Fiquei conversando com a Paula por um tempo e ela acabou me distraindo de tudo que tinha acontecido com a Rach, mas ela percebeu que eu estava estranha e me perguntou o que houve.

“Aconteceram algumas coisas, mas eu não posso falar agora”. Falei me lembrando que a Rachel tinha uma ótima audição.

“Eu estou preocupada, então, me ligue quando puder”. Eu conseguia ouvir a preocupação em sua voz.

“Eu prometo”. Respondi sorrindo e me despedi dela desligando o telefone logo em seguida.

Eu havia conhecido Paula no meu primeiro dia da escola, ela foi uma das minhas primeiras amigas, que acabou se tornando a melhor. Foi com ela o meu primeiro beijo com uma garota, mas nós duas nunca namoramos, pois o amor que sentimos uma pela outra sempre foi o de amizade.

Já havia se passado quase uma hora e eu ainda não tinha visto a Rach, ela parecia desnorteada quando levantou do sofá e saiu da sala, mas eu estava meio confusa, ela iria me beijar? Eu nã...

“Quinn”. Sai dos meus devaneios quando a Rach apareceu na sala e me chamou.

“O... oi Rach”. Isso gagueja mesmo sua idiota.

“Eu vou dar uma volta para conhecer a cidade”. Falou meio distante, sem olhar diretamente em meus olhos. “Você vai ficar bem sozinha?”.

“Vou sim, eu preciso terminar de arrumar minhas coisas”. Tentei falar o mais calma possível.

“Qualquer coisa que você precisar, eu vou estar com o meu celular, tudo bem?”.

“Claro, não se preocupe”.

“Ok”. Ela foi em direção à porta ainda sem me olhar, mas deu meia volta e se aproximou de mim. “Eu volto logo Quinnie”. Falou beijando minha testa carinhosamente, me fazendo suspirar aliviada por ela estar perto de mim.

“Tome cuidado”. Falei preocupada.

“Eu sei me cuidar”. Respondeu sorrindo de lado e deixando a casa logo em seguida.

Esperei alguns minutos para ter certeza de que a Rach estava longe o suficiente para não me escutar e voltei a ligar para a Paula, depois de alguns segundos ela atendeu.

“Isso tudo é saudade?”. Falou rindo assim que atendeu ao telefone.

“Idiota”. Resmunguei sorrindo.

“Eu também te amo Fabray”. Falou irônica.

“Eu sei disso”. Falei convencida. “É claro que eu te amo ruiva”. Falei.

“Não que eu esteja reclamando, mas minha namorada pode não gostar dessas declarações que você esta fazendo”. Nós duas rimos. “E eu tenho certeza que você ligou por outro motivo, e algo me diz que é para conversar sobre o que esta te incomodando”. Falou sabiamente.

“Sim”. Falei derrotada.

“O que aconteceu Q?”. Perguntou preocupada.

“Rachel”. Sussurrei.

“Ela te fez alguma coisa de ruim?”. Gritou assustada.

“Claro que não Paula”. Exclamei.

“É claro que ela não fez, aquela mulher te idolatra”. Murmurou pra ela mesma. “O que aconteceu então?”. Voltou a falar normalmente.

“Nós quase nos beijamos”. Confessei.

“O QUÊ???”. Gritou.

“Não grita”. Minha voz estava meio chorosa.

“Por que você esta chorando Quinn? que eu saiba, você sempre gostou dela”. Falou carinhosamente.

“Ela nunca soube disso e ela não me vê dessa maneira”. Falei como se fosse óbvio, com as lagrimas começando a escorrer.

“Me conta como esse ‘quase beijo’ aconteceu”. Pediu.

“Nós estamos brincando uma com a outra e...”. Comecei a contar tudo o que havia acontecido, desde que chegamos a cidade. “E agora ela saiu de casa, falou que iria dar uma volta”. Finalizei.

“Pelo o que você me contou, ela parecia que também queria te beijar”.

“Mas então por que ela se afastou completamente depois de tudo?”. Perguntei.

“Ela deve estar confusa, você disse que ela nunca havia te olhado de outra maneira e de repente surge dentro dela uma vontade enorme de te beijar, é muito pra ela aguentar querida”.

“Você deve estar certa”. Falei baixinho.

“Ela deve ter saído de casa, para tentar clarear a cabeça, tentar entender o que esta acontecendo”. Respondeu sabiamente. “Dê um tempo a ela”. Completou.

“Eu vou fazer isso”. Garanti.

“Tente demonstrar aos poucos o que você sente, eu tenho certeza que ela corresponde ao seu sentimento, apenas não sabe ainda”.

“Como você pode ter tanta certeza?”. Desafiei.

“Por que ela morre de ciúmes de você, lembra quando você namorou a Fabi?”. Perguntou rindo.

“O namoro durou só algumas semanas”.

“Sim, mas ela nem sequer olhava na cara da garota e sempre quando nós íamos à casa de vocês e a Fabi estava junto, a Rachel arranjava alguma forma de sair de casa o mais rápido possível”. Falou, me fazendo rir.

“Obrigada”. Falei honestamente.

“Eu sempre vou estar aqui por você”. Respondeu carinhosamente. “Mas lembre de me convidar para ser madrinha do casamento de vocês”. Exigiu.

“Pode deixar”. Falei dando risada.

“Eu tenho que desligar Q, vou jantar na casa do meu amor”. Falou animadamente.

“Tudo bem, você já me ajudou bastante”. Respondi sorrindo. “Fala para a Monica que eu mandei um beijo”.

“Pode deixar, tchau Quinn”. Me despedi também e desliguei o telefone.

Fiquei alguns minutos sentada no sofá, pensando em tudo o que a Paula havia me falado e refletindo sobre as atitudes que a Rach tinha comigo as vezes. Suspirei.

Vamos ver no que vai dar. Pensei enquanto subia as escadas lentamente, indo para o meu quarto dando de cara com varias caixas espalhadas pelo chão.

“Isso vai demorar décadas”. Reclamei baixinho.

“Quer ajuda?”. Rachel falou atrás de mim, me fazendo pular tamanho o meu susto. “De novo Quinnie?”. Perguntou rindo. Ela parecia ter voltado ao normal, então, resolvi relaxar.

“Eu devo ter algum sino por aqui para você”. Exclamei, a fazendo rir mais ainda. “Para de rir e vem me ajudar, vampira preguiçosa”.

“Eu sou preguiçosa??”. Perguntou indignada. “Eu arrumei meu quarto há horas e ainda arrumei o resto da casa inteira”.

“Só porque você é muito rápida, eu sou humana, ok”. Respondi dando risada. “Você tem obrigação de me ajudar”. Dei de ombros.

“Gente folgada é foda viu”. Falou emburrada fazendo um bico muito fofo, enquanto tirava os meus livros de uma caixa e colocava na estante ainda resmungando. Enquanto eu ria.

Isso pode dar certo...

Notas finais
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