Yns 2 (pt. 1) - Everything Youre Not
16 Capítulo 16 - Você não deve saber
Flash Back
- A única pessoa que me valorizou em toda minha vida, era você, eu enlouqueci por sua causa. – diz Isabel, no reformatório, junto com Zoe.
- Mas e Gabbe?
- Ela quer vingança. Não a culpo, mas... Ela virá atrás da sua família, tome cuidado, por favor.
- Isabel... Eu sinto muito, eu achei que antes reformatório do que prisão. – se desculpou Zoe. Nessie está em seu colo, Nessie tem 4 anos e veste uma roupa de frio, toca e lã. Zoe está com uma toca de lã cinza, e as roupas pretas. Isabel está toda descabelada, com olheiras de tom forte, sua boca está ressecada, seu olhar está vazio. Veste uma camisola que vai até os joelhos, é larga.
- Eles descobriram meus crimes. Eu sou uma assassina. – disse Isabel, levantando o braço, suas mãos estão com correntes. — Meu reflexo no espelho é como uma pessoa louca. Minhas memórias estão sumindo...
- Isabel, vou pegar algo para você. Um cupcake e um cappuccino gelado. Já volto. Segure a Nessie, por favor. – disse Zoe, colocando Nessie no colo de Isabel.
- Não sei como confia em mim.
- Apenas confio. Me espere, já volto! – disse Zoe, caminhando pelo corredor branco. Isabel arrumou o cabelo de Nessie, que está sorrindo, e batendo as mãos. Isabel está tremendo um pouco. Começou a falar com Nessie, que respondia com sons estranhos. Isabel sorriu um pouco, se sentiu feliz. Hayley veio caminhando pelo corredor, e ao ver Isabel a abraçou.
- Posso segurar? – pediu Hayley, apontando para Nessie.
- Claro. – Isabel passou Nessie para os braços de Hayley. – Como está Agyle?
- Não é a mesma coisa sem você. – disse Hayley, se sentando na cadeira branca de plástico velha, do lado direito de Isabel.
- Onde Zoe foi? – perguntou Hayley.
- Pegar algo para comermos. Aqui eu realmente enjoei de gelatina verde. Amo limão mas... Eu hein. – disse Isabel, rindo.
- Não sei se você me desculpou mesmo, pelo Peter...
- Agyle é mais importante. Assim como nossa amizade. Eu... Tive uma visão. Prefiro... Não comentar. Mas tem outra também, que tive. É um segredo, você pode guarda-lo? – perguntou Isabel.
Hayley assentiu.
- Vermelho.
- Diva? – perguntou Hayley.
- Sim. É sobre hoje à noite.
- o que tem hoje à noite?
- Gabbe percebeu o que eu quero. Ela não é má... Não gosta que eu fique perto de Zoe, por medo... Eu tenho medo que a Zoe se mate. – Isabel não falava as coisas certas, provavelmente sua mente está sendo afetada.
- Você fala de coisas diferentes, assim eu não entendo.
- Você sabe que eu...?
- O que? – Hayley está confusa.
- Ah, deixe... Estou te confundindo. E... Não quero que me olhe de outra maneira.
- Nunca.
Zoe foi até Isabel e Hayley, está comendo um cupcake verde e roxo.
- Onde arrumou isso? Zoe... Aqui nem tem comida decente! Cadê meu cappuccino gelado?! – reclamou Isabel.
- São 4 da tarde, vou te levar na cafeteria aqui do lado. – disse Zoe.
- Eu não sabia que tinha...
- Quando se vem para aqui, não se vê mais nada. – disse Zoe.
- Só vejo paredes brancas, e assassinos com grau abaixo do meu. E gelatina verde.
- Não se esqueçam da gelatina verde.
- Sim. – concordou Zoe.
- Tenho uma roupa para você. Algo que combina com correntes... – disse Zoe. – Vou pegar naquele monte de armários. Mas para isso... Me mostre o seu quarto.
Isabel assentiu.
Zoe deixou Hayley e Isabel conversando, e foi até a parte principal do reformatório. Observou os quadros cinzas pendurados na parede, tortos, no corredor. Ao chegar à ala de recepção, viu os mesmos funcionários – Isabel falou de todos -, mas há um novo. Há um balcão, com cadeiras que giram atrás. Duas pessoas então nessas cadeiras, mexendo num computador, que está numa mesa atrás do balcão. Mais para frente, há 5 sofás brancos seminovos. Uma mesa pequena de madeira clara no centro, com revistas que ninguém quer ler. Um bebedouro, e uma TV, sem som, é claro. Para não atrapalhar os pacientes do reformatório. Os armários cinzas estão do lado do balcão. Há uma mulher com cabelo rosa meio vermelho, olhos rosa – deve ser lente, pensou Zoe -. Está vestindo o uniforme normal, assim como todos. Segurando uma prancheta com papéis e caneta. Com um sorriso simpático, olhou para Zoe. Zoe já não a conhece...? Zoe falou com quem está no balcão, abriu o armário e pegou uma mochila verde. Agradeceu a pessoa, e quando passou perto da mulher, a mesma a chamou.
- Está visitando alguém, certo? – perguntou.
- Estou.
- Já leu a lista secreta de por quem está aqui? – perguntou novamente.
- Não, eu não devo...
- Deve. Venha comigo. – a mulher ainda sorrindo, levou Zoe para uma sala com vários armários abertos com arquivos.
- Qual o nome do paciente?
- Isabel.
- A líder, sei. – comentou a mulher, revirando uns papéis.
- Líder do que?
- O grau dela é o mais alto daqui. Geralmente, o parente ou amigo próximo ao paciente não sabe a ficha completa. Todos querem entende-lo. Eu apenas ajudo, é contra as regras, mas gosto de ajudar.
- Tudo bem.
A mulher achou a ficha. Está num envelope.
- Vou te deixar a sós. É um momento pessoal. Com licença. – a mulher se retirou da sala.
Zoe abriu o envelope, com um pouco de medo. Foi lendo, até chegar numa parte que chamou sua atenção.
“ Lista de pessoas mortas (confirmadas) por: Isabel
Hannah
Mateus
Vitória
Bianca
Laís
Laura
Yasmin “
Zoe quase deixou cair a ficha no chão. O que Isabel não havia contado para ela? Quem ela matou? Não contou toda a história? Gabbe provavelmente sabia. Zoe ficou com raiva de repente, de qualquer um que soubesse a história inteira de Isabel. Lutará por anos para ser amiga de Isabel. Não é justo Isabel contar para alguém que não conhecia tão bem. Nesse momento, havia se passado 4 meses desde o incidente de Yane, e Zoe contou para Isabel. Contou todos os seus segredos. Decidiu colocar os papéis no envelope, devolver para a mulher, e passar a noite no reformatório para conversar com Isabel. Precisa saber da história inteira. Quem são “eles” que ela tanto falava, se tem algum irmão, e quem a manipulou. Saiu da sala, entregou o envelope para a mulher. A mulher por um segundo, pareceu estar com olhos azuis. Está com a expressão triste, ao ver a reação de Zoe. Zoe agradeceu a mulher, e até que ficou feliz com sua intenção. Foi até a recepção, pegar sua mochila. Voltou para onde Hayley e Isabel estão.
- Aqui. Vista isso. – disse Zoe, jogando a mochila para Isabel. – Quero ver você decente em 15 minutos.
- Ok. Te mostro o quarto depois, ok? – disse Isabel. – Hayley, outro dia eu te mostro também.
- Tudo bem.
Isabel entrou em seu quarto. Penteou o cabelo, passou maquiagem para esconder as olheiras, batom vermelho para sua boca. As correntes dificultam a movimentação, mas ainda consegue mexer normalmente as mãos. As correntes são para que Isabel não segure algum tipo de arma ou faca. Abriu a mochila, e viu a roupa. Blusa branca, jaqueta amarela com manga curta. Correntes de plástico preta, como um colar. Tênis Nike e jeans. Se vestiu, prendeu o cabelo para o lado, e saiu do quarto, fechando a porta rapidamente. Caminhou até a recepção, para conseguir uma permissão para poder sair. Deu certo. Comeu vários cupcakes e tomou seu favorito cappuccino gelado. Comprou algumas coisas para de noite, e conversou por horas com Zoe e Hayley. Nessie também está na cafeteria, batendo na mesa. Isabel se despediu de Hayley, que foi para casa. Zoe avisou que iria ficar no reformatório, junto com Isabel. Das horas que passaram na cafeteria, esfriou bastante. Está nevando lá fora. Isabel e Zoe entraram no reformatório, rindo, com várias sacolas com comida. Isabel foi falar com quem está no balcão, para marcar todos os dados de sua saída e chegada. Caminhou pelo corredor, até chegar no seu quarto.
- Mexa em tudo, e se quiser jogue os remédios fora, eu agradeço. Eu não sou louca, eles me deixam. – diz Isabel, abrindo a porta do quarto.
A janela está aberta, está ventando, as cortinas estão voando lentamente. O quarto inteiro tem estrelas de papel metálico, laranja, amarelo e prata, com várias pontas. A parede é azul com efeito degradê. Meio cinza, meio azul. Uma poltrona de couro – todos os quartos tem isso -, uma cama de casal grande, com lençóis brancos. Um baú na ponta da cama. Armários brancos nas paredes, um tapete no meio do quarto. Há uma escrivaninha cinza de metal no canto, perto dos armários e uma cadeira que gira, de plástico. As estrelas estão em volta dos móveis, e na cama tem também, mas são um pouco curtas, ficam mais próximas ao teto. Há uma porta branca, onde fica o banheiro. O quarto do paciente só tem a parede branca, os armários e a cama de casal. Isabel resolveu decorar tudo, porque o reformatório é a sua nova casa. Zoe está surpresa com a decoração do quarto. O quarto realmente é grande, então o banheiro deve ser também. As roupas de Isabel estão no armário. Na escrivaninha, há um caderno e uma caneta.
— Seu quarto é lindo.
- Obrigada. Vou tomar banho, estou... Cansada. – disse Isabel, abrindo a porta do banheiro. Entrou, fechou e trancou. Zoe sentou na cama, olhando melhor o quarto. Percebeu um tablet, quase coberto pelo lençol. Não sabia que é permitido qualquer tipo de comunicação. Ou... Apenas é preciso bloquear qualquer chamada? Ligou o tablet. A tela de bloqueio é uma foto de Dulce e Isabel quando criança. Para entrar na área dos aplicativos, precisa de uma senha. Qual? Zoe colocou ‘1316’. Azar e sorte para Isabel. Senha correta. Há vários aplicativos, um para ler livros, ouvir música, mais de 30 jogos, câmera... Foi nas Notas. Será que Isabel escrevia algo ali? Sim. Há várias notas. Fechou os olhos, e escolheu uma qualquer.
“É, você se foi mesmo. E com isso, eu me sinto sozinha. Não há ninguém para se confiar, ninguém vai me apoiar. Vão me esquecer aos poucos, como já estão fazendo. É como se eu não existisse, não tenho a mínima importância. Não tenho e nunca tive nada. Tudo o que consegui algum dia, foi tirado de mim. Como pude deixar tudo ir assim, tão facilmente? Digam-me, onde errei? Aonde está todo mundo? Temo que só sobre eu nesse mundo, aonde está a minha felicidade que agora me escapa pelas mãos? Alguém por favor me liberte, não quero viver esses dias vazios, esses dias sem vida. Ninguém virá para me salvar? Vou demorar dias para botar as coisas em ordem, e entender o que está acontecendo. Seu amor nunca chegou a mim, estamos completamente separados. Não importa quantas juras de amor você fizer para alguém, nada dura para sempre. Quem garante que é real?”
Leu atentamente o texto, analisando cada detalhe. Para quem é o texto? Gabbe? Para Zoe? Dulce? Zoe vai perguntar tudo para Isabel esta noite. Esfriou mais ainda. Espere, a janela ainda está aberta! Deixou o tablet na cama, e foi fechar a janela. Ainda está nevando lá fora. Decidiu arrumar a cama para Isabel. Não se importa de dormir ao lado de Isabel, porque não há espaço no quarto. Abriu o armário de Isabel, pegou um cobertor, jogou no chão. Pegou o tablet, colocou na escrivaninha e colocou o cobertor na cama. Alguém bateu na porta. Zoe abriu.
- Se você não foi embora até agora, é porque vai passar a noite aqui. Você esqueceu isso lá. – disse a mulher de cabelos rosas e olhos azuis. Entregou uma mochila roxa grande.
- Obrigada, sério. – disse Zoe, pegando a mochila. A mulher sorriu, e saiu pelo corredor. Zoe fechou a porta. Há uma lembrança vaga de ter pego essa mochila para vir aqui. Colocou a mochila na cama, e se sentou na cama. Pegou o tablet e jogou a maioria dos jogos por 20 minutos. Isabel terminou seu banho, e saiu do banheiro com o cabelo lavado – mas seco –, e com pijama de frio. Se assustou ao ver Zoe mexer no seu tablet.
- Não viu as notas... Viu? – perguntou.
- Vi. E percebi que nenhum deles tem para quem é.
- Ah. Eu não te vi com essa mochila. Quem te deu? – perguntou Isabel.
- Uma mulher de cabelos rosas e os olhos também.
- Gabbe está conosco. Se ela está aqui... É para impedir algo. Zoe, algo vai me atacar.
Fim do Flash Back
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