You And I
1 Primeiras Impressões
Notas iniciais
Sim, eu sei que tenho que postar o epílogo da You Are My Star... Mas acontece que essa short-fanfic veio inteiramente pronta na minha cabeça.
Devido a proximidade com o início da terceira temporada da série, resolvi postar *-*
Boa leitura!
— Tem certeza que ninguém recebeu qualquer notícia dela? – Santana estava preocupada enquanto observava a porta do McKinley, Brittany fez uma careta tristinha e negou com a cabeça. A latina olhou para Finn que estava parado ao lado de Rachel, com uma expressão confusa.
— Nem olhe para mim, Santana... Eu não vejo Quinn desde os bastidores da apresentação.
— Podemos, por favor, parar de falar dela? – A voz de Rachel Berry era contida, mas não conseguia disfarçar a frieza e a agonia com a qual pronunciava aquelas palavras. Santana virou-se abruptamente para ela, com uma expressão de visível surpresa. – Quinn Fabray já provou diversas vezes que sabe se cuidar sozinha. Se ela desapareceu, é porque teve motivos para isso.
— Motivos que você parece saber, ManHands... Vamos, desembuche de uma vez! – Santana praticamente ordenou Rachel, mas a pequena diva retribuiu seu olhar com agressividade e agarrou-se a Finn que a abraçou assustado. Nesse instante, passos apressados foram ouvidos atrás do grupo, Puck apoiou-se na parede para retomar um pouco de ar e disse afobado:
— É melhor vocês se prepararem para quem vem aí.
— O que foi Puckerman? Quem está vindo? – Santana questionou autoritária, mas Puck apenas lhe sorriu e apontou para a porta atrás da latina.
Os alunos do McKinley estavam abrindo caminho lentamente, muitos tinham caretas confusas nos rostos... Mas a maioria parecia surpresa demais para fazer algo a não ser, sair do caminho. Caminhando entre o mar de pessoas que se abrira para ela, Quinn Fabray desfilava com o queixo erguido exalando o tradicional orgulho Fabray.
Mas aquela não era Quinn Fabray, pelo menos, não a Quinn que todos conheciam. Quinn tinha os cabelos em um tom rosa pink; o short, a camiseta com uma cruz de ponta cabeça e a meia-arrastão eram pretos; nos pés tinha um par de coturnos da mesma cor. O visual exalava agressividade. Uma agressividade que em nada se assemelhava a contida Quinn Fabray de meses atrás e a qual o Glee Club vira pela última vez.
Rachel engoliu em seco, sentindo cada pedaço do seu corpo responder aquele breve contato visual com Quinn. Depois de tanto tempo, os olhos castanhos focaram-se nos amendoados que piscaram discretamente, como se existisse uma brecha naquela muralha que Quinn criara em volta de si. A morena desviou os olhos quando Quinn parou diante deles. Santana bufou impaciente e começou:
— Fabray! Que merda é essa...?!
— Calada Lopez, eu vou ser bem breve. – Quinn estava fria e sequer dera um sorriso ao virar-se para a amiga, Santana encolheu-se diminuta em um canto enquanto todos olhavam com surpresa para a loira. – Eu estou saindo do Glee Club, espero que arrumem outra pessoa para me substituir.
— Por que está fazendo isso? – Rachel não conseguiu controlar suas palavras e elas acabaram saindo em um tom rápido e preocupado, até mesmo para a capitã do Glee. Quinn virou-se para ela, com um sorriso irônico e satisfeito na face.
— Porque eu estou cansada de perder, Rachel.
Quinn saiu dali deixando todos atônitos e confusos demais para pronunciarem alguma coisa. Rachel ficou observando as costas de Quinn se afastarem no corredor enquanto as pessoas abriam caminho para ela... Subitamente, seu coração se apertou e ela sentiu falta de ar.
Santana olhou das costas de Quinn para Rachel com um ar levemente confuso, a latina pigarreou e perguntou:
— O que diabos ela quis dizer com isso tudo?
— Eu não sei, já não entendia a antiga Quinn, que dirá dessa “nova”... – Puck respondeu um pouco tristonho e coçando a cabeça, recebeu uma concordância de Finn que estava tão impressionado quanto os demais diante daquela súbita aparição. Santana bufou impaciente e sem dizer nada, saiu dali.
Rachel continuou a observar o caminho de Quinn e sequer tirou os olhos do corredor, nem mesmo quando Finn a abraçou pelos ombros e murmurou otimista:
— Acredite Rach, vai ser melhor sem ela.
Rachel não acreditou em uma palavra sequer do seu namorado.
Mesmo com aquela postura agressiva e furiosa, Quinn Fabray recusava-se a perder qualquer aula que fosse. Então foi com pouco esforço e muita disposição assistir à aula de Filosofia. Na realidade, ela gostava da área de humanas... Antes começar o dia com uma Filosofia do que com uma Química, por exemplo.
Quando entrou na sala, foi recebida pelos já comuns olhares de surpresa e conversinhas baixas ao pé do ouvido. Quinn revirou os olhos e jogou suas coisas na última carteira, da última fileira encostada à parede. Sentou-se relaxada em sua cadeira, apoiando os pés na cadeira da frente. Um jogador de futebol americano que, tradicionalmente, sentava-se no lugar à sua frente se aproximou.
— Preciso me sentar, Fabray.
— Tem vários lugares vagos, Scott... – Quinn sequer prestou atenção no rapaz, colocando os fones de ouvido enquanto fazia uma expressão desinteressada. – É só observar e escolher um.
— Acontece que esse é o meu lugar. – Scott procurou permanecer calmo e firme, mas ele tinha que confessar que aquela “nova” Quinn Fabray estava deixando-o mais amedrontado que a cheerio maldosa. – E você está com os pés em cima dele.
Quinn levantou-se calmamente, sem perder a tradicional elegância que sempre acompanhara seus movimentos, seja como cheerio ou como uma badass qualquer. Ela ergueu os olhos lentamente, recepcionando Scott com um ar frio e insensível. Depois, deu um sorrisinho irônico antes de dizer:
— Como você mesmo deduziu, Scott... Esse lugar está ocupado, dê o fora e encontre outro.
— Você realmente quer arrumar uma confusão por causa de um lugar na aula de Filosofia? – Scott ergueu o tom de voz e soou extremamente sarcástico, os poucos alunos que chegaram na sala assistiam ao pequeno espetáculo mesclados na apreensão e na curiosidade. E dentre esses alunos, estava incluída a pequena Rachel Berry que acabara de chegar e se sentara nas cadeiras da frente, mordendo o lábio preocupada enquanto observava a figura esguia de Quinn Fabray congelar a expressão e murmurar ameaçadora:
— Ultimamente, Scott... Eu estou arrumando confusão por qualquer coisa.
— Tome cuidado, raspadinhas podem se voltar contra você no corredor, Fabray. Você não tem mais aquela armadura vermelha branca a te proteger! – Scott parecia surpreso com a resposta da loira e aquilo estava evidente no tom vacilante de sua voz. Quinn, sem dizer nada, deu um chute nas partes baixas do rapaz e gargalhou ao observá-lo contrair-se de dor aos seus pés.
— Não tenho mais aquela armadura e muito menos, princípios de agora em diante. O medo se foi, Scott. Eu não vou mais baixar a cabeça para jogadores de futebol idiotas como você!
Naquele momento, o professor entrou na sala e focalizou o foco do problema rapidamente. Os olhos do senhor calvo foram de Quinn que tinha um sorriso maldoso nos lábios, para Scott que se contorcia no chão e os demais na sala que riam. A voz do professor fez-se ouvir entre as risadas, soando autoritária e furiosa:
— Fora da minha sala, agora, Fabray!
— Com todo prazer... – Quinn respondeu dando de ombros e apanhando a bolsa, antes de passar por Rachel Berry que estava boquiaberta em seu lugar. Instintivamente, a morena levantou-se e anunciou que precisava sair para tomar um ar. O professor murmurou um “tanto faz” enquanto a pequena corria porta a fora.
Aquela não era Quinn Fabray. E ela precisava de respostas para aquela mudança.
***
Quinn não olhava para trás, mas tinha plena consciência das sapatilhas de Rachel Berry atrás de si. A ex-cheerio deu um sorriso satisfeito enquanto apressava o passo e saía da escola. No pátio deserto, encontrou o velho piano do Glee ali fora, junto com um galão de tinta roxa que ele descobriu ser a nova cor da sala do Glee Club.
O lado maléfico de Quinn Fabray tomou um gás, ela apanhou a lata de tinta e despejou-a sobre a madeira antes negra e lisa da superfície do piano. Rachel Berry que estava atrás de si estacou e gritou desesperada:
— O que você pensa que está fazendo?
— Céus, Berry. É só um piano! – Quinn respondeu maléfica enquanto cutucava o ouvido que ela tinha certeza, acabara de sofrer um grave trauma pelo agudo de Rachel. Ela se escorou na superfície ainda limpa do piano e sacou um maço de cigarros. Pode perceber o olhar mortífero que Rachel lhe lançara. – Não vai fazer diferença nenhuma e ainda por cima, vai combinar com a nova cor da sala.
— Tire esse cigarro da boca, Fabray. – Rachel pediu entre dentes, olhando Quinn por baixo da franja. Quinn fingiu não escutar e tragou o cigarro mais uma vez, só para irritar ainda mais a diva. E conseguiu, porque Rachel Berry fechara os punhos e caminhara até ela, tirando o cigarro bruscamente de sua boca. – Você não é assim.
— Talvez... Mas também, essa pode ser a verdadeira Quinn que estava escondida por debaixo daquele uniforme de Cheerio. A Quinn irritada, revoltada e descontente... – Quinn olhava para Rachel por cima, as duas estavam bem próximas e a diferença de altura se acentuara ainda mais. Os olhos de Rachel estavam quase se derramando em lágrimas, mas aquilo não surtia mais efeito em Quinn. – A Quinn que sempre odiou o Glee e estava louca para sair daquele lar de loucos!
— Para de agir como se você não se importasse conosco! – Rachel gritou mais uma vez e estava desesperada agora, ela segurou os ombros de Quinn e chacoalhou-a. Talvez esperasse ouvir alguma coisa quebrada dentro da loira que justificasse aquelas palavras. – Você mudou Quinn, você sabe disso e sabe que isso não combina mais com você!
Quinn respirou fundo enquanto sentia o hálito quente de Rachel em sua face, momentaneamente, o perfume doce da morena também invadiu seus sentidos e embriagou-a. Ela fechou os olhos e suspirou, considerando seriamente em abandonar toda aquela fantasia...
Porém, quando ela abriu os olhos amendoados, eles estavam tão frios quanto gelo. Aquele tom de voz não combinava com Rachel, aliás, não combinava com as duas. Aquele tom era a súplica, o pedido para manter o Glee unido assim como ela e Finn. Quinn deu mais um passo próximo a morena, rompendo totalmente a barreira pessoal dela. Rachel engoliu em seco, Quinn deu um sorrisinho sarcástico e despejou:
— Engraçado você me pedir para parar de fingir que não ligo... Quem está fingindo alguma coisa aqui é você, Berry. Você está fingindo que aquela noite em NYC não aconteceu, está fingindo que...!
— Calada, Fabray! – Rachel gritou, de novo, mas dessa vez parecia furiosa. Ela se afastou da ex-cheerio com os olhos derramando as lágrimas que já estavam pedindo para cair. Quinn não teve pena daquela visão, muito menos se emocionou com o que se passava ali. O sorriso irônico ainda estava em seus lábios e era aquilo que mais irritava Rachel. – Não houve nada em NYC, pelo menos nada que eu permitiria acontecer... Você não tem direito de usar isso contra mim!
— Não tenho direito? – Quinn se aproximou sorrateiramente, como uma leoa que cerca sua presa. Rachel parecia menor diante da aparência predadora da ex-cheerio. Quinn apanhou o cigarro que ainda estava na mão de Rachel e deu uma tragada satisfeita, depois, soltou a fumaça pelas narinas. – Depois de tudo que aconteceu, você realmente acha que eu não tenho nenhum direito sobre você? Eu tenho mais direito que o Finn, se duvidar.
Rachel se calou, talvez realmente estivesse sem resposta ou estava apenas entorpecida com o cheiro mentolado do cigarro e a aparência cruel de Quinn Fabray a sua frente. A pequena diva respirou fundo e ensaiou uma saída monumental dali, mas sentiu uma mão delicada em seu pulso. Quinn a puxou para que ambas se olhassem e disse mais amena:
— Uma hora, o McKinley vai acabar e você vai perceber o que as coisas significam e talvez, nesse momento, eu ainda esteja aqui.
— Você não tem moral para me falar esse tipo de coisa, Quinn. Você é só mais uma insensível que não consegue ver a felicidade dos outros. Sabe qual é o seu problema? Seu egoísmo te faz crer que o mundo gira ao seu redor quando, na verdade, o mundo sequer gosta de te ter nele! – As palavras de Rachel foram frias e atingiram Quinn em cheio, ela soltou-se da morena como se acabasse de levar um choque. Rachel lhe lançou um último olhar enojado e saiu dali.
Mas antes que a morena pudesse entrar na escola novamente, Quinn gritou ferida:
— Quer saber, RuPaul... Dane-se!
Dizendo isso, Quinn jogou o que sobrara do cigarro no piano e como a tinta era inflamável, o incêndio se fez. Rachel ainda tentou gritou para que a ex-cheerio não fizesse aquilo, mas já era tarde. O fogo já destruía o piano do Glee Club.
Quinn sorriu satisfeita e subiu as escadas das arquibancadas para admirar o espetáculo que em breve se formaria ali. O alarme de incêndio soara e rapidamente, os alunos vieram para o pátio observar sua obra prima. Quinn gargalhava histericamente nas escadas e só parou quando a pequena figura de Rachel Berry a olhou.
Rachel estava com ódio, muito ódio. E Quinn sentiu seu coração acelerar por causa daquilo.
***
Notas finais
E gente, o que será que aconteceu em NYC entre elas?
ASUSAHUAHUASHUAHUAHUSU
Saibam no próximo capítulo (ou não).
Comentem, beeijos!
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