— Quer voltar pra casa e descansar antes de ir pro ensaio? – Jareth perguntou assim que saímos da cantina.

— Não, vamos dar uma volta por aí. – apertei a minha barriga. – Acho que comi demais, se eu voltar pra casa, com certeza vou dormir a tarde inteira.

Jareth riu e segurou a minha mão.

— Será que é seguro? – perguntei enquanto caminhávamos para um shopping próximo dali.

— O que é seguro?

— Andarmos de mãos dadas. – olhei para os lados, como se eu fosse uma procurada pela polícia. – Não sei, e se encontramos alguém da faculdade e nos vermos assim?

— Você é muito cismada com isso, Sarah. – Jareth soltou irritado a minha mão. – Nesse caso, melhor eu parar com as aulas.

— NÃO! – eu praticamente gritei e parei na frente dele. – E quando eu iria conseguir te ver? Se agora com os problemas do Reino é mais difícil você ficar por aqui. – suspirei. – Desculpa, Jareth, mas tudo ainda é muito novo pra mim. Eu não sei o que eu diria ou faria se o pessoal da faculdade nos vissem juntos.

Jareth me abraçou e beijou o meu pescoço.

— Eu que peço desculpas, Sarah. – ele dizia ao meu ouvido. – Eu também não saberia como lidar, talvez seria um escândalo na faculdade e tantas coisas poderiam dizer sobre você. – Jareth me encarava. – Terei mais cuidado.

Sorri e voltamos a caminhar, já entrando no shopping.

— Se assumirmos o namoro. – ele continuou. – Eu teria que parar de dar as aulas, pelo menos pra sua turma, pois senão iriam dizer que as suas notas são boas por minha causa.

— Você dá aulas pra outras turmas?

— Eu precisava de um motivo para ficar aqui às sextas-feiras e no fim de semana. — ele sorriu.

— E que turma é?

— Pra turma de História. – Jareth resmungou. – Turma monótona, que me entendia demais.

— Hum. – lembrei que o curso de História ficava em outro prédio do campus e que talvez eu desse uma passada por lá amanhã. – E tem muitas meninas no curso?

Ele parou de andar e ria, ou melhor, gargalhava da minha pergunta.

— Está com ciúmes, Sarah?

— Claro que não! – levantei mais a cabeça, empinando o nariz. – Sei que você só tem olhos pra mim, mas tenho medo da sua popularidade com as mulheres.

De surpresa, ele me pegou pela cintura e me beijou, ali mesmo, entre tantos transeuntes e por vezes atrapalhando a passagem dos outros.

— Você virou o meu mundo de cabeça pra baixo, Sarah. – ele disse depois de recuperar o fôlego. – Vem, temos tempo pra um sorvete ainda.

Jareth ia me guiando e não demorou muito para encontramos uma sorveteria, e ele pediu logo os maiores sorvetes, devorando o dele rapidamente.

— Você gosta de sorvete, Jareth?

— Minha sobremesa favorita. – ele limpou os lábios lambuzados. – Depois dos cupcakes do Sir Didymus.

— Bom saber. – eu ainda estava na metade do meu sorvete quando Jareth já tinha terminado o dele. – Vou pedir pra Irene comprar um pote de sobremesa no sábado.

Fiquei ainda admirando-o depois de terminar o meu, sentados na sorveteria, sem dizer nada, apenas nos olhando.

— O que foi, Sarah?

— Você mudou bastante, Jareth. – sorri. – Está mais humano. E isso me deixa mais apaixonada. Tenho saudades de você, no meu quarto. – confessei baixinho.

Jareth se mexeu na cadeira, os lábios semi-abertos.

— Sarah, já te disse, tome cuidado com as palavras que você diz. – ele mordeu o lábio superior. – Você desperta coisas em mim que não posso dizer em público.

Mordi o meu lábio como resposta e senti a sua mão na minha coxa, debaixo da mesa.

— Melhor eu te levar pro ensaio antes que ...

— Antes que o que? – perguntei melindrosa.

— Antes que eu te leve agora mesmo pro meu apartamento.

Pisquei duas vezes.

Era a primeira vez em que eu pensava naquilo. Jareth tinha um carro, mas nunca me perguntei onde ele morava quando estava por aqui.

— Apartamento? Você tem um apartamento? E mora sozinho?

— Sim, eu tenho. – ele deu de ombros. – Não, não moro sozinho, trouxe uns globlins pra morar comigo. Óbvio que eu moro sozinho, Sarah!

— Isso é muito .... tentador.

— O que é tentador? – sua voz era carregada de malicia.

— Você, querer me levar pro seu apartamento. – me contorci toda com a idéia de ficar sozinha com ele

— Chega dessa conversa, Sarah! – ele levantou e me pegou pela mão. – Vamos, vou te levar pro ensaio antes que as coisas percam o rumo por aqui.

Saímos e eu tentava não dar risinhos bobos ou sorrir sem motivo, mas a idéia de um dia conhecer o apartamento dele me deixava ansiosa.

Ah, essa coisa de estar apaixonada deixa a gente realmente boba!

Jareth me deixou uma quadra antes do galpão do grupo, para não correr o risco de sermos vistos pelo Mark.

Quando entrei, era Iman quem tinha sorriso bobo e veio pulando quando me viu chegar.

— Sarah! Ela não veio! – ela disse baixinho e tive que olhar por cima do ombro dela pra ver quem estava no grupo.

— Ela quem? – perguntei por fim quando não consegui identificar quem era.

— A Jéssica! Será que ele vai estar menos babaca longe dela?

— Talvez. Espero que sim! – respondi sorrindo.

Monique, a diretora geral do grupo de teatro e nossa diretora em praticamente todos os espetáculos, já estava a postos quando nos chamou no palco.

— Bem, crianças. – podíamos ter 30 anos, e ela sempre nos chamaria de crianças. – Peça decidida, roteiro pronto, papeis definidos e espero que estejam muito afinados, afinal, vai exigir bastante da voz de vocês, então espero muito ensaio vocal de vocês.

Concordamos em uníssono e ela foi nos entregando o roteiro, cada qual já com o nome do seu respectivo personagem.

Tive que ler duas vezes o nome que estava escrito, Iman parecendo mais feliz do que eu.

— Santine e Christian, por favor, apresentem-se no centro do palco. – Monique disse e ao mesmo instante em que eu dei os primeiros passos em direção a ela, Mark também se movia na mesma direção.

— Mark e Sarah, acho que a química entre você dois será perfeita nessa peça. – Monique nos segurou pelos ombros. – O sucesso da peça depende de toda a equipe, mas a responsabilidade maior será de vocês.

Par romântico com o Mark não estava nos meus planos!

Qual será a reação do Jareth quando eu contar a ele?