You Belong With Me.
14 Rise Up.
P.O.V NARRADORA///THOMAS CAMPBELL.
Thomas havia ficado surpreso. Ele seria papai, afinal. Mas algo dentro dele morreu. Talvez tenha sido a esperança de um dia poder voltar para Sarah. E agora era impossível. Não só por causa do bebê. Ele queria sim estar presente na vida de seu filho, mas era mais que isso. Ele estava feliz com Valery. Deus sabe como foi difícil esquecer Sarah. E agora que ele conseguiu, não queria mais sofrer. Então depois da formatura, ele é Valery foram morar juntos em Nova York. Porque ela tinha um trabalho muito bom. Mas ele não queria ir embora. Lá era sua casa a tanto tempo que ele não se imaginava se sentindo tão acolhido em outro lugar. Mas ele foi por ela. Parte porquê se sentia culpado por tê-la traído. E parte porquê ela carregava seu filho. Ele não a deixaria sozinha em um momento como aquele. Não era de seu feitio.
Então janeiro se passou e o quinto ano sem ela se estendeu.
Eles se casaram em abril. E enquanto esperava a noiva, avistou o irmão de Sarah em uma das cadeiras. Ele havia mandado convites pra toda a família.
Sua filha nasceu em outubro. Uma garota maravilhosa que mais tarde foi chamada de Olivia. Ela era ruiva assim como a mãe, mas seus olhos eram verdes. E Thomas soube que era ali que deveria estar. E ao ver o carinho com que Valery cuidava do pequeno embrulho, ele também percebeu que era ela. Ele queria passar o resto de sua vida com ela.
Depois de alguns meses o apartamento começou a ficar pequeno e apertado pra três pessoas. E foi aí que tudo virou de ponta cabeça.
Thomas vendeu seu livro pra uma editora. Ele foi publicado alguns meses depois.
E ele pode comprar uma casa em um bairro nobre da grande Nova York.
Aquele era pra ser só mais um dia cansativo de mudança e trabalho. Mas não foi. Seu telefone tocou e assim que ele viu o código de área, soube que era ela. Era um telefonema de Londres. E ele não hesitou em atender.
– Alô?
– Thomas Campbell?
– Hm, sim.
– Boa tarde, sr. Campbell. Eu sou o doutor Shepherd, e uma de minhas pacientes deixou seu número como contato de emergência.
– O que?
– Sarah Hastings.
P.O.V NARRADORA///SARAH HASTINGS.
Sarah acordou confusa. Havia algo em sua cabeça, que fazia muita pressão. Ela não entendeu de imediato, mas quando ela apertou os olhos e tentou lembrar de algo, percebeu o que havia acontecido. E antes mesmo de abrir os olhos, ela sabia onde estava. Seu médico estava na sua frente, com uma face preocupada e hesitante. Mas quando começou a falar, sua voz a acalmou imediatamente.
– Sarah, eu sou seu médico. Você sofreu um acidente e ficou em coma por um tempo.
– Quanto tempo? — ela perguntou. Mas não sabia se queria ouvir a resposta. Estava com medo e deveria estar. Esse cara que ela nunca viu na vida estava ali na sua frente dizendo que ela havia sido atropelada e que havia ficado desacordada por meses. Ela deveria realmente estar apavorada.
– Quase doze meses, srt.– e isso foi o que ela precisou pra começar a chorar silenciosamente. E quando ele perguntou se ela tinha um contato de emergência, ela disse o único que conseguia se lembrar.
Viu seu irmão e seus amigos. Pediu desculpas por ter bebido tanto naquela noite. Mas ela não conseguia parar de pensar no que iria dizer para Thomas.
E no outro dia ele estava lá. Ela o viu caminhar apressado até a bancada e perguntar por seu nome. Quando ele a viu, Sarah teve certeza que nunca ouviu um suspiro carregado de tanto alívio. Ela levantou com certa dificuldade e caminhou até ele. Eles se abraçaram por um longo momento e quando ela o soltou, ele permaneceu com os braços em sua cintura. E tudo o que ela queria era beijá-lo, mas uma garota de mais ou menos vinte e seis anos adentrou o hospital com um bebê no colo. Um bebê com os mesmos olhos de Thomas. Então ela teve certeza. Ele havia seguido em frente.
Os quatro conversaram a tarde toda e Sarah viu o que Thomas via em Valery. Ela era inteligente, muito linda e era com certeza uma pessoa com quem você poderia conversar sobre coisas idiotas e ela as faria parecer fascinantes. Ela ficou feliz em saber que ele estava com alguém tão maravilhosa quanto ela.
P.O.V SARAH HASTINGS.
Eles foram embora. E eu fiquei sozinha naquela droga de quarto de hospital. Eu receberia alta na manhã seguinte, então meu irmão chegou algumas horas depois pra me ajudar a arrumar as coisas que estavam espalhadas pelo quarto. Ele estava crescido. Depois da mamãe ter morrido, ele poderia ter vindo pra Londres comigo, mas preferiu ficar com meu tio, na Filadélfia.
Mas agora ele tinha dezesseis anos. E eu me lembrei de todas as coisas ruins que eu havia feito com essa idade.
Ele me levou pra casa de dormimos abraçados na minha cama. Uma semana depois ele voltou pra casa. E eu poderia ir também. Mas eu havia construído uma casa aqui. E ela havia se tornado meu lar. Londres é onde meu coração reside desde que eu vim pra cá. Mas eu estava cega porque queria estar com Thomas. Porém, eu não precisava de ninguém pra seguir meu sonho. Então eu fiz uma seção de fotos e as enviei pra grandes agências e grandes nomes. E logo minha foto estava em altdoors e estampando a capa de revistas de moda. Eu desfilei por grandes grifes como Chanel e Victoria Secrets. E então eu estava vivendo meus sonhos. Comecei a namorar e me apaixonei. Desde então, Thomas deixou de ser tudo o que era e se tornou somente um garoto que eu me apaixonei perdidamente um dia. Eu me casei três anos depois. E então eu engravidei. Deus sabe como eu queria ter esse bebê. Mas com a vida corrida e todo aquele estresse e pressão em cima de mim, meu corpo executou um aborto espontâneo na sexta semana de gravidez. Eu chorei e perdi o rumo por meses. Mas eu finalmente achei meu caminho de volta. Graças a Harry, meu marido. E agora eu tinha certeza que era o amor da minha vida.
E então eu engravidei novamente. Mais um aborto. E quando o terceiro bebê se foi, decidimos parar. Eu não aguentava mais perder nada. Me desculpei com Harry por meses. Afinal, eu não conseguia nem gerar um bebê corretamente. Eu me sentia culpada e envergonhada. E foi aí que a depressão começou a me corroer. Eu viajava todo mês e quase nunca ficava em casa. Estava trabalhando muito, comendo pouco, bebendo muito e tomando remédios pra ficar acordada. Disfarçava as olheiras com maquiagem e tentava ficar acordada o máximo possível. Então eu fiquei grávida. Parei de trabalhar, ficava deitada o dia todo e não tinha forças pra nada. Harry me ajudava a comer, tomar banho e trocar de roupa. Era uma gravidez de risco. E quando a hora do parto chegou, escolheram me salvar, ao invés do bebê. E isso foi tão injusto que eu perdi o gosto pela vida. Ficava em casa o dia todo e tentava não pensar em coisas como suicídio. Mas era impossível. Então as coisas começaram a ficar mais fáceis. Harry me levava pra passear mesmo sem eu querer. Me forçava a fazer terapia e tomar remédios anti depressivos. E então resolvemos tentar outra coisa. Adotamos uma criança. E enquanto esperávamos a liberação da garotinha chamada Zoe, eu fiquei grávida pela quinta vez. Sabíamos exatamente o que iria acontecer. Então quando aconteceu, resolvi retirar o útero. Eu não aguentava mais perdas. Não queria mais aquilo.
Então Zoe chegou. E tudo ficou mais florido. Compramos uma casa na área rural e quando o primeiro aniversário de casamento chegou, levamos Zoe pra Irlanda. Passamos as férias em Roma e o natal em Paris. No ano novo vimos a bola cair na Times Square em Nova York. E tudo estava mais que perfeito. Eu estava feliz. E então, no meio da multidão de nova-iorquinos, eu avistei Thomas.
E Ele estava sozinho.
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