You Could Be My Queen
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Era véspera do meu aniversário quando Jareth simplesmente sumiu. Literalmente. Não o encontrava em nenhuma parte do castelo e Sir Didymus disse que ficou de vigia durante todo o dia e não o viu passar pelas fronteiras do reino.
No dia anterior, Jareth disse que iria fazer uma festa, próximo da meia-noite, como comemoração do meu aniversário, então talvez ele estivesse preparando alguma coisa pra festa.
Confesso que estava muito, muito frustrada por passar o dia todo longe dele.
Hoggle e Ludo até tentaram me animar, mas isso já era caso perdido: eu já estava acostumada com a companhia do rei dos goblins e, o pior, me apaixonando por ele.
Já passava da hora do jantar quando Sir Didymus entrou correndo com Ambrosius.
– My lady! Jareth disse que deixou um presente no seu quarto, que você deve usá-lo e ir até o calabouço antes da meia-noite!
– Um presente? Calabouço? Sir Didymus, onde você o viu?
– Ele apareceu na fronteira, enquanto eu fazia a guarda. Vamos, my lady! – e ele apontava pro relógio. – Se apresse!
Olhei pro relógio e eu ainda algumas horas, mas achei melhor me apressar.
Corri pro quarto e quase não acreditei no que eu vi: sob a cama, o vestido idêntico ao que eu usava no sonho do baile de mascaras. Até um arranjo pro cabelo, as jóias e os sapatos estavam lá, como se estivesse saído diretamente daquele sonho, apenas esperando o momento e a oportunidade para serem usados.
Fiquei ainda um tempo admirando e ao mesmo tempo me lembrando do sonho, da música, do Jareth.
Coloquei o vestido e fiquei chocada de como serviu perfeitamente, como se tivesse sido feito sob medida pra mim.
Arrumei meu cabelo e me olhei no espelho, suspirei e quase chorei ao lembrar que logo eu ganharia a bola de cristal que realizaria meu desejo, mas que eu ainda não tinha tomado a minha decisão.
Eu estava num misto de ansiedade, alegria, tristeza e dúvida, tudo ao mesmo, aliado a uma vontade imensa de nunca ter desejado que o Rei dos Goblins levasse o meu irmão, pois assim eu não estaria presa aqui, não teria conhecido e me apaixonado pelo Jareth e poderia estar com a minha família.
Era tudo tão confuso ...
Quando cheguei à porta do calabouço, Ludo, Sir Didymus, Ambrosius e Hoggle estavam sentados ao degrau e tagarelando demais que quase tive que gritar para que eles pudessem ver que eu cheguei.
– My lady! Você está linda! – Sir Didymus disse e Ambrosius acenava com a cabeça, como se estivesse concordando com ele.
– Você parece uma princesa, Sarah! – Hoggle disse um pouco envergonhado.
Fiquei feliz em saber que eu estava bonita. Afinal, era essa a intenção, ficar bonita para o Jareth.
– Obrigada! Mas agora vamos, não podemos nos atrasar. – pedi licença para eles e quando saíram da frente da porta, percebi um aviso:
“Proibido a entrada de criaturas mágicas. Somente jovens prestes a completarem 18 anos.”
– Mas que porcaria é essa? – resmunguei rasgando o aviso. – É meu aniversário! Eu decido quem são meus convidados.
– Não se preocupe, Sarah. – Hoggle veio para perto de mim. – Já estamos acostumados.
– My lady, vá e divirta-se!
– E você já sabe, se precisar de nós ...
– Eu os chamarei. – completei a frase que era quase um mantra que Hoggle repetia sempre que achava que eu poderia me meter em alguma encrenca. – Bom, então eu vou, mas trago um pedaço de bolo pra vocês.
Tomei coragem e empurrei a pesada porta de ferro do calabouço e uma enxurrada de vozes misturada com música alta invadiu a minha mente.
Tudo era igual ao meu sonho: uma sala branca, pessoas mascaradas comendo, bebendo, rindo e me encarando enquanto eu caminhava por elas. Eu era uma verdadeira estranha entre eles.
Andei mais um pouco e finalmente encontrei Jareth que, meu Deus, como ele estava lindo! Imponente como o título de rei que lhe deram e muito sorridente.
Diferente do meu sonho em que eu ficava procurando por ele pelo salão todo, Jareth veio diretamente até mim, as pessoas em volta abrindo caminho e fazendo reverencias enquanto ele passava.
Fiquei ainda de boca aberta quando ele chegou até mim e deu um beijo demorado no meu rosto, seu perfume era inebriante.
– Você está linda, Sarah!
– Você também está lindo, Jareth! – e fiquei admirando aquela beleza toda na minha frente, sorrindo bobamente.
Ainda sem dizer nada, ele me pegou pela cintura e me conduziu pelo salão, dançando ao som da música e cantando baixinho, onde só eu podia ouvir:
There's such a sad love
Deep in your eyes
A kind of pale jewel
Open and closed
Within your eyes
I'll place the sky
Within your eyes
There's such a fooled heart
Beatin' so fast
In search of new dreams
A love that will last
Within your heart
I'll place the moon
Within your hear
Eu sorri e encostei minha cabeça no peito dele, enquanto ele me conduzia a dançar. Parecia que nossos passos sempre foram sincronizados, ensaiados demais para sair fora do ritmo.
Jareth ainda cantava baixinho, e definitivamente, minha decisão já estava tomada.
As the pain sweeps through,
Makes no sense for you.
Every thrill is gone.
Wasn't too much fun at all,
But I'll be there for you
As the world falls down.
– Sarah?
– Sim. – levantei minha cabeça, acho que eu estava numa espécie de transe, e logo paramos de dançar, aquelas pessoas estranhas ainda nos observando.
– Eu lamento muito por ter te prendido aqui, tentando fazer com que você gostasse de mim do meu jeito possessivo e muitas vezes mimado, mas o medo de te perder era muito grande. – ele passou a mão de leve pelo meu rosto. – E lamento mais ainda por só conseguir perceber isso nessas últimas semanas, perceber que você não seria minha se eu fosse impor minhas condições. E eu prometo respeitar a sua decisão.
Por um momento, achei que ele tinha me enfeitiçado, pois eu não conseguia tirar os olhos dos lábios dele. Eu ouvia tudo, mas a vontade de beijá-lo só crescia a cada momento em que ficávamos juntos.
– E espero que você já tenha tomado a sua decisão.
– Shiuuu! – coloquei um dedo na frente dos lábios dele. – Chega, Jareth! Às vezes você fala demais.
– Como é?
Cansei de esperar por um movimento dele, me equilibrei na ponta dos meus pés e beijei de leve os lábios dele, até que tudo se transformou no que eu mais queria desde o nosso primeiro piquenique, nosso primeiro beijo nascia às vésperas do meu aniversário de 18 anos.
Jareth me puxou para mais perto do corpo dele, seus lábios frios aos poucos se tornavam quentes, eram macios demais, um beijo molhado, intenso como eu sempre desejei.
Uma mulher mascarada e com um decote imenso derrubou um copo próximo de nós, atrapalhando o nosso momento e saindo quase chorando pelo salão.
Encostamos a testa um no outro, como que parássemos para recuperar o fôlego e antes que eu me arrependesse, as palavras que eu tentava lembrar todos os dias em que eu fiquei presa naquele reino, saíram da minha boca.
– Você não tem nenhum poder sobre mim.
Jareth deu alguns passos pra trás, sua expressão era de susto misturado com raiva e algo me sugava, me puxava para longe dele, parecia que eu estava dentro de um furacão, rodopiando enquanto ele jogava a bola de cristal no chão, se quebrando em mil pedaços, igual ao meu coração.
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