Yokooo! (HIATUS)
5 Capítulo 5
Notas iniciais
O veículo amarelo rangia por causa das curvas estratégicas feitas pelo taxista, e Sumire, assustada por causa desta situação toda, começava a pensar que tudo aquilo não fazia muito sentido. Perseguir Yoko? Pelos conhecimentos dela até agora, Yoko era apenas uma garota totalmente estranha que chorava com histórias infantis. Aquilo era realmente necessário?... Por alguns segundos, ela olhou para Sho, que prestava atenção na limusine preta, a qual o motorista, suspeitando do carro amarelo, tentava fugir.
Quer dizer... Talvez fosse mesmo besteira estar fazendo aquilo. Sumire gostaria de saber sobre a vida de Yoko, mas de um jeito que não precisasse persegui-la como em filmes. Embora a sensação fosse divertida, ela poderia parar com tudo aquilo. Poderia tentar descobrir coisas a respeito de Yoko falando diretamente com ela, ou não. Afinal, ela era apenas uma garotinha que chorava com livros infantis. Chorar... Com livros... Infantis. Infantis? Sumire apertou os dedos contra o banco do carro, ao senti-lo fazendo uma curva bruscamente.
— Uoou! — Gritou Sho. — Está tudo bem, Sumire-chan? — Perguntou ele observando a menina dos olhos azuis agarrada ao banco do carro.
— M-mas é claro que eu estou! E... Não ouse utilizar “chan” no final do meu nome, não sou nenhuma pouco íntima sua e... — o taxi deu outra curva brusca. — Waah! — Gritou ela e Sho fez o mesmo.
Ele riu.
— Você grita como uma garotinha, Sumire-chan. — Ele caçoou.
A garota lançou um olhar mortal para Sho.
— C-calado... — Impôs fortemente, mesmo estando ainda agarrada ao banco.
O pneu do carro fez um barulho estridente. Acabou por despertar a atenção do motorista da limusine, que acabou tendo a ideia de despistá-lo; o mesmo sorriu e fez uma manobra estratégica: um tipo de curva falsa seguida de uma curva real, o que fez com que o taxista se confundisse e, então, o taxi desviou por pouco de um poste. O taxista respirou já um pouco desgastado, porém prosseguiu com a perseguição. A limusine aumentou a velocidade, tentando sumir da visão do taxista. Conseguiu. Acabou por entrar em uma pequena rua coberta por pedras.
O taxista semicerrou os olhos, tentando encontrar a limusine, tentativa em vão. Suspirou fundo, mas não desistiu. Acelerou mais o carro e entrou naquela rua, suspeitou que o carro pudesse ter entrado lá. Por pura sorte encontrou-o. A limusine, de motor extremamente potente, acelerou mais ainda e fez uma curva com grande perigo, uma curva fechada. Já o taxista não conseguiu ter este sucesso, acabara por bater em um poste, desta vez, em cheio.
A batida foi o bastante para o coração de Sumire acelerar e ela arregalar os olhos de imediato. Sho estava com a respiração descompassada, os dois se entreolharam assustados. Aquilo seria um grande problema, uma grande dor de cabeça. A menina olhou para o retrovisor e viu a face do taxista, não parecia nem um pouco amigável. Eles estavam em uma enrascada... Uma grande enrascada.
— Ah, droga! — Gritou o taxista saindo do veículo e o chutando.
Sho suspirou.
— É o que acontece quando o condutor não é bom o bastante... — Murmurou num olhar lateral com as mãos no bolso, descaradamente.
— Mas o quê?! — Exclamou o taxista nervoso, que teve de ser contido por Sumire, para que não espancasse o Nakamura.
— Seu idiota! Depois desse sustou todo, como pode dizer uma coisa dessas?! — Exclamou Sumire dando um tapa em Sho.
O Nakamura soltou um gemido fingido, acariciando sua face e rindo. Entretanto, ao observar o rosto de Sumire, ele mudou totalmente sua expressão.
— Ei, Sumire-chan... Sua testa está sangrando.
— San...? — Começou ela antes de colocar a mão sobre o local ferido e observar o vermelho em suas mãos. — Ai meu D...
A garota desmaiou nos braços de Sho.
Uma hora depois...
— Sumire...chan?
— O que é... O que foi...? — Ela falou se levantando.
Sumire olhou ao redor.
— Onde eu... — Passou sua mão na testa novamente e, quando a observou, voltou a si. — Seu idiota! Idiota! Por que não me levou ao hospital?!
— Porque eu não sei onde estamos. — Respondeu como se aquilo não fosse nada.
— Hã?! Como assim?!
— Eu não sei, ué. Aquele taxista doido queria que nós pagássemos os danos causados ao veículo dele, então... Eu simplesmente te peguei no colo e saí correndo.
— Você o quê?!
— Te. Peguei. No colo. — Falou com um sorriso no canto da boca.
— Ora, seu...! — Sumire estapeou a bochecha de Sho.
— Selvagens... São as mais divertidas. — Comentou acariciando sua bochecha rosada.
— O-o quê?! — Gritou indignada e deu outro tapa no garoto.
Sho riu.
— Violenta. — Disse sorrindo.
— Ai...! — Disse vermelha de raiva e depois respirou. Forçada por si mesma se acalmou. — T-temos que pedir informação...
— Sim...
Sumire olhou a sua volta e percebeu estar em um local um tanto escuro e um pouco úmido. Levantou-se rapidamente e percebeu que os dois estavam em um beco. Sho e Sumire decidiram sair dali e procurar informações de como voltar para casa. O aspecto não estava ajudando-os a pensar em uma rota para casa.
Caminharam em passos rápidos e avistaram um senhor de idade sentado no em um banco:
— Oi... – Sumire disse.
O homem levantou a cabeça e a olhou por um tempo, logo respondeu:
— Olá.
— Você poderia nos informar como chegamos ao bairro Hyakuna?
— Eu não conheço um bairro com este nome... Tem certeza que ele se chama assim?
Sumire e Sho se entreolharam. Talvez o homem não estivesse se lembrando, afinal, a idade estava mostrando seus sinais já. Os dois agradeceram e procuraram outra pessoa para que pudessem informá-los.
Ela pensou um pouco, analisou o ambiente novamente e então apontou para uma loja de penhores.
— Vá lá e pergunte onde estamos! — Ordenou.
— Eu? — Indagou apontando o dedo indicador para si mesmo.
Ela assentiu com a cabeça.
— Hum... Ok. — Respondeu.
Sho colocou suas mãos no bolso e chegando à loja bateu na porta duas vezes.
— Ooi? — Falou.
— Olá. — Disse um velhinho terminando de guardar um produto na estante.
— Minha namorada e eu estamos perdidos e... Poderia me informar onde estamos? Bairro, rua...
— Ah, claro. Você e sua namorada estão perdidos, é? E onde ela está?
— Lá fora. — Ele olhou para a rua: ela estava sentada na calçada, agarrada em sua bolsa. Ele sorriu. — Amoôor! — Chamou.
Sumire olhou para Sho como se fosse mata-lo. É claro que ele teria feito isso propositalmente, só para irritar. A garota encaminhou-se até a loja.
— Oh, ela é bonita. — Comentou o velho.
— Não é mesmo? — Ele riu.
Sumire atravessou a parta, pondo-se ao lado de Sho.
— O que foi? Por que me chamou daquele jeito? — Perguntou friamente ao Nakamura.
— Nada, amor. — Ele colocou a mão no ombro da garota. Ela apenas observou. — Este senhor vai mostrar para nós onde estamos não é?
— Sim. — Respondeu o homem sorrindo e depois foi buscar alguma coisa no caixa. — Vocês fazem um bom casal...
— C-casal...?! — Sussurrou Sumire olhando nervosa para Sho.
O menino apenas riu baixinho novamente.
— Sim. Obrigada, senhor.
— Ora, ora... Não há de que. — Disse e abriu um mapa sobre a mesa grande de madeira. — Venham aqui, por favor.
Os dois fizeram o que o homem disse.
Alguns minutos depois, no lado de fora da loja...
— Okinawa.. Estamos na capital Okinawa! Estamos em outra cidade! Tudo isso é culpa sua, Sho!
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