You And The Stars
28 Again, fuck!
Notas iniciais
Pov’s Will
A garota beijava mal pra caralho e não ajudava o fato de a boca dela feder a tabaco misturado com tequila estragada. Se bem que eu nunca havia cheirado tequila estraga, mas se eu tivesse, teria o mesmo cheiro que a boca daquela menina. Pelo menos era revigorante ver Sam nos olhando com raiva. Só que não era legal ver ela se pegando com o Matthew. Porém era interessante ver que depois de um mega beijo deles, a primeira coisa que fez depois de abrir os olhos foi me olhar com uma expressão puta da vida.
— Você sabe que teremos que terminar isso aqui em outro lugar — falou a loira em meu ouvido em uma tentativa fracassada de soar sexy.
— É? Teremos? — sussurrei distraidamente, me ocupando em devolver o olhar a Samantha.
— Teremos — quase pulei da cadeira quando senti a mão dela apertar meu brinquedo. Encarei-a assustado, ela sorriu. Qual era o nome dela mesmo?
— Hm… Ariane, eu acho que tem…
— Ariele — corrigiu.
— Certo. Ariele, eu acho que tem espinafre no seu dente — falei corando.
Ela gargalhou.
— É uma unha — falou sorrindo de orelha a orelha.
Unha? Eu acho que… acho que… eu acho que vou vomitar.
Fiz uma careta controlando meu estômago.
— Acho melhor pararmos — falei.
— O quê? Mas mal começamos — disse ela, levando a mão de novo ao meu brinquedinho. Empurrei a mão dela longe.
— Não — eu tinha vontade de sair correndo.
Meu Deus, que furada que eu tinha me metido.
— Ei, olhe — disse ela apontando para o fundo do quiosque. De uma porta, provavelmente o dono do estabelecimento, saiu com um violão nas mãos.
Ele era magro, os cabelos eram grisalhos e exibia um sorriso amistoso.
— Bom, galera, hoje é sexta e é dia de música ao vivo. Algum pedido? — ele arqueou a sobrancelha. — Qual é, galera, podem soltar o verbo!
Eu sabia tocar violão, não muito, mas sabia, só que sabe quem era expert mesmo? Samantha. Ela era boa, tipo, muito. A bipolaridade nem sempre é um ponto negativo. Axl Rose é bipolar, sabia? As pessoas mais talentosas são.
Só que fazia muito tempo que ela não pegava no violão, por isso me surpreendi quando ela levantou a mão.
Matthew olhou-a com um olhar intrigado, mas Samantha ignorou.
— Você — falou o dono do estabelecimento com um sorriso simpático.
— Posso… tocar? — perguntou.
— Esse é o espírito da coisa!
Samantha se levantou e foi até a frente.
Todo mundo olhava ela. Fora Matthew, Samantha e a louca pegadora de pintos ao meu lado, tinha mais umas dez pessoas no quiosque.
O cara estendeu um banco comprido pra ela se sentar. Aproximou o microfone em um suporte, ajustando-o na altura dela sentada. Samantha pegou o violão e o ajeitou ao corpo. Testou algumas cordas. Pigarreou.
— Olá, meu nome é Samantha e… eu não sei bem o que estou fazendo — ela deu um sorriso fraco, baixou os olhos para o violão, mordeu o lábio e dedilhou uma corda. — Me ocorreu de repente. Bem, eu costumava treinar muito essa canção com… hm… uma pessoa aí.
Seus olhos me fisgaram. Eu não tava acreditando no que eu estava ouvindo.
— The only exception — Paramore — continuou.
— Ela deve ser péssima — falou Arian.. Ariele. — Olha só pra ela! É a minha cópia mal feita.
Não. Ariele estava muito enganada. Sam era incrível.
(The only exception — Paramore)
Samantha começou a tocar com calma, parecendo distante e serena, da mesma maneira que eu já havia visto ela duzias de vezes, treinando aquela música, meses e meses atrás. Eu tinha que ir embora dali antes que ela começasse a cantar, mas eu não conseguia, eu simplesmente parecia amarrado a cadeira.
— When I was younger
I saw my daddy cry
Até aquele momento ela ainda não havia levantado os olhos. E se levantasse, era bem capaz de as coisas ficarem piores.
“And curse at the wind
He broke his own heart
And I watched
As he tried to reassemble it”
Seus dedos brincavam no violão, tocando eles, sem fraquejar, sem pestanejar. Perfeitamente bem.
"And my momma swore that
She would never let herself forget
And that was the day that I promised
I’d never sing of love
If it does not exist”
Ela levantou os olhos, mas não me olhou. Olhava todo mundo, o mar, Matthew, o dono do estabelecimento, mas não eu.
"But darling
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception”
Baixou os olhos novamente, dedilhando.
"Maybe I know, somewhere
Deep in my soul
That love never lasts
And we’ve got to find other ways
To make it alone
Or keep a straight face”
Matthew assobiou e algumas pessoas acompanharam ele com simpatia. Samantha continuou impassível, sem perder o foco.
"And I’ve always lived like this
Keeping a comfortable, distance
And up until now
I had sworn to myself that I’m content
With loneliness”
Samantha ergueu os olhos e seus olhos pararam em mim. Eu senti meu rosto queimar, meu peito bater mais forte e meu estômago afundar.
"Because none of it was ever worth the risk"
Ela acelerou no violão, sua voz se fez mais presente e ainda sim não desgrudou o olhar de mim
“You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception”
Me ajuda. Alguém me tire daqui.
"I’ve got a tight grip on reality
But I can’t
Let go of what’s in front of me here
I know you’re leaving
In the morning, when you wake up
Leave me with some kind of proof it`s not a dream”
Ela fechou os olhos, como que saboreando a canção.
"Ohh"
Abriu os olhos, e lá estavam eles, em mim. Eu não conseguia parar de admirá-la e de sentir um sufoco.
"You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception
You are the only exception”
Eu não sabia o que fazer. Naquele momento, no final daquela música, eu seria capaz de me…
And I’m on my way to believing
Apaixonar de novo. E de novo. E de novo.
Oh, And I’m on my way to believing
E praticamente da mesma maneira que a primeira vez, ouvindo ela cantar e tocar essa música, eu soube de novo como era me apaixonar por alguém. Pior, eu soube como era se apaixonar pela segunda vez por uma mesma garota. Não era borboletas que eu sentia no estômago, era um tiro.
Pov’s Will OFF
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