You Could Be My Queen
18 Capítulo 18
Eu ainda não acreditava no que havia acontecido.
Demorei para conseguir dormir, me revirava na cama só pensando na noite anterior, só pensando em Jareth.
Ele estava o tempo todo comigo e eu nem imaginava.
Ao mesmo tempo em que eu ficava feliz em saber que Jareth estava comigo, eu tinha raiva dele por saber do meu sofrimento e nunca ter dito a verdade.
Eu estava na sala com Toby, depois do almoço, contando os minutos pra poder sair e ver o Jareth quando eu escuto uma buzina.
Olhei pela janela e era Iman, no carro dela, teoricamente me esperando pra alguma coisa.
– Não vai pro ensaio hoje, querida? — meu pai perguntou quando chegou à sala e me viu olhando pela janela.
– Eu tenho ensaio hoje?
Perguntei pra mim mesma, mas meu pai respondeu por mim:
– Que eu saiba sim. Vocês não estavam começando uma peça nova?
Iman buzinou de novo e logo entendi que sim, eu tenho um ensaio e não vou conseguir ver o Jareth hoje.
– Sarah, vá logo ou vai se atrasar. — Irene apareceu ainda de avental, enxugando um prato.
Subi, peguei o roteiro em que estavamos começando a trabalhar, me despedi de todos e sai. Assim que entrei no carro, Iman começou as lamentações.
– Eu acho que vou sair do grupo de teatro.
Eu não queria ouvir Iman e as suas neuroses. Eu estava mais preocupada em querer ver o Jareth de novo. Tantas perguntas eu ainda tinha pra fazer e o ensaio do grupo iria arruinar tudo.
– Iman, use a desculpa da bebida: se você não lembra, você não fez.
Rimos ao mesmo tempo e finalmente ela caiu na real.
– Estou exagerando, não é?
– Sim. Até demais.
Iman respirou fundo e pegou o caminho pro parque, o que significava que o ensaio não seria no nosso galpão e que talvez eu conseguisse ver Jareth. Só não sei se conseguiria disfarçar perto de todos o quão apaixonada eu estava pelo meu professor e Rei dos Goblins.
Chegamos ao parque e quase todo o grupo já estava reunido, mas dessa vez havia uma pessoa nova na roda que deixou Iman roxa de raiva: Mark trouxe a Jessica pro ensaio.
Para piorar a situação, o único espaço vago era ao lado de Mark, já que o restante do grupo não se incomodou de sair do lugar para que pudessemos ficar longe deles.
Puxei Iman pelo braço, já que ela dava sinais de que queria ir embora e sentei-me ao lado de Mark, Iman ao meu lado bufando de raiva.
Ele tentou puxar assunto, perguntando se eu cheguei bem em casa, mas de novo a minha mente estava ocupada demais pensando em Jareth, se ele viria e o que ele pensaria se me visse sentada ao lado do Mark, depois do acontecido de sexta-feira.
– Sarah, sobre sexta ...
– Tá tudo bem, Mark. Já passou. Acontece.
Ele apenas concordou com a cabeça e sorriu para Jessica, como se quisesse dizer algo a ela, mas não conseguiu entender o que.
– Bom, vamos começar. — Mark começou dizendo em voz alta. — Eu estava relendo o roteiro e conversando com a diretora do grupo, e talvez "Rock of Ages" seja muito caro para custear, então pensamos em mudar para outro musical.
Alguns murmuravam, reclamavam, diziam que o roteiro estava ótimo, que podiamos fazer festas e coisas do tipo para custear a peça, mas a minha atenção já estava totalmente perdida quando Jareth chegou e sentou-se num banco alguns metros à nossa frente.
– Ai, meu Deus! Eu não vou conseguir olhar pro professor David! — Iman sussurrou e escondeu o rosto atrás de mim.
Jareth estava tão lindo, vestindo uma calça azul combinando com um pulôver de lã também azul e suspensórios. Para alguns seria brega, mas em Jareth caiu perfeito como uma luva.
A beleza dele era tão grande que eu e Iman suspiramos ao mesmo tempo, incomodando Mark.
Jareth deu um meio sorriso, pegou o livro de sempre e uma caneta e começou a rabiscar, os olhos fixos no papel, e talvez com ele não me observando, eu conseguiria prestar atenção no grupo.
A reunião demorou mais do que imaginava, muita discussão, muita gente apoiando a mudança da peça, outros querendo continuar, eu e Iman apenas observando e ocupadas demais comentando sobre Mark e Jareth.
Por fim, o roteiro mudou para "Moulin Rouge", mesmo com reclamações e comparações de que essa peça seria mais cara do que "Rock of Ages", mas a palavra final foi quase da Jessica, quando disse que "Moulin Rouge" era muito mais romântico.
– Err ... você vem comigo, Sarah? — Iman perguntou quando todos já haviam se levantado e se dispersado e percebeu que eu e Jareth não paravamos de nos olhar.
– Ah, não, Iman, pode ir. Vou ficar mais um pouco.
– Por favor, se você ficar com o professor David, não me esqueça de me contar os detalhes! — ela cochichou no meu ouvido.
Ahhh, Iman, se você soubesse pelo menos metade da história ...
Finalmente todos se foram e Jareth veio caminhando lentamente até mim, sentou-se ao meu lado e me deu um beijo na testa.
– Achei que essa reunião não ia terminar nunca. — ele disse.
– Eu também.
– Mark quer me matar, não quer?
– Não sei, não quis comentar o assunto com ele.
– Eu tentei tirar os olhos de você, mas era impossível. — Jareth deu um beijo no meu pescoço. — Ele deve ter ficado irritado. E a lourinha também.
– A Iman gosta dele. — dei uma mordida na orelha dele. — Ah, fazia tempos que eu queria fazer isso.
Jareth riu.
– Iman merece coisa melhor. — agora era ele quem mordia a minha orelha. — Hum, mordiscar orelhas parece divertido.
– Eu tenho perguntas, Jareth. — puxei o rosto dele para poder ver melhor seus olhos.
– Imagino que tenha. — ele segurou na minha mão. — Pode começar.
– Por que todos tem alguma lembrança minha, mesmo por ter passado tanto tempo longe?
– Eu enfeiticei todos os seus amigos e familiares para que eles tivessem lembranças suas. — ele brincava com os meus dedos. — Você nunca esteve aqui, mas na mente deles você esteve aqui o tempo todo.
– Isso explica a lembrança do Mark e da auto-escola.
– Exato.
– Mas eu sei dirigir?
– Claro que não, Sarah! — Jareth riu. — Mas posso te ensinar.
– Você sabe dirigir? — eu quase gritei de surpresa e a cara de Jareth era aquela mesma que ele fazia quando eu tentava me impor a ele.
– Sei. — ele colocou a mão sobre a minha coxa e começou a aperta-la. — Tenho certeza de que você vai gostar de passar algumas horas no carro comigo. — sua boca estava agora no meu ouvido. — Tenho certeza de que você também nunca deu uns amassos no carro.
Meu coração quase saiu pela boca, meu corpo arrepiando por inteiro.
Respirei fundo, tentando não perder o foco e aplicando minha tática de mudar de assunto.
– E os seus olhos, são de cores diferentes realmente por causa de uma briga?
– Sim.
– Felicity?
– Ela mesma. — Jareth ainda apertava a minha coxa quando um casal de velhinhos passou por nós e não gostou do que viu. — Tony era o meu melhor amigo, ele era loucamente apaixonado pela Felicity, mas um dia ela deu sinais de que gostava de mim, dei em cima dela, ela aceitou o meu convite pra sair, ganhei um soco no olho do meu amigo, perdi o amigo, ganhei a garota e um olho de cada cor.
Comecei a rir loucamente da história.
– O que foi? — Jareth estava incomodado com o meu riso.
– É que você contou a história toda de um jeito tão diferente que deixou tudo engraçado.
Ele acariciou de leve meus lábios.
– Acho que passei muito tempo rodeado por goblins que não sei mais me relacionar com pessoas.
Agora era eu quem passava os dedos pelos lábios dele.
– Eu não sei o que você fez comigo, Jareth, mas por favor, continue assim.
Sorrimos ao mesmo tempo, fechei os olhos e seus lábios roçaram de leve os meus, até finalmente nos embalarmos no ritmo frénetico dos nossos beijos.
Acho que eu poderia ficar o dia inteiro beijando esse homem que eu não cansaria nunca.
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