You Could Be My Queen
23 Capítulo 23
— Finalmente hoje é quinta-feira, não é Sarah?
O humor de Iman havia melhorado, mas isso só acontecia quando ela não via Mark e Jéssica juntos, o que não havia acontecido ainda naquela manhã.
— Acho que chegamos muito cedo. – falei quando entramos na sala e havia poucas pessoas, algumas dormindo na carteira.
— Eu sei. – Iman concordou. – Passei mais cedo na sua casa pra evitar ... bem, você sabe quem. Quanto menos eu ver, melhor ficarei.
— E o grupo de teatro? – perguntei quando nos sentamos nos lugares da frente, como de costume.
— Boa pergunta. – ela suspirou. – Estou pensando em sair depois da apresentação, se eles ainda estiverem juntos até lá.
A conversa foi interrompida quando Rick entrou na sala carregando dois copos gigantes de cappuccino e sorriu quando nos viu:
— Oi, Sarah! Oi, Iman! – ele disse alegre. – Poxa, eu não sabia que a Iman já estava com você, só trouxe cappuccino pra nós dois. Vou buscar outro, fique com o meu pra você, Iman!
— Ah, obrigada! – ela respondeu sem graça quando ele entregou o copo. – Sarah, posso me sentar do seu lado?
— Claro, sem problemas. – sinalizei com a mão e ele colocou a mochila dele na carteira ao lado da minha.
Rick sorriu e saiu da sala em busca de um novo cappuccino.
— Não sabia que vocês agora eram amiguinhos. – Iman comentou.
— Na verdade, acho que ele quer me proteger. O Rick não me deixa sozinha nas aulas quando o Mark está perto, ele só dá uma trégua quando você está comigo.
— Hum. – ele bebericou o cappuccino dela. – Eu só acho que ...
Iman quase engasgou com a bebida e não completou a frase, apenas fazia sinal para que eu olhasse pra porta e lá estava Jareth, de braços cruzados, a cabeça encostada no batente, de jeans, camiseta branca, jaqueta preta e usando All Star. ALL STAR!
— Minhas alunas mais aplicadas chegaram cedo hoje. – Jareth disse sorrindo, ainda naquela pose tão despreocupada que não parecia o mesmo Jareth tenso com os problemas do Reino.
Por algum motivo, eu não conseguia falar, apenas ficava admirando o modo como ele me olhava e sorria, uma vontade absurda de abraçá-lo e beija-lo ali mesmo, na frente de todo mundo.
— As aulas de quinta são as preferidas da Sarah. – Iman falou depois de um longo período de silencio. – Chegamos cedo para garantir um bom lugar.
— Imagino que seja. – Jareth disse. – Bom, vou pegar o meu material e já volto.
— Vaiiii! – Iman quase gritou quando Jareth saiu. – Vai logo, Sarah!
— Ir pra onde?
— Sarah, você é muito inocente! Ele vai buscar o material dele, vai precisar de ajuda!
— E?
Iman estava quase arrancando o próprio cabelo.
— Sarah, vai logo atrás dele! Vai ajudar ele a trazer o material! – ela agora falava mais baixo. — Ou melhor, vai lá dar uns beijos nele antes da aula começar!
Larguei minhas coisas e obedeci Iman. Acho que agi mais pelo impulso do que pela ordem dela.
Os corredores agora começavam a encher de alunos e avistei Mark e Jéssica chegando de mãos dadas na direção contrária, um aceno rápido de cabeça foi o meu jeito de dizer bom dia para os dois.
Pensei em voltar por causa da Iman, mas logo Rick passou por mim e eu sabia que ela estaria em boas mãos.
Cheguei à sala dos professores, mas só encontrei meu professor de filosofia sentado, lendo o jornal.
— Oi, professor. – falei quando percebi que o jornal era mais interessante do que eu parada na porta. – O professor Jar ... David está por aqui?
— Ele foi até o estacionamento, buscar o material dele que ficou no carro.
Agradeci e sai correndo para o estacionamento dos fundos, que era reservado para os professores e diretores.
Fui andando devagar entre os carros, tentando enxergar Jareth dentro de alguns deles, mas não demorou muito para que eu o visse encostado no capô de um conversível vermelho, o último carro da primeira fileira.
Eu corri até ele e quando o alcancei, ele me abraçou e praticamente me rodopiou no ar.
— Que saudades, Jareth! – falei ainda abraçada, depois de rodopiar por alguns instantes.
— Que saudades, Sarah! – ele beijou o meu cabelo. – Fiquei com medo de você não entender o recado.
— Na verdade, eu não havia entendido mesmo. – dei um beijo no pescoço dele. – Foi a Iman que me ajudou.
Ele riu e me abraçou mais forte.
— Eu posso te beijar? – perguntei timidamente.
— E por que está pedindo permissão?
— Tenho medo de alguém ver a gente aqui. Não sei o que isso poderia causar. – olhei para trás e não havia ninguém, somente dúzias de carros enfileirados. – Uma aluna namorar o professor não é algo muito comum e ético por aqui.
— Eu sei que não. – Jareth passou os dedos pelos meus lábios. – Mas acho que um beijo rápido não vai criar problemas.
— Não sei se vou conseguir apenas beijar rapidamente. – respondi olhando para os seus lábios.
— É? – ele sussurrou no meu ouvido. – Eu também não sei se vou conseguir, mas podemos tentar. – ele mordeu de leve o meu lábio, até finalmente nos beijarmos de verdade.
— Eu vou te ver hoje depois da aula? – perguntei depois de mordiscar a orelha dele.
— No parque? – ele correspondeu mordendo a minha.
— Sim. – puxei o cabelo e ele gemeu.
— Perfeito. – Jareth apertou mais o meu corpo contra o dele.
— E amanhã também? – eu beijava agora o pescoço, que estava muito perfumado.
Jareth ficou alguns segundos calado, sem resposta, apenas brincando com o meu cabelo enquanto eu ainda continuava a beijar o seu pescoço.
— Tudo bem, fico até domingo por aqui. – ele respondeu finalmente. – Acho que o pior já passou no Reino.
Parei de beijá-lo para poder encará-lo.
— Hoggle me contou que uma mulher passou sem problemas pelo Labirinto.
— Sim. – ele respondeu olhando para algum ponto além do horizonte. – Não quero te preocupar com isso.
— Mas eu preciso saber, Jareth! Eu me preocupo com você.
— Se preocupa? – seus olhos agora brilhavam.
— Óbvio! – arrumei o cabelo dele, que por vezes teimava em cair na testa. – Afinal, eu vou ser a sua rainha, não vou?
Jareth não me respondeu, apenas me beijou tão apaixonado, tão sedento por mim, que eu sabia que aquilo era um sim.
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