Quinn, mas a loira dobrou as pernas e com os braços apertou-as contra o peito, escondendo o rosto entre os joelhos.
Não consigo, Jessie. — murmurou a loira — Nada desce.
Olha, Quinn... — Jesse ajeitou sua postura, falando em um tom firme e autoritário — Não estou nenhum pouco confortável te oferecendo esse sanduíche de bacon, que é carne, mas sua irmã disse que você comeria de bom grado. Então, pare com isso e se alimente.
Ok. — a loira disse timidamente ajeitando as pernas para puxar o prato para o colo.
Muito bem. — o garoto sorriu, mas tocou o queixo da loira antes que ela pudesse morder o sanduíche e o virou um pouco para o lado contrario ao machucado — Quem fez isso?
Finn... — a loira disse e suspirou — E a Rachel, nessa ordem.
O garoto puxou o celular do bolso e o apontou para o rosto da loira.
O que faz? — Quinn perguntou confusa, mas não se moveu.
Vou tirar uma foto, assim, quando me encontrar com essa Rachel um dia, vou lembrar-me do motivo de não ser nada agradável. — Jesse disse de forma dura após bater a foto, Quinn afastou o rosto e mordeu o sanduíche — Já pensou no que irá fazer?
Não. — Quinn murmurou em meio sua tentativa de mastigar o sanduíche sem mover os músculos do rosto mais que o suficiente — Ainda... estou tentanto digerir tudo o que passou.
E você quer me explicar um pouco de toda essa bagunça? — o garoto pediu timidamente, Quinn devolveu o sanduíche ao prato enquanto confirmava com a cabeça.
Quando eu cheguei ao McKinley, esse ano, pensei que seria algo prático, que mais nada terrível poderia acontecer. — a loira abaixou o olhar — Mas quando eu vi a Rachel, a primeira vez no ginásio enquanto eu fugia de slushies, eu sabia que não importava o quanto eu me afastasse, ela estaria influenciando tudo. Eu sabia que não existia mais distância, Jessie. É algo como primeiro amor, ou amor a primeira vista, eu não sei. Mas eu entendi que todos os seres humanos são debilitados de alguma coisa, só nunca paramos para descobrir exatamente o que. — Quinn ergueu o olhar para encarar o amigo, uma lágrima escorria do seu olho machucado, Jesse se apressou em secar aquela lágrima e a loira sorriu — Naquele dia, que ela me salvou de slushies e tocou a minha mão, eu soube qual era a minha debilidade. Eu soube que passei minha vida inteira caminhando para aquele momento, pra ela. E era claro aquilo nos olhos dela também, que ela não sabia como continuar e encontrou alguma coisa mais pela qual viver naquele momento. — a loira abaixou o rosto e conteve o choro com uma respiração pesada.
Relaxe, conte apenas se conseguir. — Jesse disse tocando o ombro da loira e o apertando de forma carinhosa, mas ela prosseguiu.
Eu não vim para Lima só pelo fato dos meus pais terem morrido, como já te contei. — a loira lambeu os lábios encarando as mãos — Meu pai fazia coisas ruins, Jessie. Russell Fabray era um juiz muito famoso e respeitado, ele era ótimo e eu o tinha como um herói, porque como pai ele era incrível. — Quinn sorriu de forma dolorosa — Mas então ele ajudou um velho amigo a montar um escritório de advocacia, pelos primeiros anos esse amigo teve um completo êxito, isso forçou o homem a se dedicar além do esperado, colocando a família de lado, sendo bastante ausente e grosso quando estava presente. E isso levou a segunda separação do senhor Puckerman e a perda do direito de ver os filhos, ele não aguentou. Entrou em um vício de bebidas e jogos, perdendo tudo e quando não tinha mais nada ele foi até o meu pai. Esse se negou a ajudar ou emprestar qualquer dinheiro. — Quinn encarou Jesse — Eu acabava de chegar de um passeio com amigos, quando entrei na sala ouvia gritos insanos vindos do escritório e fui até lá. Minha mãe gritava com o meu pai de um lado e o senhor Puckerman do outro. Ele a traia, ele tinha uma filha fora do casamento, ele era corrupto. Meu pai era o contrário de tudo que eu pensava.
Quinn, eu sinto muito, mas... por que não contou isso a Frannie? Por que sofrer com tudo isso só? — Jesse perguntou atordoado, as lágrimas de Quinn voltaram a aparecer.
Porque minha mãe arrumou as coisas dela e foi embora, deixando uma carta... — Quinn soluçou enquanto limpava o rosto — Meu pai leu essa carta e saiu furioso atrás dela. Ela contava que Frannie não era filha dele. Entende Jesse? — a loira perguntou aos soluços — Eu não queria que ela sofresse tanto quanto eu estava sofrendo com tudo aquilo, todas essas coisas ruins e ainda teve o acidente. Por isso tudo vim para Lima e não fiquei com algum tutor na Califórnia, eu não podia ficar naquela casa sem lembrar de tudo. E por isso não falo tanto sobre os meus pais, a minha visão de família perfeita ficou tão bagunçada após tudo isso, também não conseguia falar nada deles sem sentir que algo aqui... — a garota colocou a mão sobre o peito — Se quebrasse.
Jesse limpou os próprios olhos antes de pegar a mão da loira e puxa-lá para um abraço. Quinn não suportou mais e liberou o forte choro, o mesmo que lhe atingiu a noite toda, que preocupou Frannie fazendo-a ligar para Santana, e a latina para Blaine. Mas agora uma pessoa conseguia perfurar a muralha de dor e alcançar Quinn, pois Jesse não queria dizer que tudo ficaria bem, ele só queria fazer a garota ficar bem e tentar por para fora tudo que estava lhe fazendo mal por dentro, impedindo que a nova e recente amiga encontrasse maneiras horríveis de fazer aquilo.
Finalmente. — Santana rosnou dando um pulo do sofá, Jesse entrava na sala arrumando o cabelo.
Como ela está? Comeu? — Frannie também saltou do seu lugar esperançosa.
Um pouco, mas pelo menos comeu e ela dormiu. — Jesse disse de forma doce — A Quinn precisa sair e ver que a vida dela continua.
Como continua? Rachel vai tratar de fazer da vida dela um grande inferno. — Santana parecia furiosa.
Não conheço, mas já não gosto dessa Rachel o suficiente para ser gentil. — disse Jesse.
Quinn vai sofrer sempre que ver ela. — Santana rosnou aborrecida.
Santana, o primeiro a cortar é isso. — Frannie disse oscilando o olhar entre os jovens a sua frente — Cortar Rachel. Quinn precisa espairecer e pensar de forma madura, parar de sentir-se culpada e também vítima. Ela precisa pensar, pois logo elas vão se encontrar.
Santana e Jesse se entrolharam preocupados. Quinn estava em um estado bastante abalado, ninguém sabia exatamente como havia sido o encontro das garotas e os boatos não ajudavam em tudo. Alguns diziam que as garotas gritaram, discutiram, se estapiaram e até se beijaram em meio a todos no corredor, coisas absurdas e ninguém sabia exatamente onde estava a verdade. Bom, agora Jesse sabia e ele só tinha dois dias para conseguir trazer a amiga a realidade, para deixa-lá um pouco melhor.
Com mais um pouco de chantagem emocional, Jesse conseguiu tirar Quinn de casa, com a desculpa que queria conhecer Lima e o tal amigo que a loira iria apresenta-ló, por um momento a garota conseguiu levar seus pensamentos para algo bom ou que pudesse ser bom. O escolhido para o encontro era o Beadstrix.
O super purpurina conseguiu outra vez. — zombou Santana jogando sua jaqueta em seu lugar antes de sentar-se nele — Olá, Quinn. — a garota saudou a amiga de forma doce e com um sorriso.
Santana, eu sei que esteve na minha casa a manhã toda. — a loira disse ajeitando o óculos escuro no rosto, tudo para proteger o olho machucado.
Também senti sua falta, senhorita amável. — a latina rolou os olhos e Quinn sorriu um pouco.
Olha quem fala. — murmurou a loira para a amiga.
Oi, pessoal. — Blaine saudou deletando estar sentado a mesa, as garotas o olharam surpresas, mas Jesse já observava o garoto com um sorriso — Me chamo Blaine Anderson e ouvi muito sobre você, o que está achando de Lima, Jesse? — o garoto estendeu a mão para o garoto de olhos azuis, Jesse sorriu apertando a mão do garoto.
Lindo. — Jesse murmurou antes de limpar a garganta e soltar a mão de Blaine — Digo, linda. Lima é linda... seus habitantes então. — o garoto lambeu os lábios antes de apoiar-se confortavelmente na cadeira, Blaine sorriu lisonjeado.
Wow, eu gosto mesmo de você. — Santana ergueu a mão para Jesse e os dois bateram um high-five antes de rirem.
Já que estão bem entrosados, vou até o banheiro. — Quinn disse abrindo um sorriso forçado.
O que vai fazer lá? — Blaine se antecipou aos outros, mas a loira ergueu a sobrancelha tão alto que o garoto sorriu constrangido — Desculpa, boa ida ao banheiro.
Isso aí. — murmurou a loira antes de se colocar de pé e dar as costas aos amigos.
Ela vai ligar pra Rachel. — Jesse suspirou pegando seu copo da mesa e tomando um gole.
No banheiro, a loira abriu cada cabine, certificando-se que estava sozinha, então ela respirou fundo e foi até a pia. Quinn tirou o óculos antes de ligar a torneira e deixar o barulho da água caindo inundar o lugar. Seus nervos pareciam se acalmar enfim, ela percebia o que tentavam com aquela saída, distraí-lá e levar sua mente para outro lugar. Por um momento alcançaram o objetivo, mas não adiantava, ouvir uma risada ao longe lhe trazia a de Rachel. Ver duas garotas interagindo próximas lhe trazia todos os momentos divididos com a garota. E com tudo isso vinha a dor.
Parecia que colocavam fogo na sua carne e ela queimava por baixo da pele, lhe causando uma dor surreal. Lhe causando a vontade de parar aquilo, de apagar o fogo ou apenas fazer algo com que ele saísse.
A loira colocou a bolsa sobre a pia e buscou algo nela. Um clipe de papel, ela tombou a cabeça pro lado antes de entortar o objeto o suficiente para criar algum tipo de ponta afiada. Ela conseguiu, apesar de não ser afiado o suficiente, mas ao mesmo tempo enxergou o celular com o visor rachado dentro da bolsa, Quinn o pegou e discou o número de Rachel. Ela não precisava que o visor se iluminasse, ela conhecia bem aquele número.
Cada toque não respondido faziam a última lembrança que ela tinha da morena se fixarem de forma marcante na sua mente. Ela acreditava que Quinn realmente havia feito aquilo. Ela devia ter lhe ouvido, apesar do impacto que tudo aquilo causou. Rachel devia ter confiado nela.
O celular já havia sido devolvido a bolsa quando o olhar da loira caiu sobre o pulso estendido sobre a pia, sua mente duvidou do que faria. Mas ela só queria parar aquilo, expulsar a dor. E a ponta do clipe de papel tocou seu pulso, ela engoliu saliva.
Por que você não me para? — Quinn perguntou e uma risada baixa foi escutada.
Por que eu faria isso? — Megan perguntou cruzando os braços, a ruiva havia entrado já tinha algum tempo no banheiro para fazer a limpeza.
Megan não havia ido encontrar Sue e sua oferta de trabalho, ela tinha medo da treinadora e não confiava naquela oferta. Se Rachel podia arriscar seu lugar nas Cheerios, a ruiva devia tentar ter a mesma coragem e arriscar alto. Ter coragem era muito melhor que ter apenas o medo dos outros, pois não se tinha coragem para conseguir aquilo, somente um uniforme das animadoras.
Eu estaria completamente fora do caminho. Claro. — disse Quinn erguendo a cabeça e encarando a ruiva pelo espelho — Já sabe o que fiz com a Rachel?
A ruiva gargalhou do sorriso fraco e irônico de Quinn, a loira estreitou os olhos sobre o reflexo da garota. Ela estava confusa com aquilo.
No dia que fui demitida, que fui até a Rachel e a beijei. — Megan disse se afastando da cabine onde estava poiada e aproximava-se de Quinn — Finn me procurou, ele me contou sobre vocês e ele me disse que planejava algo contra vocês duas.
Algum motivo para não ter me alertado? — Quinn questionou desconfiada.
Quinn, ele era lerdo, um estúpido. Jamais imaginei que ele pudesse ter uma mente tão grande assim. E eu não faço o tipo confiável, certo? — a ruiva perguntou tranquilamente se colocando atrás da loira, com o rosto sobre seu ombro e sultimente tocou com o polegar o pulso da loira. As mãos de Quinn estavam imóveis e seu rosto não esboçava sentimento algum — Te confesso que me surpreendeu a Rachel não ter ficado do seu lado, nem te ouvido.
Era pra ela acreditar que eu havia feito. Funcionou. — a loira murmurou dolorosamente.
Ela te ama. — garantiu Megan encarando os olhos cor de avelã pelo espelho — Ela só precisa cair em si. Assim como você. Não vou te dizer para não fazer isso, apenas que esse clipe não vai funcionar muito bem, vá em frente e faça. Mas Quinn, isso não resolve, a ideia que criamos é que nos ferindo criamos uma dor maior, só que tudo continua desabando e você ainda tenta sair de um problema se enfiando em outros maiores. Eu sei o que digo, pois já fiz isso... — a ruiva ergueu o pulso em frente ao espelho e algumas marcas ainda podiam ser vistas, Quinn focou sua visão ali — Quinn, eu vou conversar com a Rachel e dizer o que sei, assim que ela aparecer na escola segunda. Mas você precisa me dizer se quer que eu faça realmente isso.
Eu devo continuar? — Quinn perguntou e Megan sorriu abaixando o pulso.
Você deve continuar? — perguntou a ruiva.
Foi a última coisa que Megan disse antes de dar adeus a garota e deixar o banheiro. Era com Quinn agora. E a loira fechou a torneira, ainda aberta, jogou o clipe de papel no lixo e pegou a bolsa para sair do banheiro.
Até que enfim, já ia te buscar. — Santana resmungou impaciente ao ver a loira regressar.
Onde está o Jesse? — Quinn perguntou sentando-se em seu lugar, a bolsa sendo colocada embaixo da mesa, Santana estreitou os olhos sobre a loira.
Foram até o palco. — Santana apontou com a cabeça para a frente.
A loira virou em seu lugar para ver os amigos conversando com o gerente próximos ao palco, Jesse e Blaine tinham enormes sorrisos enquanto conversavam com o homem.
Estão se dando bem. — Quinn murmurou abrindo um pequeno sorriso e voltou a virar-se para a frente.
Realmente, aposto que sai alguma coisa. — a latina disse suave.
Te passa algo? — a loira perguntou encarando a amiga.
Vai conseguir perdoar a Berry? — Santana foi direta e encarou a loira nos olhos, Quinn respirou fundo.
Santana, eu não quero falar disso. Não agora. — disse a loira.
Certo. Então, só me escute... — pediu a latina fazendo contato visual com a amiga — Já fui a melhor amiga da Rachel, ela foi a única criança do jardim de infância a se aproximar da latina emburrada que brincava só com a massa de modelar, ela insistiu em mim mesmo depois de ter ameaçado ela para ficar longe. Fomos grandes, sim, mas pela segunda vez ela me cravou um punhal pelas costas, pela segunda vez está acabando com tudo que tinhamos e dessa vez fazendo desmoronar tudo o que haviamos recuperado. — Santana tomou ar — Eu não consigo mais pensar em perdoa-lá, apesar de sim, antes ter considerado muito essa possibilidade. Mas agora aquela smurff acabou com qualquer chance. Sinto muito que ela esteja mal, mas está mal por uma mentira, porque ela acreditou em uma mentira e não nos sentimentos dela. Ela está fodendo com tudo, ela está fazendo cada um de nós sofrer com sua falta de confiança. Não me vejo mais tendo uma relação saudável com ela.
A latina suspirou ao se calar e voltou a encarar os amigos ao longe, agora Jesse tinha um microfone e Blaine outro.
I've been alone with you inside my mind
And in my dreams I've kissed your lips a thousand times
I sometimes see you pass outside my door
Hello, is it me you're looking for?
Jesse cantou o primeiro trecho observando todos os clientes do restaurante, Santana arrumou o cabelo apreciando a música. Quinn, por outro lado, buscou em todo o restaurante e encontrou certa ruiva próxima ao balcão, com uma flanela esfregando o balcão.
I can see it in your eyes
I can see it in your smile
You're all I've ever wanted, (and) my arms are open wide
'Cause you know just what to say
And you know just what to do
And I want to tell you so much, I love you...
Jesse e Blaine se encararam de forma doce enquanto cantavam juntos. Mas Quinn seguia observando Megan atentamente, tudo até sua mente voltar a trazer Rachel aos seus pensamentos.
I long to see the sunlight in your hair
And tell you time and time again how much I care
Sometimes I feel my heart will overflow
Hello, I've just got to let you know
'Cause I wonder where you are
And I wonder what you do
Are you somewhere feeling lonely, or is someone loving you?
Os garotos seguiam cantando intertidos e bastante introsados. A loira respirou fundo abaixando o olhar. Rachel não podia ter acabado com elas assim e sumido, simplesmente desaparecido.
Tell me how to win your heart
For I haven't got a clue
But let me start by saying, I love you...
Hello, is it me you're looking for? — Quinn cantou baixo antes de levantar-se e deixar o restaurante, esquecendo a bolsa.
Quinn! — Santana chamou levantando-se e indo atrás da amiga.
Inesperadamente, o som do toque do celular de Quinn começou a tocar, abafado dentro da bolsa. Parecia pedir a gritos que alguém o atendesse. Do outro lado da linha, a pessoa suplicava para a garota atender.
Eu só preciso ouvir sua voz para ter certeza, Quinn, por favor. — murmurou a morena para si mesma — Por favor, atenda. — Rachel pediu na linha.
Mas ninguém atendeu.
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