You Could Be Mine
1 Capítulo 1
Notas iniciais
–mais uma, Regina?- perguntou uma voz masculina já tão conhecida pela morena
–Não Joe, obrigada- respondeu levantando-se de seu habitual lugar no bar -tenho que ir, boa noite -esboçou um pequeno sorriso, não por sentimento, somente pura educação
–Boa noite, até mais- o rapaz moreno respondeu sorridente
E assim se encerrava a rotina diária de Regina Mills, tomando 2 doses de whisky.
Ela caminhava pela fria e movimentada rua de Seattle, encolhendo-se em seu sobretudo preto para aquecer-se melhor, em vão, o vento frio ultrapassava as camadas de roupa com facilidade e atingia a pele morena fazendo-a arrepiar.
A caminhada rotineira passou rapidamente, Regina não sabia ao certo se era o clima ou o turbilhão de problemas que rondava sua cabeça que a fez caminhar o quarteirão que separava o bar onde estava da entrada de seu prédio.
Passou despercebida pelo lobby e logo estava no elevador, rumando para o enorme apartamento em que morava com o marido, um pequeno 'plin' a tirou de seu transe e ela caminhou até a porta de seu lar.
Suas narinas foram imediatamente invadidas pelo característico cheiro de sua casa: frutas cítricas.
Encaminhou-se para o quarto constatando o que já era de praxe: Daniel ainda não estava em casa.
Regina casou-se ainda muito jovem, antes de concluir a faculdade de medicina, com o rapaz mais cobiçado do campus, moreno, atlético e dono de um par de olhos tão azuis quanto o céu, Daniel arrancava suspiros por onde passava, poderia ela querer algo melhor? Bem, talvez sim, por mais que fossem melhores amigos e muito cúmplices, o relacionamento nunca teve "fogo", eles se amavam, mas não era como se fossem almas gêmeas ou extremamente apaixonados.
Ele era um dos Juízes mais competente do estado, quiçá do país, havia mandado inúmeros bandidos para a cadeia, dentre eles um famoso e corrupto senador que lavava dinheiro, isso interferia na vida do casal, Regina já havia ficado na mira de uma arma, seqüestrada pela gangue cujo chefe o marido tinha posto atrás das grades, desde esse dia ele insistiu que a morena aumentasse a segurança da casa e até cogitou a possibilidade de ela andar com um guarda-costas, o que, obviamente, foi ignorado por ela.
A morena foi para o seu quarto e logo depois tomar um banho quente e demorado para relaxar depois de um plantão de 24 horas.
Não muito longe dali seu esposo estava parado no semáforo e tamborilava os dedos impacientemente no volante quando foi surpreendido por dois homens fortemente armados.
–"vamo" doutorzinho, ou estouro seus miolos aqui mesmo- um homem alto e corpulento ordenava enquanto o ameaçava do banco traseiro com um fuzil.
–o que vocês querem?- Daniel perguntou tentando manter-se calmo
–ah, a gente vai dar um rolé com o doutor- o outro homem respondeu apontando uma pistola pra ele- agora vira nessa rua -apontou o lado esquerdo
Daniel assim o fez, dirigiu durante minutos que pareceram horas, tentava não demostrar o nervosismo que se apoderava dele cada vez mais, a paisagem foi mudando, os prédios bonitos e espelhados do bairro nobre onde ele residia agora dava lugar a casas isoladas e campos que pareciam ser infinitos, desertos.
Em um ponto da estrada onde não se avistava casa ou qualquer indicio de que ali perto havia população os bandidos o mandaram parar o carro e o empurraram para fora.
Assim que desceram começaram uma sessão de socos e pontapés no jovem juiz que a essa altura já estava caído, após minutos agonizantes de agressão eles finalmente pararam.
–Isso é pra o doutorzinho aprender a não se meter onde não é chamado-o homem do fuzil disse e cuspiu no corpo inerte
5 tiros foram disparados fazendo as aves que estavam próximas levantarem vôo assustadas, o homem com a pistola agachou-se ao lado do corpo.
–agora acho que você não vai mais mandar ninguém pra cadeia- e levantou-se sendo seguido pelo companheiro até o carro, e deixara Daniel ali, para morrer lentamente à beira da estrada.
Regina saia do banheiro enrolada numa toalha e com os cabelos pingando, ela desenrolou-se e secou-se, escolheu uma roupa confortável e desceu esperando encontrar o marido largado no sofá assistindo futebol como acontecia quase todos os dias, ao invés disso deparou-se com o mais absoluto silêncio, não era comum ele atrasar tanto e quando acontecia sempre avisava, ela decidiu ligar para seu celular, uma, duas, três chamadas e nada, caminhou até a cozinha e começou a fazer o jantar, não devia ser nada, ela repetia mentalmente para tentar acreditar.
Passadas algumas horas de preocupação e após diversas ligações para amigos que sempre respondiam: "ele saiu no horário normal e disse que estava indo para casa" ela foi tomada pelo desespero, por mais que não fosse apaixonada pelo marido, depois de quase 12 anos de casamento eles eram muito ligados, seu coração apertou e uma lágrima solitária rolou em seu rosto só de imaginar o que poderia ter acontecido, foi tirada de seu devaneio pelo toque de seu celular.
–Alô?- conseguiu dizer com a voz embargada-como ele está? Como?? Hospital? Que hospital? Estou indo para aí agora!
Suas mãos tremiam, seu coração batia num ritmo frenético e seus joelhos falharam, o pesadelo não tinha acabado.
Regina suspirou pesadamente sentando-se nas cadeiras brancas do hospital, apoiou a cabeça nas mãos e pela primeira vez desde que tinha chegado permitiu-se chorar.
Assim que entrou no hospital foi bombardeada de perguntas por jornalistas e até mesmo alguns amigos do marido.
Ela pouco sabia sobre o atual estado de Daniel, o médico apenas disse que ele estava passando por uma cirurgia para a retirada das balas e depois disso o quadro dele seria analisado e divulgado para a família, no caso, Regina.
As lágrimas corriam incessantemente pelo rosto da mulher, a morena não conseguia pensar em nada, só queria que aquilo tudo fosse um sonho ruim, queria acordar e sentir o corpo quente do marido ao lado do seu.
Algumas horas se passaram nessa agonia, a morena sentia-se esgotada, sentia as pálpebras pesarem mas não conseguiu ao menos tirar um cochilo, foi tirada de seu estado de torpor pela voz de um homem alto e grisalho que ela reconheceu como sendo o médico que operara Daniel.
–Os familiares do Senhor Daniel Smith- ele disse levantando os olhos da prancheta em suas mãos e olhando ao redor
–Como ele está?-Regina perguntou rápido num tom desesperado
–Vocês todos são da família?-o médico perguntou olhando para o enorme grupo de engravatados que rodeou a mulher
–Sou a esposa dele-a morena disse-como ele está? Ele está bem? Posso vê-lo?- soltou de um fôlego só
–Calma, Senhora- o senhor disse- Acredite, eu entendo sua preocupação e por isso serei breve, O quadro de seu marido é delicado, a cirurgia para retirada dos projéteis que se alojaram no abdômen foi bem sucedida, porém ele perdeu muito sangue e vai precisar de transfusão...
–Eu dôo-ela disse rápido
–Sim...sim, mas vai ser preciso mais que um doador, por hora ele está em coma induzido para evitar maiores danos já que duas balas se alojaram em partes delicadas do cérebro.
A morena se sentia ainda mais preocupada, por ser médica e entender a real gravidade da situação ela não conseguia assumir a feição de alívio que alguns dos colegas de Daniel expressaram.
–E...eu...eu posso vê-lo?- perguntou receosa
–Não poderia, mas vou abrir uma excesso apenas para a senhora...- o senhor disse sorrindo de lado
–Muito obrigada doutor!-
–Não há de que, eu vou providenciar sua entrada e já venho lhe chamar-encerrou e girou sobre os calcanhares caminhando para a área restrita
–Regina?-Archibald, o secretário e melhor amigo de Daniel a chamou, tocando seu ombro
–Archie...-abraçou o rapaz com força e permitiu-se chorar novamente
–Shhhh...ele vai ficar bem Gina...ele é forte, vai ficar bem- o ruivo disse com a voz embargada enquanto afagava os cabelos negros da morena
–Ele...ele precisa de transfusão-saiu do abraçou e enxugou as lágrimas com as costas das mãos- Eu disse que doaria mas o médico disse que vai precisar de mais...
–Não se preocupa Gina, eu dôo também e tenho certeza que quase todos que estão aqui doarão também-
–Obrigada Archie!-ela disse e se permitiu um breve sorriso
–De nada, ele é como se fosse meu irmão, é o mínimo que posso fazer
Alguns minutos se passaram e o médico voltou para chamar Regina, ela vestiu roupas descartáveis azuis, uma touca e uma máscara antes de seguir para a UTI.
–Seja breve Senhora Smith- o médico lhe sorriu gentil e a morena tentou retribuir o gesto, não conseguindo muito bem.
Ela subiu a máscara até que tapasse seu nariz e entrou no quarto, seu coração apertou ao ver o corpo inerte de Daniel sobre a cama e ligado a diversos aparelhos, aproximou-se e segurou a mão esquerda dele entre as suas, olhando-o com carinho.
–Oi- ela o olhou com os olhos marejados- Dan...o que fizeram com você?...mas...você vai ficar bem, sempre fica...-passou-lhe a mão pelos cabelos castanhos tirando-os da testa- volta pra mim, você não pode me deixar...-eu não vou agüentar viver sem ver seu rosto todo dia, sem teus olhinhos inchados quando acorda, sem teu abraço quando estou mal, sem teu escândalo jogando videogame-a essa altura as lágrimas já haviam encharcado a máscara da morena-Eu não posso viver sem meu melhor amigo, você é meu chão Daniel...eu não suportaria te perder...
–Senhora Smith- o médico chamou colocando a cabeça para dentro do quarto
–Sim, sim, estou indo- ela enxugou as lágrimas e virou-se para o esposo mais uma vez-Dan, eu preciso ir agora, mas eu volto assim que puder, eu prometo-abaixou a máscara até o queixo- eu te amo bobão, vê se melhora e volta logo pra casa- abaixou-se e plantou um beijo na testa do moreno-até mais-sussurrou e encaminhou-se para fora do quarto.
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