Notas iniciais
Wee mais um cap ♥
As coisas estão fluindo tão bem, eu to tão feliz ♥
E agradeço de coração aos reviews lindos.
Boa leitura.

Reita e os outros viram quando Uruha foi trazido de volta para o quarto pelo hematologista e depois de alguns minutos foi autorizada à entrada, quando o médico mencionava sair.

— Só não fiquem muito tempo tudo bem? Ele precisa descansar um pouco.

- E foi tudo bem com o exame? – Ruki indagou ansioso.

- Sim, não teve nenhum problema e os sintomas que ele ta sentindo agora são normais, não precisam se preocupar.

O médico fechou a porta assim que eles entraram, deixando-os em privacidade com o amigo.

— Está tudo bem Uru? – Ruki perguntou aproximando-se do amigo que agora tinha a cabeça apoiada em dois travesseiros. – Ficar assim deve ser cansativo.

- É um pouco. – O guitarrista sorriu. – Mas, é melhor do que correr o risco de vomitar toda hora.

Ruki bateu os olhos nas garrafinhas de água que haviam na bandeja acoplada à cama do amigo, assim como o médico havia explicado. Devia ser um exame realmente delicado.

— Não dói tanto apesar de parecer. – O guitarrista quebrou o silêncio, atraindo a atenção dos amigos.

- Ainda bem porque aquela agulha parecia grande demais para pouca dor.

Uruha concordou com Reita e os cinco riram ainda embargados pela aura ruim do que aquele exame poderia confirmar. Seus corações, apesar de mais calmos, ainda carregavam a dúvida do que aconteceria caso as suspeitas dos dois médicos fossem confirmadas.

Era uma situação ruim e eles precisavam ter forças para passar por ela.

— Desculpe incomodar, — Viktor apareceu, atraindo os olhares dos cinco, — mas, eu precisava esclarecer para vocês que o mielograma vai demorar de três a sete dias para dar o resultado, e como os sintomas estão intensos, o paciente vai ficar internado recebendo um tratamento para amenizar a anemia e vai dizer para esse médico porque deixou as coisas ficarem tão ruins assim.

Viktor falava num tom descontraído, mas sem perder a seriedade, e Uruha foi atingido pelos olhares de dúvidas dos amigos. Realmente devia explicações.

Respirou fundo vendo o médico pegar uma prancheta e uma caneta, parecendo um psicólogo.

— Aconteceu mais ou menos algumas horas depois do último show da turnê. Nós já estávamos no hotel e eu acordei no meio da madrugada morrendo de frio, apesar de todo o calor do verão. Peguei as duas cobertas que estavam no guarda-roupa, e eu lembro que até tive tontura quando levantei.

- Por causa da febre. – O médico esclareceu, sorrindo amavelmente.

- Só que eu ainda tremia e demorei pra dormir. Como nós estávamos aqui na cidade não foi preciso levantar tão cedo e quando eu acordei já estava normal, então resolvi não tocar no assunto com ninguém.

O guitarrista franziu o cenho antes de continuar, tentando lembrar a ocorrência dos fatos.

— No começo da tarde nós almoçamos e voltamos pra gravadora. Eu falei com o Reita rapidamente sobre sair pra comemorar mais uma turnê, mas isso não chegou a acontecer porque no dia marcado eu estava tão cansado que parecia que eu havia feito dois shows em seguida.

- E foi um teimoso e não disse a verdade, dizendo que havia comido algo que tinha feito mal. – O baixista alfinetou levemente o amigo, arrancando um sorriso bobo dele.

- É verdade, achei que fosse por causa da turnê, sei lá. Não cheguei a ligar a febre com isso.

O médico meneou a cabeça indicando que Uruha continuasse, mas notou que o guitarrista respirava pesadamente e largou a prancheta aos pés dele, indo até a altura de sua cabeça.

Isso alarmou os outros e Reita apertou a grade da cama, vendo o médico tirar algumas coisas dos bolsos e examinar o amigo.

— Está tudo bem?

- Sim, — Uruha disse depois de alguns minutos. – É só que falar acabou me cansando um pouco.

- Não tão pouco. – O médico pegou um par de cânulas nasais descartáveis e ligou a um cilindro de oxigênio, conferindo a pulsação e os batimentos cardíacos no monitor que havia perto da cama. – Eu vou pedir que continue, mas, por favor, mais devagar, sim?

Uruha assentiu continuando.

— Depois daquele fim de semana vieram os ensaios novamente, já que vamos lançar um single novo. Na primeira semana tudo ocorreu normal, apesar de ter aparecido uma marca roxa grande igual essa do meu braço, só que na perna. E eu não havia batido em nada.

- Sei. E doía?

O guitarrista fez ‘não’ com a cabeça. – Talvez um pouco. – Acabou completando.

— Isso indica número de plaquetas baixo. Mas, pode prosseguir.

- Bom, as semanas continuaram passando normalmente nesses dois meses, só que no final do mês passado eu comecei a sentir o cansaço mais forte, apesar de ainda conseguir ir para os ensaios. A febre não aparecia mais, mas a primeira marca roxa demorou a sumir.

- E logo depois apareceu essa?

- Sim. Como a primeira demorou quase um mês pra sumir eu pensei que no fim desse mês aconteceria o mesmo.

- E com relação a sangramentos? Não sei se alguém comentou, mas antes de vir para cá sua gengiva começou a sangrar.

O guitarrista arregalou um pouco os olhos, preocupado.

— Não, essa foi a primeira vez mesmo.

- E somente semana passada se tornou difícil ir para os ensaios?

Uruha concordou, aspirando lentamente o ar que saía pelos pequenos tubos colocados em sua cavidade nasal.

— O seu organismo está realmente debilitado. Não posso te mandar para casa com esses sintomas fortes e essa dificuldade em aspirar. Os sintomas estão sendo realmente claros nesse momento e eu seria hipócrita se dissesse que não é leucemia.

Apesar das suspeitas, os corações dos cinco falharam uma batida com as palavras do médico.

— Mas, se sabem que é, porque essa espera em me tratar logo? – Os olhos do guitarrista encheram de lágrimas, sensibilizando os outros que logo sentiam seus olhos arderem igualmente.

- Porque um diagnóstico desse não pode ser feito de qualquer forma, apesar de os sintomas estarem explícitos e gritando. Há dois tipos diferentes de leucemia, e cada uma delas apresenta mais uma divisão. Já pensou se eu lhe tratasse com a quimioterapia errada?

As lágrimas escorreram pelos olhos do guitarrista e o médico foi até ele, segurando sua mão.

— Eu sei o quão antiético é de minha parte dizer tão abertamente as coisas assim, mas eu não gosto e não costumo enganar meus pacientes e algumas coisas devem ser feitas de outras maneiras. Seus sintomas são claros e eu quero apenas confirmar qual tipo de leucemia lhe acomete para deixar as coisas em seus devidos lugares e lhe explicar tudo.

A vontade de Aoi, no momento, era ia até Uruha e lhe segurar a mão dizendo que tudo ia ficar bem e que as coisas se resolveriam, mas o moreno estava tão confuso e desolado que era capaz de o contrário acontecer.

— Eu... Eu vou morrer?

- Qualquer doença grave coloca a vida do paciente em risco. Mas, não é porque uma pessoa tem câncer que ela vai definitivamente morrer, ou vai viver em um hospital ou mesmo que se cure e a doença volte. Muitas vezes essas doenças mais complicadas são colocadas de uma forma que as fazem parecer incuráveis, mas não é bem assim. E não é o câncer que mata.

- Então é o que?

- Uma gripe, uma parada respiratória, bactérias. Por isso, caso seja de fato comprovada a leucemia, você irá para o meu andar e todos os médicos e enfermeiras usarão máscaras cirúrgicas, assim como seus amigos. Porque o que pode matar são infecções vindas de fora.

Aos poucos a idéia começava a entrar na mente de Uruha, mas a dor e a angústia não saíam o que o atormentava realmente. Ele podia ler nos olhos verdes do médico que ele estava quebrando regras, mas não parecia se importar em fazer.

O que o tornava mais humano.

— Obrigado, doutor. – Uruha sorriu, levando o médico pelo caminho.

No entanto o homem de branco se levantou e mencionou ir até a porta do quarto, virando-se para Uruha antes de sair.

— Nossa conversa sobre os sintomas acabou, mas eu ainda quero saber que parentesco o senhor Suzuki tem com o senhor e porque não é possível falar com sua família. Mas, no momento, vou te deixar descansar. O exame, apesar de relativamente simples, é de fato, cansativo. Eu vou pedir para trazerem o seu almoço daqui a duas horas e, por favor, me chame apenas de Viktor.

O médico sorriu para o guitarrista que retribuiu e saiu da sala deixando-o a sós com os companheiros de banda.

— Uru, porque não nos contou? – Ruki perguntava com uma voz implorativa, tentando entender os motivos do amigo.

- Ruki, minna, eu realmente não achei que fosse algo grave. – O guitarrista respirava profundamente pelas cânulas e sua expressão era de cansaço. – Achei que fosse excesso de trabalho, afinal vocês também tem dias em que ficam cansados, não pensei que houvesse algo maior por trás.

Algumas lágrimas desciam pelo rosto do guitarrista e os outros se seguravam para não serem levados pelo mesmo caminho.

— Minna, vamos deixar o Uru descansar um pouco, mais tarde a gente volta pra falar com ele. – A voz de Kai se fez presente e com relutância Ruki e Aoi o seguiram para fora do quarto deixando apenas Reita lá dentro.

- Kou, eles vão precisar saber, você entende, não?

- Eu sei Aki, eu sei. Apesar de não ser algo tão grave ainda dói tanto.

Reita ia dizer algo, mas no momento em que ia dizer notou que Uruha levou uma das mãos até a boca e se levantou quase de imediato, vomitando em seguida, apenas com a sorte do amigo ter conseguido pegar a vasilha que havia ao lado da cama e colocando sobre suas pernas.

— Mas que merda! – Uruha esbravejou, os cabelos sendo segurados por Reita.

- Calma Uruha, isso só vai te deixar pior e a gente sabia que podia acontecer. Você precisa descansar e eu vou esperar chegar o seu almoço para avisar sobre isso, está bem?

O guitarrista assentiu e viu o amigo indo até o banheiro que havia acoplado ao quarto, pegando algumas folhas de papel e umedecendo rapidamente, voltando em seguida e passando sobre seus lábios.

— Deita aí e tenta descansar um pouco. Mais tarde ou mesmo amanhã as coisas vão terminar de serem esclarecidas.

- Mas, então, por favor, fica aqui comigo. – Uruha pediu com um olhar implorativo e Reita aproximou a poltrona da cama, sentando-se e segurando a mão do amigo.

- Sempre Kou... Sempre.

O loiro sorriu e fechou os olhos ainda levemente incomodado com o recente vômito. Podia sentir o gosto na boca, mas tentou não focar naquilo e tentou relaxar, adormecendo algum tempinho depois.

xXx

— Gosto de almoço com vômito não é muito bom nee? – Felipe brincou, fazendo Reita rir e Uruha fazer uma careta.

O baixista havia acordado o amigo duas horas depois que ele adormeceu e aproveitou para pedir aos outros para irem embora descansar um pouco, o que, claro, todos fizeram sem nenhuma vontade. Aoi queria ficar no lugar do loiro, mas este insistiu que fosse descansar e jurou ter uma conversa com ele mais tarde.

Claro que Aoi sabia o que era, e de certa forma não tirava a razão de Reita. Apesar de estar nascendo aos poucos o moreno já tinha certa ciência de que seus sentimentos pelo guitarrista loiro estavam ficando mais cálidos e agora com toda essa fragilidade em volta de sua saúde o que ele mais queria era estar a seu lado.

Mas, claro, tudo há seu tempo.

— Não, gosto de comida com vômito não é uma mistura agradável.

- Mas, você até que está indo bem. — Comentou o hematologista. – Seu organismo reagiu bem ao exame e só ter vomitado uma vez é bom.

- Só espero que não aconteça de novo.

Uruha sorriu, sendo acompanhado pelo médico e por Reita.

— Seus amigos foram dar uma volta? – O médico indagou enquanto arrumava a cânula novamente em volta do rosto de Uruha.

- Ahn, como assim? – O guitarrista indagou, vendo Reita tomar a frente.

- Na verdade, — Disse Reita. – Eu pedi que eles fossem para casa descansar e voltassem mais a noite.

- E você, como vai fazer? Agora que a saúde de Uruha-san está mais estabilizada você pode ir à noite.

- Então você vai. – O guitarrista novamente voltou à conversa, fitando Reita. – Precisa descansar um pouco e pode voltar amanhã.

Reita fitou o médico como pedindo ajuda ou perguntando se podia e o homem deu um leve menear de ombros, mencionando sair do quarto.

— Você decide Reita-san.

O baixista voltou a fitar o amigo que sustentava um olhar definitivo.

— Por favor, Reita.

- Está bem, eu prometo que vou, mas fique ciente de que vou pedir para eles me ligarem caso aconteça alguma coisa.

- Está bem senhor mandão, suas ordens serão repassadas.

Uruha bateu continência e os dois riram; suas almas um pouco mais calmas e descontraídas.

À noite, como prometido, Reita mencionou ir embora, não sem antes se despedir com um beijo na testa de Uruha e outro na de Ruki, e puxando Aoi para fora do quarto consigo.

— Está melhor ou ainda lotado de coisas? – Os dois pararam nos bancos em frente ao quarto de Uruha, sentando-se.

- Agora melhor Reita, obrigado.

- Assim que eu gosto. – O baixista sorriu. – E sabe, se isso for realmente comprovado Aoi, você vai poder dar tudo de si como deseja para ajudar.

- Acha que não vou ser repelido?

- Tenho certeza que não.

O guitarrista sorriu.

— Então me deseje sorte, vou dar tudo de mim essa noite.

Reita sorriu e se levantou, mencionando ir até o elevador.

— Boa sorte e boa noite. Dê o seu melhor.

- Eu vou. – O moreno sorriu, voltando para o quarto.

— Eu sei que vai. Eu sei.

Reita sorriu, indo até os elevadores.