You And Me
27 Nuvem.
Notas iniciais

– Nuvem. -
Sinto como se o ambiente estivesse mais frio e alguma coisa estivesse faltando. Desde aquele incidente na Vegas eu não tenho falado com Natsu. Já se passaram dois dias e hoje não consegui ir para a universidade. Não queria correr o risco de encontrá-lo por lá.
Eu não estou com raiva dele e nem nada do tipo, só preciso de um tempo para esclarecer as coisas para mim mesma. Durante esse período ele me ligou diversas vezes e eu apenas o atendi uma vez dizendo que precisava pensar um pouco e ele pareceu concordar, mas pelo visto isso não quis dizer que ele ficaria ausente por um tempo já que foram muitas mensagens e ligações não atendidas. Sem falar no momento em que eu tive que fingir não estar em casa para não atendê-lo. Aquilo realmente foi doloroso para mim e eu imagino como deve ter sido para ele.
Me parte o coração imaginar que ele pode estar sofrendo, mas no momento eu tenho que ser um pouco egoísta e pensar um pouco em mim mesma. Sinto meu celular vibrar e, mesmo já sabendo que seria uma mensagem dele, decido olhá-la.
Eu me sinto sozinho e sinto muito a tua falta.
De: Meu Natsu.
Nesse momento lágrimas começam a escorrer pelos meus olhos. Senti uma vontade enorme de ligar para ele e dizer para deixarmos tudo isso de lado, para voltarmos ao normal e agirmos como se nada disso tivesse acontecido, mas algo em mim me impede de fazer isso. Meu celular vibra novamente.
Eu te amo e você não tem noção do quanto. Não duvida e nem esquece disso nunca.
De: Meu Natsu.
A tarde passou se arrastando. As palavras de Natsu não saiam da minha mente em momento algum. Era como se elas estivessem gravadas em mim e isso só conseguia me deixar pior. Levy chegou em casa mais cedo e trouxe Juvia consigo. As duas ficaram um bom tempo tentando me animar de todas as formas possíveis e imagináveis, mas nada fazia efeito.
Sabe quando você só quer ficar deitada em sua cama olhando para o nada, ouvindo músicas deprimentes e chorando? Eu estou assim, mas infelizmente não posso me entregar a esse desejo graças a duas azuladas que não me deixam sofrer como se deve. Sinceramente, não sei se as agradeço ou as xingo.
– Juvia? – chamo a atenção da azulada mais alta e muito abatida, que estava sentada ao meu lado no sofá.
– Sim.
– Eu te admiro muito. – a dou o melhor sorriso que consegui.
– Admira Juvia? Por quê? – ela parece confusa.
– Porque mesmo tendo seus problemas com o Gray você conseguiu erguer sua cabeça e vir até aqui tentar me ajudar. – ela me fita surpresa. – Não precisa se fazer de forte. Eu sei que você também está sofrendo... Nós somos amigas, lembra? – dou um sorriso fraco, com lágrimas nos olhos, e ela me abraça.
– Mas...
– Mas nada Juvia. – a interrompo e acaricio seus cabelos. – É isso que os amigos fazem. – ela começa a chorar.
– Por que nós temos que sofrer por amor, Lucy-chan?
– Infelizmente isso eu não sei te responder. – encaro o nada e ficamos em silêncio, apenas abraçadas, por um tempo.
– O que aconteceu aqui? Eu saio por uns instantes e as duas descem até o fundo do poço? – era Levy, que estava com uma expressão nada amigável.
– Não sei se você percebeu, mas nós estávamos tendo um momento aqui Levy-chan. – ela sorri e nos abraça, nos pegando de surpresa.
– Eu vou reerguer vocês. – ela fala baixinho. – Vamos, já é noite e nós não podemos ficar aqui paradas com vocês duas curtindo fossa. – eu e Juvia a olhamos, confusas.
– E para onde você pensa que nós podemos ir? Não tem clima Levy-chan. – falo cabisbaixa.
– Pois eu crio o clima. Só não posso ver minhas amigas definhando em casa por coisas sem sentido! – ela se altera.
– Coisas sem sentido? Você está chamando o que eu tenho com o Natsu ou a discussão da Juvia com o Gray de sem sentido? – fico incrédula.
– Não, eu estou chamando as brigas de vocês com eles de sem sentido. – ela faz uma pausa. – Você se lembra do conselho que deu a Juvia em relação ao Gray, Lucy? – ela pergunta me fitando intensamente.
Nesse momento as palavras por mim ditas naquele dia assombram a minha mente.
“Sua culpa por quê? Porque você não quer perder uma amizade importante? Você já disse mil vezes ao Lyon que não gosta dele e que ama o Gray. O que mais esse moreno idiota quer?”
– Você já parou pra pensar que talvez a idiota no caso seja você? – a azuladinha continua com uma voz mansa enquanto segura minha mão e enxuga umas lágrimas que eu nem percebi que tinham caído. Apenas fico estática, com a minha própria frase sendo repetida milhões de vezes em minha mente.
Abro a boca diversas vezes, mas nenhuma palavra ousa sair pelos meus lábios. Como eu posso ser tão hipócrita a ponto de julgar o Gray pelas suas atitudes, sendo que eu agi da mesma forma com o Natsu? Que tipo de pessoa eu sou?
– Não se culpe. – diz Levy, atraindo minha atenção. – Todo mundo erra Lu, mas nem todo mundo tem a dignidade de reconhecer.
– Mas eu não errei sozinha, ele... – fui interrompida.
– Não importa quem errou ou deixou de errar... Lucy vai deixar o seu grande amor escorrer por entre seus dedos? – Juvia pergunta.
Começo a pensar em todos os meus momentos com Natsu. Como o dia em que nos esbarramos no estacionamento e ele se declarou para mim pela primeira vez, ou muito antes disso quando ele me levou até o lugar mais alto daquele prédio, e quando fomos até a cachoeira com Juvia e Gray. Nesse momento me cai à ficha de como eu estava sendo injusta com o homem que eu amo.
– Não, Lucy não vai. – digo imitando sua forma de falar e dando um sorriso verdadeiro, coisa que eu não fazia há dias. – Juvia vai deixar aquele mal entendido acabar com o relacionamento dela com seu Gray-sama? – ela apenas fita o chão, sem dar resposta alguma. – Vocês se amam e não existe um só Lyon nesse mundo capaz de separá-los. – tento encorajá-la.
– Mas Juvia não sabe mais se Gray-sama a ama. – ela fala cabisbaixa.
– Como não sabe? Ele é apaixonado por você Juvia! – diz a baixinha. – Sabe o que o Gajeel me falou? – nós duas negamos com a cabeça. – Ele disse que antes de você o Gray nunca tinha demonstrado sentimento algum por ninguém. – os olhos da outra azulada se encheram de lágrimas.
– Por favor, Juvia, não desperdice a sua felicidade. – não aguentaria ver minha amiga assim, sofrendo, por muito tempo. – Se o Gray fosse tentar falar com você, você aceitaria? – eu sabia que ele, assim como Natsu, também havia tentado fazer contato, mas não obteve resposta.
– Juvia não sabe.
– Por favor, Juvia.
– Imagina só o que as fãs do Gray vão fazer quando souberem que ele e a Juvia brigaram? Isso se elas já não souberem. – diz Levy dando uma de desentendida. Entendi o que ela estava querendo fazer e resolvo entrar na brincadeira.
– As rivais no amor? – pergunto também indiferente usando o termo que Juvia tanto usa. Os olhos dela aumentam de tamanho e ela fica fitando a parede com um olhar bem psicopata, por sinal. – Pra falar a verdade eu acho que já deve ter uma fila virando a esquina da casa dele nesse exato momento. – falo enquanto coloco a mão no queixo, pensativa.
Dito e feito. Isso foi o suficiente para a nossa querida amiga, e quem sabe futura psicopata, sair correndo porta a fora dizendo que tinha que achar seu Gray-sama. Eu e Levy começamos a rir descontroladamente.
Desculpe Juvia, mas casos extremos pedem medidas extremas.
– O que você está esperando? – Levy pergunta quando, finalmente, consegue estabilizar seu fôlego.
– Hã?
– Você não me engana mocinha. Direto para o banho. E fique bem bonita, você tem um relacionamento para concertar! – começa a me puxar para que eu fosse até o banheiro.
– Tudo bem, você venceu. – levanto os braços em forma de rendição. – O que seria de mim sem você?
– Provavelmente nada.
– Convencida! – jogo uma almofada nela e corro para o banheiro antes que ela revidasse.
Enquanto tomo meu banho algumas partes daquela noite fatídica circulam em minha memória. A parte que mais me abalou, que foi como se eu tivesse levado um soco no estômago, foi quando Natsu disse que havia se decepcionado comigo. Eu nunca pensei que ouviria aquilo dele...
De repente me vem uma crise forte de risos. Me chamem de bipolar se quiserem, mas essa era a nossa primeira briga séria. Algo que certamente contaríamos aos nossos netos e que futuramente riríamos ao lembrar de algo que agora nos causa tanto sofrimento.
Ao sair do banho faço um rabo de cavalo, coloco um short jeans e uma regata básica. Faço tudo para ser o mais breve possível. Ao contrário do que Levy falou, eu não estava fazendo questão de parecer bonita, só não queria aparecer na frente do rosado usando pijama e com a cara inchada de tanto chorar como estou agora.
Coloco uma sapatilha qualquer, pego minha bolsa e saio do quarto, apressada.
– É assim que você quer se reconciliar com o Natsu? E o que eu falei sobre ficar bonita? – pergunta a baixinha que estava sentada no sofá, indignada.
– Tchau Levy-chan! – falo enquanto fecho a porta ignorando sua frase.
– Boa sorte! – consigo escutar ao longe enquanto desço as escadas.
Fui durante todo o percurso tentando treinar algo que fosse bom o suficiente, mas nada de útil me vinha em mente. Teria que improvisar na hora.
Ao chegar ao prédio o porteiro prontamente me deixa entrar e, após muita insistência de minha parte, concorda em não interfonar para a casa do rosado notificando minha chegada. Queria lhe fazer uma surpresa.
Estaciono meu carro na entrada de sua casa e notifico que ele está lá ao ver que seu carro está na garagem. Bato na porta algumas vezes e não recebo nenhuma resposta. Continuo insistindo até que suspiro, derrotada.
– Será que ele saiu sem o carro? – pergunto para mim mesma. – Ou pior. E se ele estiver fingindo não estar em casa assim como fiz com ele? – sinto um aperto em meu coração ao cogitar tal possibilidade.
Bato na porta por mais um tempo e nenhuma resposta é ouvida.
– Talvez ele tenha cansado. – falo triste.
Quando estou virando para ir embora uma luz ilumina minha mente e eu lembro que há um tempo atrás Natsu colocou uma cópia da chave da porta de sua casa no chaveiro que contém a chave do meu carro para uma emergência. Eu sei que isso pode parecer um pouco necessitado de mais, mas quem disse que eu não estou? Afinal, essa é uma emergência!
Abro a porta delicadamente para não chamar muita atenção e noto que a sala estava vazia, porém totalmente desarrumada, diferente de todas as outras vezes em que estive aqui. Ando mais um pouco e noto que a cozinha está do mesmo jeito do outro cômodo, totalmente bagunçada e vazia.
– Ele só pode estar no quarto. – falo para mim mesma.
Respiro fundo para tomar coragem e, assim como fiz anteriormente, abro a porta delicadamente. Suspiro aliviada ao vê-lo. Ele estava de costas para a entrada, onde eu me encontrava, sentado em uma poltrona e vestindo apenas uma bermuda. À medida que fui me aproximando notei que ele escutava música, provavelmente no volume máximo, usando fones de ouvido, o que deve ter sido o motivo para ele não ter me ouvido anteriormente.
– Natsu? – tento chamar sua atenção, mas foi em vão.
Coloco a mão em seu ombro e ele vira bruscamente, me dando um susto.
– Luce? – ele pergunta espantado. Sua feição era de puro cansaço, suas olheiras eram notórias e seus olhos e nariz estavam um pouco vermelhos. Ele esteve chorando?
– Oi. – falei sem graça.
– Como entrou aqui? – isso não era bem o que eu esperava ouvir, mas tudo bem. Levanto o chaveiro que continha a chave extra de sua casa e ele parece ligar os pontos.
– Me desculpa? – pergunto de cabeça baixa fitando o chão, fazendo com que minha franja cobrisse meus olhos.
– Pelo que?
– Por tudo. Por ter implicado com a Lisanna, por ter sido infantil, por ter bebido quando eu disse que não o faria, por não ter atendido suas ligações, por ter fingido que não estava em casa e o pior de tudo... Por ter te feito sofrer. – não consegui mais conter minhas lágrimas, que insistiam em jorrar.
– Ei. – ele disse, já de pé, levantando meu queixo para que eu o olhasse e enxugando minhas lágrimas. – Eu que tenho que te pedir desculpas, esqueceu?
– Mas eu – ele coloca o dedo indicador em meus lábios e eu me calo.
– Eu fui um completo idiota com você. Eu não tinha o direito de te tratar daquele jeito. Me perdoa. – disse olhando no fundo dos meus olhos. – Desculpa pelas minhas crises de ciúmes idiotas, eu só não suporto a ideia de alguém roubar você, que é o meu mundo, de mim. Desculpa por ter te tradado daquele jeito...
– Mas eu errei também... E fiz você se decepcionar comigo.
– Não tanto quanto eu me decepcionei comigo mesmo. Eu não podia te tratar daquele jeito Luce. E quando você me lembrou do tempo em que eu te abandonei foi como se eu tivesse levado uma facada no peito, porque era verdade. Eu errei com você inúmeras vezes, mas nem por isso você ficou jogando o que eu fiz na minha cara, mas quando você errou eu... – ele baixou a cabeça.
– Para. Nós dois erramos, tudo bem? – segurei seu rosto para que ele me olhasse. – E já pedimos desculpas um ao outro. – alisei seu rosto e ele beijou minha mão. – E eu te perdoo. Você me perdoa? – ele me deu aquele sorriso que só ele sabe dar e assentiu com a cabeça.
– Eu te amo. – falou e me beijou profundamente. E como eu sentia falta do seu beijo. Não só do beijo, mas também do seu cheiro, seu toque, até da sua respiração junto a minha. – Passar esses dias sem falar com você foi uma tortura. Nunca mais faz isso comigo. – ele me abraçou forte e eu o abracei de volta.
– Eu também te amo. – lhe dei um selinho nos lábios. – E senti sua falta. – lhe dei outro no canto direito da boca. – Não consigo viver sem você. – agora no esquerdo. – Não vamos mais brigar. – dessa vez selei meus lábios em seu queixo. – Agora vamos parar com esse blablablá? Estou me sentindo numa novela mexicana. – falei baixinho em seu ouvido e em seguida beijei seu pescoço.
Ele riu e me puxou para novamente me beijar. Diferente do primeiro beijo, que foi uma forma de matar a saudade, esse foi com uma maior luxúria e suas mãos não se continham em permanecer em um só lugar, passavam por todo o meu corpo, e as minhas não deixavam a desejar.
– Mais uma primeira. – ele falou, brincalhão, no intervalo entre os beijos.
– Hã?
– Nossa primeira briga séria. – me olhou nos olhos.
– E que seja a última! – o olhei na mesma intensidade e ele sorriu para mim.
Me beijou novamente e foi nos levanto até sua cama sem separar nossos lábios. Até que me deitou nela e se colocou em cima de mim.
– Sabe o que dizem sobre as brigas? – ele perguntou e eu apenas neguei com a cabeça. – Que a melhor parte é a reconciliação. – e sorriu maliciosamente, voltando a unir nossos lábios.
Como em um piscar de olhos eu já estava sem minha blusa e meu short já estava sendo jogado em um canto qualquer do quarto. Com o auxilio dos meus pés consegui ajudar o rosado a retirar sua bermuda. Desta forma nós dois estávamos apenas com nossas roupas íntimas.
Ele colocou suas mãos por trás das minhas costas para desatar meu sutiã e, após fazê-lo, começou a retirar lentamente minha última peça de roupa.
– Posso? – perguntou enquanto segurava a parte lateral da minha calcinha. – Eu preciso estar com você. – sussurrou em meu ouvido fazendo com que todos os pelos do meu corpo se arrepiassem. Apenas assenti, com a respiração alterada.
Eu me sentia exatamente como ele. Meu corpo clamava pelo seu de tal forma que chegava a ser alucinante e eu não aguentaria esperar por muito tempo. Após tirar minha última peça de roupa, com a minha ajuda ele retirou sua cueca e pegou uma camisinha na estante que ficava ao lado de sua cama.
– Espera. – falei quando ele abriu a embalagem.
– Algo errado? – ele perguntou, preocupado.
– Não precisamos disso. – com um sorriso travesso tomei a camisinha de sua mão e joguei em um canto qualquer do quarto.
– Não? – ele realmente não estava entendendo nada.
– Não. – neguei com a cabeça enquanto continuava com o mesmo sorriso e lentamente fui puxando seu corpo para que ficasse junto ao meu e entrelacei minhas pernas em sua cintura chocando sem querer nossas intimidades e nos fazendo arfar.
– Mas... – ele falou ofegante e eu o silenciei com meu dedo indicador.
– Uma palavra. – me olhou confuso. – Pílula. – sussurrei da forma mais sexy que consegui em seu ouvido e notei que cada um de seus músculos pareceu ficar enrijecido.
– Finalmente! – ele me ataca como nunca tinha feito antes, com um sorriso brincalhão nos lábios.
Pela primeira vez sentimos realmente o toque um do outro. Primeira de muitas, espero. E o dia que começou desastroso terminou da melhor maneira possível, com nós dois juntos. É como se essa nossa briga não tivesse sido nada mais que uma nuvem cinza e passageira que deu lugar a um dia ensolarado. Afinal, é como dizem, "Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado". E o nosso amor, Natsu, nenhuma nuvem é capaz de cobrir.
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