Notas iniciais
Dessa vez não vai ter contagem regressiva. Fazem sete meses e alguns dias que comecei a postar essa fic e eu ainda lembro bem como me senti assim que terminei o primeiro cap. Eu achava que ia conseguir escrever 85 capítulos, mas a meta principal mesmo era bater minha maior fic na época, com 30 capítulos. Não chegamos a 85, mas chegamos a 60, e minhas duas próximas metas são 85 e depois 100 capítulos. É muito e eu sei que pode acabar se tornando enfadonho se não se tomar cuidado, mas eu posso afirmar que se tiver as mesmas pessoas me acompanhando e me dando força pra continuar eu sei que vou conseguir e ir mais além até.
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Eu já falei com algumas pessoas, mas a maioria ainda não sabe, então vou dizer para todos, estou saindo de 'férias'. Não do site, ainda vão me ver muito por aqui, mas das minhas fanfics, por, no mínimo, 4 meses. O motivo é a minha escrita. Apesar de ter recebido tanta força e carinho de vocês, dos quais eu agradeço muito, eu não estou satisfeita, ainda acho que há buracos nas minhas fics e eu preciso de um tempo para pensar e mudar isso, conseguir adequar minha escrita a algo que me deixe plenamente
satisfeita. A You are no começo tem alguns buracos que me fariam escrever boas partes de alguns capítulos, mas eu não gosto de fazer isso por que eu acho que da forma que escrevi tem que continuar, senão perde os sentimentos, não é mais a mesma coisa. Minha fic atual que eu acho que ta mais completa é a Uma Chance Para Recomeçar, a fic policial que eu fiz propaganda pra vocês, e eu quero que as coisas continuem apenas melhorando, então vou refletir e 'estudar' para conseguir voltar daqui algum tempinho com algo mais completo.
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Para quem quiser me adicionar no msn é portgasdlissa@hotmail.com, aceito todo mundo, mas depois vou perguntar quem é, porque meu biotônico acabou e ainda não comprei mais UHAUHAUHUHAUHAUHAUHUHAUHAUHUAHUHAUHAHUAUH. No mais eu espero que todos gostem e que agora, no final, eu possa ver rostos diferentes nos reviews. Estamos encerrando essa fic com 87 leitores e 33 favoritos e pra mim ela foi um marco, eu passava madrugadas escrevendo pra não atrasar, porque como leitora eu sei que é uma droga ter que esperar postagens por muito tempo. Espero que esse final tenha sido a altura para todos, eu queria ele bem grande, mas não queria forçar, portanto ficou pequeno, mas mesmo assim espero que tenha agradado.
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E como não poderia, nesses 60 capítulos, deixar de ser, espero que todos tenham uma ótima leitura, a última dessa fanfic que me marcou e espero que tenha marcado vocês de alguma forma, boa, claro.
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Último PS: O lago do fim da fic é o mesmo da minha outra fic Fim de Semana no Lago -qq.

Uruha desta vez não havia sido o primeiro a acordar. Aoi despertou depois das nove e meia e ainda permaneceu na cama, agora coberto até o pescoço com o edredom. Seu corpo mostrava cansaço remanescente da noite anterior e ao fitar o moreno maior a seu lado um sorriso pequeno, mas sincero se formou em seu rosto. A feição serena, os cabelos ainda em tamanho insuficientes para cair sobre sua face, a respiração compassada e um semblante puro, tão diferente daquele Uruha luxurioso, daquele Uruha que dançou tão sensualmente e fez todos aqueles atos.

Agora era um anjo adormecido, calmo e sereno e que provavelmente estava muito, muito cansado. Aoi lhe sorriu como se ele pudesse ver e se levantou com calma, pegando a camisinha do criado-mudo junto com a muda de roupa que levou a mais e foi para o banheiro visando tomar um banho para despertar de vez e arrumar algumas coisas enquanto o maior dormia.

Pela janela do box podia ver o tempo nublado, mas ainda firme para as nevascas, apesar de chover. O céu estava completamente cinza e passava uma visão gelada que o arrepiou mesmo que estivesse envolto pelo calor da água quente, afora a linha de vento que adentrava pela pequena janela. Aoi então a fechou e se concentrou naquele delicioso banho que relaxou seus músculos, lavou seus cabelos que ainda tinham resquícios de suor, praticamente o estava ressuscitando, recuperando suas energias e forças depois daquela noite tão agitada.

Quando saiu do banheiro vestido com calças diferentes, apesar de serem pretas, uma camisa de mangas compridas e um casaco preto leve notou que Uruha continuava na mesma posição ainda dormindo tranquilamente. O moreno então circulou a cama e sentou-se no pequeno espaço ao lado do loiro, beijando sua bochecha. Uruha se mexeu levemente, mas continuou dormindo. Aoi sorriu e o cobriu bem. Guardou tudo que precisava na bolsa que havia trazido e começou a caminhar pelo quarto, vendo roupas jogadas, a algema... Com um suspiro pegou uma das sacolas que Uruha havia deixado no banheiro e foi colocando suas vestes e os outros utensílios dentro da embalagem de shopping. Desligou as luzes ao redor do palco e colocou o rádio sobre ele. Com tudo pronto chamou o serviço de quarto.

...

O café inebriava seus sentidos e sua barriga roncava exigindo o líquido. Agradeceu ao atendente que lhe trouxe as bandejas, sendo o mesmo que o havia levado até quarto na noite anterior. Trouxera dois carrinhos, já que havia pedido para Uruha também e os posicionou de seu lado da cama. Então a circulou e sentou do lado que havia dormido, acarinhando suavemente o rosto do amado.

— Koi... – Os dedos acarinhavam com ternura, mas Aoi fazia uma leve pressão na bochecha alva. – Hora de acordar. – Dizia com a voz baixa. Seu celular marcava dez e dez e era bom que fossem logo para não correrem riscos. Uruha parecia cansado, mas aos poucos foi abrindo os olhos de maneira preguiçosa, seus orbes claros (Yin) se encontrando com os negros de Aoi (Yang). – Hora de acordar belo adormecido. – Aoi riu baixinho. – O café já ta aqui e eu arrumei tudo, só falta a gente comer, você tomar banho e a gente ir.

Uruha assentiu levemente e fechou os olhos novamente. Espreguiçou-se e antes de se sentar na cama afundou o rosto no travesseiro. Somente então conseguiu reunir energia e se levantar, seu pescoço completamente marcado por Aoi e o traseiro meio dolorido. Suas pernas estavam cobertas pelo edredom e ele carregava uma feição sonolenta que fez o moreno sorrir.

— Eu arrumei suas coisas e você pode tomar banho se quiser antes de comer, mas acho que o café vai esfriar.

- Não, eu... – Colocou a mão no rosto ao bocejar. – Eu vou comer com você, só vou escovar os dentes antes.

Aoi assentiu e puxou o carrinho para que Uruha pudesse se levantar. O loiro pegou seu roupão branco e felpudo e foi para o banheiro molhar o rosto e fazer sua higiene pessoal. Ao se encontrar com seu reflexo no espelho fitou de imediato o caminho feito por Aoi que acabou ficando repleto de chupões. Por sorte havia trazido uma camisa de gola alta que cobriria aquilo. Molhou então o rosto com água morna e escovou os dentes antes de encontrar o moreno com a própria bandeja já aberta, degustando lentamente de sua xícara de café.

Sentou-se a seu lado e destampou a própria bandeja. Agradeceu baixinho e sorveu um gole de café. Então suspirou baixo e encontrou o olhar com o do moreno.

— Diga. – Sorriu e levou um biscoito amanteigado à boca. Aoi o fitou também sorrindo.

- Foi incrível. O melhor castigo que você podia receber do Reita. – Riu baixo ao ver Uruha corando. – Depois de ontem? – Apontou para suas bochechas ruborizadas. – Não deveria.

- Não dá pra evitar. – Riu. – Eu sempre fiz isso pra mim mesmo, pra treinar várias coisas que eu achava importante como elasticidade e consegui tirar proveito dessa situação. Mas, você foi o primeiro que viu, o primeiro que eu dediquei duas seqüências, não sei, mas cada ato meu me deixa com vergonha.

- Estava lindo, mesmo. – Uruha sorriu. – Me sinto honrado por ser o primeiro e devo dizer que você não deveria se envergonhar, cada coisa ali me deixou realmente impressionado.

Uruha agradeceu baixinho, ainda envergonhado. Estava mais desperto depois de ter degustado alguns goles de seu café, assim como as torradas e os biscoitos forraram seu estômago de forma a deixar ele e Aoi satisfeitos. Com preguiça se levantou e foi para ao banheiro assim que terminou de comer e enquanto o moreno devolvia as bandejas era sua vez de tomar banho, e assim como Aoi também viu o céu nublado e a chuva e se arrepiou com aquele vento que insistia em adentrar pelo vão da janela e o fechou também se concentrando em seu banho.

Estava feliz, leve. Pensando nas palavras do moreno tinha certeza que estava mesmo tudo bem e não era assim tão mal no que fazia, mas, além disso, estava feliz por ser Aoi ali consigo, já haviam feito um ano e quase cinco meses de relacionamento e mesmo que não tivessem comemorado e a data tivesse passado há quase meio ano ainda sentia que aquele era um presente dado com amor e carinho, e que junto dele estava com o relicário, dois presentes dados em dias diferentes, em épocas diferentes.

Não podia comparar seu estado quando recebeu o relicário com o atual, mas não o olhava com desprezo, ao contrário, apenas amor lhe preenchia ao fitar a delicada, mas masculina peça. Dentro ainda havia o papel com o Kanji que recebeu há tanto tempo e do outro havia uma foto que tirou com Aoi assim que saíram de férias da turnê, e estava sem peruca. Seus fios cobriam toda sua cabeça e estavam num tamanho bom para que não quisesse usar mais as peças, mas ainda se sentia inseguro. Somente naquele momento achou que deveria tirar a foto sem o utensílio e agora ela ocupava o espaço vago do relicário.

Era a peça mais especial que tinha, de valor incalculável e tinha grande sentimento pela mesma. E mais especial era saber que as pessoas olhariam, mas apenas ele e Aoi sabiam tudo sobre aquele coração com opção de abrir e fechar e comportar duas fotos. Aquele item que fez parte do momento mais negro de suas vidas e que era a fórmula que ambos escolheram para matar a saudade do outro quando a dor no coração era demais. Aquela pequenina peça guardava muito do amor dos dois e apenas eles sabiam como era especial, o que a tornava ainda mais preciosa para Uruha.

Ele se arrumou em frente ao espelho, colocando tudo que precisaria e arrumando a gola sobre o pescoço maculado. Ao sair encontrou Aoi com tudo arrumado e pronto para ir. O moreno o fitou e lhe dedicou um sorriso que foi prontamente retribuído. Ambos se abraçaram ternamente quando caminhou na direção do menor e aquele ato selava realmente sua maravilhosa noite.

— Mais duas semanas e nós vamos sair finalmente de férias. – Disse Aoi animado. Uruha lhe sorriu.

- Nem me fala, passar um tempo no lago Akai, patinando, longe da mídia, aproveitando o frio naquelas cabanas que eles deixam mais confortáveis e gostosas. Aquele lago é bom em qualquer época do ano.

- Então para minha segunda honra do dia, vou passar as primeiras férias lá com você.

- Sim. — Agora era Uruha quem estava animado. — É só passar no Viktor e a gente pode ir.

Ao dizer o nome do médico Uruha abaixou os braços e fitou Aoi com uma expressão neutra, mais decaindo para o medo. Com um suspiro leve e acolhedor acarinhou o rosto do loiro.

— Não pense nada ruim Uru, você vai ver como os exames vão dar todos normais.

- Ainda parece recente voltar ao hospital. — Seu suspiro era cansado, quase derrotado. — Eu tenho medo, medo que dê alguma coisa alta demais ou baixa demais, medo de todos os nossos planos irem por água abaixo. Eu não gosto de pensar assim, mas peguei tanto receio.

Aoi o abraçou de forma carinhosa antes que pudesse terminar de falar, embalando-o num calor aconchegante. Suas mãos caminhavam lentamente pelas costas do maior e Aoi lhe sussurrava palavras boas rente ao ouvido, como se fosse um pai acalmando o próprio filho.

— Não pense essas coisas tão ruins, vamos pra casa ficar no seu apartamento, eu vou sujar tudo e esse dia vai ser tão especial quanto deveria ser.

Uruha mordeu levemente o lábio inferior. — Eu... Eu prometo que vou tentar.

Aoi sorriu mesmo que ele não pudesse ver e desvencilhou-se aos poucos, ainda mantendo Uruha no abraço quando seus olhos se encontraram. O do maior estava levemente umedecido, mas ele mesmo tratou de enxugar aquelas lágrimas intrusas e dedicou um sorriso verdadeiro para Aoi.

— Vamos então, depois eu sujo o seu apartamento e aí você que limpa.

Aoi riu e pegou as próprias coisas. Uruha o copiou e pegou a chave do quarto. Deixou que o moreno passasse e fechou tudo, deixando com o mesmo recepcionista assim que pararam no balcão onde o Takashima assinou a saída. Aquela chuva que viram da janela do último andar ainda continuava e agora parecia ainda mais gélida. Por sorte um dos manobristas trouxe o carro de Uruha pelo port cochére, parando em frente à entrada do hotel. Ali ambos se despediram rapidamente do recepcionista e colocaram as malas no banco de trás. Uruha entrou pelo banco do motorista e Aoi pelo do passageiro e logo saíram dali. Aquele sábado seria aproveitado no apartamento do loiro da forma como eles adoravam fazer e estavam ansiosos para o fazer: Deitados na cama ou no sofá, namorando ou vendo alguma coisa e comendo pipoca e deixando que o tempo frio passasse e eles estivessem seguros pelos edredons e a calefação. Não podiam querer uma vida melhor, tampouco longe do outro.

Eles completavam a alma do outro e não seria exagero dizer que o ponto de paz de Uruha era Aoi e o do moreno era o loiro. Porque eles eram assim... Perfeitos como o Yin e Yang.

Primeira semana de dezembro

— E lá vem o Viktor perguntar se está tudo bem. — O oncologista entrou animado em sua sala e fez Uruha rir. — Essa pergunta já encheu né?

- Há muito tempo. — Uruha firmou com veemência. — Mas, se ela é necessária a gente pode ir dando risada dela até não precisar mais.

- Boa ideia. — Viktor riu. — Mas, veio sozinho? Seus amigos malvados te abandonaram?

- Mais ou menos, é que daqui a gente vai se encontrar na casa do Miyavi pra conhecer a filha dele e os bons amigos que eu tenho foram antes.

- Inclusive o namorado. — Disse o médico botando lenha na fogueira. Uruha concordou. — O Felipe já fez isso com você?

- Se ele fizer... — Viktor disse enquanto verificava os papéis em suas mãos e comparava com algo na tela do computador. — Eu sou capaz de tacar óleo fervendo na intimidade dele.

- E para variar eu sou sempre o alvo do meu marido.

Viktor se virou para Felipe que havia acabado de chegar e enquanto ele meneava a cabeça negativamente Uruha riu de si, apesar de internamente estar morrendo de dor imaginando a vingança do médico.

— Só não esqueça que eu ainda amo você, é só não querer ir na frente. — Pegou mais alguns papéis da mão do hematologista enquanto ele media a pressão de Uruha.

- Depois dessa ameaça linda eu não vou querer com certeza ir na sua frente, vou depois se for possível.

Viktor riu, mas não tirou os olhos de suas verificações. Uruha o fitava com certa apreensão, não conseguindo desviar o olhar enquanto ele analisava cada detalhe, cada pedacinho e cada número de seus exames.

— Parece que a sua medula anda bem amiga. — Disse ainda fitando o monitor. — As células continuam com bons números e não há sinais de qualquer tipo de invasor. Parece que logo vamos parar de nos ver.

- A parte mais chata disso. — Uruha disse. — O bom é saber que eu to mesmo curado.

- Mas, você não é o único que vem sentindo medo. — Felipe disse lhe fitando. — É normal sentir receio depois de tanto tempo tratando algo dolorido. Eu ainda tenho medo de óleo quente e água fervente pelo que aconteceu há dez anos.

- Isso é ruim. — Uruha franziu o cenho. Felipe retirou o aparelho de pressão de seu braço esquerdo.

- Isso é muito ruim, mas é algo com que se aprende a conviver. Uma hora você também vai acabar se acostumando com essas visitas sem pensar que está doente.

- Mas, enquanto não se acostuma saiba que você está totalmente saudável e não corre nenhum risco. — Viktor lhe sorriu e entregou a pasta com seus novos e carimbados exames.

...

A casa de Miyavi estava completamente cheia. Reita e Aoi estavam completamente envolvidos com Lovelie que já havia aprendido falar seus nomes e ria com eles. Os três estavam na sala junto com o dono da casa e Kai e Ruki estavam 'aprontando' na cozinha, mais precisamente o vocalista estava comendo os doces que seu líder fazia.

— Agora ela tem que falar o apelido do pai dela. — Reita comentou. Miyavi fez um bico e o baixista e Aoi riram de sua expressão.

- Nem me fale, ela até chama 'papai', mas só Miyavi ela não fala ainda.

- Aposto que ela vai falar quando você menos imaginar. — Aoi agora a pegara no colo e a sentou sobre suas pernas, brincando com um chocalho que havia em cima do sofá.

- Eu espero se não jogo ela no mato.

- '...Ato', '...Ato'. — Lovelie balbuciou. Miyavi olhou falsamente indignado para a tv e os dois que brincavam com ela voltaram a rir.

Uruha apareceu alguns minutos depois. O próprio Miyavi o buscou na portaria e os dois vieram conversando até pararem na soleira da porta do maior. Aoi deixou a menininha com Reita e foi até o amado.

— Finalmente não é só o Kai que conhece ela. — Uruha disse, abraçando Aoi. Todos ali riram.

- Pois é, finalmente descobrimos que ela existe. — Reita também brincou e entregou a menininha para Uruha, que sorriu e automaticamente pegou seus lábios, apertando-os sem machucar.

- E como estão as coisas Uruha? — Reita perguntou assim que o irmão se sentou no sofá adjacente.

- Graças à Kami bem. — Respondeu aliviado. — Agora eu posso viajar em paz sabendo que está tudo bem.

- Isso é ótimo. — Miyavi aproximou-se e também começou a brincar com a filha. — Eu soube algumas coisas pelo Kai, você passou por maus bocados.

- Inclusive por inveja das duas irmãs. — Disse recordando-se daquele dia. — Mas, agora que tudo está bem eu posso ficar feliz e tentar esquecer todos esses pontos negativos da vida.

E o fez, com seus amigos, com seu amor, com a garotinha que apertava seus lábios com carinho. Aquela tarde fria de dezembro foi regada a muito calor do lado de dentro da casa de Miyavi. Todos ali estavam felizes, comemoravam mais um ano que estava indo embora, os futuros trabalhos que foram adiados e agora estariam sendo retomados, à Lovelie que finalmente chamou Miyavi de Miyavi no fim daquele dia, e assim todos eles brindaram e riram de dores passadas, de problemas que superaram, da turnê que haviam encerrado, das dificuldades que haviam vencido. Cada uma daquelas seis almas tinha um motivo em especial para ser feliz e naquele encontro comemorar e desejar coisas boas para cada um deles ali. Não precisava ser natal, não precisava ser ano novo e nem aniversário para se desejar bem a alguém e eles sabiam daquilo melhor do que ninguém. Sabiam tão bem que desejavam com fervor, com alegria e no fim do dia, quando Miyavi, Kai e Lovelie ficaram novamente a sós naquela casa ainda sorriam, assim como os quatro que haviam saído o faziam. Era um 'até logo' tão especial que nenhum deles podia parar de sorrir. Estavam simplesmente leves e felizes.

xXx

Aoi e Uruha saíram naquela madrugada para o lago Akai. A garoa que caía do lado de fora não era suficiente para lhes alarmar e nem nada, todas as estradas haviam sido salgadas e estavam firmes.

— Nós vamos chegar bem tarde. — Uruha comentou fitando seu relógio que indicava sete da noite. O céu estava totalmente encoberto pela noite. — Se quiser intercalar a direção.

- Não, tudo bem. — Aoi sorriu. — Eu nunca fui ao lago Akai então estou animado, acho que ficaria inquieto se não dirigisse.

- Lá é um ótimo lugar. — Uruha lhe dedicou um sorriso. — Você vai querer voltar sempre.

- Você volta comigo? — Aoi o fitou assim que parou em um sinal. — Eu não poderia ir para lá sem você.

- É claro que sim. — Uruha sorriu novamente, mais vivamente. — Apesar desse tempo eu tenho certeza que vamos viver ótimos momentos ali.

Aoi assentiu e continuou guiando assim que o semáforo abriu. Cada um havia levado as duas malas costumeiras e grandes quantidades de comida e outros acessórios, todos bem colocados no banco de trás e do porta-malas do carro de Aoi. Eles sabiam que chegariam depois das cinco da manhã, mas não estavam com pressa, não havia pressa em seus gestos, em suas palavras e atitudes. Mais do que ninguém queriam aproveitar cada segundo daquelas férias e isso também significava curtir a viagem e não simplesmente ficar emburrado como a maioria das pessoas acabava se sentindo.

Eles estavam num patamar mais calmo onde tinham certeza de que não era certo querer apressar nada e assim deixar de aproveitar cada instante daquilo. Perderam muitos momentos juntos e agora os recuperavam como a vida permitia e no tempo que ela disponibilizava. E eles sabiam aproveitar aquilo, sabiam dar bom-dia com sorrisos, sabiam estar juntos sempre que podiam e ainda assim respeitando o espaço do outro, tinham plena certeza de que seus gostos eram em partes diferentes e se respeitavam mutuamente quanto a isso. As desavenças eram normais, não precisavam concordar em tudo. Mas, nos momentos especiais e nos mais difíceis estavam juntos e era esse detalhe importante que tornava seu relacionamento tão especial.

E aproveitaram cada instante daquela viagem. Mesmo podendo Uruha não dormiu, conversou calorosamente com Aoi por todas àquelas horas e quando a aurora surgiu no horizonte e seu carro entrou na estrada coberta de areia que dava para a entrada do lago, só precisaram fazer um rápido registro e logo Aoi os guiava pela estrada bem demarcada que levava até sua cabana. Lá encontraram um espaço aconchegante e único, fruto de um belo investimento que trazia paz para os que ali iam. Não era muito grande, mas suficiente para passar boas férias, como os dois imaginavam passar. Descarregaram todas as malas e mantimentos e os arrumaram com a calefação ligada apenas para que Aoi conseguisse convencer Uruha de colocar um short para o ajudar. Claro que Uruha sabia o porquê daquilo e não se surpreendeu todas as vezes que as mãos de Aoi passeavam por suas nádegas e coxas.

Quando os relógios marcavam dez horas ambos estavam no quarto se trocando para patinarem no lago.


P.O.V Aoi

A vida é uma caixa de surpresas e você nunca sabe qual vai ser a próxima jogada, o que muitas vezes muda várias vidas, como aconteceu comigo e com o Uruha e vocês acompanharam cada passo. Não foi fácil, o sentimento de querer desistir nem todas às vezes veio dele, mas não no sentido de que eu o queria abandonar, e sim significando que eu não podia mais vê-lo daquela forma sempre tão machucado e dolorido.

Ver uma pessoa que você nesse estado dói de uma forma que você não consegue explicar. Enquanto eu o olho aqui todo pronto para patinar enquanto ele olha pela janela eu não consigo acreditar que essa pessoa tão sadia passou por um momento tão delicado, que o machucou tanto, e que por causa de uma carta que ainda me persegue, quase foi tirado da minha vida.

O Uruha pra mim é a melhor coisa que eu poderia ter ganhado, a luz da minha vida. Eu não falei para meus pais sobre ele, porque sei que eles talvez não aceitassem bem e eu não quero que uma barreira se erga entre nós por conta de coisas que meus pais ou irmãos talvez viessem a falar. Tudo que nós vivemos juntos naqueles dois hospitais, no meu apartamento e na casa de Akemi-san e Takashi-san não mereciam ser pisados por ninguém que seja e eu sei que assim as coisas estão bem.

E eu posso dizer que não importa o quanto eu agradeça, o quanto eu faça, nunca vou poder pagar a Deus o fato de ter me dado alguém tão bom e especial, alguém que faz da minha vida um lugar menos vazio. Quando eu me apaixonei pelo Kou eu não sabia que viria a ser algo tão intenso e profundo, nem mesmo que viraria um amor. E agora parando para pensar eu me arrependeria muito se o tivesse deixado sair de meu coração.

Agora me aproximo da janela para tentar ver o que ele tanto olha, e por mais que não tenha nada ali acabo me perdendo na beleza da natureza toda coberta pela neve. E posso dizer que não teria mais ninguém com quem eu quisesse estar aqui que não fosse ele, meu Kou, meu Uruha, meu careca encanado, meu lutador... Meu vitorioso e o amor da minha vida. Se tem alguém que é perfeito, posso dizer que é ele.


P.O.V Uruha

Com um suspiro acho que posso começar a falar. Posso falar sobre o que senti desde que me descobri doente até agora enquanto me preparo para patinar. São muitas coisas que tenho a dizer, então não achem estranho se ficar pequeno e resumido, algumas eu não lembro e outras são dolorosas demais para lembrar.

Bem, imagino que vocês se lembrem do Raphael. Quando eu o namorava cheguei a pensar que talvez fosse o amor da minha vida e fiquei muito triste quando precisei ir embora e ele não me apoiou. Posso dizer que ele foi a minha primeira desilusão amorosa e depois disso eu só tive casos, não tinha mais nada em mente que não fosse o sonho de ser guitarrista e não podia me importar com algumas coisas e o amor era uma delas.

Formar o GazettE não foi fácil, conseguir espaço não foi fácil, depois tivemos de correr atrás de gravadora, de aperfeiçoar os instrumentos e quando a coisa estava caminhando o Yune saiu. Quando se é novato é um problema e tanto, você fica anêmico e sem saber o que fazer, e a vinda do Kai mudou isso. Nós conseguimos juntar forças e continuamos juntos conforme os anos foram passando até que quando percebemos estávamos no Tokyo Dome, nosso maior sonho.

Depois disso tivemos a rápida turnê de Vortex e eu descobri a leucemia. Foi aí que tudo desandou, que eu me peguei num mar negro que não era aconchegante como o olhar do Aoi, aquele era frio e cheio de ondas, e o que me mantinha a salvo era apenas a determinação de dois médicos, um tendo a altura do Ruki e aparentemente não apresentando nenhum 'perigo'.

Mas, eu nunca deixei de acreditar no Viktor, eu sabia que ele poderia me ajudar. E ele ajudou. Mas, até esse ponto não foi fácil de se segurar. Eu só sentia dores e vontade de desistir, a sensação de ser expulso da banda estava sempre comigo, e muito do que me ajudou veio da declaração do Aoi, do fato de eu estar doente e ele ainda estar ali comigo, me apoiando e dizendo que me amava.

Aquela semana no apartamento dele foi tão especial e me deu forças para continuar. Eu já conhecia Kaoru-chan e consegui ver sem medo o festival, me emocionei com as camisetas e as palavras de todos, e por um tempo tudo caminhou de maneira branda e por mais que o tratamento ainda estivesse caminhando eu estava feliz e bem.

Mas, a vida quando quer muda as regras e você não tem tempo para se preparar. O surto de pneumonia me levou para a minha cidade natal, juntou meu passado, meu presente e meu futuro num só e levou a minha menininha embora. Lembrar dela ainda me aperta o coração e creio que essa dor seja para sempre, mas eu de certa forma acho que vou conseguir lidar melhor com ela daqui um tempo.

Depois veio o anúncio da nova turnê e a mídia soube como me atingir. Naquele momento eu estava perdido, talvez mais do que quando me descobri doente, e se não fosse pelas pessoas que eu tanto amo, se elas não tivessem aparecido eu teria me entregado. Era coisa demais para lidar, muitos sentimentos ruins, mas eu continuei, eu sabia que eles estavam comigo.

E estiveram até agora. Me viram em coma, me viram acordar, me viram ir de saudável para doente e depois para saudável de novo. Nesse último ano eu posso dizer que minha vida foi totalmente agitada e cheia de mais baixos do que altos, e que se eu não tivesse a todos, mas principalmente o Aoi, talvez não tivesse conseguido chegar aqui.

Ele iluminou minha estrada cada vez que a leucemia apagava a luz. Ele me amparou quando eu achei que fosse cair de vez e foi comigo ao túmulo de nossa filha, e agora ele está aqui, também olhando para essa natureza tão perfeita e pronto para patinar comigo. Nosso relacionamento superou coisas que eu nunca pude imaginar, mas agora, estar aqui com ele no local onde eu tive as maiores e melhores memórias da minha infância e adolescência e agora estaria tendo como adulto não tem explicação, é uma felicidade que não cabe no meu coração.

Eu posso me considerar um vencedor. Além de ter superado a leucemia, meu amor pelo Aoi resistiu a montes de pancadas e agora não é nenhum outro que está aqui comigo, é a pessoa que eu queria que estivesse...

... Meu Aoi, meu Yuu, minha maior força, o apoio necessário para todas as horas. Se eu não o tivesse não estaria aqui hoje. Não esqueço de ninguém, sei que todos me ajudaram como puderam e mesmo agora não sei como lhes agradecer. Mas, o meu coração bate mais forte quando é esse moreno solitário que aparece entre as portas para me ver, e é o sorriso dele que me faz querer continuar.

O Aoi esteve comigo no momento mais sombrio da minha vida e eu sei que agora, enquanto nós damos as mãos só até sairmos da cabana, ele vai estar também nos momentos mais doces, e nessas férias geladas nós vamos construir muitas memórias.

Porque o Aoi...

... O Aoi é o amor da minha vida.

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Notas finais
Yori Suzuki ♥;
kagerou ♥;
Takashima Kou ♥;
Katashi Chika ♥;
paola13 ♥;
YutakaSuzuki ♥;
Anna ♥;
Lucy Babalu ♥;
Tsuki Senshi ♥;
Oruki TakaMoto ♥;
Kaiko ♥;
ninfanegra ♥;
Roy Mustang ♥;
AlineVKei ♥;
aimerchan ♥;
Sooky ♥;
sophielosmales ♥;
Megurine ♥;
bbonesso ♥;
vampire_kawaii ♥;
NannyBlue ♥;
Yuuko Ichihara ♥;
Yuki Yokoyama ♥;
UCHIHA SASUKE E HARUNO SAKURA ♥;
LikaNightmare ♥;
aoi_ryuu ♥;
Zess ♥;
kiyomi_ishihara ♥;
Ringo-sama ♥;
Mely-Chan ♥;
Keith_Loveless ♥;
Kim Yumi ♥;
Takashima Yuumi ♥;
Jaline_Uchiha ♥;
JessiChan ♥;
Danizinha ♥;
Saa Chan ♥;
Scarlat7 ♥;
Melka ♥;
ElyzabeteEngel ♥;
Rukía ♥;
ChunLi W Malfoy ♥;
Litha_Chan ♥;
Su Shibasaki ♥;
freeasabird ♥;
Dayzeh Natsumi ♥;
Lyncis ♥;
Kotori ♥;
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Vocês foram responsáveis por essa fic ter continuado a ser postada. Alguns comentaram pouco e sumiram, outros me acomparanharam até agora e não sou hipócrita, agradeço com mais fervor a esses, mas cada um foi importante sim e eu agradeço a todos por terem estado comigo durante todo esse tempo, vou sentir falta de seus amados e doidos reviews que sempre me arrancavam sorrisos e dores nos dedos para responder uhauhauhauhauhuhauha.
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Pode ser que apareçam leitores novos pra comentar nesse último cap, mas mesmo que seus nomes não estejam aqui eu agradeço antecipadamente de coração. Obrigada ♥.
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É isso pessoal, nos despedimos da You Are aqui, até a próxima ♥.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!