You Come Back?
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Aquele homem...era muito parecido com Akito, seria ele em roupas mais modernas? Seria o amado há quem tanto esperava por anos trancafiada no seu quarto naquele santuário onde nunca havia avistado o lado de fora? Essas perguntas ecoavam na cabeça de KyoukaKuze que não entendia porque sentia uma dor horrenda quando aquele homem tirava suas fotos.
Ela lembrava que fotos não eram tão dolorosas daquela forma, afinal, Akito adorava fotografá-la o tempo todo enquanto estava hospedado no santuário, os dois se amavam muito e ela sempre penteou seu cabelo para esperá-lo, tanto ele, como seu filho, Kaname, quem ela vivia elogiando para a sua adorada filha mais nova, Amane, que havia se tornado uma das sacerdotisas do santuário Kuze trabalhando ativamente ao lado de sua avó, Yashuu.
No momento em que Kyouka se aproxima mais uma vez de Akito para dar um abraço de boas-vindas no seu amado, um último flash é disparado pelo objeto, o que fez com que ela sentisse uma dor ainda mais forte em seu peito, sua boca abriu em um perfeito “o”, enquanto caía lentamente no chão e o clarão forte a cegava.
—Mãe! -ouviu uma voz conhecida chamar, parecia ser de Amane.
Kyouka acorda em uma casa pequena, estava sentada em uma cadeira de madeira em frente a residência que estava com sua porta aberta, ela olha para as suas mãos, tudo parecia bem, vestia seu quimono preto estampado formas brancas, respira fundo, estava ofegante, havia levado um susto com o que havia ocorrido antes, aquilo teria sido um sonho?
—Mãe... -ouviu a voz mais uma vez, olha para sua frente de onde vinha aquela voz, era Amane, ela estava com uma boneca de pano em mãos, que vestia um quimono preto liso e tinha um longo cabelo preto. -Eu fiz você!
Kyouka sorri, em seguida, segurando a boneca, ela assente com a cabeça e deposita um beijo no rosto da pequena, que também sorri e volta a brincar na neve com seu quimono branco e vermelho.
—Está tudo bem, meu amor? -ouviu uma voz masculina conhecida perguntar, seu coração palpitava de emoção, era ele? Quando ela vira para o lado, lá estava Akito de pé vestindo um quimono bege, ele sorri, em seguida, se ajoelhando na sua frente e repousando uma das mãos nas pernas da amada.
—Estou bem sim, acho que apenas tive um sonho ruim... -disse Kyouka— Estou mais aliviada de ver vocês aqui.
—Pesadelos são maus presságios nessa região... -disse Akito sorrindo- E você mais do que ninguém tem conhecimento sobre isso.
Kyouka baixa a cabeça ainda sorrindo, aquilo era verdade, sua mãe e o santuário dela eram responsáveis pelo ritual do sono onde uma sacerdotisa tatuada era responsável por levar o sofrimento do mundo para o Rift e assegurar que ninguém tivesse pesadelos, se alguém tinha pesadelos, o ritual havia dado errado ou precisavam de uma nova sacerdotisa.
Isso deixou Kyouka preocupada, mais pessoas seriam colocadas naquelas condições, tinha medo que Amane se tornasse um alvo, mas Akito parecia entender a preocupação de sua esposa e expressou certo conforto em sua face, o que fez a mulher de longos cabelos pretos ficar mais calma.
—Você não tem com o que se preocupar, meu amor... -disse Akito- Ela não vai atrapalhar a nossa felicidade.
Ele beija o rosto da mulher no canto dos lábios, ela sorri mais ainda, a felicidade era tanta que não cabia dentro dela, aquilo era o paraíso, tudo que ela queria viver, se fosse um sonho Kyouka não queria acordar, era exatamente ali onde deveria estar. A moça olha para os lados, estava faltando alguém...Kaname! Onde estaria Kaname?
—Ele foi buscar Reika... -disse Akito— Quer nos apresentar sua nova namorada.
—Reika? -perguntou Kyouka, lembrando-se que essa era a moça que Yashuu levou para o santuário no que seria...seu sonho?
—Sim, ela tem uma família que mora no vilarejo próximo, os dois se entenderam muito bem... -disse Akito— Não me fale que você é aquelas mães ciumentas e super protetoras? Kaname já está na idade de encontrar namoradinhas.
—Não é isso... -disse Kyouka rindo- Mas esse nome não me é estranho.
—Ele fala bastante dela e manda recorrentes cartas para ela... -disse Akito— Pelo que ele conta, ela é muito bonita, um pouco parecida com você.
De repente, o casal ouve passos se aproximando deles, Kyouka desvia o rosto e o olhar para longe do marido, que se levanta e vira para ver Kaname e Reika chegando. Ele vestia um belo quimono azul e ela vestia um quimono com a parte superior branca e a parte inferior azul, tinha cabelos pretos, ela parecia um pouco tímida, mas passou uma impressão maravilhosa para a sogra.
—Mãe, pai, essa é a Reika, ela é a garota que eu falei... -disse Kaname— Reika, esses são meus pais: Kei e Kyouka.
—Muito prazer em conhecê-la, Reika... -disse Akito- Minha esposa e eu estamos muito felizes em vê-la.
—Obrigada senhor Kashiwagi... -disse a moça- Também estou muito feliz em conhecer vocês.
—Vamos entrando... -disse Kyouka dando passagem para que adentrassem a casa- Vamos conversar lá dentro que é melhor.
Todos assentiram com a cabeça, Reika foi na frente, acompanhada de Kaname, Akito seguiu os dois e quando Kyouka estava quase adentrando o local, houve mais uma chamada vindo de Amane, o que fez a mulher de longos cabelos pretos se virar para a menina, que se aproxima, em seguida, abrindo seus braços.
Kyouka se ajoelha diante a menina, as duas se abraçam bem forte, a mulher adorava aquele carinho, Amane sempre foi quem lhe deu apoio e lhe deu forças para superar todos os ocorridos, ela havia sido o maior presente que o universo havia lhe dado, seu porto seguro, aquele abraço era tudo que aquela mulher mais precisava.
—Mãe... -disse Amane- Acorde...
Os olhos da mulher se arregalaram. Acordar? Como assim? O que a garota estava querendo dizer com isso? Ela interrompe o abraço, encara o rosto da menina que esboçava um olhar triste em meio a um rosto expressando preocupação.
—O que?
—Mãe, isso é um sonho... -disse Amane— Essa não é a realidade, nem a sua e nem a minha.
—Amane...
Em seguida, um clarão se faz presente diante os olhos de Kyouka, que novamente é cegada e sente uma dor horrenda em seu corpo que ela não conseguia explicar, ela se deita no chão, sentia como se estivesse sumindo, desaparecendo, sua alma parecia estar se dissipando cada vez mais.
Ela acorda novamente em seu quarto, em meio aqueles quimonos pendurados, com Akito em sua frente com aquela câmera em suas mãos, estava deitada no chão encarando o homem que logo ela foi reconhecendo...aquele não era seu amado, era muito parecido com ele...e aquela câmera...ela era a causa de sua dor! Logo, ela foi adormecendo e seu corpo triste desaparece no solo daquela sala onde passou toda a sua vida e pós morte esperando pelo retorno de seu amor.
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