Yin and older
6 Primeira madrugada
Notas iniciais
P.O.V Liv
Eu estava irritada, furiosa mas acima de tudo triste e magoada. Eu sabia que ele queria, ele havia gostado! E claro, sabia que ele havia mentido acima de tudo, pois se não se sentia atraído por mim porque ficou excitado então. Me joguei na cama e fitei o teto por um tempo. Um longo, longo tempo. Vi que o sol já havia se posto, mas continuei deitada por um bom tempo ainda. E após tanto tempo na mesma posição eu me virei de lado, olhando para o porta-retratos ao lado de minha cama. Agarrei o edredom o abraçando. Senti falta do passado, olhando a foto de Beatrice e eu. Ela era o que eu tive como mãe, não lembrava muito de minha mãe mas lembro-me de ela ser muito carinhosa e atenciosa comigo. TOTALMENTE o oposto de Tony. Ele se mantinha o mais afastado possível, como uma medida de segurança para ele, sem se importa como eu me sentiria a respeito. Pensei em algo que poderia me ajudar nesse momento, um líquido realmente raro e caro. Eu sei, eu sei… muitos dizem que é burrice cometer o mesmo erro duas vezes. Mas fazer o que? Eu não sabia mais o que fazer com a merda da minha vida, eu só queria beber e esquecer tudo. Esquecer que eu fui rejeitada pelo cara que eu to apaixonada, esquecer que Beatrice e minha mãe Amélia me faziam muita falta, esquecer que o Tony não consegue “ser” meu pai por mais que ele tente. Sai na surdina do meu quarto tentando não fazer nenhum barulho pois Bruce estava no quarto de hóspedes, desci os degraus da escada pé ante pé tentando não fazer barulho e me direcionei ao bar, parei observando a infinidade de bebidas por ai, minhas mãos já foram direto ao compartimento de vidro onde ficavam os caros uísques do homem de ferro, e claro peguei o mais caro. Sabia que era errado mas que se foda! A sala estava completamente escura e eu não enxergava um palmo a minha frente sentei no tapete da sala, cruzei as pernas e pus a garrafa no meio delas, joguei o resto do meu corpo pra trás atingindo o chão em seguida. Senti o tecido macio do tapete envolvendo meu corpo olhei pra cima tentando controlar as lágrimas, dane-se eu tinha que botar tudo pra fora então desabei em lágrimas e assim fiquei durante alguns minutos, sentia um peso saindo do meu corpo as vezes é bom chorar, lembro de Beatrice dizendo-me uma frase quando minha mãe morreu e eu chorava de noite por saudade, ela me pegava no colo acariciava meus cabelos e dizia “chore minha garotinha, chore! Põe tudo pra fora, pois a dor, ela precisa ser sentida!”. Me recompus e sentei encostando meu corpo no sofá e respirando fundo olhei pra garrafa de uísque em minhas pernas e abri a tampa, olhei pra ela mais uma vez, ´´ ah que se foda essa merda! `` levei a garrafa aos meus lábios –
–Para! Não faz isso! – ouvi aquela voz tão conhecida e que tanto me assombra. –
–A quanto tempo ta ai? – perguntei sem olhá-lo ainda fitando a garrafa de uísque que agora não estava mais pressurizada a meus lábios –
–O suficiente! – respondeu simples e eu dei uma gargalhada sem humor. —Vai agir agora como se importa-se comigo? —Até seu pai entrar por aquela porta, eu sou sim obrigado a me importa.
–Se aproximou. —Relaxa, você não é. Eu sou responsável pelos meus atos! –Resmunguei e me preparei para virar um gole, porém o aperto firme em meu pulso impediu.—Você não precisa usar a bebida como desculpa para evitar seus problemas. Senão vai acabar com o Tony! –Murmurou tomando a garrafa de minhas mãos e levando de volta ao bar. Na volta ao se aproximar ele tropeçou na cadeira batendo o pé. –
–Bem feito. –Ri baixinho. –Aproposito acho que você não é a melhor pessoa do mundo para falar sobre seus problemas uma vez que você evita eles. —Eu evito eles para poder ser capas de proteger as pessoas que eu gosto! –Murmurou se sentando no sofá e apoiando os cotovelos no joelho ficando inclinado mais próximo de mim. Fiquei em silêncio pensando no meu inferno pessoal. Eu nem me dei conta das lágrimas que escorreram pelo meu rosto. —Não, por favor…! –Sussurrou se sentando ao chão e levando suas mãos ao meu rosto o acariciando. —Legal, eu tenho que chorar para ganhar sua atenção e digna de receber seu toque?! –Ri sem humor, amarga como o uísque. Ele negou com a cabeça e fitou meus lábios, engolindo a seco e umedecendo os seus, enquanto rapidamente se aproximou mais, parando a centímetros do meu rosto. Ele pareceu estar num impasse decisivo, principalmente a ele. Minha respiração estava acelerada, quem não ficaria quando a pessoa cuja você é apaixonada ficasse a centímetros do seu rosto com a clara intenção de a beijar?! Quando achei que ele não o faria senti o toque quente de seus lábios acariciando os meus, meu corpo inteiro estremeceu, eu fiquei em choque antes de começar a correspondê-lo e finalmente deixar que nossas línguas se tocassem. Inclinei meu corpo em sua direção querendo mais, mas ele se inclinou de volta para minha, achei que devido a isso ele fosse terminar o beijo, porém ele prosseguiu me colocando deitada no tapete felpudo, ainda me beijando. A macies de seus lábios quentes e molhados, causava um aquecimento completo em meu corpo. Meu coração batia rápido e o ar estava se indo… mas não queria acabar aquele momento, aquele beijo. Ele se afastou um pouco de meus lábios completamente ofegante. Ele me olhou demoradamente e levou uma mão ao meu rosto o acariciando.
—Nossa… –Sussurrei ainda sentindo alguns arrepios pelo meu corpo. –O que foi isso? –
–E-eu não sei… –Sussurrou acariciando com o polegar meus lábios, ainda tentando controlar sua respiração. Ele abaixou a cabeça e a escondeu em meu pescoço. Levei com cuidado minhas mãos aos seus cabelos os acariciando, eles eram grossos mais macios, talvez um pouquinho oleosos mas nada demais. Ficamos assim um tempo ate ele voltar a se sentar com as costas encostadas no sofá. —Eu não… queria ter te dito aquelas coisas daquela maneira mais cedo. E-eu me importo com você Liv. –Murmurando voltando o olhar doce e carinhoso a mim. Abri um sorriso de orelha a orelha e me sentei ao seu lado me virando e o abraçando. —Você tem noção o quanto isso é errado, certo? —Acha que eu tomei aquele porre aquele dia porque? –Sorri voltando o olhar para ele. —Acho melhor eu te levar para a cama! –Olhei-o maliciosamente. –Não nesse sentido, Srt. Liv. –Sorriu se levantando e estendendo as mãos para mim. Mesmo após me levantar ele prosseguiu segurando minha mão ate a porta de meu quarto. Paramos e eu olhei-o demoradamente, ele estava calado, pensativo. —E agora? –Questionei e mordi o lábio insegura com o que ele pudesse responder. —Você é filha do Tony… tem apenas dezesseis anos. –Começou dando um longo suspire e, por fim, ficou em silêncio.
–E-eu não sei. –Abaixou a cabeça. –A gente não pode mas…
—Você quer? –Corteio ganhando de imediato seu olhar.
—É errado. –Sussurrou pegando uma mecha do meu cabelo e colocando atrás da orelha. –E-eu… eu preciso pensar. –Suspirou e depois deu-me um leve sorriso e se inclinou dando um beijo em minha testa, logo já se virando e indo para o quarto de hóspedes.
—Bruce! –Chamei já caminhando apressada atrás dele. Quando ele se virou eu me pus nas pontas dos pés e dei-lhe um selinho.
–Boa noite. –Sorri logo dando de costas e indo para meu quarto.
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