You And The Stars

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Notas iniciais
Olá, gatas e gatos :3 Ante penúltimo capítulo, lindezas Não posso perder muito tempo falando porque daqui uns 3 minutos a estagiaria da noite chega e mimimi Então deem play na música Demons https://www.youtube.com/watch?v=GFQYaoiIFh8 Chorem bastante nesse capítulo tchau

Em todo os meus 15 anos, 11 meses e 5 dias de vida, eu não estava lá muito acostumada a ter um irmão. Muito menos um irmão babaca com quem eu havia trepado, no plural, para piorar a porra toda.

Sim. Meu estômago embrulhou e, sim, foi por uma fração de segundo extremo e grande que eu não vomitei ali mesmo, aos pés de Matthew.

Aquilo não era nem um pouco engraçado.

Mas não, aquilo não podia ser verdade! Matthew e eu, irmãos?! Isso era impossível. Irmãs não sentem atração por irmãos, no pior sentido da coisa. Pelo menos, eu sentia.

— Surpresa? — indagou ele. — Seu pai percebeu logo. Ou o sr. Crimsey, sei lá. Aparentemente sua mãe disse que você nasceu… prematura. Já o Sr. Crimsey acha que ela já estava grávida antes do casamento. Ou antes deles… foderem, pela primeira vez, você sabe como é. Sua mãe e meu pai são amigos desde a faculdade, e amantes também, mas fingiam não manter mais contato até sua mãe se tornar amiga da minha alguns anos atrás.

Troquei o peso do corpo de um pé para o outro.

— Está curtindo com minha cara! — acusei, atordoada.

Matthew bufou. Sem querer fez a porta mexer, ela rangeu.

— Pareço estar brincando, Crimsey ou… maninha?

Jill deu uma risada abafada.

— Isso é tão novela mexicana — ela fez um barulho irritante com a boca.

Ignore, ignore, ignore!

Não. Ele não parecia. Aquela era uma das poucas vezes em que ele parecia estar falando sério, o que não aliviava as coisas.

— Matthew, tem noção do que está dizendo? Quero dizer, nós…

— Trepamos. Eu sei. Horrível mesmo, nem me fale — me interrompeu com desdém. — Mas aí você me trocou. Sabe, mana, eu tinha sentimentos por você… e aí do nada jogam essa bomba de que somos irmãos… sabe como eu me senti?! Eu gostava de você, e você é minha irmã e eu falhei uma única vez porque gostava tanto de você que não queria te machucar, e o que você fez?! Fugiu com outro cara. Três dias, Sam, durante a porra de três dias! E você me trocou, sim. Está com ele. Nem me pergunte como eu sei. Mas seu pescoço entrega. Não fui eu que o chupei. Meio óbvio demais.

Senti vontade de chorar. Tudo que ele estava dizendo era verdade. Eu fui egoísta. Porém não podia mais voltar atrás. E se Matthew e eu fossemos mesmo irmãos…

— Matth… eu sinto tanto — sussurrei e me irritei ao notar que minha respiração aumentava com o nervosismo e a vergonha.

Ele encarou o teto com impaciência, bagunçou as mechas e voltou a me fitar com mais ódio do que eu já havia presenciado em alguém.

— Sente, é? Muito bem, mana. Não preciso de você. Não quero você como irmã e nem como porra nenhuma. Você é tão mesquinha quanto eu. Tão mesquinha quanto uma irmã minha seria. Você me largou pra se esfregar em outro sem nem pensar duas vezes. — Aquelas palavras me atingiram como água fria, um choque desgraçado, um tremor que doía. Parei de tentar não chorar. — Enfrentei a barra sozinho. Aliás, o exame de DNA foi encaminhado para ser feito em um laboratório em Winstonford. Assim que sairmos desse inferno, a verdade vai vir à tona oficialmente.

Ótimo, maravilha mesmo, a verdade. Era engraçado e cruel porque eu sempre havia exigido a verdade.

As lágrimas caíam dos meus olhos e eu tentava conter os soluços. Mas ao mesmo tempo, eu me sentia furiosa. Ele estava pisando em mim. Ninguém pisava em mim e saía numa melhor.

— Eu não sou como você! Não sou! Você é ridículo! Eu confiei em você, e tudo que você fez foi me esconder a verdade como se eu fosse uma criancinha que não aguenta os problemas! Eu tentei amar você. Eu tentei te dar uma chance e como você já está acostumado, mentiu e me manipulou como uma das suas vagabundas! Sim, eu fugi. — Dei uma pausa para enxugar os olhos, o que foi meio inútil. — Fugi por que eu estava cansada de aturar mentiras e falsidades! Fugi porque o tempo todo você me tratou com uma garotinha indefesa e babaca! Fugi porque eu confiei em você e você me decepcionou! Fugi porque eu me sentia atolada no meio da merda que você e nossos pais estavam enfiados! Fugi porque eu sabia que Will era a única coisa que valia a pena num mundo cheio de hipócritas e cuzões como você! E eu sei que a merda de exame ainda não saiu, mas não, com certeza eu não sou sua irmã! Você me dá nojo — então cuspi aos pés dele.

Matthew me encarou. Eu vi raiva, amargura, decepção e principalmente tristeza desenhadas nas íris dos olhos dele. Matthew fez uma careta, um meneio de cabeça e bateu a porta na minha cara.

Entrei para o meu quarto e corri para o banheiro. Vomitei. Desejei que a parte minha que estava triste, magoada e que se importava com Matthew saíssem ali também, ou junto com as lágrimas e soluços. Meu estômago dava voltas e eu não me lembrava de me sentir tão horrível antes.

Lavei a boca e desci as escadas. Will estava sentado no patamar. Ele me fitou durante alguns segundos, como se checasse se havia sido trocado. Então nossos olhos se encontraram e eu desmoronei ainda mais, sem mais conseguir conter qualquer coisa que fosse. Ele se levantou e me abraçou fortemente, distribuindo beijinhos por minha face.

— O que foi, baby? — perguntou baixinho.

Aí que as lágrimas vieram ainda mais para foder de vez. Nunca pergunte o que aconteceu quando alguém já está no fundo do poço. Meu coração doía horrivelmente, de uma forma que eu nunca havia experimentando antes. Sempre achei ridículo esse negócio de,”ai, meu coração dói”, “meu coração sangra”, “sinto no coração e na alma.” Mas era realmente lá que estava instalada a dor, o sangramento, o sentimento. O problema. Eu estava na beira de um abismo que era minha própria dor, e sentia no peito toda a frustração e decepção. Perguntar o que havia acontecido, só parecia tornar as coisas piores.

Peguei a mão dele e juntos subimos as escadas. Entramos no nosso quarto e fechei a porta atrás de mim. Desabei na cama.

— Matthew disse…. ele disse — falei, respirando fundo e enxugando meus olhos — disse que somos irmãos.

Will abriu a boca e fechou, assustado.

— O quê? Isso é… impossível. Da onde ele tirou essa ideia?

— Meu pai especulou — murmurei. — Assim que voltarmos para Winstonford vamos ver os exames.

Will deitou ao meu lado e colocou minha cabeça em seu peito.

— Ele deve estar mentindo. Matthew. Já conversou com seu pai?

Neguei com a cabeça e solucei, afundando meu rosto na camiseta dele e tornando a chorar.

— Não sei se quero olhar para a cara deles. Matthew não está mentido. Eu vi na cara dele. Não está — falei com a voz abafada. — Não podemos ser irmãos… quero dizer, n-nós ficamos sério, mesmo. Isso é… nauseante.

E eu senti vontade de vomitar novamente. Cada beijo, cada caricia e cada transa que tivemos passavam na minha cabeça sem parar. Eu teria vomitado mais, mas já havia esvaziado meu estômago.

— Eu não acredito que eu seja irmã dele. Matthew é o pior tipo de pessoa que eu já vi. — solucei. — Eu odeio ele.

Will colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Sammy, sabe que esse tipo de coisa vem do tratamento recebido e não da genética. Você não precisa ser ruim pra ser irmã dele. Sinto muito, baby — sussurrou.

— Eu sei — murmurei com a voz abafada. — Mas, por favor, por favor, deixe eu acreditar que não somos irmãos, por favor. Eu odeio tanto ele.

Will colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Você só está com raiva. Tudo vai ficar bem, confie em mim. Estou com você.

— Será que tem alguma coisa que eu ainda não sabia? — indaguei mais para mim mesmo. — Will, por favor, nunca minta pra mim. Eu odeio mentiras. Minha vida pode ser uma mentira. Você não esconde algo de mim, esconde?

— Bem, além de meu brinquedo nas minhas…

Aí eu meio que ri e chorei ao mesmo tempo, fazendo um grunhido bizarro.

— Will, pare! — afundei meu rosto em seu peito. — Só você para me fazer rir nessa atolação de merda que está minha vida. Amo você. Mas responda minha pergunta, por favor.

Senti ele hesitar um pouco, e eu funguei. Will suspirou.

— É claro que não, baby. Estamos juntos. Te amo, e tudo vai ficar bem, acredite.

Aquilo me ajudou um pouco. Estar com ele. Estarmos juntos.

Assenti com a cabeça e lhe dei um beijinho nos lábios. Dormimos abraçados. Mas é claro que teve um certo momento que minha mãe entrou no quarto e teve discussões, a pior de toda a minha vida.

(…)

Quando eu despertei mais tarde, ainda era noite. O relógio apontava 23:55 AM. Emma dormia em um colchão, toda esticada e com os fones de ouvidos enterrados. Will e eu estávamos deitados de conchinha. Me desvencilhei dele delicadamente e abri a porta do Closet. Abri gavetas e portas de correr, até achar a maldita concha. Por algum motivo, eu ainda a mantinha. Devia ter jogado fora logo quando descobri que Matthew tinha mentido para mim, dizendo que ia ao banheiro quando foi comprar drogas. Mas eu guardei. Devia ter jogado fora antes de fugir com Will, mas de novo eu decidi mantê-la. Peguei-a e a observei durante alguns instantes. Era linda, maior que minha mão e tinha um cheirinho de maresia. Saí do quarto, parando na porta do Matthew. Coloquei a concha no chão, bati duas vezes na porta e não esperei ser recebida. Voltei para meu quarto.

Emma havia despertado. Mexia no celular, levantou os olhos quando me viu.

— Ah, Sam, sinto muito. Você deve se sentir péssima.

Não falei nada. Estendi a mão para ajudá-la a se levantar, e a carreguei até a cama. Will acordou e levantou a cabeça, sorriu. Deitamos de lado na cama. Will numa ponta, eu no meio e Emma na ponta do meu lado. Eu quase me senti melhor. Dormimos.

Pov’s Matthew

Eu não me lembrava de me sentir tão desgraçado assim antes.

Primeiro, aquela merda de despensa. Depois, Sam descobrindo tudo. E aí, ela fugindo. E fugindo com outro. Então, eu descobrindo que somos irmãos. Para por fim, ela voltar e me encarar com tanto ódio que seria capaz de me reduzir a merda.

Dispensei Jill assim que Sam sumiu para o quarto dela. Foi uma das poucas vezes que eu me peguei chorando. Eu gostava tanto tanto tanto dela que, embora eu tivesse dito coisas horríveis contrárias a Sam, eu não a culpava realmente. Eu era mentiroso e babaca. Will havia dado o recado: “Quando você deixá-la cair, eu a levantarei.” Dito e feito.

E éramos irmãos. Irmãos não sentem tesão por irmãs. Ou sentem? Não. É claro que não. Mas por que eu sentia? Aquilo era… argh, nojento.

Tinha também o fato de eu ter dito que eu não a queria como irmã e nem como coisa alguma. Eu tinha sido cruel, eu sei. E havia mentido. Se ela fosse minha irmã, ou não, do mesmo jeito para sempre eu gostaria de tê-la como amiga. Mas não importava mais, ela me odiava e achava que eu a odiava também.

Quando fôssemos embora da Califórnia, eu já sabia o que faria. Já tinha meus planos com mamãe e neles não incluíam uma Crimsey ou irmã mais nova. Nunca mais.

Em certo momento da noite, eu estava sentado na escrivaninha, com a cabeça deitada em um livro. As lágrimas escorriam, tentava não soluçar alto demais, contudo eu não me importava. Josh já estava dormindo.

Ouvi baterem na porta duas vezes. Esperei que batessem de novo, mas como não aconteceu, fui atender. Não havia ninguém lá, eu já ia ficar irritadiço por me tirarem dos meus devaneios culposos, quando vi uma concha no chão.

Imediatamente eu senti um aperto na garganta. Peguei ela e a apertei entre as mãos, querendo implorar para Sam parar de me torturar daquele jeito, de me destruir e de me provocar sensações estranhas que antes eu mal sabia da existência. Aproximei-a do rosto e soltei um soluço.

Ela realmente me odiava, e pior, estava feriada. Nós estávamos e aquilo nem era o que mais doía, porque em pouco tempo, tudo estaria acabado pela distância. Para sempre.

Pov’s Matthew OFF

Notas finais
Oi, espero que tenham gostado e bla bla bla E aê, como estão se sentindo now? Comentem, reviews, reviews, amo eles e amo vocês Byee!