You Are The Only Exception
3 Capítulo 3
Notas iniciais

Eu não sei porque o que o Victor disse mexeu tanto comigo. Quer dizer, eu já estou acostumada a ser ofendida por pessoas que eu nem conheça, mas nunca me afetou. Mas acho que eu fiquei assim, porque o que ele disse é verdade. Eu nunca me importei em me arrumar, porque eu achava que se fosse para alguém gostar de mim, seria do jeitinho que eu sou. Mas querendo ou não, as pessoas te julgam pela aparência, porque elas imaginam, se uma pessoa não cuida nem mesmo da aparência, tendo condições para isso, como ela pode ser uma pessoas organizada? E por mais que eu ache que julgar é errado, nesse caso, elas tem razão. Acho que o Louis, está certo, eu tenho que mudar o meu "visual". Mesmo, eu tendo refletido tudo isso, eu jamais vou agradecer o Victor. E o pior de tudo, é que ele nem me pediu desculpa.
— Licença- disse o Victor entrando no meu quarto, é só pensar no traste que ele aparece.- Me desculpa, Manu?- What?
— Nossa, momento épico, Victor Williams, pedindo desculpas, isso é real Nova York?
—É sério, Manoela. Eu realmente fui um idiota quando disse aquilo.- disse ele arrependido.- E para recompensar eu comprei isso para você- disse ele mostrando um buquê de peônias rosas. Eu não acreditei quando vi, porque aquelas são minhas flores favoritas. Eu então por impulso, corri para abraçar ele, mas quando percebi o que iria fazer, eu abracei as flores. Ele ficou com duvida porque pensou eu eu o abraçaria, tanto que ele até tinha aberto os braços. Mas tinha uma coisa que não saia da minha cabeça.
— Como você sabia que essas são minhas flores favoritas?- perguntei a ele. Que depois de pensar um pouco me respondeu:
— Quando nós eramos menores, você tinha ganhado uma peônia, de — ele mudou um pouco a expressão que foi de divertida para raiva, e disse apenas- alguém— depois voltou a expressão divertida- E você estava apaixonada pela flor, e eu pare te irritar pegue da sua mão e sai correndo, e você me seguindo, mas eu acabei derrubando ela e pisando sem querer. E você ficou tão brava comigo, que não falou comigo por uma semana.
— Bem a sua cara mesmo.- resmunguei.
— Não fica brava criança, eu estou te recompensando agora, não estou?- disse ele.
— Outra coisa que eu não intendo, por que você insiste em me chamar de criança, sendo que nós temos a mesma idade?- disse eu indignada.
— É que e gosto de te irritar, bebê- só que dessa vez, pareceu um apelido carinhoso, e não uma forma de me irritar. O que me fez corar, e quando ele percebeu também ficou vermelho de vergonha. Mas ignorou e saiu, me deixando sozinha novamente.
Depois que ele saiu, eu coloquei as flores em um vaso com água, e fui dormir, porque eu ainda estava cansada. Eu estava sonhando que estava na praia com meus amigos, e estava ótimo, eu até tinha arrumado uma paquerinha. Até que...
— Manoela, acorda.- gritou o meu irmão. Quando ele viu que eu já estava com os olhos abertos, perguntou bravo- Quem te deu essas flores?- Era só o que me faltava, ataque de ciúmes.
— Foi o Victor. O seu melhor amigo.- disse ainda sonolenta. É a segunda vez que me acordam hoje, se as pessoas soubessem como eu odeio isso.
— Eu vou matar o Victor. Aquele desgraçado.- resmungou ele saindo do meu quarto. Por mais que eu odiasse o Victor, e amaria ver ele morto, eu não podia fazer isso, porque meu irmão não sabe a história toda, e se depois de saber ele ainda quiser matar o Victor, não será eu que vou impedir.
— Dani, não é o que você está pensando, não aconteceu e nunca vai acontecer nada entre nós. Ele só me deu aquele buquê como pedido de desculpa, nada a mai que isso.
— Por que ele teve que pedir desculpas?- perguntou o Dani, já mais calmo.
— Porque eu tinha feito brigadeiro pra mim, e tinha deixado na panela esfriando, e quando eu voltei, ele tinha comido tudo, e não tinha mais ingredientes para fazer outro pra mim.- eu menti pro Dani. Porque, caso eu contasse a verdade a amizade dos dois acabaria, e mesmo não gostando do Victor, eu não podia fazer isso.- Mas se você ainda quiser matar o Victor, sabendo de toda a história. Não sou eu quem vai impedir. Muito pelo contrário, eu vou ficar assistindo de camarote.
— Eu não vou fazer isso.- disse ele rindo.- Agora que já esta tudo resolvido, quer assistir algum filme comigo? Só que eu não vou fazer a pipoca.- o Daniel, cozinha muito bem, mas quando o assunto é pipoca, nunca dá certo, ou ela queima, ou não estoura quase nada. Um dia ele esqueceu de fechar a panela, e voou pipoca pra tudo que é canto. Enfim, quem faz a pipoca sou eu.
— Eu não estou afim de fazer pipoca hoje. Acho melhor nós comermos sorvete de flocos e de sonho de valsa.- disse eu, o meu favorito era de flocos e o dele sonho de valsa. Então nós pegamos as duas vasilhas de sorvete e duas colheres. começamos a comer, cada um o seu favorito, depois que um tempo um de nós dizíamos, "troca", e eu dava o meu pra ele e ele me dava o seu. Nós estávamos assistindo The Walking Dead, porque era uma das séries que nós assistíamos juntos, favorita de ambos. Depois que terminou, eu acabei dormindo. E ele como bom irmão, me colocou na minha cama e foi dormir também.
Hoje eu acordei sedo e mesmo sendo sábado. Por que? Porque ontem depois de refletir um pouco sobre minha aparência, eu liguei para o Louis e disse que iria deixar ele mudar meu visual. Primeiro, ele não acreditou, pensou que eu estava brincando com ele, ou fazendo uma pegadinha, chegou até a perguntar se eu estava brincando com ele no meu canal no Youtube, e eu nem tenho um canal. Ele só acreditou quando eu disse que era melhor deixar pra lá, e que a ideia era idiota mesmo. Resultado, ele aceitou, e disse que nós começaríamos hoje bem cedo. E é por isso que eu estou em um salão de beleza as seis horas da manhã. Olhando para o Louis e um cabeleireiro discutindo o que é melhor para fazer no meu cabelo.
— Vai demorar, Louis?- perguntei eu impaciente.
— Não, amore.- disse ele- Lúcia, será que dá para fazer o serviço completo, nela?- perguntou para uma mulher baixinha, com cara de que fosse um trabalho impossível.
— Claro, querido. Até porque você sabe que eu acredito que nada é impossível, né?- disse a Lucia. Gente, eu não sou tão feia assim, sou?
Bom, lembra quando eu perguntei se iria demorar para o Louis? Então, por que eu fiz isso? Eu não sei nem porque eu resolvi, mudar o visual, e ainda por cima pedir ajuda para ele. Eu sinceramente pensei que nós só iriamos ao shopping comprar algumas roupas pra mim, mas não, eu estava nesse momento sendo torturada pela Lúcia. E outra, por que as pessoas fazem depilação com cera quente por livre e espontânea vontade. Esses loucos tiraram pelo, até de onde eu pensei que não não tinha, e a sensação? Era de que estavam tirando minha pele lenda e dolorosamente.
Depois, quando eu pensei que não iriam me torturar mais, eles resolverem que eu iria fazer a sobrancelha, e as fazer as unhas. Eu pensei que iria doer mais para tirar a cutícula, que a sobrancelha, mas eu estava inteiramente enganada. Não dói nada tirar a cutícula, mas a sobrancelha. Enfim, o pessoal do salão devem ter ficado assustados com os meus gritos e as caretas que eu fiz.
A única coisa boa, foi arrumar o cabelo, porque eles fizeram hidratação, cortaram as pontas e escova. Depois que ele terminaram, me ensinaram como andar de salto, o que por mais que eu ache meio complicado, não é impossível. Quando eles terminaram, ficaram olhando pra mim como se eu fosse a pessoa mais linda do mundo. De acordo com o Louis, estavam apenas admirando seu trabalho, que foi muito bem feito.
— Bom, eu sei que o trabalho ficou bom, mas agora é hora de eu fazer a minha parte.- disse ele me puxando para fora do salão.- Tchau, pessoal.- se despediu e nós saímos de lá, indo em direção ao shopping.
O Louis é doido, mas eu sou mais doida ainda. Porque eu, simplesmente, adorei fazer compras. Depois que o Louis me ensinou, como combinar roupas e quais eu podia ou não podia comprar, eu comprei tudo sozinha. Roupas, lentes de contato, óculos de sol, bolsas, acessórios, maquiagem, sapato, jóias, perfume, creme, resumindo, tudo. Eu tenho quase certeza que da próxima vez que minha mãe me ver, ela vai me matar. E nós só paramos de comprar, as nove. E só então eu percebi o quanto estava com fome. Então, eu e o Louis, fomos no Mc Donald mais próximo que tinha, e compramos um big mc.
— Manu, não olha agora, mas tem um gato olhando pra você, acho que ele é amigo do seu irmão.- Disse o Louis animado. Eu estava com uma calça skinny de couro preta, uma blusa da Adidas, e uma botinha de salto. E eu nem me dei ao trabalho de olhar, porque eu sabia que todos os amigos do meu irmão são galinhas.- Amiga, você não vai acreditar. Ele e os amigos dele estão vindo pra cá.
— Oi, Louis, não é?- perguntou o Gabriel. O Louis apenas assentiu- Não vai nos apresentar a sua amiga?- disse ele, na maior cara de pau.
— Me poupe, Gabriel.- disse eu, finalmente olhando para ele. — Você já me conhece, sou eu a Manu, irmão do Daniel.
— Manu?- ele não estava acreditando- Uau, você esta gos... linda.
— Obrigada
— Será que nós não podemos conversar um pouquinho a sós?- perguntou ele.
— Não, Gabriel, nós não podemos.- ele ficou surpreso com a minha resposta- Você vai ter que fazer melhor que isso para ficar comigo. Eu não sou qualquer uma.
— Mas o que eu tenho que fazer pra você ficar comigo?- Hora de esquentar as coisas. Eu o dei um selinho nele, e o olhei com malicia.
— Me surpreenda.- Disse eu pegando minha bolsa e saindo de lá. Se você esta se perguntando como que as compras ficaram, eu vou explicar, antes de nós irmos para o Mc, nós resolvemos deixar as compras no carro do Louis, porque era muita coisa, e assim fizemos. Por isso eu estava só com a minha bolsa.
— Nossa, quem diria, a Manoela flertando.- disse o Louis ao meu lado- de onde veio toda essa segurança?- perguntou se divertindo.
— Nem eu sei. Eu só falei o que eu pensei.- quando nós chegamos lá fora eu vi que já estava escuro e perguntei- Que horas são Louis?
— Dez pras onze, por que?
— O que? Me leva pra casa pelo amor de Deus. Meu irmão deve estar tendo um infarto...
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