You Are Not Alone
40 Perda
Notas iniciais
Oi gente, tudo bem? *-*
Mais um cap aqui pra vocês, espero que gostem e não queiram me matar qqq apesar que eu acho bem difícil -q.
PS: Esqueci de agradecer a Lucy Babalu pela recomendação linda que a fic recebeu, junto com a da Tsuki Kiome já são duas ♥. Tomara que faça merecer mais algum pra eu bater mais um recorde pessoal *-*.
PPS: * Essa pneumonia existe realmente e é uma das mais fatais.
Boa leitura.
Aoi estava puto. E desesperado para ir até Kanagawa. Reita estava da mesma forma, assim como Ruki e Kai compartilhavam do mesmo sentimento. Sugizo chegou a companhia sem saber o que dizer e o empresário estava tão catatônico quanto os outros.
Era começo de sexta-feira, mas a notícia já havia alcançado grandes proporções. Pelo que Sugizo ficou sabendo por Yoshiki, no twitter do baterista o que não faltaram foram perguntas sobre sua saída do X Japan, assim como na própria página de Ruki. A gravadora foi obrigada a bloquear as contas dos fanmails e o site ficou sobrecarregado por várias horas.
Na frente do prédio da PS não foi diferente. A mídia estava parada na entrada principal e as bandas foram orientadas a entrar pela parte de trás do estacionamento. Ainda não estava sendo necessária a chamada da polícia, mas o caos na parte interna estava precisando de algum controle.
— E agora Koga-san? Desmentir cada pergunta e a afirmação da homenagem ser uma farsa não vai ser fácil. – Disse Aoi, tentando não perder a calma.
- Eu sei Aoi, eu sei. Acho que nem deveríamos.
- Concordo. – Reita se colocou na conversa. Estavam na sala de descanso e o engravatado caminhava de um lado para o outro. – Seria perda de tempo.
- Já conseguiram falar com o Uruha?
Suzuki negou. – Nada ainda. Mas, o que não falta são pressentimentos ruins, se servir para alguma coisa.
- Nem você Aoi? – Koga arriscou.
- Nem no celular pessoal Koga-san. E isso não é nada bom.
- Koga-san – Ruki se levantou. – não é possível que a gente não consiga fazer nada, só ficar aqui falando e tentando a mais de doze horas falar com alguém. Já cansou ficar aqui rezando para o Uruha ficar bem e não fazer nada. E eu não vou mais perder tempo. Você, os diretores, todos que me perdoem, mas eu não vou colocar uma turnê acima de nenhum dos meus amigos e vou agora pegar um carro e ir para Kanagawa. E ninguém vai me impedir.
Disse convicto e com o dedo em riste. A sala foi tomada por um silêncio sepulcral e o tempo pareceu ter parado, agravado ao fato de que nenhum dos seis tomava alguma atitude, falava alguma coisa. Ao menos até Koga parecer ter absorvido todas aquelas palavras finalmente e ter sorrido para o Ruki.
— Concordo em gênero, grau e número. Podem ir, lhes dou uma semana.
Aoi e Reita saíram praticamente correndo com Ruki em sua frente. Kai sorriu aliviado e Sugizo se deixou cair no sofá, fechando os olhos por um momento. Suficiente para que o baterista também fosse embora, restando apenas ele e o empresário na sala.
— Pode ficar uma semana em casa também Sugizo-san. Se precisar falar com Yoshiki-san ou ele precisar falar alguma coisa pode dar meu telefone. Melhor resolver essa situação apenas internamente.
- Agradeço Koga-san.
- Eu também agradeço. – Disse para si mesmo quando o guitarrista saiu. – Ao menos não foram corrompidos pela hierarquia absoluta dessa selva de pedras.
xXx
— Eu... Não posso mesmo ir embora? – A voz arrastada e sôfrega quase não chegou aos ouvidos de Viktor, que negou.
- A sua crise ontem, a falta de comer, o sedativo... Até sangue você vomitou e teve febre alta de madrugada. Eu sinto muito mesmo, só precisava agendar os dias de receber o tratamento e colocar a segunda parte em dia, mas agora com tudo isso, você vai precisar ficar mais um tempo aqui.
Uruha sorriu fraco. – Tudo bem. É a minha condição precária mesmo. – A voz embargada por um novo choro, um nó se formando na garganta.
Viktor também não queria, mas precisava iniciar a segunda parte do tratamento. Já havia atrasado por tempo demais e com a recaída se outra infecção aparecesse não gostaria nem de pensar no que poderia acontecer. Encaixou a mangueira de silicone no cateter e arrumou a bolsa com o tratamento no apoio para soro sob o olhar choroso de Takashima. Não esperava que o retorno do guitarrista para casa fosse tão conturbado e esperava que as coisas não demorassem a mudar.
— Pode se acalmar Akemi-san. – Felipe tranqüilizava os tios na sala de espera. – Ele já acordou e o soro deu conta das refeições. Não está em seu melhor estado, e outro ciclo de quimioterapia vai começar, mas a palidez sumiu.
- Ele realmente não quer ver ninguém? – Akemi indagou. Ainda estava preocupada
- Antes de ser sedado ontem não queria. Mas, sendo os pais eu acho que não tem problema. Vou verificar com o Viktor.
Os pais anuíram, abraçando-se quando o sobrinho saiu de suas vistas.
— Kou-chan deve estar sofrendo tanto Takashi. Queria que ao menos Aoi-san aparecesse. Eles não entraram em contato?
- Ainda não, mas acho que Akira deve ter tentado apenas lá em casa e não deve saber que o celular de Kouyou está perdido entre as poucas coisas que conseguimos trazer e Tokyo. – Disse Takashi e só então Akemi pareceu lembrar daquele fato.
Levantou-se.
— Vou tentar ligar. Quando Felipe-chan voltar espero que traga boas notícias.
- Eu também.
Takashi sorriu vendo a esposa se distanciar. Algumas coisas passavam por sua mente, todas voltadas para Uruha. Não havia parado para pensar sobre o estado frágil de seu filho, mas acumulava dor por vê-lo tão machucado. Cada crise que esteve a seu lado, até aquelas em que ainda estava em Kanagawa. Cada momento que enfrentou e tudo que devia guardar para si mesmo, já que o Suzuki sabia que por trás daqueles olhos havia coisas entaladas e que ele não conseguia botar para fora.
Viktor havia lhe contado que depressão é comum e que Uruha mesmo sem saber demonstrava alguns sintomas. Queria poder lhe ajudar como sempre fez desde que fora morar consigo, e esperava que pudesse ficar no quarto passando alguma força. Sabia que uma companhia nessas horas faria bem, mesmo que fosse para velar seu sono em silêncio.
— Takashi-san?
Despertou com a voz de Felipe, dirigindo-o um sorriso.
— Desculpe filho, pensando demais. Conseguiu falar com Viktor-san?
- Consegui e Uruha disse que vocês podem ficar no quarto, mas apenas vocês. – Deu ênfase ao fim da frase.
- Isso é bom, vou avisar Akemi. – Sorriu mais animado.
- Antes, Takashi-san. – Hesitou. – Eu queria lhe perguntar uma coisa.
- Está tudo bem sobrinho? – O Suzuki semicerrou as sobrancelhas. – Aconteceu alguma coisa?
- Mais ou menos. – Disse baixo. – Ontem, antes de Uruha-san ver o noticiário eu encontrei o Viktor conversando com um homem. Ele tinha voltado do velório então não estava em boas condições e se eu não tivesse chegado a tempo acho que ele tinha levado um soco.
- Você sabe o nome desse homem? – Takashi e Akemi já sabiam do óbito e mesmo não tendo acompanhado o enterro prometeram levar flores depois.
- O nome não, mas era um pouco mais alto que eu e loiro. Os olhos azuis e disse que era namorado do Uruha.
Takashi balançou a cabeça em negativa. Não era possível que até 'Ele' fosse criar confusão.
— Vamos conversar lá fora meu sobrinho.
...
— Ex-namorado do Uruha. – Felipe repetiu a informação recebida de Takashi. — Nós dissemos que ele não estava nesse hospital, mas não sei se convenceu muito.
Os dois estavam exatamente aonde o médico havia se encontrado com Raphael no dia anterior. Akemi fazia parte da conversa e também estava indignada com a presença do loiro e o fato de querer forçar algum tipo de confissão. Ao menos Viktor havia sido esperto no jogo de palavras, o que finalmente contava como ponto para eles.
— Raphael é esperto. Ao menos Viktor-san soube lidar com isso.
Felipe concordou com sua tia. – Acha que ele pode voltar a aparecer?
- Sinceramente, sim. – Disse Takashi. – Ele não desiste. Lembro de quando Kouyou terminou com ele.
- Isso não é muito bom, principalmente agora que teve a recaída por causa da notícia. E dessa vez digo como médico.
- Quanto a isso acho que posso dar boas novas para Kou-chan. – A Suzuki disse com um sorriso no rosto. — Akira-chan me disse que está vindo com Aoi-san e os outros para cá.
- É uma boa ajuda. – Takashi sorriu.
- Sim, mas vamos ver como Uruha vai reagir a isso primeiro. – Felipe disse num tom sério. – Mesmo que nada disso seja culpa deles é melhor ir devagar.
- Concordo. – Disse a Suzuki. – Mas, por enquanto vamos aproveitar e deixar ele bem e colocar o Raphael em segundo plano.
xXx
— Já descobri porque não tinha conseguido falar com a minha mãe.
- Por quê? – Aoi indagou.
- Eles vieram pra cá muito depressa e o celular de Uruha se perdeu lá em casa. E eles não estão ficando lá, então nunca ia conseguir falar.
- Você trouxe as malas deles? – Dessa vez foi Ruki quem perguntou.
- Sim, e o Aoi trouxe mais do Uruha. Pelo que minha mãe falou ele vai ficar aqui até o tratamento terminar.
- Espero que isso aconteça logo. – Disse o Shiroyama.
Os quatro haviam alugado um carro mais espaçoso para colocar as próprias coisas e com Kai no volante se dirigiam há algum tempo para Kanagawa. Compraram coisas para comer no caminho, já que não tinham em mente parar e agora com Akemi finalmente entrado em contato estavam mais calmos, principalmente Aoi. Não que isso significasse que estava bem, já que a preocupação não sumiria tão fácil, mas era uma evolução.
— Akemi-san disse como o Uruha está? – Kai indagou.
- Disse que acordou melhor, mas que só falaria tudo quando a gente chegasse.
- Ela quer nos matar do coração. – Aoi choramingou com Ruki rindo de si.
- Nós vamos chegar logo Aoi. – O baixinho disse. – E você vai poder matar as suas lombrigas.
Os quatro conseguiram rir finalmente.
— Aposto que você também quer matar as suas se pegando com o Reita.
- Aoi! – Reita chamou a atenção do amigo enquanto corava e Ruki caía na risada como se nem fosse com ele.
- Quanto a isso você tem razão. Vou criar uma fantasia sexual com o antigo quarto do Aki e fazer horrores com ele lá dentro. – Disse categórico e gesticulando com as mãos, obrigando Kai a frear o carro, pois, as próprias risadas o impediam de continuar guiando. Reita não sabia aonde enfiar a cabeça e Aoi também se desmanchava em gargalhadas.
Podia parecer um assunto desnecessário para o momento, mas se impedir de ser feliz por alguns instantes talvez fosse o maior erro. Suas risadas não desmereciam Uruha e tudo que estava acontecendo, era apenas uma forma de lhes ajudarem a limpar os corações para se preparar para o reencontro.
xXx
— Ele comeu? – Viktor interceptou Felipe num dos corredores de sua ala.
- Mais ou menos. Acabei de vir de lá e ele aceita porções rasas da sopa. Eu tirei a temperatura e a febre está mais controlada, mas acho que logo será preciso chamar um psicólogo. Esse baque da turnê mexeu de vez com ele. – Disse o hematologista.
- Eu vou pra lá daqui a pouco falar com eles, os efeitos da quimioterapia talvez não demorem para aparecer.
- Tudo bem. Eu vou falar com alguns psicólogos e Viktor... – Disse sério. — Ele precisa saber dela.
- Eu sei. – Viktor suspirou pesadamente. — Com os amigos voltando eu acho que posso contar, mas veja com algum psicólogo primeiro. Eu te espero lá.
Felipe assentiu, seguindo para a ala de psicologia.
...
— Finalmente. – Uruha deixou o corpo deitar, respirando fundo para o almoço não voltar. Estava com a sensação de que tinha comido mais do que deveria e a vontade era de vomitar tudo, apesar de não poder. Esperava apenas que conseguisse descansar um pouco.
— É bom que tenha conseguido, vai fazer bem. – Viktor lhe sorriu apesar de estar apreensivo. – Sua febre está mais baixa pelo que o Felipe me disse. Como está se sentindo?
- Melhor. – Sorriu fechado. – Mas, desconfiado.
- Desconfiado? De que?
- Não sei, mas parece que vocês querem me contar alguma coisa. – Se acomodou melhor, fechando os olhos por um momento. – Mas, se não querem contar não vou provocar a minha curiosidade.
Viktor sorriu triste para o casal Suzuki enquanto os olhos do Takashima permaneceram fechados. Adiar aquilo só iria trazer mais problemas, já que as esperanças do guitarrista iam sendo alimentadas cada vez mais, mesmo que não tocasse no assunto. Viktor sabia como ele havia se apegado a ela, não podia lhe privar de saber a verdade, ainda que todas aquelas coisas ainda estivessem acontecendo.
Se pudesse, não diria nada, nenhuma palavra enquanto Uruha não estivesse bem. Mas, era seu direito, não podia esconder por mais tempo. Ele não havia perguntado nada, mas não significava que era algo que poderia ser deixado de lado.
Não, Viktor sabia que estava na hora.
— Viktor. – Felipe apareceu na soleira da porta deixando a expressão do amado mais desanimada. Meneou levemente a cabeça como uma resposta muda, indicando que contasse. Os Suzuki's se olharam profundamente e Uruha fitou a todos confuso e com uma sensação ruim.
- Que aconteceu? – Se sentou apressado na cama.
- Espera, calma. – Viktor lhe barrou, ajudando a se arrumar. – A gente precisa te contar uma coisa, mas você precisa ser forte.
Fitou os pais com agonia nos olhos. Não fazia ideia do que poderia ser, mas sentia ser ruim. E muito, para todos saberem menos ele. A comida em seu estômago começou a revirar ainda mais e os enjôos foram ficando mais fortes.
— Aconteceu alguma coisa com o Aoi? – A voz já estava embargada novamente por um choro e a sensação ruim cada vez mais forte.
- Com ele não, não se preocupe. – Viktor sentou-se a sua frente, segurando-lhe as duas mãos.
- Então o que foi? – Inquiriu agoniado.
O médico respirou fundo.
— A Kaoru-chan teve pneumonia asiática* e morreu algumas horas depois de chegar ao hospital em Mie. O diretor do hospital me avisou na quarta de manhã e o velório foi ontem. Ela foi enterrada aqui em Kanagawa.
Fale com o autor