You Can See Me
1 O Menino Caído
Notas iniciais
Anyway, espero que gostem da fanfic e qualquer coisa podem comentar e tal.
Em uma manhã gelada e nevada, todos estavam cuidando de suas vidas. Alguns homens vikings cortavam o tanto de lenha que desse para levar com seus machados grandes e pesados, enquanto as moças limpavam e preparavam as refeições que sobravam para o inverno. Porém, uma vila de vikings nunca foi tão calma assim. Principalmente em Berk.
Ouvem-se suspiros baixos com convite a gritos altos de indignação "Ele de novo não", era o que alguns diziam ao avistar o filho do chefe da vila. Aqueles inconformados se referiam ao pequeno e entusiasmado Hiccup que tinha esperanças em ajudar com algo, pois não importava o que fosse, sempre alguém precisava de ajuda por ali. Principalmente quando dragões atacavam com mais frequência, porém nunca ninguém conseguia tolerar alguma ajuda vinda do garoto, pois aos olhos dos bárbaros que pareciam gorilas barbudos, ele era muito magro e desajeitado.
Seu pai mandava-o ajudar seu melhor amigo nas ferragens onde era a única coisa que seu filho era bom e quase nunca fazia confusão por lá, tendo as intenções de proteger aquele que seria o próximo líder, pois o menor não tinha suporte para matar um dragão e nem mesmo de segurar alguma espécie de arma para captura-los ou pulveriza-los.
O pobre Hiccup inconformado com sua subordinação aos olhos de todos, principalmente de seu pai, passava boa parte de seu tempo desenhando mapas no meio de florestas a fim de explorar e conhecer novas coisas ou até mesmo caçar gnomos. Então assim fez. Pegou seu pequeno caderno com desenhos junto de anotações, algo que lembrava uma "caneta" a tinta e antes que saísse de casa, encontrou Stoico, o grande. Também conhecido como o líder da vila, mas para o menor era algo mais, ele era seu pai. O maior falava com Bocão, o melhor amigo do mesmo que logo foi interrompido pelo chefe perguntando aonde seu filho iria, mas Bocão colocou uma mão em seu ombro, falando com uma voz um tanto acalmada "Deixa o menino ir pelo menos ele não vai arranjar confusão aos nossos olhos, não é mesmo?". O viking ruivo franziu o cenho, mas concordou com a cabeça e foi interrompido com tais palavras junto de um grande riso vindo do amigo referindo-se ao pequeno Hiccup "Boa caçada à procura do tal Jack Frost”.
Hiccup não parava de pensar no que o grandão havia falado, afinal será mesmo que esse tal de Jack Frost era real? Simples, ele teria que se aprofundar mais sobre isso. Todo inverno que passava, o moreno sentia que acreditar em certos contos até valia apena para sua confiança em si e fé. Então, algo nele floresceu naquela pequena passagem de inverno congelante. “Se eu posso até acreditar em gnomos, por que não em Jack Frost?”. Foi até o salão principal onde havia alguns livros sobre contos, mitos e principalmente dragões, mas nada de Jack Frost.
O moreno estava prestes a perder as pequenas esperanças que ainda tinha quando ao sair do salão, avistou algo no céu que parecia bastante suspeito, quem sabe um dragão? Era sua chance de provar para Berk inteira que ele capaz de abater um dragão mesmo aquele parecendo suspeito ao sair numa manhã tão fria dessas e se ele quisesse roubar os abastecimentos do inverno, teria que passar por ele primeiro.
Com a ideia de provar para todos do que era capaz, o pequeno viking de cabelos castanhos puxado para ruivo, pegou um dos equipamentos que havia inventado para caçar dragões, colocando seus pertences por ali. Passou despercebido por algumas pessoas, posicionou sua “geringonça” mirando no alvo e apertando o gatilho para soltar uma espécie de rede que felizmente, conseguiu atingir aquilo que voava no ar.
O garoto já com a vibração nas veias gritou para os céus “Eu consegui capturar um dragão!”, pulando de alegria e comemorando com os próximos que estavam por ali, mas todos resmungavam:
- Nossa, conseguiu acertar outro dragão de mentira? Que ótimo, Hiccup.
- Mas eu consegui de verdade! – Falou já quase sem fôlego – Vocês não viram?
- Sim, vimos sim. Você acertar o ar com essa sua máquina estupida.
Aqueles que vivenciaram sua “vitória” eram Cabeçadura e Cabeçaquente. Os dois eram gêmeos de cabelos loiros, mas embora um deles tenha uma aparência um tanto “masculina”, ela era uma menina que agora “comemorava” com risadas e trocadilhos junto de seu irmão que só ela e o mesmo poderiam entender.
Indignado e confiante que havia acertado algo, pegou seu caderno junto de sua “caneta” onde havia deixado e foi em busca daquilo que tinha acertado e que caiu na floresta ali perto. A cada passo que dava para chegar perto de seu alvo, ficava ainda mais gelado. Era como se uma corrente de ar ainda maior passasse por ali, deixando os pequenos pelos do corpo do garoto levantados e arrepiados. Sua respiração fazia com que saísse pequenas fumaças de ar quentes, levando suas mãos para se aquecer sem deixar escapar aquele pequeno ar aconchegante.
Após alguns minutos de caminhada, passou a se sentir cansado, pois andar lutando contra a neve era horrível e cansava demais. Nisso, limpou alguns rastros de neve que havia em cima de uma pedra um tanto grande, sentando-se ali e tentando se aquecer esfregando as duas mãos e soprando rajadas de ar quente ali. “Eu devo ser muito bobo e ridículo assim como as pessoas em Berk pensam para achar que eu havia acertado um dragã-”, seu resmungo foi interrompido ao observar algumas árvores com troncos destroçados causados por uma espécie de queda o que de alguma forma atiçou a esperança do jovem viking na procura de seu suposto dragão abatido.
Espalhando neve ao correr, ficando um pouco ofegante e seguindo os rastros de seu primeiro dragão, deu de cara com algo que definitivamente não tinha imaginado algo do tipo. Poderia ser um dragão menor, um pássaro ou até mesmo uma fada, mas não isso. Mas não esse.
Parou duas vezes para olhar seu glorioso troféu com duas asas e que cuspia fogo, mas na verdade era um garoto que aparentava ter sua idade. O maior estava de olhos fechados, provavelmente dormindo. Ele vestia um casaco azul, junto de uma bermuda marrom um tanto lascada e incrivelmente não usava nada para calçar-se. “Será que ele perdeu seus calçados na queda?”, era o que pensava, mas na verdade os pés do garoto estavam lascados de tanto andar descalço, porém o que mais chamou atenção no jovem eram seus cabelos da cor do inverno, da cor da neve que cobria algumas partes de seu corpo e que deixou Hiccup um tanto confuso, pois o outro aparentava ser jovem, mas curiosamente tinha cabelos brancos como os de um idoso.
Sem pensar muito, providenciou tirar a rede de cima daquele que havia lhe encantado bastante, tirando uma pequena faca que prendia na sua cintura e cortando as cordas bem devagar tremendo um pouco as mãos graças ao susto que levou quando observou tal cena e ao frio que não ajudava muito.
Quando já estava quase no final, o garoto começou a se mexer e a abrir os olhos lentamente, o que vez o viking pular para trás, segurando sua pequena faca com as mãos tremulas contra o peito. Porém, ele se acalmou um pouco ao observar as orbitas mais bonitas que ele já havia visto. Os olhos do menino caído eram azuis celestes e que agora observava ele.
- Por que esta segurando uma arma contra mim? – Perguntava o mesmo confuso, alisando sua cabeça e se levantando de uma vez – Espera... Você consegue me ver?
- E-Eu – O moreno desceu o olhar para sua faca e abaixou-a imediatamente, mas levantou sutilmente uma sobrancelha após ouvir a segunda pergunta – C-Como assim? É claro que eu consigo te ver. Por que não conseguiria?
O outro olhou para os dois lados num gesto bobo, segurando uma espécie de cajado de madeira, sorrindo e dando um salto de alegria. Porém, o salto acabou se transformando em um voo breve e parando próximo ao rosto de Hiccup, o que o fez corar e cair para trás, balbuciando “V-Você voa...”. E logo o garoto voador respondeu:
- Mas é claro que eu voo – Riu de leve e estendeu a mão ainda voando, ajudando o menor a se levantar e pronunciando tais palavras que deixaram o outro sem chão – Sou Jack Frost, mas você deve me conhecer já que consegue me ver.
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