You Give Love a Bad Name
1 Parte I
Notas iniciais
Espero que gostem!
Parte I
“Como um tiro no coração e você é a culpada
Querida, você dá ao amor, má fama”
-Demetria está de volta.
Tremi ao reconhecer a quem pertencia a voz. Quero dizer, o sotaque britânico é inesquecível.
-Olá, Seth. – falei com um tanto de raiva.
Torci mentalmente pra conversa durar pouco e pra gravação da música começar logo.
-Como você está? Digo, depois da reabilitação e tal? – ele se jogou num sofá.
-Bem. – forcei a voz. – E as coisas, como foram na turnê?
Seth suspirou como se ele tivesse sendo aborrecido... Ou forçado a lembrar algo desagradável.
-Uma grande droga. Tipo, com os Jonas “Super” – houve grande uso de sarcasmo — Brothers não sobrou muito espaço pra mim. Quase virei baixista. – revirei os olhos encarando a mesa de som. – Quer dizer, nada contra o baixo, mas eu posso fazer muito mais. Enfim, por sorte o mais novinho me deixou me fazer um solo ou outro.
Neguei com a cabeça me virando pra ele. Ele estava com as sobrancelhas erguidas como sabe que me irrita.
-Se eles te ouvissem... Te demitiriam. – falei sorrindo torto apreciando seriamente essa idéia.
-Que nada. Você não deixaria. Afinal, eu sou seu guitarrista preferido.
Foi a minha vez de suspirar.
-Você não é o meu preferido, Seth. Você é o melhor guitarrista, é diferente. – disse como se fala a uma criança.
O quê, na verdade, Seth não deixa de ser. Digo, uma criança.
Pois mesmo com 21 anos na cara, cabelos loiros rebeldes, olhos castanhos profundos e com músculos anormais para um guitarrista, Seth Daniel Levis é uma enorme criança.
-Ah, você sabe que no fim dá no mesmo. Porque eu realmente sou o seu guitarrista preferido, por mais que você arranje desculpas. Ou era há algum tempo, quando dizia isso em alto e bom som.
-Seth. – murmurei quase que suplicando – Isso foi há 4 anos, cresça. Eu tinha 15. Você tinha 17 e era o guitarrista que me dava mole. Então, não me culpe por ter me apaixonado e ter dito um monte de bobagens.
Ele repetiu a palavra “bobagens” como se aquilo o divertisse.
Recomeçou a falar sorrindo torto.
-Pois é. Mas você deu o troco, não deu? – senti as bochechas vermelhas e voltei a desejar que a conversa acabasse. E era essa parte que estava chegando, as lembranças, que eu não gostava nada.
-Eu não sei do que você está falando. – fiz um mantra mentalmente: “Ignore-o. Ignore-o. Ignore-o. Ignore-o!!!...”
-Ah, não? – ele riu. Sério, riu mesmo. – Vamos lembrar! Eu tinha 19 e você 17. Você me fez ficar interessado em você. E quando eu me declarei, você disse que não queria nada comigo.
-Eu não tive a intenção de fazer você se “interessar” por mim. – menti. Ele nem falou nada. Sustentou meu olhar por uns longos instantes me fazendo abaixar a cabeça derrotada e com vergonhar. – Ok. Foi. Me desculpe se você quebrou o meu coração aos 15 e depois eu quis uma vingancinha boba. Desculpe-me por eu ser tããão cruel.
Ele negou com a cabeça e riu novamente. Deveria estar lembrando de uma piada muito engraçada pra sorrir torto daquele jeito.
Daquele jeito.
-Ok, Srtª bipolar. Aceito suas desculpas. – ele falou erguendo sua sobrancelha.
As vezes, eu queria ser um vampiro, só pra ganhar o poder de ler mentes e saber o que se passa na cabeça desse cara tão problemático. E outras vezes, eu me assusto com essa possibilidade. Vai lá saber no que esse guitarrista pensa?
-Hey, — tentei fazer piada – só eu posso rir da minha bipolaridade! – Seth sorriu por um instante e ficou apenas me encarando o resto do tempo.- Mas sério, — me vi dizer – o importante é: eu segui em frente, você seguiu em frente... Tudo certo agora, não é mesmo?
Ele fez um barulho de “Ã-hã” com boca. Não o positivo “Hã-hã”, mas a negação “Ã-hã”.
-Você ficou com uma má impressão do que é estar interessado por alguém. Não me permiti me apegar a alguém de novo, Demetria, por sua causa. – ele me encarou seriamente.
-Nossa. Tenho certeza que você se apaixonou muito por mim. Tem uma foto minha escondida na sua cama e tudo. – ironizei.
Ele olhou (novamente) como se eu tivesse dito algo que lhe divertia muito. Em seguida, ergueu a sobrancelha esquerda como se fosse revelar algo importantíssimo.
-Você leu 1-800-Where-Are-You? Da Meg Cabot? – ele perguntou.
Foi a minha vez de erguer as sobrancelhas, só que eu ergui as duas, e encará-lo como se fosse louco.
-Sim. O que me surpreende é, você leu?
Ele confirmou.
-Li em um dia de tédio. – continuei encarando-o com o olhar “você-é-louco?” e ele bufou – Roubei da coleção da minha irmã.
Soltei um “ah”. Porque a irmã de Seth, Melissa, era o oposto dele. Inteligente, centrada, educada e (surpreenda-se) minha fã. Melissa tinha uns 13 anos agora e a conheço da mesma época que contratei Seth, ou seja, desde os 9.
Hoje, ela era uma adolescente bem legal que, por algum problema (afinal, ninguém é perfeito), torcia para que eu e Seth ficássemos juntos.
Sabe, juntos.
-Mas o que tem o livro? – perguntei.
-Se você leu, não tem graça. Queria ver se você pesquisaria pra saber ao que estava me referindo. – ele deu de ombros. – Seria interessante ver se você acreditaria que eu tenho um livro de recortes de jornais e fotografias suas.
Bom. Eu não acreditaria.
Seth, caidinho por mim?
Ha-ha, faça me rir. Ele diz que gostava de mim aos 19 mais eu duvidava seriamente dessa afirmação contada por ele.
-Você sabe, — eu falei com a cara mais carrancuda que pude – Que eu não sou idiota? Sabe, não sabe?
Ele fez um barulho engraçado e senti que vinha uma piadinha a tona.
-Sei que você não é idiota. Pelo contrário.
E essa me pegou de guarda baixa.
-Quem é você e o que fez com Seth Daniel? – perguntei brincando.
Ele fez uma cara engraçada.
-Ué, só disse que você é inteligente. E você é. Uma das pessoas mais inteligentes que já conheci. – Um britânico admitindo a inteligência de um americano?
E antes que eu pudesse me recuperar, o produtor entrou na sala.
-Ao trabalho pessoal. Demi, música nova. – ele olhou sorrindo e eu fui pra sala de gravação, separada por um vidro da sala de som.
Por essa razão, podia ver Seth, o resto da banda chegando e o produtor. E por isso, vi quando Seth me deu um sorriso torto que fez com que as batidas do meu coração perdessem o compasso por um tempo.
-Gravando. – soou a voz.
Mas eu estava desconcertada demais.
O que há de errado comigo?
Eu pensei que já tivesse superado o guitarrista marrento, lindo e sarcástico.
Oh, droga.
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