You Could Be My Queen
26 Capítulo 26
— Quer voltar pra casa e descansar antes de ir pro ensaio? – Jareth perguntou assim que saímos da cantina.
— Não, vamos dar uma volta por aí. – apertei a minha barriga. – Acho que comi demais, se eu voltar pra casa, com certeza vou dormir a tarde inteira.
Jareth riu e segurou a minha mão.
— Será que é seguro? – perguntei enquanto caminhávamos para um shopping próximo dali.
— O que é seguro?
— Andarmos de mãos dadas. – olhei para os lados, como se eu fosse uma procurada pela polícia. – Não sei, e se encontramos alguém da faculdade e nos vermos assim?
— Você é muito cismada com isso, Sarah. – Jareth soltou irritado a minha mão. – Nesse caso, melhor eu parar com as aulas.
— NÃO! – eu praticamente gritei e parei na frente dele. – E quando eu iria conseguir te ver? Se agora com os problemas do Reino é mais difícil você ficar por aqui. – suspirei. – Desculpa, Jareth, mas tudo ainda é muito novo pra mim. Eu não sei o que eu diria ou faria se o pessoal da faculdade nos vissem juntos.
Jareth me abraçou e beijou o meu pescoço.
— Eu que peço desculpas, Sarah. – ele dizia ao meu ouvido. – Eu também não saberia como lidar, talvez seria um escândalo na faculdade e tantas coisas poderiam dizer sobre você. – Jareth me encarava. – Terei mais cuidado.
Sorri e voltamos a caminhar, já entrando no shopping.
— Se assumirmos o namoro. – ele continuou. – Eu teria que parar de dar as aulas, pelo menos pra sua turma, pois senão iriam dizer que as suas notas são boas por minha causa.
— Você dá aulas pra outras turmas?
— Eu precisava de um motivo para ficar aqui às sextas-feiras e no fim de semana. — ele sorriu.
— E que turma é?
— Pra turma de História. – Jareth resmungou. – Turma monótona, que me entendia demais.
— Hum. – lembrei que o curso de História ficava em outro prédio do campus e que talvez eu desse uma passada por lá amanhã. – E tem muitas meninas no curso?
Ele parou de andar e ria, ou melhor, gargalhava da minha pergunta.
— Está com ciúmes, Sarah?
— Claro que não! – levantei mais a cabeça, empinando o nariz. – Sei que você só tem olhos pra mim, mas tenho medo da sua popularidade com as mulheres.
De surpresa, ele me pegou pela cintura e me beijou, ali mesmo, entre tantos transeuntes e por vezes atrapalhando a passagem dos outros.
— Você virou o meu mundo de cabeça pra baixo, Sarah. – ele disse depois de recuperar o fôlego. – Vem, temos tempo pra um sorvete ainda.
Jareth ia me guiando e não demorou muito para encontramos uma sorveteria, e ele pediu logo os maiores sorvetes, devorando o dele rapidamente.
— Você gosta de sorvete, Jareth?
— Minha sobremesa favorita. – ele limpou os lábios lambuzados. – Depois dos cupcakes do Sir Didymus.
— Bom saber. – eu ainda estava na metade do meu sorvete quando Jareth já tinha terminado o dele. – Vou pedir pra Irene comprar um pote de sobremesa no sábado.
Fiquei ainda admirando-o depois de terminar o meu, sentados na sorveteria, sem dizer nada, apenas nos olhando.
— O que foi, Sarah?
— Você mudou bastante, Jareth. – sorri. – Está mais humano. E isso me deixa mais apaixonada. Tenho saudades de você, no meu quarto. – confessei baixinho.
Jareth se mexeu na cadeira, os lábios semi-abertos.
— Sarah, já te disse, tome cuidado com as palavras que você diz. – ele mordeu o lábio superior. – Você desperta coisas em mim que não posso dizer em público.
Mordi o meu lábio como resposta e senti a sua mão na minha coxa, debaixo da mesa.
— Melhor eu te levar pro ensaio antes que ...
— Antes que o que? – perguntei melindrosa.
— Antes que eu te leve agora mesmo pro meu apartamento.
Pisquei duas vezes.
Era a primeira vez em que eu pensava naquilo. Jareth tinha um carro, mas nunca me perguntei onde ele morava quando estava por aqui.
— Apartamento? Você tem um apartamento? E mora sozinho?
— Sim, eu tenho. – ele deu de ombros. – Não, não moro sozinho, trouxe uns globlins pra morar comigo. Óbvio que eu moro sozinho, Sarah!
— Isso é muito .... tentador.
— O que é tentador? – sua voz era carregada de malicia.
— Você, querer me levar pro seu apartamento. – me contorci toda com a idéia de ficar sozinha com ele
— Chega dessa conversa, Sarah! – ele levantou e me pegou pela mão. – Vamos, vou te levar pro ensaio antes que as coisas percam o rumo por aqui.
Saímos e eu tentava não dar risinhos bobos ou sorrir sem motivo, mas a idéia de um dia conhecer o apartamento dele me deixava ansiosa.
Ah, essa coisa de estar apaixonada deixa a gente realmente boba!
Jareth me deixou uma quadra antes do galpão do grupo, para não correr o risco de sermos vistos pelo Mark.
Quando entrei, era Iman quem tinha sorriso bobo e veio pulando quando me viu chegar.
— Sarah! Ela não veio! – ela disse baixinho e tive que olhar por cima do ombro dela pra ver quem estava no grupo.
— Ela quem? – perguntei por fim quando não consegui identificar quem era.
— A Jéssica! Será que ele vai estar menos babaca longe dela?
— Talvez. Espero que sim! – respondi sorrindo.
Monique, a diretora geral do grupo de teatro e nossa diretora em praticamente todos os espetáculos, já estava a postos quando nos chamou no palco.
— Bem, crianças. – podíamos ter 30 anos, e ela sempre nos chamaria de crianças. – Peça decidida, roteiro pronto, papeis definidos e espero que estejam muito afinados, afinal, vai exigir bastante da voz de vocês, então espero muito ensaio vocal de vocês.
Concordamos em uníssono e ela foi nos entregando o roteiro, cada qual já com o nome do seu respectivo personagem.
Tive que ler duas vezes o nome que estava escrito, Iman parecendo mais feliz do que eu.
— Santine e Christian, por favor, apresentem-se no centro do palco. – Monique disse e ao mesmo instante em que eu dei os primeiros passos em direção a ela, Mark também se movia na mesma direção.
— Mark e Sarah, acho que a química entre você dois será perfeita nessa peça. – Monique nos segurou pelos ombros. – O sucesso da peça depende de toda a equipe, mas a responsabilidade maior será de vocês.
Par romântico com o Mark não estava nos meus planos!
Qual será a reação do Jareth quando eu contar a ele?
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