You Found Me
4 Porque justo ele??
Notas iniciais
Pov. Laura
Voltei pra casa junto com a Allie. Não via a hora de sair daquela escola e ficar o mais longe possível de todos aqueles problemas.
Bom, meu problema no caso se chama "Jake McCollins" e acredito que tentar resolvê-lo, vai ser a maior loucura que já fiz na vida!
Enfim, cheguei em casa e minha mãe estava na cozinha preparando o almoço. Logo que ela me ouviu chegar veio correndo na minha direção toda empolgada.
—Laura. — Surgiu na sala sorrindo como sempre — Conte-me como foi o primeiro dia de aula?
Respirei fundo lembrando da minha manha terrível. Eu havia reencontrado Jake depois de dez anos. Ele estava infernalmente lindo. Ele havia saído aos socos com Matt. E Matt havia brigado comigo por causa dele. E eu estava destruída apenas por vê-lo.
Suspirei fundo.
—Foi uma grande merda!
—O que? — O sorriso de minha mãe se desfez — Mas porque Laura?
—Porque o universo esta contra mim mãe!
Dei as costas a ela subindo a escada e ela não tocou mais no assunto. Eu apenas queria dormir até morrer e fingir que esse dia não passou de um pesadelo.
—Não vai almoçar?
—Estou sem fome! — Foi à única coisa que disse antes de bater a porta do meu quarto.
Joguei minha mochila no chão, arranquei meus sapatos e do mesmo jeito que eu deitei na minha cama, eu dormi.
[...]
Despertei umas seis horas da tarde com a minha mãe batendo na porta do meu quarto. Ela nem se quer esperou eu responder e já foi entrando tirando meu cobertor e dando tapinhas nas minhas costas.
—Me de um motivo muito importante pra levantar agora dona Suzana! — Pedi com a cara enfiada no travesseiro.
Escutei um riso dela e logo em seguida suas mãos acariciarem meus cabelos de forma carinhosa.
—Já são sei horas Laura. Você dormiu a tarde toda!
—Isso não é um bom motivo!
Virei-me fitando minha mãe. Ela estava arrumada, com os cabelos claros presos num coque alto. Usava um vestido rosa claro e um salto alto branco.
—Pra que tudo isso? — Me referi a toda aquela produção.
—Vamos ter um jantar aqui hoje. Muito importante por sinal! — Ela se levantou indo até a porta do quarto. — Então mocinha, trate de tomar um banho e se arrumar logo! Quero você linda! E bem rápido.
—Quem vem janta aqui? — Perguntei e ela só sorriu e saiu do quarto — Oh mãe, espera! Me responde! — Ela gargalhou e não disse nada.
Ótimo. Ela resolveu fazer segredo e eu odeio isso. Fiquei mais um vinte minutos jogada na cama encarando o teto tomando coragem pra levantar. Ouvi a campainha ser tocada e logo em seguida vozes no andar debaixo, porem não consegui ouvir de quem era.
Pois quem quer fosse à visita, já tinha chegado.
Caminhei ate o banheiro e me enfiei em baixo da água quente. Tomar banho era uma coisa divina, debaixo do chuveiro eu penso melhor do em qualquer lugar. Lavei meus cabelos e meu corpo de um jeito totalmente demorado tirando todo estresse do meu dia.
Dentro do Box ainda, eu quase tive um mini ataque do coração. Uma puta duma aranha gigante apareceu na parede e meu deu um baita susto.
—Ahhhhh! — Gritei assustada.
Sai correndo pra fora do Box e aquela aranha ainda estava lá. Não deu tempo nem de desligar o chuveiro e eu só percebi a merda quando reparei que deixei a porta do Box aberta e a aranha estava vindo na minha direção.
—Ahhhhh! — Gritei dando aqueles pulinhos histéricos. — Meu Deus, meu Deus...
Cara, aranha é o bicho que eu mais tenho medo no mundo inteiro. Tipo, eu sofro mesmo por causa desse bicho. Oh droga, vou começar a chorar aqui.
A única coisa que eu sabia fazer era gritar e gritar de desespero. Depois de minutos ouvi a porta do meu quarto sendo aberta e já tive o impulso de pegar minha toalha pra me cobrir. Bateram na porta do banheiro algumas vezes, mas eu não consegui abrir ou falar alguma coisa.
Mas de repente a porta se abriu, e ai sim eu quase desmaiei.
—Jake? — Falei surpresa.
Ele me encarou de cima a baixo de forma constrangedora que me fez ficar vermelha. Eu só estava com a toalha cobrindo meu corpo e aquele garoto estava no meu banheiro me olhando quase semi nua.
—Nossa! — Ele falou e logo me encarou com um sorriso cheio de malicia.
Mas que droga! Levei outro susto quando olhei pro chão e não vi a porra da aranha. Ótimo, perdi ela de vista, era só o que me faltava!
A próxima coisa que eu fiz foi com certeza muito infantil. Eu comecei a chorar, claro eu tinha que chorar. Jake me olhou confuso franzindo a testa.
—Você está bem? — Perguntou. Eu neguei com a cabeça fungando — Ta. Então o que foi?
Eu soltei um grito na mesma hora em que vi a aranha passar do lado dele e correr pra dentro do meu quarto. Ele se assustou e seguiu meu olhar. Eu corri e fechei a porta pra ela não entrar no banheiro de novo. Ele me encarou.
—Ta brincando comigo que você esta chorando por causa disso? — Ele cruzou os braços indignado. — Uma aranha Laura?
—Eu tenho medo ta! — Fiz bico de um jeito infantil. De novo. E ele riu! — O que você esta fazendo aqui?
—Na sua casa? Ou com você no seu banheiro?
—Nos dois!
—Bom, sua mãe chamou a mim e a minha mãe pra jantar aqui. E eu ouvi você gritar lá da sala!
Soltei outro suspiro. Já não bastava ter tido uma manha horrível com ele, agora ele estava aqui. No meu banheiro me vendo nessa situação constrangedora.
—Eu posso matar a aranha pra você... Se você quiser.
Ele disse aquilo como se quisesse que eu parasse de chorar. E bom, eu ainda estava chorando!
—Ah eu quero muito.
Ele fez menção em abri a porta, mas eu me desesperei tanto que o puxei de volta pelo braço.
—Não abra essa porta! — Gritei.
—Porque não?
—Porque se não a aranha pode entrar aqui e... E me atacar! — Ele me olhou por segundos antes de falar alguma coisa.
—Laura, não da pra mim matar a aranha se eu tive aqui dentro e ela lá fora! — Engoli em seco. Eu não queria que ele abrisse a porta — Então, eu vou ter que sair!
—Não, não vai nada! — Me coloquei na frente da porta — Você não vai sair daqui!
—Pera ai me deixa entender. Você esta querendo me deixar trancado no banheiro com você?
Ele fez parecer mais insano do que eu gostaria. Minhas bochechas queimaram com o olhar cheio de segundas intenções que ele me lançava.
—Não é bem assim...
—Então deixa eu sair e matar logo a aranha! — Ele falou como se fosse simples.
—Mas eu não quero que você abre essa porta — Ele balançou a cabeça em negação, deveria ta querendo me matar.
—Então nos vamos morrer aqui dentro? Ou vamos espera a aranha cometer suicídio? — Eu não queria ter rido mais eu ri.
—Por favor, Jake, tenta me entender vai!
Ele me ignorou e se colocou disposto a abrir a porta. Meu corpo gelou, acho que fiquei mais pálida do que já sou.
—Jake, não...
Eu ia ate ele tentar faze-lo parar. Mas não deu certo, porque o banheiro estava todo molhado e no caminho eu acabei escorregando e cai em cima dele. Ele não conseguiu sustentar meu peso e caímos nos dois no chão e adivinha onde eu cai? Sentada em cima dele!
—Ai! – Ele disse esfregando a cabeça que tinha batido na parede atrás dele.
—Ah desculpa, desculpa! – falei desesperada enquanto ele mordia os lábios em dor. – Deixa eu ver isso?
Afastei a mão dele da cabeça e me aproximei o bastante pra conseguir ver, não tinha nada demais lá. No máximo ele ia ter uma dor de cabeça horrível mais tarde.
—O plano era matar a aranha e não a mim! – Ele me fitou com os olhos queimando.
—Foi mal, mas eu não estou a fim de ter outro encontro com ela!
—Você não precisa ir junto, afinal acho que ela atrapalhou seu banho. Não é?
Respirei fundo. Certo, eu vou parar de chorar e ele vai lá e mata aquela maldita, até porque eu não posso ficar aqui pra sempre. E ela não vai embora sozinha. Eu só precisava me controlar e deixar ele fazer o resto!
—Laura! – Jake chamou minha atenção.
—O que?
—Você ainda esta sentada em cima de mim! Eu te aconselharia a sair antes que a situação fique... Complicada! – Ele disse prendendo o riso e eu (Acredito que pela quinta vez em menos de 20 minutos) tenha ruborizado até a alma!
—É claro! – Me levantei de pressa toda exasperada quando entendi o que ele quis dizer.
Ele se levantou rápido e me encarou. Fez menção pra que eu ficasse onde estava e saiu do banheiro antes que eu pudesse dar outro chilique. Encostei-me na pia e fiquei contando os segundos pra aquele inferno todo acabar, aquilo tudo não bastou de um sofrimento pra mim.
Minutos depois a porta se abriu e ele entrou com a aranha embrulhada em um papel. Fez menção em jogar em mim e eu me encolhi toda no lugar.
—Que nojo! Joga isso no lixo.
Ele gargalhou e jogou a aranha no lixo e eu finalmente pude respirar aliviada. Oh meu Deus que gloria!
—Pronto senhorita medrosa! Será que eu poderia ouvir um “Oh Jake, obrigada você é meu herói” – Ele disse a ultima parte afinando a voz.
—Acho que não heim. O máximo que você vai ouvir é um lindo e sonoro... Obrigada! – Ele sorriu satisfeito. – Posso terminar de me arrumar agora?
—Fique a vontade!
Ele saiu do quarto me deixando sozinha com meus pensamentos. Mas que porra foi essa, porque justo ele tinha que vim jantar aqui hoje? Porque justo ele tinha que aparecer agora? Porque meu Deus? Por quê?
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