You Got A Hold Of Me
1 Capítulo 001 - Cortando o mal pela raiz.
Notas iniciais
Rachel Berry.
Os corredores do McKinley já estavam cheios aquele horário da manhã, mas nada que eu, a capitã das líderes de torcida não pudésse enfrentar. Aliás, era só me verem no corredor que o mar vermelho se abria sem que eu precisasse fazer muito, os alunos simplesmente se jogavam do meu caminho. Aquilo não me agradava em nada, as pessoas me temendo e saindo do meu caminho como o diabo foge da cruz, porém naquele maldito colégio, era devorar ou ser devorado. E eu, Rachel Berry, não seria devorada.
Ao meu lado e um pouco mais atrás de mim, seguiam meus melhores amigos, todos foram colocados na equipe de animadores graças a minha pequena amizade com a treinadora Sue Sylvester, nossa treinadora. Uma mulher difícil, completamente obssecada por ela mesma, mas suas lições eram valiosas e foi graças a essa mulher que cheguei ao topo e graças a mim e minha obediência total, as Cheerios eram o único motivo de orgulho naquele colégio.
Brittany Pierce vinha de braços dados a Kurt Hummel, a loira é a vadia adorável do colégio, ingênua e muito adorável. Kurt era o que mais entendia de moda, ele era nosso consultor de moda favorito, mas devido aos comentários de que ele seria gay e que Brittany andava curtindo com uma garota, os aconselhei a assumirem um relacionamento. Não que me incomodasse, mas nossa treinadora estava se candidatando a governadora de Ohio, não seria bom sua equipe de ouro se rebelar e se assumissem homossexuais.
Mercedes Jones e Artie Abrams vinham lado a lado, esses realmente eram um casal, mas minha diva negra não era muito carinhosa com o namorado, desconfiava que era isso que o fazia a seguir feito um cachorrinho. Mercedes conheceu Artie no coral do colégio, infelizmente uma das minhas animadoras não poderia namorar um zero a esquerda, tivemos que recrutar o garoto e mudar totalmente seu estilo. Lentes de contato, malhação pesada que resultaram em um físico apresentável e um penteado digno.
Aquele era meu pequeno grupo de melhores amigos, eles eram invejados. Todos queriam ter a sorte de estar no lugar deles por um único motivo: Eu.
Rachel! Rachel! — a voz do estúpido fofoqueiro do colégio soava alta atrás de mim, revirei os olhos e não cessei meus passos.
É Jacob! — disse Kurt soltando um pesado suspiro, sorri de lado.
Rachel! — tive que parar bruscamente ao ver aquele estúpido judeu parar a minha frente com seu microfone e o cara que segurava a câmera, o babaca do Finn Hudson.
O que você quer agora? — perguntei indiferente.
Saber o que tem a dizer sobre os boatos que ficaram cada vez mais fortes nessas férias! — ele afirmou e fiz uma careta confusa.
Sobre? — perguntei curiosa e realmente alheia ao assunto.
Sobre ter um casal homossexual na sua equipe! — ele voltou a afirmar e tive que me conter para não encarar Kurt e Brittany, Jacob não era estúpido e capturaria aquilo. Dei um passo firme na direção do judeu nojento a minha frente.
Jacob Ben Israel... — usei o tom mais suave e sereno que eu podia — Se você correr agora com o Finnútil aí, eu juro que hoje ninguém te pendura pela cueca no mastro da bandeira. — os olhos do judeu se esbugalharam através dos óculos — Mais tarde uma Cheerio leva a você o que tem que colocar no seu ridículo site e se eu não ver isso no ar até amanhã... — minha voz sumiu e um sorriso perverso nasceu em meus lábios, aproximei meu rosto o máximo possível do de Jacob, mas ele parecia que se mijava nas calças ao invés de apreciar a proximidade — Bom, você não precisará se preocupar com o amanhã.
Nem meio segundo após eu ter falado, Jacob e Finn sumiam pelo corredor. Suspirei e fiz uma pequena contagem de um á dez, enfim, sorri contente. Eu podia sentir o calor de uma mão ameaçar tocar meu ombro.
Nem pensar Hummel! — arfei irritada, mas sorridente, senti a mão se afastar — Reunião, no vestiário, agora! — disse furiosa.
Em menos de dez minutos, estavam todos ali, sim, todos da equipe reunidos no vestiário, se apertando entre o vão de duas fileiras de armários. Eu os encarava séria, rosto por rosto. Havia um maldito traidor naquele meio e eu iria pega-ló, mas o de Brittany e Kurt estava guardado, afinal ninguém da quipe sabia quem era o casal homossexual, nem Mercedes e nem Artie sabiam.
Um de vocês é um maldito filho da puta! — urrei furiosa e todos se entreolharam, bati com força em um armário atraindo a atenção assustada de todos — Eu vou tentar explicar só mais uma vez e quero todos prestando atenção. — disse firme — Não há casal homossexual aqui! Foi só uma maldita intriga de Santana Lopez naquela coluna imprestável de fofocas do jornal do colégio. Não quero ninguém aqui comentando sobre isso. Nem em sonhos. Se eu souber que alguém anda falando desse assunto, estará fora da equipe e será só mais um perdedor que vou fazer da vida um inferno. — respirei fundo após falar tudo em um fôlego só, um garoto levantou a mão, ele tinha os olhos azuis, um topete, um físico impressionante e um lindo sorriso, já via percebido antes. Eu o assenti com a cabeça.
Se não há casal gay aqui, por que tanta raiva? — ele perguntou baixinho, com medo, estreitei os olhos sobre ele.
Sebastian, certo? — perguntei e ele assentiu cauteloso — Não sei se seu racíocinio lento te deixou perceber, mas eu acabei de dizer pra não comentarem mais. — urrei enfurecida batendo as mãos em meu próprio corpo.
Perdão! — ele se desculpou rapidamente e abaixou a cabeça, respirei fundo e voltei a fazer uma contagem mental.
Vão pra droga do ginásio e corram! — ordenei em voz alta.
Temos aula agora. — disse Artie baixinho, o encarei séria, todos já corriam e ele saiu logo em seguida.
Kurt! — chamei antes que ele saisse — Preciso de dicas sobre umas roupas, fica, Britt, ele é seu namorado então você fica também. — falei simples e ninguém contestou, ambos voltaram a se sentar nos bancos a minha frente, mordi o lábio inferior me encostando em um dos armários.
Rachel... — a voz do garoto saia trêmula e eu o cortei com um tapa no armário, deixando toda minha raiva vir a tona.
Quem foi de vocês? — perguntei com a voz baixa, eles se entreolharam e abaixaram a cabeça — Sério que os dois desrespeitaram minhas ordens?
Rachel, desculpa, mas quando se ama alguém... — Brittany começou a falar séria, bati novamente no armário, sentia que minha mão começava a doer.
Não me fale de amor! Não você! — falei furiosa, mas baixo — Se deita com metade da escola e agora vem me falar de amor, e por uma garota Brittany.
Se você nos ouvisse. — Kurt falou firme se levantando do banco, o encarei incrédula.
Me escutem vocês! — ordenei deixando meu olhar oscilar entre os dois a minha frente — Não quero saber de vocês se agarrando com pessoas do mesmo sexo, não quero mesmo. Caso contrário esqueçam que sou amiga de vocês! — falei firme e foi a vez deles me encararem incrédulos — Eu lutei muito pra chegar onde cheguei, eu fiz coisas que jamais imaginei fazer com pessoas. Pisar, ofender, ignorar, destratar, Deus! — urrei me virando pro armário e lhe dando um forte soco, que gemi puxando a mão pra perto do meu corpo, Kurt e Brittany entendiam do que eu falava, por isso o garoto de olhos azuis me agarrou em seus braços e me sentou no banco, com os olhos marejados falei encarando o chão — Não quero que tenham que fazer como eu. — sussurrei baixinho, Brittany me abraçou de lado.
Olha, vamos fazer tudo direitinho agora, certo? — garantiu Kurt levantando meu rosto, uma lágrimas escapou ao ver os olhos alegres dele.
Só até a treinadora ser eleita, ok? Eu juro. — garanti também encarando Kurt e após Brittany, que sorria esfregando minhas costas — Depois disso podem se separar e assumir o que são, vou proteger vocês, só não façam isso agora.
Tudo bem, agora vamos ir a enfermaria ver essa mão. — disse Brittany se levantando e me ajudando a me por de pé.
Fomos os três a enfermaria. A enfermeira já era acostumada a me ver ali com leves ferimentos na mão, por sorte eu era a capitã e podia me "retirar" dos treinos por um dia, enquanto sentia muito a dor na mão. Tive que falar com a treinadora Sylvester sobre a aula que forçei minha equipe a perder, ela logo deu um jeito com o diretor, que por algum motivo obscuro, sempre fazia o que ela lhe mandava.
O resto do dia foi de puro silêncio entre mim, Kurt e Brittany. Exceto no horário oficial do treino das Cheerios, todos estavam calados, apenas meus gritos inundavam o local, todos seguiam minhas ordens atentos, ninguém queria me irritar ali e ao verem minha mão machucada, acho que perceberam que era bom ninguém ousar me desafiar.
Enquanto eu os coordenava na pirâmide, algo estranho aconteceu. Ouvi a porta se abrir, pois ela fazia um ruído e aberta com força, aquele barulho era audível e incomodo. A pirâmide tremeu e eu dei um pulo pra trás, então gritos foram ouvidos e o baque da porta veio logo em seguida, virei o rosto para encarar quem entrava enquanto o burburinho começava entre minha equipe. Uma garota alta, loira, cabelos longos em leves cachos, a respiração ofegante, lábios vermelhos e naquele momento lingua os umidecia, meu coração deu uma forte batida. Usava uma jeans escura, uma camiseta amarela, e um casaco branco fino. Ela tinha a mão no coração e a outra apoiada sua mochila no braço e segurava um papel na mão, então seu olhar se ergueu e pude conectar meu olhar ao seu.
"Que lindos olhos cor de avelã."
Quinn Fabray.
Aquele era meu primeiro dia no McKinley, minha irmã estava me deixando na entrada do colégio, meu carro estava no concerto devido aos últimos acontecimentos, então ela teve que me dar uma carona. Eu gosto bastante da Frannie, quem me incomoda um pouco é o seu marido, o jeito que me olha, mas ele nunca tentou nada, pelo menos ele respeita seu casamento fracassado. Agora morando com eles, mais que incomodo, me dava nojo os olhares dele quando estavamos sós em casa, com ou sem meus sobrinhos.
Quando ela desligou o carro me virei pra pegar minha mochila no banco de trás.
Quinn, não poderei te buscar, quer que peça para Josh vir? — ela perguntou e engoli a seco enquanto pegava a bolsa e me ajeitava no banco, olhei pra fora.
Hum, não... não há mal em pegar o ônibus escolar. — disse colocando a bolsa no ombro e abrindo a porta.
Certeza? Ele já se ofereceu logo cedo... — a cortei antes que eu tivesse que aceitar.
Não, sério, melhor que posso me enturmar! — usei a desculpa e ela sorriu contente pela minha aparente iniciativa.
Nos despedimos e logo ela partiu, encarei aquele colégio e respirei fundo. A verdade era, meus pais haviam morrido há exatos dois meses e eu fui obrigada a ir morar com minha irmã em Lima, eu ainda tenho dezesseis anos e por isso não poderia ficar na Califórnia sem algum tutor e meus únicos parentes vivos eram Frannie e seu marido retardado, mas que fazia de princípe a sua frente.
Nesse tempo em Lima, eu não saia, não recebia as visitas que iam até a casa da minha irmã. Ficava focada em minha fotografia e em meu notebook, aquilo me distraia e me fazia não pensar muito na morte dos meus pais, meus sobrinhos também me distraiam bastante. Evelyn, a pequena Eve de quatro anos, e Jaden, o Jay de sete anos, eles não renegavam o sangue forte dos Fabray, loiros, olhos esverdeados, sendo o de Eve mais claro que os do irmão, sorrisos charmosos e lábios na medida certa.
Eu acabava de sair da sala do diretor e sorri pra secretária do lado de fora, ela contorceu o rosto no que eu achei ser um sorriso. Com um sorriso de diversão deixei o lugar e começei a caminhar pelos corredores com o meu horário em mãos. Quando encontrei meu armário começei a guardar nele os livros que foram me entregues pelo diretor e deixei na mochila os que usaria na primeira aula. Mas uma movimentação estranha no corredor me fez parar e observar as pessoas praticamente se atirando pros extremos do corredor, então vi cinco jovens caminhando firmes, porém a que vinha mais a frente me chamou atenção.
Estatura média, sorriso soberbo, mas completamente encantador, cabelos negros que passavam da altura dos ombros, olhos marrons hipnotizantes, porém havia um brilho estranho diante a cena a sua frente, que lembrava o mar vermelho se abrindo. O uniforme, que parecia de uma equipe de animadoras, deixava todo seu belo corpo visível, as coxas torneadas, as mãos apertando o fichário rosa contra o peito. Era linda, mas então ela parou e um breve diálogo com um garoto esquisito e outro segurando uma câmera começou, os garotos saíram em disparada e ela parecia gritar com os amigos a sua volta, também vestindo aquelas roupas. Logo eles sumiram.
As aulas eram chatas, mas eu tinha a sorte de ter um cerébro que absorvia qualquer informação e rapidamente entendia tudo. Sempre tive essa facilidade a aprender depois de uma infância trancafiada em uma biblioteca particular em minha própria casa. Após o termino da aulas, me dirigia a última aula, que era o curso extra-curricular, por falta de opções, acabei me escrevendo no jornal da escola, como fotografa, infelizmente teria que cobrir jogos, apresentações das animadoras, do coral, hóckei e essas coisas.
Ei, novato! — uma voz firme e masculina soou atrás de mim e por reflexo me virei, um garoto era acertado com um slushie de cor vermelha.
Corram perdedores, hora do trote! — gritou um rapaz mais forte, negro e com um sorriso assustador de pura maldade.
Apertei o passo e sai em disparada pelos corredores, os gritos de desespero e risadas malvadas começaram a se misturar. Escorreguei no chão e dei um soco no chão, o que fez a alça da minha bolsa escorregar e prender no meu braço, os gritos ficaram mais próximos, amassei o papel na minha mão e corri em disparada pra duas enormes portas com um vidro no topo dela, era a porta do ginásio. Eu conhecia.
Chutei a porta e um ruído estranho saiu dela, os gritos ficaram mais próximos e nem me concentrei de certificar o que acontecia ali, com rapidez me virei a fechado com a mesma rapidez, a batendo com força. Voltei a me virar e me encostei na porta, coloquei a mão sobre o peito e começei a respirar ofegante. Minha cabeça pendeu e encarei o chão, um burburinho começou e enfim ergui o olhar, com a respiração ainda desregular. Aqueles olhos marrons, surpreendidos, diferentes dos da hora do corredor, mas esses eram sinceros, era como a ver pela primeira vez.
"É, realmente ela é linda."
Narrador.
As garotas se encaravam fixamente, seus olhares desprendiam uma intensidade exageradamente forte. Segundos, minutos, ninguém sabia dizer, a menos quem assistia a cena, quanto tempo se passou. Rachel sacudiu a cabeça quebrando o contato visual e se concentrando. Quinn já tinha a respiração normal e se incorporava próxima a porta.
Você tem que sair, é um ensaio privado! — ordenou Rachel com a voz firme e voltando a encarar a loira, que a olhou surpresa.
Tem garotos do time de futebol jogando slushies nas pessoas lá fora, não posso sair. — a voz da loira saiu firme, o que deixou Rachel surpresa.
Normal, é o trote aos novatos. — a voz de Kurt soou, a pirâmide já havia sido desfeita, Rachel virou pra ele o encarando intimidadoramente, mas logo se voltou pra garota. O silêncio se instaurou e a aparente duvida da capitã também. Quinn ajeitou a mochila sobre o ombro e dobrou o papel em suas mãos, o enfiando no bolso. Rachel bufou e caminhou em direção a garota.
Vamos lá, eu te livro dessa! — disse Rachel parando ao lado da loira, essa suspirou e assentiu com a cabeça — Vocês! — chamou Rachel se virando pra sua equipe, que já ia comemorar — Dêem vinte voltas no ginásio. — todos gemeram enquanto a morena se virava pra porta com um enorme sorriso, Quinn sorriu contidamente ao ver isso.
As duas saíram pela porta e a loira quase congelou ao presenciar uma garota receber um slushie azul no rosto, Rachel a encarou e voltou a olhar a cena. Não seria mesmo legal ver aquela garota toda suja de slushie, era linda.
Adam Azimio! Dave Karofsky! — chamou Rachel e os garotos a encararam surpreendidos, mas sorriram ao olhar pra loira, a morena se meteu a frente dela — Nem pensem em acertar a garota, caso contrário, vão se entender comigo.
Os garotos se encararam surpresos e voltaram a encarar a capitã das animadoras, assentiram ela com a cabeça e logo uma vitima apareceu no corredor, ambos saíram correndo atrás do garoto que saiu em disparada. Rachel suspirou e se virou pra loira, que a olhava curiosa. Quinn não tinha certeza, mas a morena parecia inconformada com aquilo tudo que via.
Certo, pode ir, eles são os maiores perigos. — garantiu a morena começando a dar passos firmes pra dentro do ginásio.
Uma onda magnética percorreu o corpo das garotas. Rachel encarou a loira que havia agarrado sua mão, seus olhos se conectavam com uma forte intensidade, a mesma trocada minutos atrás. Quinn não sabia explicar, seu coração disparava.
Rachel sabia, sabia o que aquilo significava, seu coração disparando, sua mão suando, os olhos de uma pessoa a intimidando, seus lábios secando rapidamente. Ela sacudiu a cabeça e puxou sua mão. Quinn se sentia estranha, era novo, era completamente louco e novo, aquelas sensações tão intensas.
Obrigada! — agradeceu a loira em um fio de voz.
Um grito, de alguma vitima de um slushie fez o estômago da morena revirar. Como alguém podia agradecer a ela, se ela não podia fazer aquilo por todos?
Como queira. — disse baixinho e indiferente a líder de torcida, logo voltando a caminhar firmemente pro ginásio.
"Merda, merda, merda, merda!"
Era tudo o que passava pela cabeça das garotas. Que porcaria era aquilo que as estava rodeando? Aquelas sensações loucas que a faziam se perder uma no olhar da outra? Pelo gênio da capitã das animadoras, aquilo só podia querer dizer uma coisa: Problemas. Então o mal devia ser cortado pela raiz.
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