You And Me
19 Estrelas e Luar
Notas iniciais

– Estrelas e Luar. -
– Mãe, eu já disse que está tudo bem então não precisa se preocupar. – disse a azuladinha enquanto andava de um lado para o outro da sala e era observada por seu namorado que estava sentado em um dos sofás.
– Mas querida, você não estava doente? Um doente precisa de cuidados, e nada melhor do que a sua mãe para cuidar de você. – falou a Sra. McGarden do outro lado da linha. Mal ela sabia que era tudo uma desculpa esfarrapada.
– Ei, volta logo pra a cama. – agora foi a vez de um moreno estranhamente brincalhão interferir na conversa. As pupilas da baixinha dilataram. Ela deu um empurrão no bastardo do seu namorado e rezou para que sua mãe não tivesse ouvido isso.
– Cama? Como assim cama? Você vai me dar uma explicação agora mesmo mocinha!
– Foi apenas o barulho da televisão, mãe. Não tem cama nenhuma. – cruzou os dedos.
– Levy McGargen, se eu desconfiar que você está por ai visitando camas alheias... Ah, mas eu não gostaria de estar na sua pele. Estamos conversadas?
– Sim mamãe. – a azulada respondeu cabisbaixa.
– Então agora tome um xarope e depois vá para a SUA cama. A sua, ouviu? – ela deu ênfase à palavra ‘sua’ – Mais tarde eu lhe ligo novamente para saber como você está. Beijos querida. Te amo.
– Tudo bem. Até mais tarde, beijos. Também te amo.
– E ai? – Gajeel perguntou com um sorriso no rosto.
– Ora seu... – a garota pulou em cima dele e começou a dar socos que, devido a sua força física mínima, apenas provocavam um desconforto no rapaz.
– Ei, calma baixinha. Foi só uma brincadeira! – ele disse enquanto levantava as mãos em forma de rendição.
– Brincadeira? Você fala isso porque não conhece minha mãe. Não duvido nada que ela chegue aqui mais tarde só para ver em qual cama estou me deitando. – ela fez um biquinho e cruzou os braços.
– E eu terei o prazer de conduzi-la até meu apartamento para que ela verifique que é uma cama bem confortável e que sua princesinha está sendo muito bem tratada. – ele disse enquanto a puxava para que sentasse em seu colo.
Primeiramente a garota se assustou com a resposta que lhe foi dada, mas depois, ao imaginar a cena, começou a rir loucamente. A cara que sua mãe faria seria hilária, mas não queria nem sonhar com as consequências. Se os pais da Lucy são super protetores, os da Levy são super protetores e meio!
– Poxa, minha resposta não te irritou? – Gajeel fingiu decepção.
– Para a sua infelicidade não. Desculpe não te permitir praticar seu esporte favorito no momento. – e a moça voltou a sorrir.
– Com certeza irritar você é uma das coisas que eu mais gosto de fazer, mas não diria que seja meu esporte favorito. – ele respondeu a olhando diretamente nos olhos e a puxando para mais perto de si.
Antes que ela pudesse responder alguma coisa ele a beijou possessivamente. Logo ela o acompanhou e os dois ficaram trocando carícias ali mesmo no sofá, até que o moreno a segurou em seu colo e, sem separar seus lábios, foi os encaminhando até o quarto da azulada.
– Gajeel, espera. – ela conseguiu falar por entre os beijos quando ele a colocou na cama.
– O que foi? – ele perguntou enquanto a beijava no pescoço.
– Eu queria que a gente aproveitasse esse feriado. – ela falou com os olhos fechados e se esforçando ao máximo para manter sua postura.
– E não é isso que nós estivemos fazendo todos esses dias? – ele não estava entendendo onde ela queria chegar.
– Sim e não. Queria aproveitá-lo fora desse apartamento. – já era sábado então só teriam mais o domingo para aproveitar. Passaram os outros dias do feriado no apartamento da azulada fazendo sabe-se lá o que. Na verdade nós podemos muito bem imaginar.
– Então nós podemos ir para o meu ou... – ele pareceu pensar. – Não acho que seria legal fazermos isso em um local público. Não que eu tenha algo contra, por mim tudo bem, mas acho que você não se sentiria muito a vontade. – parou para fitá-la. Ele está entendendo tudo errado, pensava a baixinha.
– Não é disso que eu estou falando. – ela riu e sentou-se na cama. – A gente poderia sair, sabe? Ir ao cinema, teatro, museu ou sei lá... – falou e esperou uma resposta, que demorou um pouquinho para vir já que o rapaz estava processando tudo aquilo.
Não que ela não quisesse ficar ali com ele na cama. Na verdade neste momento estava se segurando com todas as suas forças para não pular no pescoço do moreno e dizer para ele esquecer todas as coisas que ela acabara de dizer, mas não queria que o relacionamento deles se resumisse apenas a sexo, o que eu confesso que foi o que mais fizeram neste apartamento durante a ausência da companheira de apartamento da moça. Levy apenas ficava se perguntando como seria o relacionamento deles se ela ainda fosse virgem. Provavelmente eles não teriam a intimidade que têm agora e ela não trocaria isso por nada. Afinal, mesmo às vezes fazendo birra, a azuladinha é uma pervertida de mão cheia.
– Ah... – ele disse passando a mão por trás da cabeça. – A gente tem todo o tempo do mundo para ir a esses lugares. – e voltou a se aproximar dela, que corou com o fato de ele pensar que os dois teriam todo o tempo do mundo juntos, mas ela precisava ter foco nesse momento.
– Pra fazer isso também. – ela disse segurando os ombros dele. – Por favor. – e fez uma carinha de gatinho que caiu da mudança.
– Tudo bem, você venceu. – ela sorriu vitoriosa. – Mas eu escolho para onde iremos. – e antes que ela perguntasse, ele logo completou. – E será uma surpresa. Esteja pronta às seis horas. – fez gestos de que iria se levantar.
– Você não vai ficar? – ela perguntou enquanto puxava a mão dele para si.
– Não. Já são quatro e meia e eu sei que se você não começar a se arrumar agora não ficará pronta a tempo. – ela sorriu. Ele a conhecia muito bem.
Levy levou Gajeel até a porta e após se despedirem correu para o banheiro. Queria ficar um bom tempo de molho na banheira, então teria que começar o mais cedo possível.
Enquanto estava submersa na água, com apenas os olhos fora dela, ficou pensando em qual lugar seu namorado a levaria. Torcia com todas as suas forças para que não fosse algo relacionado a rock como um show ou um ensaio da banda da qual Gajeel fazia parte, já que isso não seria um programa de casal. Ela até tolerava algumas raras bandas de rock e achava incrível o trabalho que o moreno fazia com seus amigos em sua banda, mas sinceramente... Ele tinha que entender as pistas dadas por ela!
– Não é possível que ele seja assim tão sem noção. – falou para si mesma enquanto se esticava um pouco para pegar o sabonete líquido e começou a se ensaboar.
Logo se lembrou do dia em que ele a pediu em namoro e de como havia sido excepcionalmente romântico naquele momento. Com certeza ele não era assim tão aluado e, pelo menos com ela, conseguia, às vezes, se portar como um namorado normal. Mas de uma coisa ela tinha certeza, não podia esperar dele nada previsível então definitivamente não fazia ideia do que a esperava esta noite.
Após terminar seu banho foi para seu quarto escolher uma roupa. Como não sabia para onde iriam ficou com um pé atrás na hora de tomar uma decisão. Sabia que com certeza Gajeel não a levaria a um lugar formal, então descartou as roupas desse estilo. Optou então por uma roupa coringa, que servisse para qualquer que fosse o local que ele a levasse. Usaria uma saia clara soltinha estampada que comprou há pouco tempo atrás, com um shortinho preto por baixo para evitar mostrar sua calcinha em um momento inoportuno, e uma blusinha branca meio transparente. Deixou o cabelo solto e ficou encantada ao perceber que sua aparência no espelho a agradava. Por algum motivo nunca se achou muito bonita, mesmo Lucy sempre insistindo em dizer o contrário, e agora estava superando suas próprias expectativas.
Assim que terminou de se arrumar ouviu a campainha tocar. Só poderia ser Gajeel. Ao abrir a porta sorriu de ponta a ponta ao olhar o quanto seu namorado era bonito mesmo vestido de forma simples. Ele usava uma calça jeans escura, uma blusa azul marinho lisa, que acentuava seus belos músculos dos braços, e um all star preto meio surrado. Nada formal, com certeza. Pensou a azulada sorrindo internamente.
– Pronta? – ele perguntou.
– Depende de pra onde você vai me levar. – ela disse com um olhar desconfiado. Ele sorriu.
– Então você só vai saber quando chegarmos. – falou sorrindo de uma forma enigmática. Ela sorriu de volta.
Levy fechou a porta e os dois desceram as escadas. Maldito elevador quebrado, era só o que vinha na mente da garota. Saíram do prédio e foram até o carro de Gajeel. Assim que entraram, o rapaz colocou a música Lonely Day da banda S.O.A.D. Normalmente a azuladinha não gostava das músicas que seu namorado escutava, que na opinião dela eram compostas apenas por berros escandalosos e desnecessários, mas essa banda, pelo menos algumas músicas, ela tolerava ouvir.
Durante todo o caminho Gajeel continuava misterioso e Levy não reconhecia o caminho que estavam tomando, então continuava sem fazer ideia de onde estavam indo.
– Só quero deixar claro que meu celular tem GPS e a Lu-chan sabe que eu estou com você. – ela falou fazendo draminha enquanto olhava a paisagem pela janela.
– Sério? Eu não confiaria apenas nisso se fosse você. – ele falou sério. Ela virou para fitá-lo com os olhos arregalados e ele começou a rir. – Você tinha que ter visto a sua cara! – falou enquanto continuava sorrindo.
– Ta legal Sr. Engraçadinho. Dá pra parar de rir da minha cara e começar a olhar para a pista? Sou muito nova para morrer. – ela revirou os olhos e cruzou os braços enquanto virava o rosto novamente para a janela.
Gajeel ficou rindo mais um pouco até que o único barulho ouvido vinha do aparelho de som. Levy olhou para o horizonte e viu o mar, mas nunca tinha estado ali antes. Depois de um tempo o moreno estacionou o carro.
– Chegamos. – ele falou sorridente. Ela sorriu de volta e os dois saíram do veículo.
– Já posso saber onde estamos? – todo aquele mistério já a estava deixando inquieta.
– Calma, Sra. Baixinha Apressadinha. – ele respondeu e indicou um lugar com a cabeça. Quando a garota seguiu com os olhos o local que ele havia indicado abriu um sorriso.
Estavam de frente para uma bela e enorme casa amarela de dois andares. Possuía um portão dourado e alguns vasos de planta na entrada. Gajeel destrancou a porta e a abriu para que sua namorada entrasse. A garota só conseguia observar tudo ao redor nos mínimos detalhes.
– De quem é essa casa? – ela perguntou enquanto entravam na sala de estar, que possuía várias obras de arte cubistas nas paredes tom de branco gelo, alguns sofás na cor cinza e uma mesinha rústica ao centro.
– Dos meus pais. Você disse que não queria ficar no meu apartamento e nem no seu então... – ela o interrompeu.
– Gajeel! Não acredito que você me trouxe aqui só para isso. – ela disse enquanto dava um tapinha em seu braço.
– Dá pra me deixar terminar de falar? – ela assentiu meio sem graça. – Vem comigo. – ele falou enquanto a puxava pelo braço.
Passaram pela sala de jantar, um belo cômodo com paredes em tom creme fraco e móveis que aparentemente eram antiguidades raras, e foram em direção à cozinha, que Levy percebeu ser tão bem decorada como todo o resto da casa. Chegando lá Gajeel abriu a porta dos fundos e fez sinal para que Levy saísse. Mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo ela obedeceu.
Ao chegar ao lado de fora a garota se deparou com uma coisa fantástica. Um jardim incrível com uma grama bem verdinha e várias rosas amarelas que ficavam ao redor de uma trilha que levava a alguns banquinhos brancos e umas estátuas de anjo. Mas o que mais a chamou a atenção foi uma casinha relativamente pequena que era conectada ao chão por uma escada feita de madeira e corda e que ficava em cima de uma árvore imensa que possuía dois balanços pendurados em alguns de seus troncos.
– Uma casa na árvore? E balanços? – ela perguntou com os olhos brilhando enquanto caminhava em direção a um dos balanços e se sentava sorrindo como uma criança.
– É o que parece. – ele respondeu sorrindo. – Me segue. – falou enquanto se aproximava da escada.
– Você acha mesmo que eu vou subir nisso ai? – perguntou incrédula. – Já disse que sou muito nova para morrer. Esquece. – começou a se balançar e pareceu até esquecer da presença do moreno.
– Deixa de fazer drama. – ele falou enquanto segurava o balanço para impedir que ele se mexesse, o que provocou um gritinho de susto por parte da azulada, e a puxava para si colocando-a em suas costas. – Acho melhor você se segurar. – sorriu maliciosamente.
– GAJEEL, ME PÕE NO CHÃO! – ela gritava na tentativa de se libertar, sem sucesso.
– Dá para não gritar no meu ouvido? – ele falou enquanto se preparava para subir a escada. – Ou quer que eu me desequilibre e a gente caia no chão? – ela bufou de raiva e ficou calada com o coração na mão quando ele se apoiou na corda e começou a subir.
Enquanto Gajeel subia, com certa dificuldade, a escada improvisada, Levy só conseguia rezar mentalmente para que não caíssem no chão. Temia não pela sua vida, mas pela do seu namorado. Porque se algo acontecesse com sua saia nova ela com certeza não se responsabilizaria pelos seus atos.
– A nossa sorte é que você não é pesada... Na verdade acho que é mais leve que um saco de cimento. – já dentro da casinha ele a pôs no chão e parecia pensar profundamente no assunto enquanto colocava a mão no queixo.
– Não sei se fico contente por ser chamada de leve ou revoltada por ter sido comparada a um saco de cimento. – juro que se fosse possível haveria uma gota ao lado da cabeça da azulada. Ele apenas riu e foi em direção à janela.
A garota começou a observar o local em que estava. Nas paredes havia alguns posters de algumas bandas de rock como Kiss ou Iron Maiden. Rockeiro desde sempre, ela pensou. Também havia alguns desenhos. Na maioria deles havia apenas uma criança, que ela presumiu ser seu namorado, sozinha em frente a uma casa marrom, que a garota pensou ser esta casa da árvore.
– Vem ver. – ele a chamou tirando-a de seus pensamentos. Ela caminhou até a janela e seus olhos brilharam ao ver a paisagem. O céu estava mais estrelado do que nunca e a Lua parecia especialmente mais bela. O mar e suas ondas eram vistos de longe completando aquela visão perfeita.
– Gajeel... É incrível. – ela falou enquanto o abraçava sem desviar seu olhar daquela visão do paraíso.
– Aqui costumava ser o meu refúgio. Quando eu estava aqui não existia mais escola, castigos ou brigas entre os meus pais. Éramos apenas eu, as estrelas e a Lua. – ele falou com um sorriso no rosto enquanto parecia lembrar-se de algo.
– Aposto que essa casa era muito famosa entre as garotinhas.
– O forte de um garoto não é lugar para meninas, baixinha. – ela não gostava muito quando era chamada de baixinha, mas nesse momento sua curiosidade era maior que sua revolta.
– Então eu sou a primeira? – ele assentiu sorrindo de lado e ela corou. – Mas se não é lugar para meninas o que eu estou fazendo aqui? – ela o fitou meio confusa.
– Você não é uma menina. – falou de forma séria.
– Ah, eu não sou? – a garota o olhou ainda mais confusa.
– Não. – fez uma pausa. – Você é a... mulherdaminhavida. – falou a última parte rapidamente como em um sussurro e corando.
– O que disse? – ela não estava fazendo isso de propósito, simplesmente não havia escutado.
Gajeel ficou um tempo olhando para o chão enquanto sua namorada o encarava esperando uma resposta. Ele nunca fora muito de demonstrar seus sentimentos ou algo do tipo. Tudo isso era novidade então ele estava aparentemente desconfortável.
– Tudo bem. – ela falou sorrindo amarelo e o abraçando forte. Com certeza era algo importante. Ele não ficaria assim à toa, mas se não se sentia à vontade para falar não seria ela quem iria obrigá-lo.
– Mulher da minha vida. – falou baixinho, mas num tom suficiente para que ela escutasse.
– Gajeel... – os olhos dela começaram a brilhar de emoção. Ele nunca a havia dito nada parecido, mesmo às vezes afirmando, do seu próprio modo, que a amava. O beijou de forma apaixonada e foi retribuída. – Quem disse que você não consegue ser romântico? – ela falou entre os beijos.
– E eu não sou. – falou meio sem graça enquanto desviava o olhar. Ela apenas sorriu e voltou a beijá-lo. – Se você não quiser que a gente volte a fazer o que fizemos todos os outros dias desse feriado é melhor pararmos por aqui. – ele falou sorrindo maliciosamente. Onde estava aquele Gajeel meio sem graça de segundos atrás? Boa pergunta.
– E o Gajeel de sempre está de volta. – ela disse revirando os olhos enquanto se afastava um pouco.
– Espere aqui. – falou enquanto dava seu sorriso habitual e ia em direção á saída.
– Onde você... – nem foi capaz de terminar a frase e ele já havia sumido.
A garota aproveitou o tempo em que estava sozinha para explorar melhor o local em que estava. Em geral tudo parecia muito antigo, aparentemente Gajeel não ia até lá há um bom tempo, mas por incrível que pareça o lugar não estava uma bagunça ou muito sujo, apenas abandonado, digamos assim.
Aparentemente Gajeel desenhava muito bem desde criancinha e Levy achou um desenho que chamou sua atenção. Nele estavam apenas seu namorado e um gatinho preto. Até aí tudo bem, o que realmente lhe chamou atenção foi o fato de, ao fundo do desenho, aparecer um casal com uma feição mal humorada, mas que mesmo assim andava de mãos dadas.
– Como a Lu-chan me faz falta nesse momento. – ela falou para si mesma, já que Lucy, como futura psicóloga, com certeza conseguiria dar um sentido maior para aquilo que estava em suas mãos.
– Tudo bem? – o moreno perguntou quando, já de volta, viu sua namorada aparentemente pensativa enquanto segurava um papel em suas mãos. Logo de cara começou a martelar em sua cabeça se algo dali poderia ser comprometedor. Colocou os sacos de dormir e as sacolas que havia trazido no chão e aproximou-se da garota.
– Sim, só fiquei intrigada com esse desenho aqui. – ela estendeu o papel para que ele pegasse. Assim que ele o fez pareceu viajar em pensamentos.
– Ah... – passou a mão por trás do cabelo, meio sem graça. – Esse aqui foi um pouco antes da quase separação dos meus pais. – falou sem desgrudar os olhos do desenho. Levy percebeu a tensão que ficou no ar e resolveu mudar de assunto.
– O que são essas coisas? – perguntou apontando para aquilo que o rapaz tinha trazido. Ele pareceu sair de um devaneio, sorriu e foi buscar tudo.
Sem responder aquilo que foi perguntado, ele começou a organizar o local. Estendeu os sacos de dormir no chão, pegou uma toalhinha e começou a colocar as comidas que havia trazido. Como o local estava meio escuro de mais resolveu acender umas velas, dando ao lugar um ar romântico.
A garota apenas o observava curiosa com um sorriso nos lábios. Gajeel foi até uma cordinha que ficava ao lado da janela e a puxou com força. Nesse momento a tela que cobria o teto da casa da árvore começou a se contrair até que o céu estava totalmente à mostra. O rapaz olhou para sua namorada, que estava bestificada com a vista, e sorriu.
– É lindo Gajeel. – falou encantada enquanto ele gesticulava para que ela sentasse em um dos sacos de dormir e assim ela fez.
– Eu sei. – ele respondeu sorrindo tímido e sentando ao lado dela. – Só reze para não chover. – dessa vez sorriu abertamente e ela fez uma careta. – Vem, vamos comer. – completou enquanto atacava a comida que havia trazido. Levy o acompanhou e os dois conversavam sobre vários assuntos, menos os traumas da infância do rapaz, claro.
Assim que terminaram de comer deitaram-se nos sacos de dormir e ficaram observando o céu. Gajeel estendeu seu polegar para o alto e ficou fazendo umas caretas com um olho fechado e outro aberto.
– Pirou de vez? – ela perguntou sorrindo. Ele, sem dar uma resposta sequer, pegou a mão dela, fazendo o sinal de “legal” na mesma.
– Agora levanta. – falou enquanto erguia o braço da garota. Assim ela fez. – E depois fecha um olho e tenta posicionar seu dedo em cima da Lua. – novamente ela obedeceu. – Tá vendo? – perguntou enquanto a observava.
– A Lua sumiu. – ela respondeu intrigada.
– Sim. – ele sorriu. – É incrível que isso aconteça até com uma baixinha como você. – falou meio pensativo.
Gajeel começou a rir e Levy o empurrou, indignada. A todo o momento alguém tinha que falar de sua altura? Como se ela mesma já não fosse ciente do seu tamanho.
– Brutamontes.
– Anã.
– Idiota.
– Nerd.
– Ora seu... – e pulou em cima dele para lhe dar uns belos tapas nos braços. Sempre era assim, a garota se estressava rapidamente e o rapaz nem se importava com aquilo que ela falava. Esse é um dos motivos de Gajeel gostar tanto de irritá-la. Que graça teria se ela não se estressasse tão rápido?
Sem mais aguentar ficar “apanhando”, já que aquilo para ele não passava de um incômodo, o moreno girou seus corpos ficando em cima da azulada e selou seus lábios. De início, devido à ira que estava sentindo, ela não retribuiu e tentou afastá-lo, mas com a insistência do rapaz e o desejo que fluía de seu corpo, acabou cedendo.
Os dois ficaram ali, sob a luz do luar e das estrelas apenas curtindo a presença um do outro, mas sem deixar, obviamente, de discutir de vez em quando. Há quem diga que não há romance se não tiver umas briguinhas no meio. Afinal nada tem graça se não tiver um tempero, certo?
“Há quem me julgue perdido porque ando a ouvir estrelas. Só quem ama tem ouvido para ouvi-las e entende-las.”
– Olavo Bilac
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