You Found Me
6 Falling apart
Notas iniciais
Não sei exatamente quanto tempo faz desde que Ethan abandonou seus pais para viver com sua nova família. Só sei que eu tenho faltado à escola desde aquele dia. Não quero ver Ethan tão cedo assim, ainda estou muito puta com ele. Desde aquele dia eu também não bebo. Acho que andei me focando demais em Ethan e acabei esquecendo temporariamente de Luke. Isso é errado? Não sei, não me sinto bem com a ideia de esquecer Luke, mas também não me sinto mal.
Milagrosamente acordo cedo. Talvez seja mais saudável eu ir para a escola mesmo. Se eu chegar atrasada as chances de me encontrar com o traidor são menores, e é basicamente isso que eu faço. Chego atrasada na escola, de forma que perco a primeira aula. Uso uma touca para tampar meus cabelos, hoje eles estavam extremamente desalinhados e não estava com paciência o suficiente para arruma-los.
Assisto às primeiras aulas tranquilamente, o problema chega mesmo é na hora do almoço. Me senti sozinha, em uma mesa afastada, como sempre. O almoço da escola hoje se resume em sanduíche de almôndegas, suco de laranja e gelatina. Não gosto de sanduíche de almôndega, por isso me concentro apenas na gelatina verde em minha bandeja.
A gelatina era pra ser de limão, mas ela não tem gosto de nada. Paro de comer quando alguém se senta ao meu lado. Alguém alto, magro, com pele pálida e cabelos escuros. Ethan.
–Você sumiu — Ele diz.
–Tanto faz — Respondo cortando-o, eu realmente não queria conversar com ele. Não agora, pelo menos.
– Me desculpe por lhe meter em tudo isso, Hannah.
– Nem vem.
– Por que você não me responde direito?
– Você não merece minha amizade, Ethan. Assim como não merece o amor de Thomas e Richard, então sai fora.
– Hannah, me desculpe, é sério. Eu nunca quis ser um cuzão com você, Thomas e Richard. Eu apenas queria saber como que era ter uma família comum, ao menos por um dia.
– Pois é Ethan, você foi egoísta. Machucou todos aqueles que te amavam. Thomas achou que você os abondonou para sempre, que escolheu viver com outras pessoas, com outra família por que simplesmente não gostava deles.
E foi assim que eu acabei brigando com Ethan. Meu dia já não havia começado bem, mas tudo piorou ainda mais quando cheguei em casa. Por milagre eu havia me lembrado de levar minhas chaves para a escola hoje, logo que entrei em casa me deparei com Violet. Ela estava sentada no sofá, seus cabelos estavam despenteados e seu rímel borrado pelas grossas lágrimas que escorriam em seu rosto.
Me aproximei meio receosa. Ela me encarou com seus vermelhos e inchados olhos verdes, seu rosto também estava meio inchado e avermelhado. Ela estava chorando, e muito.
– O que aconteceu? — Pergunto.
– Hannah... Seu pai... — Sua voz estava trêmula e falhava, o que dificultava para que eu entendesse, além de que a cada palavra pronunciados um soluço aparecia.
– O que tem meu pai?
– Ele foi baleado hoje, no trabalho. Está passando por uma cirurgia no hospital agora.
Eu entrei em choque na hora. As palavras de Violet me atingiram como uma bomba, pareceu que algo em mim havia simplesmente morrido naquela hora. Primeiro minha mãe, depois Luke, minha briga com Ethan e agora meu pai? Se Deus realmente existe, acho que ele tem alguma coisa contra mim.
As pessoas são enviadas à Terra por algum motivo, elas têm um objetivo. O meu provavelmente é sofrer. Eu não sei mais diferenciar. Qual teria sido o pior dia de minha vida? O dia do acidente ou hoje?
Logo que saí do estado de choque, Violet voltou a chorar e eu peguei as chaves de seu carro. A cidade de Sparks por ser pequena tem apenas um hospital, por isso não tem erro. Peguei meu celular em cima do balcão e entrei no carro. Eu estava sozinha e me senti livre o suficiente para chorar.
E eu chorei, e como chorei. Eu dirigia enquanto soluçava sem parar. Não resisti, eu precisava de alguém neste momento. Meu pai estava no hospital e eu estava me sentindo sozinha. O orgulho acabou por ficar de lado e acabei por ligar para Ethan. Não é recomendável dirigir quando se está com o emocional abalado, com as vistas embaçadas por lágrimas e falando no celular. Mas não é como se eu me importasse agora.
O celular chamou algumas vezes até que Ethan atendesse. Sua voz era meio sonolenta, como se eu tivesse acabado de acorda-lo.
– Hannah? — Pergunta ele com a voz meio abalada e um tanto duvidosa.
– Ethan, eu preciso de você. Agora.
– Onde você está? — Ele me parece preocupado, provavelmente notou o tom choroso de minha voz.
– Me encontre no hospital da cidade — Afirmo e desligo o celular, jogando-o no banco ao lado.
Quando chego ao hospital, estaciono de qualquer jeito o carro e limpo as lágrimas de meu rosto com a manga de meu moletom. Entro rapidamente e vejo que Ethan já está na recepção, provavelmente chegou antes que eu por sua casa ser mais perto do hospital. Não penso muito, apenas corro em sua direção e abraço-o de qualquer jeito.
Por ser mais baixa que ele, acabo por abraçar sua cintura. As lágrimas voltam a fluir e acabo molhando sua camiseta. Ele parece entender que estou meio desesperada e leva uma de suas mãos ao meu cabelo, como uma forma de carinho, em uma tentativa de me acalmar.
– O que aconteceu? — Pergunta ele após eu me afastar um pouco, olhando no fundo de meus olhos.
– Meu pai ele... — Não consigo terminar a frase sem soluçar — Ele foi baleado hoje.
Ethan logo percebe o que estou tentando lhe dizer e me ajuda. Vamos até a moça da recepção que oferece ajuda.
– Robert Lankford, sabe nos dizer onde ele está agora? — Ethan pergunta para a moça, que procura nos arquivos de seu computador.
– O sr. Lankford está passando por uma cirurgia de risco no exato momento. Vocês podem esperar do lado de fora da sala, onde o médico vai lhes dar as notícias frequentes sobre o estado do paciente. Antes eu apenas preciso saber a relação de vocês com o paciente.
– Ela é a filha do paciente, Hannah Lankford.
– Tudo bem, e o senhor? — A recepcionista diz, arqueando uma sobrancelha, provavelmente querendo barrar a entrada de Ethan. Meu estado emocional não é um dos melhores no momento e eu realmente preciso dele comigo.
– Ele é meu noivo — Respodo sem pensar muito, me encolhendo ao lado de Ethan. Mesmo se eu dissesse que ele era meu namorado, talvez a moça o barrasse, precisava de algo mais forte e ela não acreditaria que dois jovens como nós éramos casados.
– Segundo andar, no corredor à esquerda. Sala de cirurgias 159.
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