You

1 Capítulo 1 (oneshot)


Notas iniciais
Tive essa ideia muito do nada e decidi escrever! ♥ Eu escrevi pensando na música "You", da banda "The Pretty Reckless", que me lembra muito os dois. De alguma forma, essa oneshot se conecta a primeira oneshot que eu escrevi, You Got It On, mas não é especificamente uma continuação. Enfim, espero que gostem! ♥

A neve caía pelas ruas da cidade que nunca dorme, contracenando com as fortes e brilhantes luzes da mesma. Nem mesmo a temperatura negativa poderia competir com a tentação de Tasha de observar aquela vista magnífica, sendo que a mesma congelava seus dedos da mão e a ponta de seu nariz. Ela simplesmente visava o desafio, sedenta pelo perigo, por mais bobo que fosse. Pegar um resfriado para simplesmente observar uma vista daquelas valia sim toda a pena, já que a tempestade de neve que caía sobre Nova York naquela noite tornava qualquer possível saída de seu apartamento complicada demais. Na mesma hora que Tasha odiava o inverno por isso, também o amava por trazer uma vista tão linda como aquela. E também por ser uma desculpa para saborear um chocolate quente todas as noites, como estava fazendo naquele exato momento. Deixou a sua mente se aventurar em pensamentos enquanto observava os loucos que se aventuravam pelas ruas cobertas de neve numa noite congelante como aquela. Por mais que Tasha esperava que sua mente focasse em qualquer outra coisa, os seus pensamentos voltaram-se a apenas uma pessoa.

Roman.

Era tudo tão confuso. Primeiramente, o senso julgador de Tasha via Roman como um empecilho, algo que não deveria estar ali na FBI, algo que não pertencia aquele lugar. Ela via Roman como alguém que iria desencadear problemas. Ela era fechada e direta com aquele que as aparências diziam ser um inquilino, como sempre era com alguém não conhecia e que não dava chances de mostrar ser algo diferente daquilo que seu cérebro julgava. Mas, aos poucos, ele se aproximara da equipe. Aos poucos, cada um começou a confiar naquele novato. Aos poucos, ele se tornava mais acessível. Aos poucos, Roman se tornava um membro da equipe, assim como ela, como alguém que realmente pertencesse aquele lugar. Tasha não entendia, ou pelo menos não queria entender. Uma força negativa dentro de si bloqueava tais ações. De tanto que se machucara, criava sempre um escudo e apenas aqueles que realmente se esforçavam poderiam passar pelo mesmo.

Começou com um “bom dia” diariamente e com um “boa noite” a cada término de expediente. Continuou com conversas curtas e casuais, como as conversas de dois estranhos num metrô. Continuou com missões das quais os dois eram uma dupla. Continuou com sorrisos, com saídas com o resto da equipe para drinques e noitadas. E foi selado de uma maneira tão inesperada. Um dia qualquer, numa noite de outono, alguma coisa falara mais alto nos dois e, agindo de uma forma inexplicável, ele estava lá, naquela mesma sacada. E foi lá em que tudo se transformara em mais. Foi tudo tão diferente, mas ainda tão bom. Era difícil de explicar. Era difícil de lidar. Mas era bom. Era mais do que bom. Era incrível. Tasha nunca se sentira assim com alguém antes. Algo havia sido despertado nela. E foi Roman que despertara. Depois daquele primeiro beijo, depois daquela noite de amor, nada mais fora o mesmo.

Saiu de seus pensamentos quando o interfone de seu apartamento tocara. Saíra da sacada, colocando seu chocolate quente na mesa de jantar. Rapidamente concluíra que não havia outra pessoa para tocar seu interfone naquela noite além de Roman. Se não era ele, não sabia quem era a pessoa mais louca que faria isso numa noite congelante como aquela, com aquela tempestade de neve ainda a cair sobre a cidade. Depois da terceira vez que o interfone tocara, Tasha o atendeu.

-Tasha, sou eu. – Roman disse do outro lado da linha com sua voz inconfundível. – Sei que é incômodo, mas...

— Pode subir. – interrompeu Tasha, destrancando a porta de entrada.

Depois de certificar que Roman conseguira entrar no prédio, deu uma rápida olhada no espelho. O cabelo castanho solto estava surpreendentemente arrumado, por mais que recém havia acordado de uma soneca. Deu uma leve arrumada no pijama improvisado, sendo composto por um moletom canguru do FBI e uma calça moletom. Sentiu-se boba por checar sua aparência por causa da visita de Roman. Afinal, ele já a vira em seus piores momentos, por mais que fazia apenas quase três meses que estavam... bem, Tasha não conseguia descrever. Talvez pudesse chamar de amizade colorida, ou talvez, de interesse romântico. Qualquer coisa que descrevesse mais do que amigos, mas nada além de amantes. Mas estavam. E as coisas começavam a parecer cada vez mais sólidas. Cada vez mais cheias de significado. Cada vez mais e mais impossíveis de se serem ignoradas.

Roman bateu na porta e Tasha atendeu.

— Oi. – Roman cumprimentou-a com um sorriso.

Tasha fez um mesmo.

— Pode entrar. – permitiu.

Roman entrou e Tasha logo fechou a porta. Ele parecia estar morrendo de frio.

— Desculpa vir tão tarde. – Roman disse. – É que eu estava voltando pra casa a pé para pensar um pouco, respirar ar fresco e a tempestade de neve começou. Como seu apartamento era mais perto da onde eu caminhava e eu estava morrendo de frio, eu decidi vir pra cá. Desculpa mesmo.

— Não tem problema. – disse Tasha com um meio sorriso. – Até porque não é a primeira vez que você vem aqui nessa hora.

Roman sorriu com a resposta, captando o que Tasha queria dizer com a frase, porém, não falou nada.

— Pode sentar no sofá, você está morrendo de frio! – disse Tasha, sinalizando para que ele sentasse no sofá. – Vou te trazer um cobertor e te servir um chocolate quente.

— Não precisa, Tasha. – disse Roman. – Eu estou bem, só vou ficar aqui por um tempo até...

— Não esquenta, Roman. – Tasha interrompeu. – Eu insisto.

Depois de tapá-lo e servi-lo um chocolate quente, Tasha sentou-se ao lado de Roman, apoiando o braço no encosto do sofá.

— Obrigada. – agradeceu Roman. – Sério mesmo.

— Capaz Roman. – retrucou Tasha. – Não ia te deixar morrendo de frio.

Os dois compartilharam um silêncio que era, de alguma forma, acolhedor. Ela ficou ali, observando Roman tomar o chocolate quente que fizera.

— Parabéns Tasha. – elogiou Roman.

— Pelo o quê? – perguntou Tasha, confusa.

— O chocolate quente tá muito bom. – confessou Roman.

— Obrigada. – disse Tasha, um pouco corada. – Eu tenho outros talentos.

— Ah é? – disse Roman. – Me conta mais.

— Sobre o quê? – perguntou Tasha, meio perdida.

— Sobre esses outros talentos. – explicou Roman.

— Ah... – disse Tasha. – Nada especial. Meu negócio é trabalhar no FBI mesmo.

Roman deu um meio sorriso e tomou mais um gole do chocolate quente.

— Na verdade, acho que eu sei quais são seus outros talentos. – disse Roman com um sorriso malicioso no rosto.

Tasha deu um soco fraco no seu braço.

— Ai! – Roman soltou de brincadeira.

Tasha riu, corando. Depois de alguns instantes de silêncio, Tasha começou a falar.

— Por que você saiu caminhando numa noite de inverno, em Nova York, só pra pensar e “respirar ar fresco”? – perguntou Tasha, não aguentando a curiosidade que tinha pela resposta. – Você pode respirar ar fresco colocando sua cara para fora da janela!

Roman soltou um riso.

— O quê? – Tasha perguntou, juntando as sobrancelhas.

— “Você pode respirar ar fresco colocando sua cara para fora da janela”. – Roman repetiu. – Isso é tão Tasha de se dizer.

Tasha riu falsamente.

— Não é a mesma coisa só sentir no seu rosto ar fresco. A verdade é que anda tudo meio confuso. – confessou Roman, colocando a caneca de chocolate quente na mesinha de centro da sala de estar de Tasha. – É que eu nunca estive numa situação dessas antes.

Tasha se perguntou qual era a situação que ele estava passando, mas decidiu continuar apenas ouvindo o que ele tinha para dizer.

— É que no passado era diferente. – Roman continuou. – Eu tinha um propósito que era maior do que tudo. E esse propósito limitava tudo em minha vida. Tudo o que eu fazia era em favor desse propósito, qualquer coisa não era mais importante do que isso. Nem mesmo havia alguém que poderia ser mais importante do que fazer tudo a favor desse propósito.

Ele virou o rosto e olhou diretamente nos olhos grandes e castanhos de Tasha, sendo que ela ouvia atentamente a cada palavra que Roman dizia.

— Agora eu não tenho mais esse propósito. – continuou Roman. – Graças a Deus. Agora eu tenho um trabalho que, bem... não é os dos mais normais, mas chega a ser uma coisa normal.

— Ah, eu entendo! – concordou Tasha, resultando num curto riso dos dois.

— Agora eu tenho uma vida que é normal. – disse Roman. – Bom, uma vida normal comparada à vida que eu tinha no passado. E agora...

— Você pode deixar alguém ser importante na sua vida agora sem nenhuma preocupação. – completou Tasha. – Você, digamos, poderia se comprometer com outra causa.

— Exatamente. – concordou Roman.

Tasha sabia exatamente onde Roman queria chegar com toda essa conversa. Tasha estava esperando para que essa conversa continuasse. Lá no fundo, ela sabia que Roman estava falando sobre ela. Ou, pelo menos, estava esperando que ele estivesse falando dela. Se os sentimentos de Tasha começavam a insinuar que o que tinham agora se tratava de algo a mais, ela esperava que os sentimentos de Roman fizessem o mesmo. Precisava de uma confirmação para o que quer aquilo fosse. Mas precisava ouvir dele. Ah! E como precisava!

— Foi a primeira vez que você falou mais do que agiu. – disse Tasha.

— Ah é? – retrucou Roman. – Você prefere qual das duas opções?

Tasha revirou os olhos.

— Hoje você está mais engraçadinho pelo o que eu vejo. – provocou Tasha.

— Aprendi com a melhor. – disse Roman.

Os dois se encararam por um momento. Tasha observou o rosto de Roman. A barba loira e volumosa cobrindo parte de seu rosto. A cicatriz que o caracterizava de uma maneira tão peculiar. Aqueles olhos azuis claros que tanto gostava de observar. E por fim, aqueles lábios. A neve caindo lá fora, os dois sentados no sofá, se encarando de maneira tão profunda, não tão longe um do outro. Era o cenário perfeito para um beijo. E como Tasha queria aquele beijo. Não entendia como a vontade de tê-lo por perto crescia cada vez mais e como estar perto dele a fazia se sentir tão bem. Ela precisava tê-lo naquele momento, como cada vez mais precisava tê-lo em todos os momentos.

— Acho que já é a hora de eu ir embora. – disse Roman, tirando-a de seus pensamentos.

— Imagina Roman. – disse Tasha. – A tempestade ainda não parou. Você bem que poderia... passar a noite aqui.

— Tasha, eu estou bem. – Roman confirmou. – Eu aguento caminhar até o meu apartamento...

— Acho que você precisa passar a noite aqui. – interrompeu Tasha.

Ele parou por um momento. Tasha se aproximou de Roman, indo cada vez mais perto, olhando para seus lábios, sendo que ele observava o seu rosto enquanto ela se aproximava. Assim que seus rostos estavam a milímetros de distância, Tasha colou seus lábios nos dele, de uma forma intensa, porém, lenta. Explorava cada canto da boca de Roman incansavelmente. Ele tocou o cobertor que o tapava para longe, sentindo que nada poderia ficar no caminho dos dois. Depois de um instante, Tasha já sentava no colo de Roman, ficando de frente para ele, apoiando seus joelhos no assento do sofá. Ela passava a mãos pelo cabelo de Roman enquanto ele passava as suas mãos pelas costas de Tasha. As coisas começavam a ficar mais intensas, mas, de repente, Roman rompeu o beijo.

— O que foi? – perguntou Tasha, a milímetros de seu rosto. – Fiz algo de errado?

— Não, Tasha... – respondeu Roman. – Você não fez nada de errado. Fui eu que fiz.

— Como assim? – Tasha perguntou, confusa. – Você estava indo muito bem em minha opinião.

Tasha sorriu maliciosamente, mas não recebeu nada em retorno, apenas um olhar aflito vindo do rosto de dele.

— Eu não deveria ter vindo aqui. – confessou Roman.

— Não estou entendendo. – disse Tasha. – Por que você diz isso?

— Porque é a verdade, Tasha. – disse Roman. – Sempre termina assim.

— Assim como? – perguntou Tasha.

— Você sabe como. – respondeu Roman. – Por favor, me dá licença.

Tasha saiu do colo de Roman não conseguindo compreender o que ele estava querendo dizer com tudo aquilo. Primeiro ele aparece do nada no apartamento dela, vem com um papinho sobre “deixar as pessoas serem mais importantes do que propósitos”, eles se beijam e agora ele precisa ir embora? Tasha não poderia deixar que isso acontecesse. Roman se levantou do sofá, se dirigindo para a porta, mas ela se levantou e foi mais rápida do que ele, ficando à frente dele para que ele não conseguisse sair.

— Você não vai sair. – disse Tasha, parada na frente da porta. – Não sem me explicar o que está acontecendo.

— Tasha, só me deixa sair. – implorou Roman. – Vai ser melhor assim.

— Não. Não deixo. – negou Tasha. – Não depois de todo esse papinho sobre poder se comprometer com outras causas. Não depois de me deixar aqui esperando por alguma coisa.

— O que você esperava? – perguntou Roman, frustrado.

— Sei lá, Roman, me diz você. – retrucou Tasha. – Já se passaram três meses. Três meses. O que nós somos? O que eu sou pra você?

Roman colocou as mãos na cintura e olhou para trás, intimidado com a pergunta de Tasha.

— Você sabe que você é algo para mim. – disse Roman.

— Ah, sou? – perguntou Tasha, sarcasticamente.

— Sim, você é Tasha! – confirmou Roman, irritado com a discussão.

Tasha sentia raiva em suas veias. Pensou que Roman pudesse admitir algo, mas ele não admitira nada, mesmo depois de tudo o que ele falara antes. E ele queria ir embora agora. Fechou-se completamente quando Tasha estava disposta a falar. Ela estava com muita raiva de Roman por isso.

— Eu só não entendo. – disse Tasha. – Já se passaram três meses! Três meses disso que eu nem sei como nomear!

— Eu entendi que já se passaram três meses, Tasha. – disse Roman, bufando.

— Então por que você não admite? – perguntou Tasha.

— Admitir o quê?!? – perguntou Roman, expressando raiva.

— Por favor, Roman. – retrucou Tasha. – Não finja que você não entende.

Roman olhou aflito nos olhos de Tasha, depois, olhou para baixo. Parece que organizava seus pensamentos ou o que estava prestes a dizer. E Tasha ficou parada, observando-o de pé.

— É claro que eu entendo. – Roman confessou. – Mas eu não queria entender.

Lágrimas de ódio, ou talvez de tristeza mesmo, se formavam nos olhos de Tasha. Ela cruzou os braços sobre o peito.

— Nós temos que entender. – Tasha disse com emoção em sua voz.

— Era isso que eu não queria. – Roman disse. – Ver você chorando.

— Então por que não impediu que isso acontecesse? – perguntou Tasha, incrédula.

— Por mais que eu tenha mudado... – disse Roman, também com emoção em sua voz. – parece que a pessoa que eu era no passado nunca saiu de mim.

— O que você quer dizer com isso? – perguntou Tasha, tentando entender.

— Tudo. – continuou Roman. – Minha infância complicada, traumatizante. O orfanato. Jane. Shepard. Sandstorm. Tudo. Tudo ainda está dentro de mim como um peso enorme. E eu tenho medo, Tasha. Eu tenho muito medo.

— Medo de quê, Roman? – Tasha perguntou. – Já derrotamos a Sandstorm. Como você disse, você não tem mais um propósito.

— Mas e se esse cara que eu costumava ser voltasse? – disse Roman. – E se ele decidisse que tinha um propósito novamente?

— Roman... eu entendo. – confessou Tasha. – Eu também já fui uma pessoa bem pior. Muito pior.

— Pior do que eu fui... – Roman disse.- ... não tem como.

— Tem sim. – retrucou Tasha. – Eu abusava da confiança das pessoas. Cheguei até a trair a FBI uma vez. Eu prometi deixar isso apenas entre Jane, Weller e eu, mas você precisa saber que eu já dei informações sobre a Jane pra CIA. E outras coisas piores ainda. Meu passado com apostas. Tudo. Tudo ainda pesa miseravelmente, mas eu sigo em frente.

— Tasha... – Roman disse. – Eu... eu não fazia ideia.

— E nem tinha como saber. – continuou Tasha. Agora os dois estavam mais calmos, deixando a frustação causada pela discussão de lado. – Eu sou como você Roman. Eu demoro pra confiar nas pessoas e tenho medo que as pessoas confiem em mim. Todo o santo dia eu ainda tenho medo disso. Por isso no começo eu era tão ranzinza e rude com você. Por isso eu te deixei pensando que te odiava.

— Então você não me odiava? – Roman perguntou com um meio sorriso.

— Não. – Tasha disse, deixando uma lágrima cair. – Era só o meu senso julgador de sempre. A verdade é que... tem uma hora que você precisa se perdoar. Dói muito ressentir. Cansa. Impede você de ser quem você deveria ser. De fazer o que você deveria fazer. E mais importante...

Tasha parou por um momento.

— O que é o mais importante? – Roman perguntou, olhando profundamente nos olhos de Tasha.

— Te impede de amar quem você deveria amar. – continuou Tasha.

Eles se encaram por um momento antes de Tasha voltar a falar novamente.

— Se perdoar não é esquecer daquilo que você fez no passado, mas é usar como aprendizado e como motivo pra fazer tudo diferente. Se perdoar não é se livrar do peso que você carrega, mas sim, viver acima de tudo isso. E vai ter dias que você não vai conseguir dormir à noite por isso. Tem dias que tudo será mais difícil por isso. Mas é por isso que você deve deixar as pessoas confiarem em você. Assim, você confia em si mesmo.

— Eu nem sei o que dizer. – Roman disse perplexo. – Nunca vi você sendo tão... aberta.

— Eu confio em você Roman. – Tasha confessou. – E preciso que você confie em mim também.

— Mas eu confio em você. – disse Roman.

— Então confie em você mesmo. – retrucou Tasha. – E admita. Sei lá. Só me diga o que você quer realmente me dizer.

Roman respirou fundo e colocou as mãos no rosto. Em seguida, revelou lágrimas se formando nos seus olhos azuis.

— Eu acho que tenho uma nova causa. – Roman disse. – E talvez eu esteja preparado para me comprometer com ela.

Tasha deu um meio sorriso. Lágrimas escorriam pelo seu rosto.

— Eu estou aqui, Roman. – Tasha disse. – E não vou a lugar nenhum.

Ele se aproximou de Tasha e a olhou diretamente nos olhos.

— Eu só amei uma mulher na minha vida, Tasha. – confessou Roman. – Pelo menos acho que amava. Mas a pessoa que eu era no passado escolheu o propósito.

Tasha assentiu, mostrando que estava disposta a ouvir tudo o que ele tinha para dizer.

— Quero que saiba que eu tenho medo de fazer a mesma coisa com você. – confessou Roman. – Você é... especial para mim.

Tasha colocou o cabelo atrás da orelha ao pensar se era capaz de dizer o que queria colocar para fora. Naquele momento ela queria gritar que o amava, que precisava de Roman em sua vida. Mas tinha medo, assim como ele. Tinha medo que depois de tudo que Roman que passara, ele pudesse achar muito cedo para Tasha dissesse aquelas três palavras. Em vez de dizer alguma coisa, ela apenas se aproximou e o abraçou. Um abraço que falava mais alto que simplesmente gritos. Um abraço apertado, o qual Roman respondeu. Ele envolveu os braços em Tasha enquanto os dois choravam. E os dois ficaram no abraço por longos minutos, o que pareceu uma pequena eternidade da qual os dois não queriam mais sair.

— Você foi a única pessoa que me viu assim, Roman. – Tasha confessou durante o abraço. – Tão vulnerável. Tão frágil. Ainda mais eu. Com o coração de pedra. Fechada como sempre fui. Ranzinza, não deixando ninguém nunca entrar.

Ainda abraçada nele, ela passou a olhar profundamente em seus olhos azuis.

— E eu nem abri a porta pra você entrar, Roman. – disse Tasha. – Você só arrombou a porta. Acho que você demoliu uma parede inteira.

Os dois riram. Roman segurou o rosto de Tasha com as mãos e começou a enxugar suas lágrimas com os polegares.

— Os últimos três meses foram... incríveis. – disse Roman. – Não só a parte, bem... prazerosa. Não que não fosse...

— Incrível? – Tasha tentou completar.

— Espetacular! – Roman completou, fazendo que os dois rissem. — Você me mostrou um lado seu que ninguém conhece.

Tasha sorriu.

— Você está certo. – Tasha confessou.

— E eu amo esse seu lado. – disse Roman. Ao ouvir essas palavras, o coração de Tasha começara a bater mais rápido. – Assim como eu amo tudo em você.

Tasha esboçou um sorriso, sendo que respirava fundo, com o coração a mil.

— Sempre me perguntei quem diria primeiro, mas... – continuou Roman. – Eu te amo, Tasha.

Agora o sorriso de Tasha se estendera de orelha a orelha.

— Eu também te amo, Roman. – confessou Tasha, com o rosto a milímetros de seu rosto.

Roman colou os lábios nos lábios de Tasha, lenta e apaixonadamente, querendo aproveitar o máximo do momento. Depois de alguns instantes, o ar se fez necessário e eles quebraram o beijo.

— Eu só não disse que te amava antes porque eu queria que você falasse primeiro. – disse Tasha, enquanto as testas dois permaneciam coladas.

— Tasha Zapata... – disse Roman. – Sempre querendo ter a última palavra.

— É, você vai ter que se acostumar com isso! – retrucou Tasha.

Os dois riram.

— Agora que já falei, seria uma boa hora demonstrar o quanto eu te amo. – disse Roman, com um sorriso nos lábios.

— Você já conhece o meu quarto. – disse Tasha, com um sorriso malicioso. – Agora você quer ficar, não é?

— Se eu pudesse, eu ficaria pra sempre nesse momento com você. – confessou Roman apaixonadamente.

Os dois voltaram a se beijar, com ainda mais paixão e mais desejo do que antes. E, por fim, aproveitaram o máximo da noite, se amando das formas mais apaixonadas que fossem possíveis, sempre dizendo como se amavam e como precisavam um do outro.

E assim Tasha soube, naquela noite, que, pela primeira vez, tudo aquilo que fizera no passado não foi apenas perdoado por ela, mas sim, por Roman, a outra pessoa que agora a fazia completa. Ele era aquele que iria fazê-la lidar com todos os seus demônios sem trazê-los de volta a sua vida. E assim Tasha faria o mesmo por Roman. Naquela noite, os dois perceberam como os dois necessitavam um do outro e que, finalmente, depois de tudo o passaram, a vida trouxe um motivo para continuar. O passado e o futuro emergiram para que Tasha e Roman se encontrassem. E eles se encontraram. E graças a Deus, ao universo, a uma força incompreensível, a qualquer coisa que fosse, eles estavam juntos. E juntos permaneceriam. Roman amava Tasha e, finalmente, ela poderia dizer da forma mais alta que pudesse ou poderia expressar da forma mais apaixonada que conseguisse: Tasha amava Roman.

Notas finais
E aí, o que acharam? Comentem! Decidi escrever uma discussão entre eles porque eu sempre escrevi eles tão apaixonados, daí queria escrever esse tipo de interação entre eles. E novamente enaltecendo que preciso que vocês continuem me inspirando pra que eu não perca a vontade de continuar escrevendo, já que as aulas começaram novamente e eu estou no terceiro ano do ensino médio, então a o bicho pega haha :( Pedidos são sempre bem-vindos! E vamos continuar rezando pra esse nosso amado shipp acontecer ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!