You Could Be My Queen
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Duas semanas sem noticias do Jareth, duas semanas inventando mentiras para os meus pais que queriam saber dele, e meu pai começando a achar que ele não valia nada, querendo ver longe de mim.
Pela mãe do Mark soubemos que ele trancou a faculdade e decidiu fazer um intercambio de um ano, o que deixou Iman arrasada e com muitas perguntas a serem respondidas: se ele ia fazer o intercambio, por que não contou pra nós? Por que não se despediu? E por que tão de repente?
Era sexta-feira, penúltima semana de aulas e muita gente já em clima de férias, comemorando as boas notas e chamando para festinhas noturnas, mas nada me animava.
Meus pais mais uma vez iriam sair para jantar com os padrinhos do Toby, mas eu não tinha clima nenhum para querer ver pessoas e parecer legal, quando meu coração estava começando a despedaçar.
Sentei na minha cama, peguei o cristal e novamente comecei a brincar com ele, sorrindo ao me lembrar de quando eu não sabia que Jareth e David eram a mesma pessoa, o primeiro dia de aula, os encontros no parque, nosso primeiro beijo, nossa primeira vez.
— Oh, Rei dos Goblins, eu quero você aqui comigo. Agora.
Falei sem muita convicção de que algo pudesse mudar, mas logo ouvi a janela do quarto batendo, se abrindo num lampejo e Jareth surgindo da mesma maneira e com a mesma roupa de Rei da primeira vez em que levou o meu irmão.
— Sarah! — sua voz era tremula e eu podia jurar havia lágrimas em seus olhos.
Pulei da cama, num misto de raiva com saudade, numa vontade de beijá-lo enlouquecidamente com uma vontade de bater nele até ficar roxo.
Suas mãos já estavam na minha cintura, num forte abraço, nos beijamos, como se fosse a primeira vez, seus lábios se tornaram frios de novo, mas não me importei.
— Por que você fez isso comigo, Jareth? — falei, já derramando lágrimas, ele secando suavemente com a palma da mão. — Por que você sumiu? Você só queria uma noite comigo e nada mais?
— Pare de falar tolices, Sarah! — ele me abraçava mais forte e beijava a minha testa. — Eu tive que sumir, eu não podia arriscar a sua segurança.
— Minha segurança? O que você quer dizer com isso, Jareth?
— Sarah, a Donna voltou e quer tomar o Reino de volta, por isso não posso arriscar a sua segurança.
Meu coração parou por um instante, as palavras que ele dizia pareciam não haver sentido nenhum.
— Como assim, Jareth? Como ela voltou?
Ele suspirou, fechou os olhos e segurava firme em minhas mãos.
— Donna estava nos vigiando o tempo todo, Sarah! É ela que estava tentando invadir os Reinos, ela quem enfeitiçou o Mark para nos separar e ... — ele fazia a cabeça em sinal negativo. — ... ela voltou mais poderosa justamente por causa dele.
— Por causa do Mark?
— Sarah, o Mark sempre foi uma pessoa boa, o modo como ele estava agindo era o que suspeitávamos, que ele estava enfeitiçado, porém, quando Donna descobriu que Iman e ele passaram a noite juntos, despertou a sua ira, já que ela estava sempre sozinha, pois todos os homens a abandonavam.
— Então ...
— O Mark não está em nenhum intercambio, Sarah! Ele está no Reino, com ela, enfeitiçado por ela e fazendo tudo o que ela manda!
Fiquei um pouco tonta e sentei na cama, ainda sem acreditar em tudo o que o Jareth dizia.
— Jareth, eu ...
— Eu sei, Sarah! — ele se ajoelhou na minha frente, arrumando o meu cabelo. — Donna quer vingança, quer tirar as nossas vidas, a minha e a sua, e tomar o Reino de volta.
— Jareth ...
— Sarah, me desculpe, mas enquanto você correr risco de vida, terá que ficar aqui e não poderemos mais nos ver.
— Não, isso não, Jareth! — segurei firme em suas mãos. — Você não sabe como essas duas semanas foram dolorosas pra mim! Por favor, nem que seja uma hora por semana, venha me ver!
— Sarah, eu não posso! — ele beijou as minhas mãos. — Você não imagina como a Donna voltou mais poderosa e mais forte. Ela conseguiu reunir criaturas mágicas que vagam sem rumo pelos Reinos vizinhos, criou um verdadeiro exercito, tenho perdido muitos goblins nessas batalhas. — Jareth levantou e foi até a janela. — A única coisa que eu consegui fazer foi jogar alguns feitiços em você.
— Feitiços? — me levantei e encarei-o.
— Feitiços de proteção, antes que você pense que é alguma poção de amor. — ele sorriu depois de tanto tempo. — E feitiço do esquecimento.
— Esquecimento? — minha cabeça começava a doer.
— Sim, esquecimento. — ele me encarou.- Se eu morrer, todas as lembranças, todos os momentos em que passamos juntos, irão se apagar da sua memória. Será como se eu nunca tivesse existido na sua vida.
— Não! — eu gritei e me agarrei a ele. — Não quero esse feitiço! Quero lembrar pra sempre de você!
— Eu não vou desfazer nenhum feitiço, Sarah! — ele encarava meus olhos. — Enquanto essa guerra não acabar, você fica aqui em segurança!
Eu sabia que Jareth queria me proteger, mas não queria acreditar que a situação estivesse tão caótica como ele dizia.
— E o cristal também não irá mais me trazer até você, mesmo dizendo as palavras certas. Essa foi a última vez. — encarei de novo. — Eu não sei o que seria de mim se algo acontecer com você, Sarah! — fechei os olhos e deixei as lágrimas mais uma vez escorrerem pelo meu rosto. — Você será sempre a minha Rainha! — senti seus lábios bem próximos dos meus. — Eu te amo, Sarah!
— Eu também te amo, Jareth!
Nosso último beijo se misturava as minhas lágrimas, meu coração apertado, sem saber quando o veria novamente, meus pensamentos apenas desejando tê-lo de volta o quanto antes.
FIM
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