Ykari
5 Capítulo 5
Fazia seis meses que eu estava com Ykari. Ela começou a ficar doente; ela havia pego uma pneumonia. Eu ia todos os dias visitá-la; ela estava sempre sorridente. Eu tocava música para ela e chorava vendo a minha doce Ykari pálida, sem cor nos lábios. Ela sempre me dizia que iria ficar bem. Eu acreditava pois ela estava sempre feliz.
Uma tarde eu estava indo para a casa dela e vi uma ambulância parada na frente; eu corri. Era minha pequena que havia piorado. Eu chorei ao ouvir sua mãe falar que ela iria ficar internada.
Eu fui ao hospital três vezes. Minha pequena me falou pela última vez:
– Querido, eu o amo.
– Também á mo, pequena.
– Juan, me prometa que você sempre vai sorrir.
– Sem você eu não consigo.
– Você vai conseguir. Eu sempre estarei com você.
– CLARO que vai. Você vai melhorar.
– Sim, eu vou.
Eu comecei á chorar.
– Meu amor, não chore. Cante-me novamente Guren, por favor.
Eu chorei e comecei a cantar, sentindo o gosto de minhas lágrimas.
Eu á beijei.
Eu sabia que ela estava apenas me dizendo adeus.
No dia seguinte, a mãe de Ykari me ligou, dizendo que Ykari tinha problemas no coração também; então ela morreu de infarto fulminante.
Eu subi para o meu quarto e me arrumei lentamente. Vi que lá fora o céu estava lindo, o sol brilhava. Eu comecei a chorar. Aquele dia era um insulto á minha dor.
Eu fui ao enterro de minha pequena e doce Ykari. No final do funeral, a mãe de Ykari veio falar comigo, me entregando uma caixinha de música com um papel em cima.
Quando cheguei em casa, eu abri a caixinha de música; lá havia um casal de bailarininhos dançando e lá estava o pequeno par de luvas que eu tanto amava.
Eu abri o papel; era uma carta, ou um poema:
Agora eu sei por que minha
Pequena bailarina nunca sorriu
Ela não teve um
Amor intenso e perfeito
Eu olhei novamente para a caixinha. Eu não entendi.
Pequena bailarina? Nunca teve um amor? Mas ela tinha um companheiro.
Eu fui á casa de Ykari e pedi á sua mãe para ver o quarto de minha amada pela última vez. Ela me deixou sozinho no pequeno quarto. Ali também havia uma caixinha e alguns papéis. Eu abri a caixinha; nela só tinha uma bailarina, então eu entendi que a minha caixinha representava o nosso amor.
Faz um ano que Ykari se foi, mas todo inverno eu me tranco em casa e fico vendo a neve cair da janela; eu choro com as luvas vermelho-sangue em minhas mãos, sempre escutando Guren, sempre dizendo:
– Adeus pequena Ykari.
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