You Could Be My Queen
14 Capítulo 14
– Iman, me dê um bom motivo pra eu querer ir com você nessa bebedeira que será o aniversário do jogador de futebol da sala?
Era sexta-feira à noite e eu estava há quase uma hora no telefone com Iman, ela numa tentativa desesperada de me convencer a acompanhá-la no aniversário do nosso colega de classe das aulas do David que nem conhecemos direito.
– Porque vai ter bebida.
– Você sabe que eu não bebo. – de tanto brincar com o cristal, eu já estava quase fazendo malabares com ele. – Outro motivo.
– O professor David talvez vá, lembra?
David foi convidado durante a aula pelo próprio aniversariante, mas meu professor encarou isso como um puxa-saquismo.
– Ver jovens recém-saidos da escola cheirando a álcool a noite inteira não é meu programa favorito. – David respondeu ao convite e todos riram. – Mas pensarei bastante no seu convite. – ele me olhou e sorriu, como se esperasse que eu o incentivasse a ir.
– Outro motivo, Iman. – tentei desviar o assunto.
– O Mark vai.
– E eu com isso? Você sabe que eu não sinto nada pelo ... peraí! Então é pelo Mark que você está interessada?
– Que horas eu passo aí pra te buscar?
– Iman, a tática de mudar de assunto não funciona comigo. Vamos, me diga, é ele seu novo amor?
Ela suspirou e ainda ficou algum tempo em silencio no outro lado da linha.
– Sim, Sarah, estou gostando do Mark.
Comecei a pular enlouquecidamente pelo quarto, dando gritos de alegria.
– Que lindo! Vou juntar vocês dois, pode contar comigo.
– Então se você vai me ajudar, pode começar indo comigo na festa.
Eu podia imaginar a carinha de pidona da Iman, mas ele estava certa. Se eu ia ajudar, tinha que começar de algum jeito.
Acabei aceitando de ir à tal festa, que seria um bar perto da faculdade.
Irene e meu pai quase abriram champagne pra comemorar a minha saída noturna. Geralmente pais brigam pros filhos ficarem em casa, mas no meu caso, tudo era ao contrário.
Me arrumei muito rápido ou Iman que estava atrasada, mas ainda fiquei um tempo no meu quarto, olhando pra bola de cristal, lembrando de David.
– Droga! Por que eu estou pensando em David, quando deveria pensar num jeito de voltar pro Jareth? Será que eu já o esqueci?
Urrei de raiva e comecei a bater a cabeça no travesseiro.
– Sir Didymus, me ajude! – minha voz abafada pelo travesseiro. – Você que é tão inteligente e esperto, me ajude a encontrar as palavras certas!
– Eu não posso, my lady!
Levantei a cabeça e ele estava ao meu lado da cama, junto com Ambrosius.
– E por que não? E por que quando eu chamo por vocês, logo vocês aparecem? Não preciso ficar dias pensando nas palavras para trazer vocês aqui.
– My lady, nós sempre dissemos que era só nos chamar. – ele acariciou o meu rosto. – No caso do Rei dos Goblins, é como um feitiço, uma invocação: ele só virá com as palavras certas.
– Isso é tão injusto. Sir Didymus! Será que o Jareth não vê o meu esforço e o quanto eu estou sofrendo, querendo voltar pra ele? – eu já estava quase chorando.
– É claro que vê, my lady! O problema foi que ele enfeitiçou a bola de cristal para agir apenas com as palavras corretas. Lamento muito não poder ajudar.
Ouvi a buzina lá fora, anunciando que Iman já estava me esperando.
Eu já estava de saco cheio de tentar voltar pro Jareth e ele sempre tornando tudo mais difícil. Joguei a bola contra a parede, quebrando em mil pedaços, quase um pó misturando com purpurina de tanto que brilhava no chão.
Sir Didymus deu um grito de surpresa.
– My lady!
– Minha decisão está tomada, Sir Didymus: se Jareth não aceita o que eu digo, as palavras que são mais sinceras do que as que devem ser ditas por um feitiço, eu ficarei aqui.
Ele balançava a cabeça em negativo enquanto Ambrosius choramingava.
A buzina tocou de novo e Irene gritou pelo meu nome.
– Até mais, Sir Didymus.
– Até mais, my lady.
Sai do quarto correndo, enquanto todos estavam na sala, passei desejando boa noite e dizendo que não sabia que horas voltaria.
Se Jareth não aceita as minhas palavras, eu sei quem aceitaria. E eu rezava pra encontrar com David na festa hoje à noite.
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