You Belong With Me

35 Não quero te iludir, Harry.


–Vai, vai, vai! — o gordo, de terno rosa, gritou. Eu apressei o passo, enquanto segurava aquela sacola cheia de pedras e subia numa tábua, onde Katherine e Paul já me esperavam, para ele revelar o tempo que nós tínhamos precisado.

–Trinta e dois minutos, e... seis segundos. – Paul falou, por fim, enquanto eu suspirava.

–Se superaram de novo. Parabéns. Só espero que não falhem. – ele anotou naquela prancheta, depois fez o sinal que significava que estávamos dispensados.

Suspirei novamente, enquanto jogava as pedras no chão.

–Parabéns de novo, Puckett. – ela sorriu, e eu sorri de volta. – Tá a fim de comer alguma coisa? A gente tem que relaxar para amanhã. E já tá quase na hora do almoço.

Não adiantava. Era só alguém me convidar para comer alguma coisa que minha garganta começava a salivar e a barriga roncava. Mas dessa vez recusei, limpando a testa do suor.

–Hoje não, mas valeu. Vou dar uma corrida por aqui mesmo depois vou para casa.

–Tudo bem, então a gente se encontra amanhã, novata. – Katherine deu uma leve piscadinha, e deu meia volta para falar com Paul.

A cada minuto que se passava eu ficava mais nervosa. Sabia que não tinha nada a temer, que fui extremamente bem nos “ensaios” e que dificilmente algo poderia dar errado. Mas nada me tranquilizou totalmente. E eu sentia que tinha algo me incomodando, que eu deveria relaxar completamente hoje para não estragar o dia de amanhã.

Não foi só por educação que recusei o convite da ruiva. Da segunda para a terceira etapa, meu coração de repente começou a bater muito rápido, e os cílios latejavam. Foi quando senti minha primeira falta de ar. Eu ignorei, mas então tivemos que passar pela tubulação simulada e aí que a falta de ar aumentou. Quase desmaiei de susto, e foi quando saímos da tubulação para o lugar onde estariam os cofres que finalmente relaxei. Eu peguei uma grande quantidade de ar, e enfim consegui arrombar todos sem problema. Mas isso realmente me preocupou.

Coloquei os dois fones no ouvido e comecei a correr. Eu corria o mais rápido que conseguia, controlando a respiração e indo em direção ao centro, e só parei quando finalmente enxerguei o shopping com todo aquele tumulto. Bem em frente ao shopping, estava uma de minhas lojas favoritas, e até senti um arrepio e a sede de um camelo quando enfim parei.

Dei uma olhada no celular, eu tinha corrido por vinte e sete minutos. Não era muito, mas fiz tudo isso sem parar, o que já tinha sido um ponto a mais pra mim que nunca fiz academia. O homem com o uniforme verde musgo do Yogurtland apareceu em minha frente, no balcão, e me pediu para que fizesse meu pedido. Mal tinha acabado de falar quando senti uma mão de leve em meu ombro.

A garganta secou mais ainda quando vi Harry, com sua comum touca cinza e jaqueta preta, me olhando. Ele tinha os olhos ligeiramente inchados, e não sorria. Fui eu que abri o sorriso, e aí sim vi o comecinho de um em seu rosto.

–Oi... – a voz dele parecia um pouco mais grave que o normal.

–Oi, como vai? Faz tempo que a gente não se vê.

Na verdade, parecia mais uma eternidade. Não que eu tenha sentido a falta dele ou algo do tipo, mas parecia que nós estávamos ainda mais distantes do que poucos dias.

–É mesmo. Olha, não quero que me enrole, eu estava ali do outro lado da rua quando te vi entrar aqui, e sabia que você não queria falar comigo, mas você prec...

–Ei! – segurei em seu braço, que parou de falar na hora. – Calma! Tá falando daquela noite na minha casa?

Ele assentiu, olhando para baixo. Sorri, passando a língua entre os lábios.

–Fica tranqüilo, eu não guardo mágoas. – menti. – Você tinha me chateado porque, na verdade, me usou um pouquinho jogando aquela lábia em cima de mim e só foi dizer que... gostava de mim bem depois. Eu não achei que isso foi certo. Devia ter falado antes, assim eu não te iludiria.

Ele ergueu as sobrancelhas, e voltou a me encarar.

–Aqui não é o melhor lugar pra falar disso, eu sei, mas não tem problema se nós continuarmos a sermos amigos. Eu sei que exagerei em te bater e gritar, me desculpa de novo. Mas não precisa ficar me evitando por causa disso.

Não me iludiria? – seu olhar não tinha mudado. Harry pareceu não ter ouvido minhas últimas frases. – O que quer dizer que “assim você não me iludiria”?

Dessa vez, eu que abaixei a cabeça. Logo, ele juntou as peças.

–Ah. Você... não sente o mesmo. Não sente o mesmo por mim.

–Eu não quero mentir.

–Você não sente o mesmo por mim, isso é o que importa. – ele disse, meio grosseiro.

–“O mesmo” o quê, Harry? Você mal me conhece! Acho que fazem us cinco meses ou menos que a gente se viu pela primeira vez! Acha que está, o que, apaixonado por mim?

Claro que eu não precisava ter dito dessa maneira, mas ele pareceu se sentir um pouco repreendido. Não desviei nosso olhar. O iogurte congelado já estava descongelando em cima do balcão, e eu agradeci por ser sexta de manhã, já que aquele lugar estava praticamente vazio.

–É tão difícil de acreditar assim, Sam?

–Não, é difícil de acreditar que você ainda esperava que eu realmente sentisse o mesmo por você. Eu não sou dessas. Eu não me apaixono fácil. E creio que nem você esteja tão apaixonado assim. – Harry quis responder, mas não disse nada. – Olha, já estou começando a ficar irritada e daqui a pouco solto abobrinhas, melhor deixarmos essa conversa por aqui.

Eu me virei para pegar o iogurte no balcão, e ele só voltou a falar depois da minha sexta ‘big colheirada’.

–Não queria te deixar irritada, me desculpa.

–Desculpas aceitas. – sorri, já relaxada. – Mas, me diz, o que está fazendo?

–Ah, nesses últimos dias viajei para Manhattan. Eu fui visitar um amigo lá, que disse que tinha notícias sobre minha mãe.

Ao ouvir o final da fase, eu fiquei mais branca que o potinho nas minhas mãos. A mãe dele, ele estava procurando a mãe dele! Goran foi extremamente claro quando disse que ela foi morta por causa dos erros que ele cometeu no passado. E, justamente por esses erros, justamente pelos erros de Goran, Harry cresceu sem mãe.

–E... – pigarreei – você achou alguma coisa?

–Ainda não. Meu amigo disse que ela poderia ter deixado os Estados Unidos e ido morar na Espanha ou Chile, pelas suas últimas transações. – Harry encarava o nada, aparentemente triste. – Eu estou com esperanças deque ela tenha me deixado. E que eu ainda vou achá-la.

–Olha – suspirei. Eu odiava mentir, desde o segundo ano do ensino médio, que minha mãe mentiu dizendo que estava em outra cidade sendo que, na verdade, estava com um cara em casa. Nua. Foi um trauma saber que minha mãe também fazia sexo. – Não quero te deprimir, mas não acha que, se ela quisesse ser encontrada, teria procurado você e não te deixado?

–Eu sei, Sam. Mas ela é minha mãe. E, em dezenove anos, essa é a primeira notícia que encontrei dela. Não posso desistir antes de saber que isso não é uma pista falsa. Eu preciso procurar. – foi então que ele pensou um pouco, e me olhou confuso. – Você sabe de algo? Você achou alguma coisa sobre ela?

–Jesus, Harry. Claro que não! – fiz uma cara de cínica, depois passei a mão de leve em seu ombro. – Eu não quero que desista, só espero que não fique tão arrasado se, por acaso, a achar e se arrepender disso. – suspirei, com a consciência mais pesada que um elefante.

–É, vou aproveitar que meu pai vai passar o dia inteiro fora amanhã e vou para Manhattan de novo. Mas devo voltar no domingo bem cedo.

–Sim, boa sorte para você. – sorri. Ele sorriu de volta, depois me acompanhou enquanto eu pagava o cara e saía de lá, andando na calçada com o sol escaldante sobre nossas cabeças. – Acho melhor você ir arrumar suas malas. Eu não preciso de babá para chegar em casa.

Ele pareceu ter entendido a indireta, que logo parou de andar.

–Tudo bem. Mas não pense que só porque estarei fora, você não pode me ligar que eu não pego o primeiro vôo e volto para cá. Eu ouvi o que você disse para mim no Yogurtland, mas não concordo, e você sabe disso. Só com isso – e minha mão foi levada ao seu braço, como já tinha feito tantas vezes hoje – meu coração dispara feito louco. E, com seus olhar no meu, as pernas tremem e eu quase caio no chão. Eu posso não estar apaixonado, como você disse. Não ligo se você duvida de meus sentimentos.

–Eu não duvid...

–Shh. Eu só ligo, e ligo muito, que você não sinta o mesmo. Isso que acontece comigo nunca aconteceu antes. Eu nunca senti essa... coisa tão forte em mim. E, por isso, não sei se não é mesmo paixão. Mas, por favor, não me distancie. Não me obrigue a ficar longe.

–Claro que não vou te obrigar. Mas não quero mentir para você. Agora, não, não sinto o mesmo. – confessei, fria. – Não sei por que concordei naquela droga de amizade colorida, e me arrependo. Mas eu gosto de você, Harry. Também não te quero longe.

Ele sorriu, chateado, mas eu não falei mais nada. Sussurrei um “tchau” sem sal e apenas fiz o que eu fazia de melhor: fugi.

...

A mulher bateu de novo a massa no liquidificador. Pra quê, meu Deus? O bolo já estaria pronto e eu estaria comendo o terceiro pedaço se tivesse enfiado no forno logo depois que colocou o fermento. Eu cansei, apertando rudemente o botão de mudar de canal. Foi quando aquele toque irritante do meu celular soou na sala, e eu tive que esticar o braço para atender, sem nem olhar o número.

–Alô?

“Sam! Há quanto tempo!”, Carly disse, e eu sorri.

–Como vai, Shay! É mesmo, você tem que vir pra cá de vez em quando!

“Eu sei, eu sei... Mas, nos últimos dias, tudo foi tão corrido...”, ela bocejou, e eu bocejei também. “Sabe que dia é hoje?

–Sexta? – falei, enquanto ainda olhava para o filme do Batman que passava em modo mudo na televisão.

“Tá, hoje é sexta, mas sabe o que isso quer dizer? Que falta uma semana para o meu aniversário!!!!!!”. Eu poderia imaginá-la pulando de um lado para o outro, enquanto ouvia seus gritinhos histéricos.

–E o que planeja fazer?

“Ah, você sabe que ano passado fiz uma super festa de debutante para comemorar meus dezenove. Mas, esse ano, eu faço vinte, baby! Super mega balada, e só para garotas! Você vem, né? Eu planejei meio de última hora, mas todas as cheerleaders do nosso último ano da escola já confirmaram presença. Vou te matar se você furar!”

–Não vou furar, não. – dei uma risadinha, enquanto o telefone apitava. O coração quase saiu pela boca quando vi o visor avisando que tinha outra ligação em espera. – Carls, preciso ir. Eu te ligo depois!

O dedo deslizou pela tela, enquanto tremia sem parar. E eu respirei fundo antes de dizer alô.

Sam? É você?

–É... – pigarreei, enquanto jogava o cabelo para o outro lado, como sempre. Resolvi me fazer de louca, esperando ele se identificar.

É o Freddie! Tem como dizer para o porteiro do seu prédio que eu sou bem-vindo aqui desde os nove anos? Ele não quer me deixar entrar!

Notas finais
Tô morrendo de sono, desculpa os erros... O próximo sai com dez reviews, galera! Vocês ainda são Seddie ou desistiram??????