You Brought The Flood .
1 First impressions are hard to erase .
Notas iniciais
Enfim, boa leitura!
Eu não sabia dizer por quantos anos havia esperado aquele dia. Tudo ia ser perfeito: eu tinha conseguido ingressos grátis (graças ao meu ‘trabalho’ como fotógrafa), ia entrar no camarim depois junto com minha melhor amiga, ia conhecer meus ídolos... Completamente o oposto do que aconteceu quando eu estava naquele maldito orfanato, aonde nem poder sair e ir em shows eu podia. Droga! Não vou começar a pensar nisso, hoje tudo ia ser perfeito.
O barulho irritante da campainha me acordou dos devaneios, e antes que eu pudesse abrir a porta, uma Audrey arrumada carregando umas mil bolsas entrou correndo, e começou a falar:
_HANNAH, VOCÊ AINDA NÃO SE TROCOU? Eu sabia! A GENTE VAI SE ATRASAR, HELLO!? Temos que chegar antes para pegar um bom lugar do lado do palco, ou você acha que só você vai fotografar a banda Escape the fate? Vem cá, vamos dar um jeito nesse teu cabelo, e eu trouxe suas roupas que estavam lá em casa, vamos colocar ess...
_Audrey, CALMA! –a interrompi, ela falava várias coisas muito rápido- Calma. Faltam TRÊS horas para abrirem os portões do show, e o lugar aonde vai ser é aqui perto! – falei.
_Hanna, querida – ela disse, revirando os olhos e respirando fundo – com aquela lata velha que você chama de carro, a gente só chega lá amanhã. E com as credenciais que eu consegui, nos vamos poder entrar no camarim... mas isso se você estiver apresentável, não como agora!
Tudo bem, ela estava certa. Meu carro (amado) não cooperava, e eu estava um lixo com aquela camiseta enorme e o cabelo de quem acabou de acordar.
_Tudo bem, vamos se arrumar! – falei, correndo para o meu quarto.
Não que eu tivesse que correr muito... o apartamento que eu alugava era minúsculo. Sim, eu tinha uma boa herança que meus pais deixaram, mas eu queria pagar o aluguel por minha conta, e guardar o dinheiro da herança para alguma ‘emergência’.
Audrey colocou uma mala em cima da cama, e começamos a se arrumar. Uma hora depois, eu estava pronta, e ela estava mais bonita ainda. Eu estava com uma camiseta preta da banda, meio gasta, uma skinny azul clara rasgada, um grande suéter preto por cima, e um all star de couro branco, e na maquiagem passei meu batom vermelho, um delineador preto e meu cabelo estava ondulado natural, com um pequeno lacínho de metal. Já Audrey estava com uma calça jeans preta, uma camiseta cinza escrito THIS WAR IS OURS, um coturno rosa chiclete (que por sinal, combinava com o cabelo dela) e na maquiagem, batom nude e os olhos pretos esfumaçados, com grandes cílios postiços, como sempre.
Estávamos prontas. Ela estava mais calma, ela já havia ido a muitos shows da ETF, pois seus pais sempre a bancavam (até ela sair de casa e começar a trabalhar como modelo). Já eu... nunca pude ir. E hoje, aqui estava: com uma câmera profissional, uma semi-profissional e um bloco branco, para coletar autógrafos. Posso morrer de alegria agora? Pensei comigo mesmo.
Depois de algum tempo chegamos a casa de shows, e muitos fãs já faziam fila. Audrey pegou as duas pulseiras douradas e colocou uma em mim e a que sobrou nela, e entramos no local, se posicionando do lado do palco (onde ficavam os amigos da banda e as pessoas selecionadas para fotografar).
Os portões se abriram pouco depois, e ao nosso lado tinham mais umas sete pessoas. Audrey tinha razão, como chegamos cedo, pegamos o melhor lugar. O show ia começar em pouco tempo, as luzes se apagaram, e os fãs gritavam. Posicionei minha câmera, eu tinha ficado lado em que Max iria tocar... meu coração deu um pulo quando os primeiros acordes soaram, e a voz do Craig foi abafada pelos gritos das fãs... Eu consegui tirar algumas fotos legais, mas foi aí que meus olhos se encontraram com os DELE, e um sorriso escapou de seus lábios. Max Green, ali, me olhando e sorrindo. E antes que eu pudesse retribuir, ele se virou e continuou tocando. E eu continuei ali, parada sorrindo para o nada.
O show passou muito rápido. Eu tirei mais de 150 fotos, e isso graça Audrey, que conseguiu as pulseiras que nos deixaram ali o show todo, ao contrário dos demais fotógrafos que tiveram que sair após a terceira música. Craig fazia várias poses, e eu só ria e fotografava. Já Max não me olhou o restante do show, ele estava focado de mais nas músicas e nas fãs que gritavam loucamente seu nome. Eu podia sentir a boa vibração do lugar em que estava. Foi aí que chegou a hora da última música.
Assim que Craig anunciou, as fãs suspiraram mais fundo, os olhos ficaram úmidos. Audrey tentou me arrastar para o camarim, mas eu avisei que ia encontrar ela depois, eu precisava curtir aquele momento. Meu corpo balançou conforme a música, e eu não conseguia parar de sorrir, era mágico. Quando eles finalmente se despediram, eu saí correndo pela direita, para entrar no camarim.
Assim que entrei, Audrey me empurrou um copo de Jack Daniels com Red Bull, e me puxou para um sofá, aonde sentamos e, em menos de dois minutos, os garotos entraram no camarim.
_Oi! – Craig disse, enquanto Monte tirava a guitarra e Robert acenava e se sentava em uma poltrona. Max me olhou, e foi para a mesa de bebidas e coisas da banda, aonde pegou uma toalha – Gostaram do show? –Craig continuou- Foi foda! Eu vi você fotografando – ele disse, para mim.
_Eu achei muito bom e –
_ELA AMOU, vocês foram muito bem –Audrey me cortou, sorrindo- Ela é muito fã de vocês, se derreteu todinha pelo senhor ali – ela disse, apontado para Max, que se virou para nós e soltou um sorriso maroto, enquanto eu corava como um tomate- Será que vocês podiam dar uns autógrafos antes de atender as outras fãs?
_ Claro – Monte disse – aonde eu assino?
Eu entreguei meu caderno para eles, e enquanto a conversa fluía, eu percebi que Max falava no celular e soltava uns muxoxos, e antes que eu pudesse identificar algo, um homem mais velho chegou e me puxou pelo braço.
_ Você é a Senhorita Hannah Beth? – ele pediu, sorrindo.
_ Sou eu sim – respondi, assustada.
_Olá querida, eu me chamo George e sou da produção da banda, e me indicaram seu nome... Você fotografa,é isso mesmo?
_Sim – respondi enquanto Audrey sorria feliz ao fundo, me olhando- Por que senhor?
_Bom garota, eu acompanhei alguns trabalhos seus, e nós estávamos tentando achar uma pessoa que pudesse acompanhar a banda por um tempo, para fotografar, pois precisamos de uma divulgação melhor, e o modo de começar é achando um fotógrafo fixo. Eu conversei com os superiores e gostaria de te fazer uma proposta formal amanhã... Você poderia me encontrar no hotel Pallace três horas, amanhã?
_CLARO QUE ELA PODE MEU AMOR – Audrey gritou, enquanto George me entregava um papel com seu número e saía.
_HANNA VIU O QUE SUA AMIGA NÃO FAZ POR VOCÊ? – Audrey gritava, pelo visto o whisky começou a subir...
_Audrey, eu não posso aceitar, sem chance. Isso significa que eu ia ter que sair do país, e viajar e eu não tenho como, não tenho dinheiro nem nada...
_Hannie, que parte tu não entendeu? Eles vão bancar tudo para você amiga – ela me olhou e sorriu – e você vai conseguir vários contatos, e crescer mais ainda... Você é uma ótima fotógrafa.
_Mas Audrey... – tentei falar, enquanto o pessoal da banda começava a se arrumar para atender os fãs.
_Hanna, vai lá amanhã e escute a proposta. Você sabe que se continuar aqui, só vai fotografar shows quando tiver, e o dinheiro que tu ganha só dá para pagar aquele apartamento podre que você chama de casa. Você já passou por tanta coisa, e mesmo assim está aí, de pé e lutando. Todo mundo, inclusive você sabe que as fotos que você tira são ótimas, mas não vai ter futuro continuar aqui, amiga.
_Eu vou ir lá amanhã, mas não garanto nada Audrey... nem o George deu certeza que o contrato ia sair, então... Não crie expectativas.
Nossa conversa foi cortada por várias vozes, as fãs tinham entrado no camarim.
_Hannie, acho que temos que ir agora... eles vão atender elas um tempão, e vão ficar cansados. Vamos indo? – Audrey disse.
_Tudo bem, só vou pegar o autógrafo do Max... falando nisso,onde ele está? –pedi, olhando ao redor, procurando ele, que não estava em lugar nenhum da sala.
_Acho que ele saiu da sala para fumar, vai ali pela porta da direita que vai dar em um tipo de um beco, vai lá enquanto eu me despeço dos garotos.
E foi isso que eu fiz, dei alguns passos e antes que pudesse bater na porta, ouvi um grito vindo lá de fora. Abri a porta rapidamente, e Max estava no celular, e gritava com alguma pessoa.
_EU NÃO QUERO MAIS TE VER, SE LIGA. VOCÊ FEZ DA MINHA VIDA UM INFERNO, ME ESQUEÇA.
Ele desligou, e se virou para mim, os olhos cheios de fúria.
_Max, e-eu queria um autógrafo e... –comecei a falar, quando ele me cortou e disse:
_Estava ali ouvindo a conversa, né? Vocês fãs não mudam. Me dá essa porra desse bloco que eu autografo e você vê se some.
_ O QUE? – eu quase gritei – Olha aqui, nervosinho –eu falava brava, enquanto ele ascendeu um cigarro – o que foi que eu te fiz?
_ Você é uma daquelas fãs idiotas que ficam espalhando rumores, eu sei disso desde que vi você tentando entender minha conversa lá dentro –ele disse gesticulando- e você MILAGROSAMENTE aparece aqui na porta enquanto eu discutia com alguém. Olha, vamos acabar com isso. Eu te dou o autógrafo, e você pode espalhar por aí que eu sou descontrolado, e esse tipo de coisa.
Eu. Não. Acredito. Nisso. Quem esse garoto pensa que é? Pensei.
_Vai se foder – falei, me virando, quando senti uma mão me segurando. O ar estava quente e pesado, logo ia chover.
_Tá, me desculpa. Eu não devia ter gritado e... – ele falava enquanto revirava os olhos – eu só estou cansado, tudo bem? – Ele pegou o bloco de minhas mãos – como é seu nome? – ele falou, como se nada tivesse acontecido.
_ Você é um idiota, bipolar, só pode! – falei, desvencilhando meu braço da mãe dele – não precisa gastar seu tempo. – Falei, arrancando o bloco das mãos dele, e o encarando séria.
Virei e ouvi um pedido de desculpas abafado pelo som dos carros que passavam na rua ao lado, mas eu sequer olhei para trás. Como ele pedia pensar aquilo? Entre na sala batendo a porta, e Craig me olhava como quem pedia desculpas. Peguei a bolsa em cima do sofá, chamei Audrey e saímos.
Quando eu e Audrey chegamos no carro, ela pediu o que tinha acontecido. E conforme eu ia contando tudo, ela só murmurava coisas, concordando comigo. Ficamos um pouco em silêncio, quando eu disse:
_Eu não vou lá amanhã Audrey, não depois disso. Eu só, não me sinto pronta para sair daqui! Depois que meu pais morreram, eu nunca mais saí dessa cidade.
_ E é esse o problema Hannie. Você tem um futuro ótimo, mas não aqui. E você sabe, ano que vem eu também estou saindo daqui. Ninguém tem como crescer ficando nessa cidade. Essa é a sua chance, e eu NÃO vou deixar você desperdiçar ela – Audrey falou, enquanto pegava o celular rosa com strass e digitava uma mensagem – Pronto. Seu encontro está marcado, e o George acabou de avisar para você não se atrasar.
_ Como assim? – pedi, olhando para ela.
_Eu peguei o telefone dele, enquanto você falava com o Robert.
_Ah, ta. – falei- Vem dormir lá em casa hoje? – pedi.
_Dormir? Eu tava pensando em fazer algo melhor.
_BALADA! – falamos juntas.
_Vamos hoje, por que se seu contrato sair amore, tu não tem muito tempo aqui! – ela disse me olhando e fazendo um beicinho.
_Ok, vamos! Mas antes tenho que pegar um salto alto!
_Hannie, você nunca aprende né? Eu já peguei – ela disse, mostrando um salto alto vermelho sangue estilo peep toe para mim, e um rosa chiclete doll style para ela.
Dei risada, e continuamos conversando indo para a balada, que não era muito longe dali.
Notas finais
Se vocês gostaram, ou não, comentem e deem sugestões! É isso, até o próximo capítulo :)
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