You And The Stars
31 Together
Notas iniciais

(Half a heart — One Direction)
A granada tinha sido jogada. Já havia sido detonada e atingia a todos. Ao chegar na casa, a bagunça estava instalada. Gritos. Brigas. Xingamentos. Choros. Ódio.
Ou melhor, eu tinha jogado a granada.
Entrei correndo para dentro e me tranquei no meu quarto. Me joguei na minha cama e me cobri com um edredom até a cabeça. Afundei a cabeça no travesseiro e fiquei torcendo para que os efeitos daquilo tudo passassem logo. Eu sentia uma dor que subia da boca do meu estômago até a minha garganta. Fiquei assim por horas. Algumas vezes eu ouvia pessoas entrando e saindo do quarto. Uma vez eu pude jurar que era Emma, outra vez eu tive certeza que era Will dispensando uma garota. E por um momento eu soube que estava sendo observada por ele, como se Will decidisse se falava comigo ou não.
Quando eu já estava quase pegando no sono, abriram a porta do quarto e entraram.
— Samantha, já decidimos o que fazer — era minha mãe. Ela tinha a voz chorosa e baixa. Não me mexi.
— Vamos todos ficar aqui por essa última semana. Afinal, o aluguel já está pago e não podemos desperdiçar o dinheiro. Seu pai e eu vamos assinar o divórcio quando voltarmos. Você vai continuar morando comigo. Carly e Sr. Stonem também vão se separar. Sabe, isso tudo é culpa sua. Você tornou as coisas mais difíceis.
Então ela saiu do quarto batendo a porta.
(…)
Em um certo momento, eu não aguentei mais ficar deitada sem dormir. Eu me sentei na cama e olhei a minha volta. Will estava acordado lendo um livro. Emma estava ao lado, ouvindo música nos fones. Era a primeira vez que ela dormia no quarto depois de semanas.
Me levantei e fiz um coque no meu cabelo. Caminhei até o banheiro e fechei a porta. Me despi, liguei o chuveiro e deixei que a água escorresse por meu corpo junto com as lágrimas. Pensei nas mentiras, em Matthew, em meus pais, no buraco enorme no meu peito onde Will e Emma ficavam e em como eu me sentia um lixo.
Longos minutos depois, eu desliguei o chuveiro, meu enrolei em uma toalha e me tranquei no Closet. Vesti um short confortável e curto, e uma enorme camiseta de mangas compridas. Soltei meu cabelo e os escovei. Em seguida, peguei minha mala, e enfiei minhas roupas nela, junto com todo o meu dinheiro, que era o suficiente. Enfiei minha mala em um vão do closet, escondendo, decidida a voltar mais tarde.
Saí do Closet. Will e Emma já haviam apagado a luz, então eu decidi ir a área particular da praia.
Lá fora estava escuro e parado, a não ser pelo mar, que estava feroz e absoluto. As ondas iam e vinham, quebrando e trazendo um vento com maresia. Me aproximei lentamente, desejando me afogar naquelas ondas. Mas apenas… fiquei observando durante o que pareceu horas.
— Eles fodem com você, não? — ouvi uma voz atrás de mim.
Continuei sem dar atenção, encarando o mar, mas sabia que era Will.
— Não fazem por querer… — ele suspirou. — Mas fodem.
Queria dizer que ele também fodia comigo, estava acabando comigo há semanas, mas eu realmente não podia culpá-lo por minha própria estupidez.
Will veio se aproximando lentamente, até estar do meu lado. Ele pegou minha mão, entrelaçou nossos dedos e pela primeira vez em horas, eu me senti um pouquinho melhor. Então eu não aguentei mais e me joguei nos ombros dele, o abraçando com força e deixando que os soluços escapassem.
— Ei, Sammy, não chore — murmurou ele.
Soltei Will, respirei fundo para conter as lágrimas.
— N-não estou chorando — sussurrei.
Will deu um sorriso fraco e me abraçou com mais força.
Repousei a cabeça no peito dele, ouvindo seu coração bater forte contra o meu. Desejei não soltá-lo nunca mais. Ali era bom, era abrigo, era terno.
— Will… não me deixe, por favor, não me deixe nunca mais — solucei.
— Estou com você, nunca te deixei. Estou com você, para todo o sempre… — falou ele no meu ouvido.
Ouvir a voz dele sussurrando tão perto de mim funcionava como analgésicos. Eu não deixaria Will ir nunca mais. Ele era meu. E tudo o que eu precisava era dele, o resto não tinha a mínima importância.
— Vocês formam um belo casal — falou uma voz feminina atrás de nós.
Nos viramos e nos deparamos com Emma. Ela estava séria, vestindo seu pijama, mas havia um quê de brincadeira nos seus olhos.
Me soltei de Will e corri até a ela. A abracei forte.
— Emma, sinto muito. Me desculpe, de verdade… Desculpe se eu te magoei naquele dia, sinto muito mesmo — disse eu.
Emma ficou durante alguns segundos em silêncio e depois sussurrou:
— Eu que peço desculpas, estava tão preocupada tentando não perder vocês que eu não me liguei no que faria vocês dois felizes. Sinto muito. Eu… nunca vou aprovar cem por cento vocês dois juntos… mas já aceito. Eu só quero que vocês sejam felizes.
E naquele momento, caímos na areia, porque o mané do Will se jogou em cima de nós. Rimos.
— Will! — exclamei. — Idiota.
Ele deu uma risada abafada e nós nos sentamos na areia juntos, lado a lado.
— Relaxa, Emma… Acho que Samantha e eu… somos só amigos mesmo — falou ele, encarando os pés.
Engoli em seco, mas não falei nada. Ainda não era a hora de falar que eu já sabia sobre um caderno aí.
Emma se levantou, limpando a areia de si.
— Vocês deviam parar de ficar se enganando… Eu vou voltar para o quarto — ela sorriu e aproximou a boca do meu ouvido. — Will bate uma pensando em você. — Sussurrou maliciosamente, levantando a sobrancelha.
Engasguei e gargalhei, revirando os olhos. Então ela se aproximou de Will e cochichou algo, que eu não consegui ouvir. Ele ficou extremamente vermelho e deu um sorrisinho sem graça.
Melhor eu nem perguntar o que era.
Will e eu juntamos nossa mão, formando um coração.
— Nós também te amamos — dissemos juntos.
Ficamos observando ela sumir, e eu me senti desconfortável. Certo, e o que aconteceria agora? A não ser pelo fato de que eu iria embora, não sabia para onde, mas eu iria.
— Sam, o que está pretendendo? — perguntou Will, por fim.
— O quê? Como assim? — indaguei assustada.
Ele sorriu com diversão.
—- Você não é do tipo que aceita as coisas com facilidade… Tá armando alguma ou coisa do tipo, baby? — disse ele.
Bufei.
— Você é um saco, sabia? — reclamei. — Será que eu nunca vou poder ter segredos de você?
Will riu.
— Não! Não vai. Nunca — disse ele, envolvendo minha cintura com o braço.
Enfiei a mão na areia e fiquei observando ela deslizar por entre meus dedos.
— Não sei para onde vou. Mas vou sumir por uns tempos. Talvez eu continue por aqui, dormindo embaixo de algum viaduto. Eu só quero ficar longe um pouco, entende?
Will me encarava com seriedade, mordendo o lábio inferior. Então ele franziu a sobrancelha.
— Você é ridícula! — exclamou ele.
Senti meu corpo esquentar de raiva.
— Ótimo! Mais um para…
— Você é ridícula por pensar que vai sozinha! Estou com você. Já falei. Para sempre — ele apertou um pouco mais minha cintura. — Então? Qual é o plano?
Me senti aliviada, mas ainda sim…
— Você não vai comigo! — falei assustada. — E suas milhares de namoradas? Eu não posso te levar junto.
Ele soprou a franja e deu um suspiro cansado.
— Sam, eu fiquei com várias garotas esses últimos dias…. mas tinha um problema. Nenhuma delas era você. — Will sorriu. — Você não pode ou não quer? Vai me dizer que Matthew vai com você?
— Tá legal. Você ganhou. Vamos juntos. E não, Matthew não vai — cedi.
Will sorriu, vitorioso.
— Qual é o plano? — perguntou.
Suspirei e comecei a falar.
(…)
Ficamos deitados na cama por horas esperando Emma dormir. Ela não estava incluída no nosso plano de dar um vaza.
Quando tivemos certeza que ela havia pegado no sono, Will arrumou a mala dele, trocamos de roupa e saímos em silêncio da casa.
Era umas quatro horas da manhã.
Quando chegamos lá fora, eu me perguntei se não estávamos fazendo nenhuma burrice. Mas era tarde, não importava mais. Eu iria para qualquer lugar com Will. Eu me sentia segura com ele, mesmo sabendo que estávamos fazendo uma loucura.
Não sabíamos no que aquilo iria dar, mas eu estava pouco me fodendo. Estávamos fugindo.
— Juntos? — perguntou ele e o vento da noite atingiu meu corpo, me fazendo arrepiar.
Will me olhou com aqueles olhos fascinantes e segurou minha mão delicadamente.
— Juntos — respondi e comprimi nossas mãos, sentindo como a dele era protetora e macia.

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