You And Me
36 Especial – Entre o sonho e a realidade.
Notas iniciais

– Entre o sonho e a realidade -
– Natsu? – ouvi a voz de alguém me chamando ao longe.
E então eu a vi.
– Lucy?! – era como se meus sentidos estivessem me enganando.
Olhei ao redor e me vi em um parque que eu nunca tinha estado antes.
– Como nós chegamos aqui? – perguntei assustado.
– Você não lembra? – sorriu e foi se aproximando de mim.
Ela estava mais linda do que nunca. Usava um vestidinho branco que marcava bem suas curvas e seu cabelo solto voava com o vento.
Neguei enquanto mantinha um sorriso bobo no rosto.
– Eu não aguentei ficar te esperando... – falou enquanto andava a passos lentos até ficar ao meu lado. – Então eu vim te buscar. – sussurrou em meu ouvido enquanto sua mão passava pelo meu ombro.
Senti um arrepio passar pelo meu corpo.
– Luce... – a olhei sorrindo brincalhona do jeito que tanto amo e me surpreendi quando senti seus lábios junto aos meus.
Seu beijo começou feroz e cheio de luxúria. Não havia espaço para calmaria ali.
– Natsu, eu quero você... – sussurrou novamente em meu ouvido.
– Aqui? – perguntei surpreso.
Ela apenas confirmou lentamente com a cabeça enquanto me puxava em direção a uma árvore e prensava seu corpo no meu. Dessa vez eu não esperei um movimento seu, ataquei sua boca e segurei sua cintura com força. Senti que Lucy começava a desabotoar minha camisa e abri meus olhos rapidamente para olhar se não havia alguém por perto. Constatei que estávamos sozinhos e minhas mãos começaram a subir tirando sua blusa.
Como eu senti falta da textura da sua pele.
Seus beijos foram para o meu pescoço e eu fechei os olhos para aproveitar melhor a sensação. Já podia até sentir o volume aumentando debaixo das minhas calças.
De uma hora para outra foi como se eu não conseguisse mais abrir os olhos, pois tudo estava escuro. A voz de Lucy foi ficando cada vez mais distante e fora do tom. Em seu lugar foi surgindo uma voz mais grossa e me senti sem fôlego.
Minha visão voltou e levantei ofegante dando de cara com meu quarto de hotel.
– Finalmente você acordou! Não aguentava mais te ouvir gemendo Luce Luce – Romeo, meu companheiro de quarto, falou com um sorriso idiota no rosto.
– Cala a boca pirralho! – joguei meu travesseiro em sua direção.
– Ok, mas antes... Você vai fazer o que em relação a isso ai? – ainda sorrindo apontou para as minhas calças.
– Merda! Tô parecendo um virgem! Tô parecendo você! – me desesperei e corri para o banheiro.
– Vai se ferrar! – o ouvi gritando antes que eu fechasse a porta.
A verdade é que desde que Lucy me ligou tentando me seduzir meus sonhos eróticos aumentaram muito, a ponto de tê-los quase todos os dias, não importando o horário em que eu vá dormir. Isso já faz uns dois ou três dias e eu sempre resolvo meus problemas assim, com um belo banho frio que demora séculos. Já tentou acalmar o volume de uma ereção com água gelada enquanto seus pensamentos te traem? É praticamente impossível. Todos os meus pensamentos se voltam para Lucy. Lucy de biquíni, Lucy com roupa de Maid, Lucy vestida de secretária sexy, Lucy usando roupa de colegial. Lucy, Lucy, Lucy...
Preciso realmente me distrair.
Hoje é domingo, o primeiro dia em que eu não tenho nada pra fazer desde que cheguei a Crocus. Minha vontade era de ir para Magnólia e voltar antes da meia noite, mas infelizmente, além de serem quatro horas de viagem, tenho que me preparar para uma reunião que todos os estagiários terão que ir amanhã cedo e não posso me arriscar.
Pelo menos falta menos de uma semana para eu ir pra casa. Sábado que vem embarco de volta para Magnólia.
[...]
– Ei Natsu, o pessoal todo saiu pra comer alguma coisa. Eu estou pensando em ir também, vai comigo?
Romeo chamou minha atenção assim que entrou no quarto.
Ele é um cara legal. Faz segundo período e já estagia, com certeza vai ter um futuro bem promissor. Diz ser meu discípulo, mas acho que eu é que tenho muito que aprender com ele.
– Não sei. – joguei o livro de Direito Tributário que estava quase lendo em cima da cama.
– Vamos lá, vai ser divertido. Afinal o que você ganha ficando aqui e não lendo esse livro? – apontou para o objeto que eu havia jogado.
O olhei surpreso.
– A, qual é? Eu sei que você estava pensando na loira. Chegou a ler pelo menos uma linha? – sorriu zombeteiro.
Também sorri.
– Você é esperto.
– E você bem previsível.
– Ah, cala a boca. Fala isso porque é um fedelho sem namorada.
– Eu tenho 18 anos ok? E pra que me prender a só uma quando posso ter todas?
– Eu também já pensei assim. Quando você encontrar a garota certa vai mudar de ideia.
Bingo. Ele nada respondeu.
– Vamos lá, devem estar esperando a gente. – falei após pegar minha carteira.
Saí do quarto e Romeo veio atrás de mim.
– Quando você sabe? – ele quebrou o silêncio.
– O que?
– Sei lá, que você tá apaixonado.
– Hum... Difícil dizer.
– Pelo menos tenta. Como você soube que a Lucy era a garota certa?
– Quando eu não consegui me ver longe dela. – sorri instantaneamente.
Um minuto de silêncio.
– Cara, isso foi muito gay. – Romeu falou após uns instantes.
– Você que perguntou. – dei de ombros e sorri novamente.
Almoçamos e depois disso passamos uma parte da tarde conversando baboseiras e rindo, mesmo que o propósito inicial fosse estudar, e lógico que eu fiquei trocando mensagens com a Lucy boa parte desse tempo. Acabamos não nos juntando ao restante do grupo, pois eles iam para uma festa na piscina do hotel, mas eu não estava muito no clima e o Romeu, mesmo eu insistindo, acabou resolvendo ficar comigo.
Agora já são quase quatro da tarde e nós continuamos conversando.
– Quer saber? Eu acho que você devia ir para essa festa. – falei.
– E deixar você sozinho? Nem pensar.
– Vai lá cara, eu pretendia mesmo ligar pra a Lucy. – balancei meu celular.
– A, já entendi. – sorriu maliciosamente.
Por que será que as pessoas pensam que namoro a distância é igual a sexo por telefone?
– Vai e vê se resolve esse problema entre as tuas pernas pirralho.
– Cala a boca, você sabe que eu não sou mais virgem. – falou emburrado.
Na verdade eu até sei, mas não me canso de encher o saco dele com isso.
– Então vai lá fodão. – dei um murrinho em seu ombro.
– Tudo bem. Vou pegar garotas por mim e por você, manezão. – devolveu o murro que eu havia lhe dado e saiu.
Impressionante. Igualzinho ao meu antigo eu.
Pego meu celular e resolvo ligar para a loirinha. Espero que ela não esteja ocupada.
Chama uma, duas, três, quatro vezes... Quando a ligação estava quase indo para a caixa postal ela finalmente atende.
– Oi. Tá ocupada? – perguntei incerto.
– Oi! Não, é que eu não estava tentando achar o meu celular. – deu um riso nervoso.
– A ta. – eu ri. Típico da Lucy. – Tudo bem por aí?
– Tudo sim, e por aí? Muitas festas e gente bonita?
Voltei a rir.
– Tudo bem sim. Na verdade está rolando uma festa na piscina nesse exato momento. Saí de lá rapidinho pra falar com você.
Quem disse que só ela pode provocar?
– A é? Que bom. – posso jurar que nesse momento ela fechou a cara.
– Eu to brincando. Na verdade até tem uma festa, mas eu não fui.
– E por que não?
– Queria que eu fosse? – arqueei uma sobrancelha.
– Não, quem tem que querer é você.
– Não to muito em clima de festa.
– Hum...
Sabe quando você quer muito falar com uma pessoa, mas o assunto simplesmente não surge? Você não quer desligar a ligação, mas ao mesmo tempo não quer ficar naquele clima tenso então você fica se cobrando um assunto digno de conversa e nem vê direito que no tempo em que você estava pensando em algo, podia simplesmente falar uma besteira que faria os dois rirem.
– Vai fazer o que hoje à noite? – perguntei quando algo me veio em mente.
– Nada. Por quê?
– Acabei de ter uma ideia. Lembra daquele prédio que eu te levei há um tempo atrás?
– Aquele em que a gente subiu três milhões de degraus?
– Esse mesmo. – sorri. – Eu quero que você se arrume e esteja lá às oito e meia da noite. Pode fazer isso?
– Mas por quê? Não estou entendendo.
– Pode ou não?
– Tudo bem, mas se for alguma brincadeirinha de mau gosto eu te mato.
– Não vai ser, prometo. Agora eu tenho que desligar. A gente se vê à noite. Te amo.
– Espera. Como?
– Confia em mim.
– Ok... Te amo.
– Também te amo.
Desliguei a ligação e logo fui para outra.
– Laxus? Vou precisar de um favor.
Autora POV on
Lucy não conseguia parar de questionar o motivo pelo qual Natsu havia a feito aquele pedido. Mil alternativas lhe vieram em mente, mas todas era Hollywoodeanas demais e ela tinha consciência das limitações de seu namorado, então achava não ter nenhum palpite plausível.
Passou boa parte de seu restante de tarde deitada em sua cama olhando para o teto de seu quarto e imaginando mil finais felizes para a sua vida – com todos envolvendo Natsu, logicamente. Pode parecer coisa de garotinha, mas era um hábito que ela mantinha desde sempre.
Quando olhou o relógio se espantou ao ver que já eram sete e quinze da noite, ou seja, teria pouco tempo para se arrumar e correr até o prédio onde teria seu suposto “sabe-se lá o que”.
Correu para o banheiro e se recriminou por não ter começado a se arrumar antes, dessa forma poderia passar um bom tempo na banheira, o que agora, nessas condições, não seria possível. Mas não interromperia seus planos de forma alguma, entraria na banheira nem que fosse por dez minutinhos.
Saiu do banho e foi para seu quarto escolher uma roupa, o que foi uma tarefa mega difícil já que não tinha noção do que faria na cobertura daquele prédio. Acabou optando por um short jeans e uma blusa soltinha e estampada. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, calçou uma sapatilha, colocou uma correntinha que havia ganhado de sua mãe e pôs uma maquiagem leve. Se olhou no espelho, mas não teve muito tempo de se admirar. O relógio esperneava mostrando que a loira devia sair naquele momento se não quisesse se atrasar.
Levy estava em seu quarto estudando para uma prova que teria no dia seguinte, então para não atrapalhá-la Lucy apenas colocou um bilhetinho na porta do quarto da amiga avisando que sairia para “encontrar” Natsu e que qualquer coisa ela estaria disponível no celular.
Enquanto dirigia mil coisas invadiam sua mente. Onde estaria Natsu neste momento? O que a esperava no suposto ponto de encontro? Muitas eram as perguntas, mas por enquanto ela não obtinha resposta alguma. Ficou tão distraída que chegou a ouvir buzinadas por não ter notado que o sinal havia se esverdeado.
Como boa linguaruda que era, não pôde deixar de xingar os impacientes que haviam buzinado atrás de si. Sua mãe sempre dizia que ela devia segurar a língua na hora de dirigir, mas quem disse que era assim tão fácil? Sempre acabava falando antes de pensar.
Estacionou no mesmo lugar que Natsu havia estacionado da vez em que estiveram ali juntos. Estar novamente neste lugar era muito nostálgico para a loira. Parecia até que fazia séculos que estivera ali pela última vez. Só não gostava de pensar no que aconteceu após sua última estada naquele local. O simples pensamento lhe causava calafrios.
Subiu as escadas incerta, sem saber muito o que esperar ou o que iria encontrar. Os degraus continuavam largos e em grande quantidade, mas nunca pareceu tão fácil subi-los. Quem sabe não era a adrenalina trabalhando em seu corpo?
Avistou o portãozinho que ficava no topo da escada, mas diferente da outra vez, agora este estava fechado. Abriu com certa dificuldade, provavelmente graças à ferrugem, e se assustou ao olhar para frente e ver... Nada de mais.
A sujeira continuava ali, assim como algumas folhas secas e a aparência desgastada. O topo antigo e esquecido de um prédio como qualquer outro.
– Por uns instantes cheguei a sonhar com algo digno de um romance. – falou baixinho para si mesma enquanto ria de sua ingenuidade. Era Natsu, afinal.
Olhou ao redor a procura de algo que lhe chamasse a atenção e que poderia ser o motivo de sua ida ali, mas nada encontrou. Pegou seu celular e viu que já eram oito e quarenta, sem falar que não havia nenhuma ligação ou mensagem de Natsu.
Suspirou derrotada.
Seria essa uma brincadeira de mau gosto? De super mau gosto por sinal...
Se fosse, pelos pensamentos que passavam pela cabeça da loira, com certeza haveria um rosado idiota a menos no planeta.
– Bem que me disseram para chegar antes da hora marcada.
Uma voz conhecida, com um tom irônico, se fez presente e Lucy quase dá um gritinho de susto ao se virar e dar de cara com Laxus, com os braços cruzados, encostado em uma parede ao lado do portão de entrada.
– Laxus?
– O próprio. – deu um sorrisinho típico que deixaria qualquer garota com um sorriso bobo no rosto. Mas Lucy não era uma delas.
– O que você faz aqui?
– Vamos nessa. – falou sem dar muita atenção à pergunta que lhe foi feita.
– Pra onde? – a loira ainda não tinha dado um passo sequer.
– Só me segue ok?
Lucy apenas assentiu. Nunca teve muita intimidade com Laxus e o achava até meio intimidador. E pensar que já chegou a ter uma mini queda por ele no dia em que foram ao Sing Club... Que Mira nunca saiba disso! Há quem diga que quando se trata do loiro ela vira um demônio.
Laxus praticamente pulava os degraus, fazendo com que Lucy tivesse que acelerar o passo para acompanhá-lo.
Quando chegaram ao térreo outra surpresa.
– Para onde você está indo? – perguntou ao ver o loiro dobrando a esquina.
– Para o meu carro oras. – respondeu sem nem olhar para trás.
– Tudo bem. – ela parou de andar. – Não sei o que está acontecendo aqui, mas isso tudo está muito estranho, então acho melhor eu ir para casa e matar o Natsu depois.
– Deixa de coisa, nós já estamos atrasados. – Laxus pegou a mão de Lucy e a encaminhou, sem permitir reclamações, até o automóvel preto.
– Posso pelo menos saber para onde você está me levando?
– Dessa forma estragaria a surpresa. – sorriu de canto.
– Espera, mas e o meu carro?
– Levo para você assim que te deixar no local combinado. Relaxa.
A loira resolveu ficar calada e esperar o que estava por vir. Sabia que Laxus não era nenhum louco sequestrador e muito menos um pervertido que estava a levando para um matagal qualquer, então resolveu aquietar seus ânimos.
O caminho começava a ficar cada vez mais conhecido, mas Lucy não tinha noção do lugar específico para onde estava indo. Laxus parecia uma estátua e só se mexia para mover o volante ou a marcha do carro, então provavelmente a loira não poderia esperar nenhuma pista vinda do mesmo. Sua vontade era de pegar seu celular e ligar para Natsu perguntando o que diabos estava acontecendo, já que paciência é algo que nunca foi seu forte, e até faria isso se o loiro ao seu lado não tivesse pegado o aparelho junto com suas chaves.
Suspense é legal, mas em excesso se torna cansativo.
– Chegamos. – a voz de Laxus a fez acordar de seus devaneios.
Olhou ao redor e viu que estavam próximos a um estacionamento, mas não era um estacionamento qualquer, era do aeroporto. O coração de Lucy começou a bater mais rápido e mil coisas se passaram em sua mente.
Natsu + Aeroporto = volta pra casa.
Abriu um sorriso instantâneo e quando pensou em sair do carro sentiu a mão de Laxus em seu braço.
– Espere aqui.
Curto e grosso.
Ele saiu do carro e Lucy conseguiu ouvir o barulho da mala sendo fechada. Outra incógnita.
Laxus abriu a porta para Lucy, em um movimento típico cavalheiresco que a pegou desprevenida, e lhe entregou uma grande caixa branca, um pouco pesada, que continha um laço vermelho que ia de uma ponta a outra.
– Mas o que...
– Agradeça a Mira depois.
Lucy ficou com uma cara interrogativa.
– Portão 4, plataforma 2. – falou ignorando a feição de dúvida da garota.
A deu um empurrãozinho para que andasse e se dirigiu novamente ao banco de motorista.
Lucy estava desnorteada com a quantidade de informações, mas repetiu em sua cabeça como um mantra “Portão 4, plataforma 2”, enquanto adentrava a porta principal do aeroporto.
O movimento ali não era muito grande, porém ainda conseguia desnortear ainda mais a loira confusa. Várias placas indicando direções podiam ser vistas, mas nenhuma era a que Lucy procurava. Olhou para o relógio e viu que já eram nove da noite, ou seja, estava super atrasada.
Resolveu pedir uma informação, coisa que Natsu nunca faria se estivesse com ela.
– Com licença, poderia me dizer onde fica o portão 4? – perguntou para uma das senhoras uniformizadas que ficavam no posto de informações.
A senhora, com um sorriso amigável no rosto, indicou-lhe o caminho dizendo que este era um setor de voos particulares. Lucy estranhou de início, mas seguiu seu caminho andando o mais rápido que suas pernas permitiam. Chegou até o seu destino, mas não havia movimento algum ali, e muito menos a presença de uma cabeleira rosada familiar. Olhou ao redor a procura de algo que fizesse sentido, mas não achou nada. Havia apenas uma pessoa entretida lendo um jornal.
Sentou em uma das cadeiras e colocou a caixa, que por sinal já estava cansando seus braços, em outra.
Deu um suspiro alto e se perguntou o que tudo isso significava. Aqui estava ela, parada em meio ao aeroporto sem saber o que esperar ou fazer.
– Sabia que você está atrasada? – Lucy sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Era a voz dele. Um sorriso abriu instantaneamente em seus lábios.
– Natsu? – virou de vez e deu de cara com o rosado sorrindo e encostado em uma das colunas do local.
Quando deu por si já estava abraçada ao rapaz, que a abraçava de volta como se segurasse em seus braços aquilo que há de mais precioso. Lucy quase derreteu quando o perfume amadeirado de Natsu tomou conta de seu olfato.
– Como você pode estar aqui? – perguntou baixinho. Sua cabeça estava apoiada no peito de seu amado, fazendo com que fosse possível que ela ouvisse as batidas rápidas de seu coração, enquanto seus braços rodeavam o tronco dele com força e as mãos do rosado se apoiavam em sua cintura.
– Digamos que eu tenho meus contatos. – sorriu e segurou o queixo de Lucy para olhar no fundo de seus olhos chocolate que tanto o instigavam. – Mas tenho que voltar ainda hoje.
– Sério?
Natsu apenas confirmou com a cabeça. Seus dedos passaram pelo maxilar da loira, fazendo um contorno por seu queixo e parte do pescoço.
– Tudo bem. – ela deu um suspiro. – Quanto tempo temos juntos?
– Com certeza menos do que o suficiente.
Natsu a fitou por uns instantes. Os olhos cativantes que devolviam seu olhar na mesma profundidade, as bochechas coradas provavelmente graças à sua presença e, o que mais lhe chamou a atenção, os lábios avermelhados e carnudos, pouco entreabertos, que clamavam por um contato mais íntimo com os seus. Atendendo ao pedido silencioso, Natsu uniu seus lábios aos de Lucy. Um beijo calmo, ao contrário do que imaginavam que seria, mas sem deixar de mostrar o amor que sentiam um pelo outro. As mãos de Natsu continuavam a segurar a cintura de Lucy de forma possessiva, como se se negasse a separar-se dela, e as de Lucy envolviam o pescoço dele com delicadeza, ás vezes passando pelo cabelo macio e cor-de-rosa de seu namorado acariciando-o.
Nem o ar parecia ter importância neste momento.
– Vem, eu não quero que aquelas senhoras ali morram de inveja. – Natsu sorriu de canto assim que separou seus lábios dos da loira.
Lucy olhou para o lado e viu um aglomerado de senhoras, provavelmente esperando um voo, que os encarava com uma certa curiosidade, como se elas estivessem assistindo uma cena de um filme e esperassem que alguém trouxesse uma pipoca.
– E a caixa? – Lucy indicou o objeto branco.
– Ah sim. – Natsu passou a mão por detrás da cabeça enquanto sorria sem graça por quase esquecer algo essencial. – Presente da Mira.
– O que tem ai dentro? Não tive tempo de olhar. – a moça tentou abrir a caixa, mas foi impedida pelo rosado.
– Quando chegarmos ao local eu te explico tudo. – a deu um selinho demorado, mas se separou dela antes que este se aprofundasse, pegou sua mão e delicadamente foi a guiando pelo aeroporto.
Passaram por alguns corredores de embarque e desembarque e adentraram algumas portas. Lucy nunca havia estado ali antes. Provavelmente devia ser uma área restrita para funcionários, o que a estava deixando inquieta e morrendo de medo de ser pega fazendo algo errado, já que não sabia se eles tinham autorização para estarem por ali.
– Pra onde a gente está indo? – Lucy, apertando ainda mais a mão de Natsu, perguntou enquanto analisava o ambiente ao seu redor. Nada lhe parecia familiar.
– Calma, já estamos chegando. – ele a olhou pelo canto do olho e sorriu, provavelmente se divertindo com a ansiedade e curiosidade que seus gestos demonstravam. Lucy com certeza era um livro aberto.
Poucos passos depois se depararam com uma porta branca entreaberta que Natsu indicou para que Lucy entrasse. O local estava totalmente vazio, exceto por alguns cobertores amontoados um sobre os outros no chão, tendo algumas almofadas em cima, e algumas velas apagadas ao redor. As paredes eram completamente brancas, mas havia sinal de que algo já esteve pendurado nelas. O rosado levou sua amada até o amontoado de edredons e, após colocar a caixa no chão, começou a acender as velas uma por uma.
– Aqui costumava ser um vestiário. – a voz dele se fez presente em meio ao silêncio. – Mas isso foi antes dele ter começado a ser usado como esconderijo para os amantes. – um sorriso sacana surgiu em seus lábios.
– Nossa. -- a imagem de um casal se agarrando fervorosamente próximo ao possível armário que devia haver na parede que a loira encarava neste momento surgiu em sua mente. Lucy instantaneamente cruzou as pernas.
– Tudo bem com você? – ele sentou ao seu lado. – Está corada. – passou, de forma lenta, o dedo indicador por suas bochechas. Natsu não sabia, mas esse simples gesto foi capaz de tornar a respiração de Lucy mais pesada e sofrida.
– Sim. – afirmou rapidamente com a cabeça ao acordar de seu transe. Maldita abstinência. – E então, como você planejou isso tudo? – perguntou tentando desviar o rumo de seus pensamentos.
– Bem, eu estava sentindo muito a sua falta... – fez uma pausa enquanto olhava sem graça para um ponto qualquer. – Então mexi uns pauzinhos e consegui uma carona até aqui.
– Carona?
– Laxus tem um amigo que é piloto e que, por sorte, tinha uma entrega para fazer aqui em Magnólia hoje. Eu só precisei pedir um favor.
– E você tem mesmo que voltar ainda hoje?
Natsu afirmou com a cabeça.
– Tenho que pegar o voo de volta para Crocus. Amanhã cedo todos os estagiários têm uma reunião importante com alguns sócios. Não posso perder. – sorriu sem humor. – Eu adoraria te levar pra jantar em algum lugar hoje, mas não posso correr o risco de perder esse voo então teremos que ficar por aqui.
– Espera ai... Amanhã cedo? – perguntou impressionada ignorando todas as outras informações. – Que horas você viaja?
– Umas onze horas mais ou menos, mas pode ser antes disso ou depois. Tenho que esperar a ligação do Bickslow, o tal amigo do Laxus.
Lucy mantinha uma expressão pensativa. Pelos seus cálculos, já que seriam quatro horas de viagem, Natsu provavelmente chegaria a Crocus e...
– E que horas você dorme? – ela arqueou uma sobrancelha.
– Durante o voo eu suponho.
– Você é louco! – deu um sorriso, admirada.
– Só se for por você.
Natsu cortou a distância que havia entre eles e colou seus lábios aos de Lucy, que permaneciam formando um sorriso. Ficaram um tempo apenas com um apreciando a maciez dos lábios do outro, até que Lucy começou a movimentar os seus e Natsu a seguiu no mesmo ritmo. Aquilo que para ele havia sido apenas um sonho no início do dia estava se tornando realidade durante a noite.
Nunca desejara tanto sua Lucy quanto naquele momento. Até a última célula de seu corpo clamava por ela. Suas mãos foram em busca da cintura fina que ela possuía e se fincaram ali expressando toda a possessividade que Natsu sentia em relação à namorada – que, diga-se de passagem, não era pouca.
Lucy estava se sentindo hipnotizada pelo beijo de Natsu. Como se eles não fizessem isso há séculos. Estava tão distraída que nem sequer notou quando ele começou a mover seu corpo em direção aos edredons. Mas pareceu acordar de seu transe ao esbarrarem na grande caixa branca que, para infelicidade do casal, estava no lugar errado, na hora errada.
– Natsu, o que tem na caixa? – Lucy perguntou quando se desvencilhou dos lábios do rapaz.
– Quase esqueci! – como se o “momento amasso” nunca tivesse acontecido, Natsu recolheu o objeto e o colocou à sua frente. Lucy nunca deixaria de se impressionar com as mudanças de humor do seu namorado.
Natsu abriu a caixa de forma cuidadosa e tirou quatro coisas de lá. Uma garrafa de vinho, duas taças de vidro embaladas em plástico bolha e um mini bolo de prestígio.
– Eu sei que esse bolo e vinho juntos não formam uma combinação muito boa – passou a mão por sua nuca. –, mas...
– Está perfeito. – Lucy sorriu e apoiou a mão na perna do rosado que, sem perceber, a balançava freneticamente. – E você sabe que eu amo prestígio. – seus olhos brilharam quando encararam o pequeno bolo.
– Só o prestígio? – ele perguntou desconfiado enquanto abria o vinho.
– Claro que não! – se fez de ofendida – Eu também amo gatinhos fofos. – sorriu travessa.
– Eu sou um gatinho fofo. – o rosado se aproximou um pouco mais enquanto olhava a loira profundamente nos olhos com um típico olhar de tirar o fôlego, e a entregou uma taça cheia.
– Não acho. – ela discordou e Natsu a olhou desafiador. – Você está mais para um dragão feroz. – aceitou a taça e a levantou indicando um brinde antes de levá-la a boca.
– Vou aceitar isso como um elogio, Heartfilia. – Natsu também deu um gole na bebida, mas sem desviar os seus olhos dos dela.
– E deveria Dragneel. – Lucy deu um sorrisinho de canto ainda com a taça próxima aos lábios.
A cena que veio a seguir poderia muito bem ser perdida por alguém que estivesse desatento. Natsu, num ato veloz e inesperado, avançou nos lábios de Lucy como se estivesse correndo atrás de algo que saciaria sua sede em meio a um deserto escaldante, fazendo com que as belas taças, que ainda continham o líquido de tom semelhante ao sangue, quase fossem de encontro ao chão e se partissem em pequenos cacos.
Lucy não pôde deixar de abrir um sorriso, com seus lábios unidos aos do rosado, pelo gesto atrapalhado do rapaz. De uma certa forma demonstrava o quanto ele a desejava. E Natsu podia ter a certeza de que, assim como o beijo que davam neste momento, este desejo também era recíproco.
Com uma de suas mãos afastou as duas taças de perto de seus corpos enquanto que com a outra prendeu seus dedos nos fios rosados de Natsu com força o trazendo mais para perto de si. Natsu nem se deu ao trabalho de preocupar-se com a bagunça que havia feito. Todo seu corpo e mente estavam concentrados em Lucy. Em tocá-la apreciando a maciez de sua pele e senti-la arfar com cada movimento seu.
Como conseguira passar uma semana longe dela?
Delicadamente foi guiando o corpo de sua amada de volta aos edredons, de onde ao ser ver ela nunca devia ter saído, sem interromper o beijo.
Ficaram ali, apenas aproveitando a presença um do outro como um casal de adolescentes colegiais. Apenas trocando beijos e carícias sem aprofundar muito seus movimentos. Natsu sempre foi um cara pronto para utilizar qualquer lugar imaginável como um local propício para fazer sexo, mas com Lucy era diferente. Ele a respeitava demais para esse tipo de coisa. Achava que com ela deveria sempre haver um lugar perfeito para que fizessem amor. Seria capaz de anular suas próprias vontades para garantir que ela nunca se sentisse apenas uma qualquer quando estivesse com ele. Queria que soubesse que com ela era como nunca havia sido com qualquer outra, mas quem seria ele para impedi-la caso quisesse agarrá-lo ali mesmo?
Lucy, ao contrário do rosado, nunca havia feito nada disso em público, então seria mentira dizer que ela estava se sentindo confortável neste momento. O simples fato de que a qualquer momento alguém poderia entrar por aquela porta, e vê-los fazendo sabe-se lá o que, a apavorava. Mas ao mesmo tempo a tentação de ter Natsu tão perto de si, como há uma semana não ficava, a desnorteava. Estava entre a cruz e a espada afinal.
Natsu iniciou uma trilha de beijos que ia do pescoço de Lucy até sua clavícula, fazendo-a ofegar, enquanto suas mãos iam por debaixo da blusa que ela vestia, passavam por sua barriga e entravam em contato com o sutiã rendado estrategicamente escolhido para esta noite. Natsu sentiu o corpo de Lucy se contrair com seu movimento como nunca antes e instantaneamente cessou o avanço de suas mãos.
– Tudo bem? – perguntou preocupado.
– Tudo, eu só não estou conseguindo relaxar aqui. – falou sem graça.
Natsu sorriu e acariciou as bochechas coradas e o queixo de Lucy.
– A gente não tem que fazer isso agora, você sabe.
– Você não quer?
– Claro que sim. Ainda mais com você. – voltou a acariciar seu rosto – Mas não se você não estiver à vontade com isso. – a fitou por uns instantes. – Vem. – a puxou pela mão fazendo com que Lucy ficasse sentada. – A gente pode apenas conversar. Com certeza temos uns assuntos para pôr em dia. – deu de ombros mostrando que aquilo não o incomodava. Ele com certeza sentia falta de ter um contato mais profundo com ela, mas nunca forçaria sua Lucy a nada.
– Você é incrível. – Lucy sorriu bobamente como a garota apaixonada que era.
– Eu sei. – sorriu convencido.
– Aproveitando que nós estamos conversando... – a loira começou a brincar com a base de sua camisa.
– Sim. – Natsu a instigou a continuar com o tom de voz mais desconfiado que conseguiu fazer.
– Eu e o Yuri nos acertamos essa semana. – falou rápido. Nada melhor do que um tiro rápido e certeiro.
– Defina “nos acertamos”. – seu tom de voz era indecifrável.
Natsu nunca entendeu a amizade que sua namorada mantinha com esse tal de Yuri – como ele gostava de chamá-lo quando a loira não estava por perto –, pois sempre achou que ele queria mais do que o que sua Lucy poderia oferecer. E no final das contas não estava nada errado quanto a isso.
– Voltamos a ser amigos, obviamente.
– Hmm, ok, mas eu vou ficar de olho nele só por via das dúvidas. – puxou Lucy para um abraço.
– Eu não acho necessário. – ela se afastou um pouco para olhá-lo nos olhos.
– Lucy, eu sou homem, sei do que estou falando.
Ela revirou os olhos.
Depois de um tempo discutindo sobre o possível perigo que Yuri representava ou deixava de representar o casal simplesmente decidiu que não valia a pena discutir sobre aquilo naquele momento, já que teriam muito tempo para isso depois. Lucy já começava a achar que as orelhas de seu amigo estavam mais do que vermelhas por tudo o que Natsu havia falado a seu respeito.
Em seguida muitos assuntos surgiram, como o nível de beleza das garotas de Crocus – que Natsu fez questão de deixar claro que elas não chegavam aos pés de sua Lucy –, a quantidade de metros de distância que Lucy mantinha de Sting, ou simplesmente as reuniões chatas que Natsu teve que enfrentar durante toda a semana, mas lógico que eles não deixaram de trocar algumas carícias de vez em quando.
A conversa fluía com facilidade até o momento em que o celular do rosado tocou. O nome Bickslow apareceu na tela do aparelho indicando que a realidade os chamava. Natsu tinha exatos dez minutos para chegar até a plataforma de voos particulares.
– Eu te levo até lá. – Lucy se levantou e estendeu a mão para que ele a pegasse.
[...]
– Acho que você vai ter que comer o bolo de prestígio sem mim. – sorriu sem humor.
Lucy suspirou enquanto encarava o portão de embarque pelo qual Natsu passaria em instantes. Ficaram tão entretidos na conversa que até se esqueceram do precioso bolo.
– Isso com certeza será uma tortura. – Lucy tentou dramatizar de forma exagerada para aliviar um pouco o clima.
– Oh, muito obrigado pela parte que me toca. – ele cruzou os braços e fez uma cara emburrada.
– Ei, – ela chamou sua atenção. – Te amo. – selou rapidamente seus lábios.
– Pensei que você tinha dito que só amava gatinhos fofos. – ele arqueou uma de suas sobrancelhas enquanto rodeava a cintura de Lucy com seus braços.
– Sim, mas ás vezes é bom ter um dragão para variar. – ela sorriu em resposta e colocou seus braços em volta do pescoço do rosado.
– Tudo bem, mas se contente apenas com o dragão ok?
– Pode deixar.
Natsu passou seu dedo indicador pelas extremidades do rosto de Lucy enquanto olhava profundamente em seus olhos cor de chocolate. Aqueles olhos que demonstravam toda a pureza e inocência de seu coração. A pessoa mais incrível que ele já conheceu em toda a sua vida. Simplesmente não conseguia imaginar sua vida sem ela.
Com cuidado segurou o queixo delicado de sua namorada e se inclinou para beijá-la. O último beijo que dariam até a próxima semana, quando poderia beijá-la sem restrições pelo tempo que quisesse e quando finalmente poderia levá-la para o quarto mais próximo e demonstrar da melhor maneira que pudesse todo o amor que sentia por ela.
– Tenho que ir... – ele suspirou. – Te amo.
– Também te amo. Obrigada por ter vindo me ver. – deu um sorriso sincero.
– Eu que agradeço. – ele sorriu de volta.
– Te vejo daqui a uma semana.
– Pode ter certeza que sim. – a deu um selinho rápido. – E não esquece de atender minhas ligações.
– Sim senhor. – fez um gesto de reverência com as mãos.
E a cena de uma semana atrás, as costas de Natsu se afastando cada vez mais e sumindo do campo de visão, se repetia como um dejavú na mente de Lucy.
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