You And Me
24 Juízo.
Notas iniciais

– Juízo. —
Natsu POV on:
Acordei meio sonolento e apertei ainda mais meus braços ao redor da Luce, que ainda dormia. Ver sua expressão assim tão calma me transmite uma paz e tranquilidade tão grandes que não consigo parar de olhá-la. Percebo seus olhos abrindo e um sorrindo brotando em seus lábios.
– Bom dia. – continuou sorrindo e me deu um selinho.
– Bom dia. – sorri de volta e a dei outro selinho.
– Pode me soltar? – perguntou aparentemente meio sem graça já que eu permanecia com os braços ao seu redor impedindo que ela se afastasse.
– Não. – respondi e a apertou ainda mais nosso abraço, colocando meu rosto na curvatura do seu pescoço. Por mim poderia ficar assim para sempre. – Assim está bom. – completei.
– Natsu, eu tenho umas coisas para estudar. – falou manhosa.
– Você estuda depois. – falei enquanto beijava seu pescoço. O dia estava apenas começando, com certeza ela poderia estudar o que quer que fosse mais tarde.
– Natsu, você não ia passar o dia com a Lisanna hoje? – droga, eu já tinha esquecido. A soltei e pulei da cama apressadamente. Não posso vacilar de novo com a Lis.
– Eu já tinha esquecido. – peguei minha camisa e a vesti.
– Não vai tomar café aqui?
– Não acho que vá dar tempo. São dez e meia e eu marquei com a Lis às onze. – preciso me apressar.
– Tudo bem.
– Já vou indo ok? Te amo. – a dei um beijo rápido.
– Também te amo. Espera, eu te acompanho até a porta. – levantou da cama e foi comigo até a porta de saída.
– Juízo. – a falei. Só de pensar na minha Luce sozinha rodeada por um bando de urubus de festa já me da um aperto no coração.
– Digo o mesmo. – ela disse enquanto levantava uma sobrancelha.
– Vou sentir sua falta sua estranha. – lhe dei um selinho.
– Estranha? – ela fez uma careta engraçada que me fez rir.
– Sim. Por achar que eu teria algo com a Lis além da amizade você só pode ser uma pessoa estranha. – continuei sorrindo.
– Muito engraçadinho você. – fez um biquinho fofo.
– E você fica muito linda com esse bico. – a puxei e a beijei profundamente. Ela, correspondendo, me puxou pela nuca para aprofundar nosso beijo.
– Eu também vou sentir sua falta. Agora vai logo antes que eu mude de ideia e te tranque no meu quarto. – isso não é coisa que se diga para um homem, Lucy Heartfilia.
– Não seria uma má ideia. – sorri maliciosamente e quando ia me aproximar novamente para beijá-la, ela me repreendeu.
– Natsu...
– Tudo bem, tudo bem. Vou indo. – a dei um selinho e fui embora.
Passar um dia inteiro longe da Lucy e ainda saber que a noite ela vai sair com as amigas não me faz nada bem. Pelo menos se ela fosse sair apenas com as amigas que eu confio, estaria mais tranquilo, mas a Kana estará lá e eu sei que não deixará a minha loira em paz enquanto essa não ingerir uma boa quantidade de bebida.
Caminho rapidamente até o meu carro e vou em direção à minha casa. Tenho que tomar um bom banho antes de encontrar a Lis. Chegando em casa vou até meu quarto e encontro uma blusa que a Lucy deixou aqui certa vez. Minha mente vai para outro lugar, mais precisamente para o apartamento de uma certa loira, e quando dou por mim já estou lembrando de algumas de nossas noites juntos. É Lisanna, você tem muita sorte de ter um amigo assim como eu que dispensa a namorada só para te ver. Espera... Mas eu não dispensei a Luce, ou dispensei? Deixo um pouco de lado meu conflito interno e sem demora me banho, troco de roupa e, quando vou pegar as chaves do carro sinto meu celular vibrar.
Natsu, você não se esqueceu do nosso dia juntos não foi?
De: Lis.
Olho para o relógio e quase caio para trás ao ver o horário. 11:40 da manhã. O tempo passou voando. Acho que viajei de mais em meus pensamentos. A Lisanna deve estar uma fera. Resolvo responder para acalmar seus nervos.
Lógico que não. Só estou um pouco atrasado. Estou quase chegando.
Tranco minha casa, entro no carro e vou para a da albina. O combinado seria que passaríamos o dia na casa dela, já que seu irmão gigantesco Elfman não estaria por lá hoje. Sinceramente eu não vejo problema na presença do grandalhão, mas já que a Lisanna prefere assim, tudo bem.
Estaciono na rua ao lado e caminho até o grande portão prateado da casa dela. Sua casa não é tão grande quando a da Lucy, mas é maior do que uma casa convencional. Toco a campainha e, sem demora, a albina a abre com uma cara nada contente.
– Por que demorou? – perguntou enquanto cruzava os braços e batia o pé no chão.
– Desculpa Lis, acabei perdendo a hora. – falei sem graça enquanto passava a mão pela nuca.
– Tudo bem, entra. – indicou o caminho com a mão e assim eu fiz.
Fomos até a sala onde havia vários DVDs em cima da mesinha de centro e dois potes gigantescos de pipoca.
– Vejo que já preparou tudo por aqui. – comento.
– Eu tive tempo para isso, não é mesmo? – perguntou enquanto arqueava uma sobrancelha. É, minha tentativa de puxar assunto foi totalmente fail.
– Ah Lis, deixa disso. Até parece que eu nunca me atrasei antes. – falei enquanto sentava em um dos sofás.
– Tudo bem, eu já deveria estar acostumada. Ainda mais agora. – respondeu enquanto sentava ao meu lado.
– Ainda mais agora? – fiquei sem entender.
– Esquece. Vamos começar por qual filme? – perguntou indicando-me alguns DVDs.
Fiquei um tempo a fitando imaginando o que ela quis dizer com aquela frase. Eu nunca fui muito bom em desvendar enigmas e isso não é novidade pra ninguém, mas algo me diz que esse comentário tem algo a ver com meu namoro com a Lucy. Resolvo não aprofundar o assunto e escolho um dos DVDs, o filme Velozes e Furiosos 5.
– Tem certeza? – ela pergunta fazendo uma careta e encarando o filme em minhas mãos.
– Tenho. Coloca logo lá. – indico o aparelho de DVD com a mão. Ela revira os olhos e faz como eu falei.
Ficamos assistindo o filme, com a Lisanna reclamando boa parte do tempo dizendo que esse não era filme de mulher e coisa do tipo, o que eu discordo e muito, já que a Lucy gostaria de assisti-lo. Depois de um certo tempo a albina pareceu simpatizar com o filme e começou a se aquietar um pouco mais, para a minha alegria. O filme acabou e colocamos outro, dessa vez Se beber não case, que foi escolhido pela Lis.
Em um piscar de olhos, pelo menos para mim, a segunda rodada de comida, que continha dois potes pipoca, algumas barras de chocolate, refrigerante, um pote de sorvete e dois pacotes de salgadinho já tinham sido consumidos e Lisanna foi até a cozinha preparar mais algumas coisas. Fiquei onde estava e resolvo mandar uma mensagem para a minha namorada.
Eu sei que foi uma coisa bem simples. Só quero saber se ela ainda lembra que eu existo. Afinal já são 15 horas e não nos falamos desde cedo. Enquanto espero sua resposta fico pensando no que a noite reserva para ela. Sinceramente, ainda não consegui me acostumar com a ideia. Sinto meu celular vibrar e um sorriso surge em meus lábios.
Oi. Tudo tranquilo por ai?
De: Minha Luce.
Começo a rir. O que será que se passa na mente dessa loira? Que eu e a Lisanna estaríamos nos pegando?
Sim, tudo nos conformes. Já sabe qual roupa vai usar hoje à noite?
Essa é uma das coisas que está me incomodando. A Lucy é linda e se ela for com as roupas que normalmente usa com certeza atrairá muitos olhares, coisa que não me agradaria nem um pouquinho.
Já sim. Lembra daquela saia preta justa que eu usei uma vez? Estou pensando em colocá-la juntamente com um cropped top.
De: Minha Luce.
Ela só pode estar de brincadeira. Não sei o que é esse tal de cropped top, mas só pelo segundo nome já sei que ela não vai usar mesmo! E ainda com aquela saia super justa?
Cropped top? Eu sou homem Luce, esqueceu? E você tem mesmo que usar aquela saia super justa?
Tudo isso já estava me tirando do sério.
É aquilo que você chama de blusinha, lembra? Estou pensando em usá-la sim.
De: Minha Luce.
Ela vai usar aquela micro blusinha com uma saia justa e sem eu estar por perto? Não vejo necessidade.
Não usa isso Luce, sério.
Lisanna chega do meu lado trazendo uma bandeja cheia de comida e nota minha expressão nada amistosa.
– Algum problema? – ela pergunta enquanto coloca a bandeja em cima da mesa.
– Só a Luce querendo ir arrumada de mais hoje à noite. – respondo enquanto fico batendo meus dedos no braço do sofá.
– Hoje à noite?
– Sim. Ela vai sair com as amigas.
– E você não vê problema nisso?
– Não gosto muito da ideia, mas confio muito nela.
– Entendo.
Sinto meu celular vibrar novamente.
Tudo bem, você venceu. Não vou com essa roupa, ok? Mas isso não quer dizer que eu vá toda desleixada.
De: Minha Luce.
Suspirei aliviado e um sorriso surgiu em meus lábios.
– Tudo bem agora? – até tinha esquecido que a Lis estava ao meu lado.
– Sim. Vamos voltar aos nossos filmes. – sorrio para ela, que me retribui o sorriso.
A tarde passou bem rápido, só se tornava lenta quando eu deixava meu ciúme me vencer e começava a pensar em mil possibilidades para a noite da Lucy. Se eu já estou assim uma hora dessas, imagine como eu vou estar no momento em que souber que ela já está na Vegas.
Depois de uma tarde inteira e início de noite fazendo uma maratona de filmes, eu e Lis resolvemos ficar conversando na beira da piscina de sua casa com os pés dentro d’água. Era um lugar bem amplo, com alguns guarda-sóis na cor branca e algumas cadeiras espreguiçadeiras na mesma cor.
– E então Natsu, como vai o seu namoro?
– Muito bem. Acho que a Luce é a mulher da minha vida. – falo com um sorriso de orelha a orelha.
– Que bom. – ela sorri. – Então isso quer dizer que nosso acordo está extinto?
– Nosso acordo? – realmente não sei do que ela está falando.
– Sim. Você não lembra? – ela arqueia uma sobrancelha.
– Na verdade não. – dou um sorriso meio sem graça.
– Por Kami Natsu, você realmente é muito desligado. – ela começa a rir. – Na festa de ano novo do ano passado nós dois fizemos um acordo. – me olhou como se esperasse que eu me recordasse, o que não aconteceu. – Prometemos que se até nós terminarmos a faculdade não encontrássemos aqueles que chamássemos de parceiros para a vida, tentaríamos algo um com o outro. Não acredito que você não lembra.
Fiquei um tempo fitando o nada. Naquela noite eu havia bebido muito, então é provável que eu tenha falado uma besteira dessas mesmo e que não lembre de nada hoje em dia. Ficar com a Lisanna, para mim, seria algo como incesto. A vejo como uma irmã e isso nunca passaria pela minha cabeça.
– Desculpe Lis, mas realmente não lembro.
– Tudo bem. Eu estaria aqui para te lembrar de qualquer forma. – ela sorri.
– Como? – acho que entendi errado. A Lisanna gostaria de ficar comigo? Muita informação para uma só mente.
– Nada não, deixa pra lá.
– Tudo bem. – realmente, esse assunto é melhor ser esquecido.
Agora são 22:30 e a minha loirinha provavelmente deve estar terminando de se arrumar para sair. Resolvo a mandar uma mensagem.
Não vai muito arrumada ok?
Não sei se eu estou mais preocupado com o que ela vai usar ou com o que ela vai beber. Sinceramente, a Lucy me pouparia muitas rugas se simplesmente não ficasse me enlouquecendo desse jeito.
Lisanna começou a falar sobre a UFL e como nossos professores não eram normais. Eu até tentei prestar atenção ao resto de sua fala, mas a preocupação com a Lucy falou mais alto. Senti meu celular vibrar e ao ver a mensagem meu queixo quase caiu. A Lucy havia me mandado uma mensagem com uma foto que ela havia acabado de tirar mostrando a forma como estava vestida. Como sempre ela estava linda, mas infelizmente eu não estaria por perto para cuidar dela caso precisasse.
Assim está bom pra você?
De: Minha Luce.
Uma espécie de raiva e frustração se apossou do meu corpo. Lógico que não estava nada bom. Com certeza ela chamaria muita atenção vestida dessa forma.
Se fosse pra mim estaria ótimo, mas já que não é, não está nada bom.
Optei por ser direto e falar aquilo que estava realmente pensando. Lisanna estava tão distraída contando suas histórias que nem percebeu que eu não a estava dando muita atenção. Fiquei olhando meu celular de cinco em cinco segundos até que finalmente o sinto vibrar.
Que pena não é mesmo? Mas você ainda pode ir se quiser.
De: Minha Luce.
Se fosse assim tão fácil Luce. Ao mesmo tempo em que eu quero estar perto da minha namorada também quero estar perto da minha amiga. Bem, eu poderia chamar a Lis para ir até a Vegas comigo, mas chegando lá com certeza eu a deixaria sozinha para ir até a Luce e isso não seria nada legal.
Você sabe que se eu pudesse iria, mas não posso deixar a Lis na mão de novo.
– Natsu, você está prestando atenção? – perguntou a albina enquanto me fitava.
– Claro.
– Então me diz a última frase que eu falei. – arqueou uma sobrancelha.
– “Natsu, você está prestando atenção?” – falei fazendo aspas com as mãos e sorrindo meio sem graça. Ela sorriu.
– Tudo bem engraçadinho. Dessa vez passa. – sinto meu celular vibrar e volto minha atenção para ele.
Tudo bem. Tenho que ir, as meninas estão me chamando. Bjs
De: Minha Luce.
Ela ficou com raiva? A Lucy só diminui a palavra “beijos” se estiver com raiva, mas por que diabos ela teria ficado com raiva? O combinado é que eu passaria o sábado com a Lis, mas sempre conversando com ela por mensagem, e o domingo com ela. Mulheres...vai entender.
Como assim? O combinado não era que nós ficaríamos nos falando por mensagem?
Se ela pensa que vai quebrar nosso trato dessa maneira está muito enganada. Fico batendo meus dedos na borda da piscina em que eu estava sentado enquanto espero ansiosamente por uma resposta da loira. Quando vejo que chegou uma nova mensagem, apressadamente a abro e um desânimo toma conta do meu ser.
De: Minha Luce.
Ela poderia ter sido mais monossílaba?
– Preocupado com a Lucy? – perguntou a albina
– Acho que sim. – sorri sem graça.
– Você pode ir encontrá-la se quiser. – sorriu amarelo.
– Não, essa noite somos só nós dois. – tento dar o meu melhor sorriso. Não é porque a Lucy está tendo uma crise de ciúmes sem sentido que eu vou largar tudo para correr atrás dela.
– Tudo bem então. Tenho certeza de que ela não fará nada de mais.
– Eu também tenho, mas mesmo assim não consigo ficar mais calmo. Acredita?
– Claro que acredito. Está para nascer um homem mais ciumento do que você. – ela começa a rir.
– Eu sou tão ciumento assim?
– Você ainda pergunta? Não desgruda desse celular por um segundo porque tem que ficar monitorando a namorada de cinco em cinco minutos. Francamente Natsu. – ela volta a rir.
– Eu posso desgrudar do celular se eu quiser. – falei emburrado.
– Pois eu duvido. – ela me lançou um olhar desafiador.
– Desafio aceito. – dou um sorriso vitorioso e coloco o celular ao meu lado. Vou me controlar para não tocar nele.
Cinco minutos se passaram e minhas mãos já coçavam para pegar o celular novamente. Só consigo imaginar a minha Luce dançando em cima de uma mesa com uma garrafa de vodka nas mãos e vários rapazes ao seu redor.
– Pode pegar.
– Oi?
– O celular. Está liberado do desafio. – ela sorri sem graça e eu avanço em cima do celular.
Nenhuma mensagem da minha loira. Só espero que ela não esteja ocupada de mais para falar com o seu namorado ciumento aqui.
Não vai beber.
Não consegui evitar que ela usasse uma roupa provocante, mas ainda posso tentar fazer com que ela não beba muito. Espero que eu consiga.
Score: 2 tequilas.
Agora vou dançar com as meninas. Beijos.
De: Minha Luce.
Duas tequilas? Ela enlouqueceu. Do jeito que ela é fraca para bebidas é bem provável que já esteja em cima da mesa igual ao meu pensamento anterior.
Já chega não acha? Lembra do que eu falei? Juízo.
Lisanna decide que eu estava muito tenso e que a melhor maneira de aliviar um pouco esse clima seria assistirmos algum filme de terror. Se eu não estivesse tão tenso seria contra a ideia já que passamos o dia inteiro assistindo vários DVDs, mas estou de tal forma que preciso me distrair e qualquer coisa seria bem vinda.
Começamos a assistir o filme A Casa de Cera. Não sei como as pessoas podem se espantar com isso. Dois irmãos psicopatas que gostam de encerar as coisas não é nada assustador para mim, mas a Lisanna parece estar bem abalada já que grita a todo o momento e às vezes apertava meu braço. Se eu não estivesse tão emburrado provavelmente estaria rindo. Pego meu celular e vejo que não há novas mensagens da loira, então resolvo mandar uma.
Luce?
Espero dessa vez ter uma resposta. Não aguento mais essa falta de notícias. Vou fazer uma nota mental para nunca mais acreditar na Luce quando ela disser que ficaremos conversando por mensagem enquanto ela está com as amigas.
Cinco minutos se passaram e nada de ter uma resposta.
Espero que você não esteja desmaiada em algum beco.
O filme já estava quase no final e a Lisanna já estava quase me sufocando de tanto que me apertava. Enquanto recupero meu ar, percebo que meu celular começa a tocar e vejo que é a minha namorada sumida. Teria acontecido alguma coisa?
– Luce?
– Natsu! Por que você não veio comigo? – perguntou com uma voz meio manhosa. – Queria tanto você aqui comigo.
– Você está bêbada? – pergunto incrédulo.
– Natsu, Natsu, Natsu... Ninguém nunca te disse que isso não é coisa que se pergunte para uma mulher? – ela pergunta e começa a rir. Uma raiva se apodera de mim e eu me sinto gelar.
Natsu POV off.
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