Yns 2 (pt. 1) - Everything Youre Not
8 Capítulo 8 - Quem é a nova integrante?
Rafaela agora está sem algemas, mas mesmo assim está inquieta. Sentada em uma cadeira de plástico, com a mesa de metal com várias folhas, William sentado de frente para ela, do outro lado da mesa. Segurando um bloco de papel e uma caneta para anotar tudo o que Rafaela dizer.
– É fácil as pessoas colocarem algo em minha casa, se eu tivesse mesmo roubado, eu assumiria. Pra quê eu precisaria daquela bolsa, identidade, cartão de crédito? – disse Rafaela, séria.
– É a acusação dela contra a sua. Não se dá para provar sua inocência apenas falando que foi alguém que colocou lá. – disse William, anotando algumas coisas no bloco.
– Wally matou Yane e você nunca fez nada. – disse Rafaela.
– Como? – disse William, sem entender.
– Nada. Minha defesa é essa: Eu sou inocente, e é isso que importa. – disse Rafaela, por fim.
– Se sua defesa é essa, você perdeu a chance de dar um começo para a sua liberdade. Te manteremos presa por enquanto para você não roubar mais nada, até seu ‘julgamento’, e ai decidiremos o que faremos com você.
Rafaela assentiu levemente, e seguiu William para a próxima sala.
Tempo Depois...
– Devia ter trazido meu livro, assim ao menos não ficava com tédio. – pensou Rafaela, se acomodando no beliche. Ao menos está em uma cela vazia, por enquanto não há ninguém por perto. O ambiente é frio, com as paredes brancas mas sujas, o beliche que pode quebrar a qualquer momento e uma pia. Pra quê uma pia? Não ficaria muito tempo ali para poder usa-la, certo? Sentada no beliche de cima, sentou algo tocar sua mão.
– Olá. – Rafaela olhou para a dona da voz. Molly, sua boneca.
– O que você faz aqui? Quem é você? – disse Rafaela.
– Você não se lembra de mim, Rainha? – a voz de Molly se tornou fina e frágil.
– Rainha... Espere! – Rafaela olhou para Molly, que veste um vestido preto de pirata e seu cabelo é loiro com mechas vermelhas, e a pele branca de porcelana.
Flash Back
– Rainha? – chamou Molly. Rafaela olhou para Molly. – Se teletransporta para a prisão, pois ela fica meio longe e não quero que vossa alteza ande mais do que o necessário.
Rafaela sorriu ao ouvir a voz de Molly.
– Como se tele transporta de um lugar ao outro? – perguntou Rafaela. Por mais que os moradores daqueles cogumelos a achassem uma Rainha de verdade, poderia até ser, não sabia mais usar seus poderes.
– Você não consegue? – perguntou Molly, com a voz mais fina ainda.
Rafaela fez “não” com a cabeça.
– Eu faço então. – falou Molly. Quando Rafaela viu, estava dentro de um corredor com muros de tijolos pretos, com várias celas.
– Quem tanto está preso aqui? – perguntou Rafaela, passando a mão nas paredes frias.
– Aqueles que te enfrentaram na primeira guerra. – respondeu Molly, pulando da mão de Rafaela e ficando na sua forma original. Rafaela foi andando ao lado de Milly pelo corredor, e viu que no final dele, tinha um elevador.
– Já sei, existe mais celas lá em baixo, né? – deduziu Rafaela. Molly assentiu.
– Quer conhecer a cela de Kagari? – sugeriu Milly.
“Não vá.” Uma voz falou em sua mente.
Flash Back
– Hm, já sei quem você é, mas porque está aqui?
– Você precisa muito de mim. Certo? – disse Molly, balançando as pernas olhando par ao chão.
– Sim. Me tire daqui. – disse Rafaela.
– Ela já está a caminho.
– O que?
– Sem mais perguntas. – disse Molly, encerrando o assunto.
– Tudo bem...
– Trouxe algo para você. Está com fome? – perguntou Molly.
– Sim.
Um livro e uma garrafa de coca e doritos apareceu na mão de Molly, entregou para Rafaela.
– Foi o melhor que achei. – disse Molly.
– Foi o melhor mesmo, obrigada. – disse Rafaela, fazendo Molly sorrir.
– Você não vai deixar de viver para ficar na prisão por algo que não fez, né? – perguntou Molly, atraindo a atenção de Rafaela, que coloca seu livro no canto do beliche.
– Não.
– Não se deixe prender por algo, como aconteceu com Nathália. – disse Molly.
– Nathália... – disse Rafaela, e ao mesmo tempo um flash back invadiu a sua mente.
Flash Back
O relógio central bateu meia noite. Nathália colocou um gorro de lã preto, um casaco branco e botas, e foi para a rua. Todos naquele reformatório poderiam sair toda a quarta feira. Bom, já é quarta feira. Colocou as mãos no bolso do casaco, tentando se aquecer diante da neve que cai na rua. Não tem família, o que vai fazer na rua a meia noite? Não sabia, mas não queria ficar em um reformatório, não todos os dias da semana. Olhou as placas digitais, que anunciam lojas que nunca visitou. Andou por alguns minutos, olhando as placas, até bater de frente com alguém e cair no chão.
- Tudo que vai volta, morto ou vivo... Nada nunca acaba... Os que precisam são imortais. – sussurrou a menina, assustando a Nathália.
- Desculpe. – disse Nathália, se levantando e ajudando a menina a se levantar. – Está escuro e eu não te vi.
- Ah, tudo bem. Meu nome é Rafaela. – disse Rafaela, olhando para Nathália, vestindo uma roupa de frio.
- Rafaela... Me lembra alguém. – disse Nathália.
- Quem? – perguntou Rafaela.
- Ah, desculpe, eu não devia ter perguntando. – Rafaela disse, ao perceber Nathália olhar para o chão, em um olhar vago.
- Quantos anos você tem? Você não devia estar dormindo? – disse Nathália, estranhando Rafaela estar na rua a essa hora.
- Eu não consigo dormir. – disse Rafaela.
- Ah...
- Meu nome é Nathália, eu tenho 11 anos, estou naquele reformatório ali – Nathália apontou para prédio branco sem vida atrás dela. – Minha mãe morreu por um... Alguém a matou e eu não pude impedir. Agora sou adotada, mas... ainda acham seguro eu ficar aqui, caso tenha uma recaída.
- Você é louca? Porque está contando isso para mim?! Você não sabe nem se eu quero saber disso. – disse Rafaela.
- Não, não sou louca. Você não acreditaria em mim, nem em meu passado. Eu... Só quis te falar o que aconteceu comigo para você poder me entender. – disse Nathália.
- Nem eu mesma me entendo.
- Já... Eu não sei se posso falar isso, mas... Ouviu falar em Agyle? – perguntou Nathália.
- Sim.
- Você é... – Nathália ia falar algo, mas Rafaela a interrompeu.
- Está com fome? – perguntou Rafaela.
- Sim. Não tem nenhuma coisa boa no reformatório. Se você estiver com fome também, te faço algo quente como... Café? E algum bolo, sei lá. – disse Nathália.
- Não vai me matar se eu te levar até minha casa? – disse Rafaela, com um olhar desconfiado para Nathália.
Nathália riu.
- Não vou, eu juro.
- Tudo... Bem. Vamos até lá. – disse Rafaela, por fim.
2 Meses depois do acontecido...
- VOCÊ NÃO PODE COZINHAR! SUA IRMÃ ME FALOU QUE VOCÊ BATE NELA COM ESSA COLHER! – berrou a mulher, mãe adotiva de Nathália.
- Mas... mãe... – Nathália paralisou, segurando a colher preta de plástico.
- EU NÃO QUERO SABER! – a mulher bateu na mini bacia onde havia uma massa de um bolo, e ele caiu no chão.
Nathália começou a chorar.
- E NÃO ME TRAGA AQUELA MENINA, RAFA SEI LÁ O QUE, NÃO QUERO QUE ESPALHEM QUE A ABRIGO AQUI EM CASA! – gritou a mulher, fazendo Nathália deixar a colher de plástico cair no chão.
- Eu não me importo. É melhor ela estar aqui do que uma velha coroca e uma mentirosa de 7 anos.- a mulher deixou cair uma vela de raiva, que estava perto da mesa e o chão começou a pegar fogo. A mulher tentou pagar o fogo, mas não conseguiu. Rafaela assistia tudo, encostada na porta, sem nenhuma expressão, sem dizer nada.
- Vamos embora daqui. – disse Nathália, saindo pela porta junto com Rafaela, enquanto a casa começou a pegar fogo. Todas as portas e janelas se trancaram, a mulher e a irmã de Nathália ficaram sem saída.
- Nada de culinária depois do que aconteceu, quero esquecer isso. – disse Nathália, parando de chorar, pois a tristeza foi tomada pela raiva.
Rafaela concordou sem discutir.
Fim do Flash Back
- Porque lembrei disso? – perguntou Rafaela para Molly, sem entender.
- Alguém irá fazer o mesmo. – disse Molly, ajeitando o cabelo loiro.
- Tacar fogo em sua casa? – perguntou Rafaela.
- Vou tacar fogo em você, se não parar de ser lerda. – disse Molly, séria.
- Bruta. – disse Rafaela.
- Lerda. – disse Molly, chutando a perna de Rafaela. – Você vai sair daqui, e Nessie entrará em seu lugar. Foi escolha dela.
“Que Isabel esteja a tempo. “ pensou Molly, um pouco alto demais.
- Quem é Isabel? – perguntou Rafaela.
- Sou eu.
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