Notas iniciais
É, eu tentei. Não é exatamente minha primeira fanfic, sendo sincera, mas tive a coragem de postar esta. Eu não consegui me satisfazer com os resultados que obtive, mas essa é, provavelmente, a história mais decente. Digna de passagem... Ou melhor, de postagem! Pode parecer um pouco confuso para alguns de vocês, mas é isso que ocorre em minhas histórias: Confusões, imperfeições... Eu tenho um certo tom poético, o que me faz escrever coisas sem sentido e, na maioria das vezes, rotulá-las como metáforas. Se acostumar é questão de tempo.

A história retrata a vida de uma adolescente sonhadora e de seu irmão prodígio. Ambos se envolvem com a música, e daí enfrentam grandes problemas.

Esta fanfic foi inspirada na história de KC e também em seu filme The KC Story.
Apesar da história ter um jeitinho Alternativo, não é completamente. Boa parte do que está escrito aqui é baseado em fatos reais.

Aos que não a conhecem, sugiro que continuem a história desta mesma maneira, assim os riscos de spoilers serão bem menores.

Espero que possam apreciar esta história. Eu não sou uma boa escritora, mas acho que com a ajuda de vocês e críticas construtivas, poderei melhorar mais!

Sinto o pesar da mochila encardida sobre minhas costas esqueléticas. Meu ossos doem tanto quanto minha cintura. Jamais pensei que se exercitar causaria-me tamanha dor.

Ponho-a sobre meu ombro esquerdo, e assim sinto os cadernos roçando em meu corpo. Tive de atirá-la na bancada avermelhada, em quanto sentava-me em uma destas.

Pousei minha cabeça sobre a pedra ladrilhada e senti o vento gélido daquela manhã atingir meu rosto. Os raios de Sol eram convidativos. Estavam ardendo fortemente, como se estivesse tentando repetir os dizeres anteriores: “Esse é só mais um dia, então viva-o!”

Talvez estivesse me agradando, e sei que não era esse o seu propósito. Digo isso pois quaisquer que sejam suas intenções, sempre são e serão voltadas contra mim.

Mas que seja... O desfecho sempre fora o mesmo: ele me agrada com sua iluminação intensa.

Certas vezes impressiona-me a maneira em que minhas pálpebras aparentam pesar mais que um elefante.

Meus cílios começam a se fixarem nas laterais do meu nariz; Eu os sinto se colorindo... Todas as cores formando um arco-íris.

Enfim as cerro, porém em vão, pois Richard acabara de entrar em casa alarmadamente, fazendo com que o rugir da velha porta invadisse meus tímpanos.

Penso em repreendê-lo da maneira mais rígida, mas repenso, e talvez realmente seja melhor não fazê-lo. Eu não conseguiria de qualquer maneira. Não estamos falando de minha mãe e do meu pai tampouco. Esse é Richard, meu irmão. Talvez a única pessoa que realmente me entenda.

–Eu as trouxe. – Falou subitamente, apoiando as mãos ásperas em meus ombros. Também atirou a mochila, só que esta fora lançada à antiga cadeira da mamãe.

Senti seu hálito atingir minha nuca, e isso, consequentemente, me deixara pouco mais dispersa. Mesmo que não tenha sido algo totalmente benéfico, me fez perder um pouco a sonolência.

Ele as ergueu no ar, seguido por um movimento ágil, no qual movia as mesmas para todos os lados. Eram longas e cheiravam a material novo. A madeira era demasia clara. Pálida, basicamente. Seu corpo era plano e as pontas circulares.

–V-Você as comprou para mim, Richard? – Perguntei, tomando-as em meus palmos esbranquiçados e deslizando-as sob minhas narinas.

–Sim. Já que vamos trabalhar juntos, pensei em te ajudar em algo. Você gostou tanto da Percussão, afinal. Não entendo muito sobre o assunto, mas talvez possa usá-la para todas as ocasiões.

Aparenta ter custado caro e ao que li, a marca era denominada Zildjian. Por praticar bateria intensamente e ter um conhecimento básico, atualmente, sobre a mesma, é possível se afirmar de que as baquetas custaram aproximadamente trinta dólares.

Naquela época, até as menores quantias de dinheiros eram significantes. Apesar do capitalismo estar em alta, Downey era um lugar humilde.

Nossa casa, por exemplo, era bem espaçosa, mas não vamos dizer que só por isso seja uma Mansão!

O dinheiro era importante para o Richard, principalmente quando ele o ganhava por conta própria. Sempre fora independente e habilidoso.

–Obrigado! – Atiro-me em seus longos braços e ele os envolve ao redor de minhas costas. Fixando seu indicador em minha coluna, sendo mais exata, e então pude senti-lo deslizá-lo pela mesma amigavelmente.

Nossa família se mudou para o Sul da Califórnia, em 1963. A mudança foi feita com vistas ao favorecimento da carreira de Richard.

Porém agora não era ele, e sim nós. Mas é, e sempre foi assim. Compartilhamos um sentimento de empatia, e o mesmo é mútuo.

x-x-x-

–Batidas mais leves, Karen, por favor. – Diz meu pai, subitamente, em quanto cambaleava em direção à sua protona com uma xícara de café em mãos.

Mamãe jazia sentada no sofá, assistindo tevê junto com uma de suas velhas amigas. Ambas conversavam alegremente e dividiam dicas e segredos culinários dos mais calorosos.

Fazia um dia bem quente em Downey, realmente. E apesar de quase não suportar, tenho de aprimorar minhas habilidades.

Bom... O que eu estava a tocar não era exatamente uma bateria, mas sim timbales. Eram escuros e as laterais ainda estavam cobertas com películas, que logo que avistei, fiz questão de retirar rapidamente.

–Tente em outro lugar, querida. – Respondeu rispidamente, colocando sua caneca sobre o cômodo que se localizava à sua direita. Também folheou algumas páginas cinzentas de jornal.

–Sem problemas. Vou ver como Richard está se saindo.

Suas íris castanhas seguiam freneticamente a ponta de seus dedos longos, nos quais rondavam todos os lados do gigantesco piano.

–Que susto, Karen! Não se faz isso com um irmão, sabia? Eu estava realmente concentrado e você veio e... Pare de fazer caretas! – Disse, direcionando seu olhar à mim. Há essa altura do campeonato, estávamos gargalhando em uníssono. –Você não deveria estar praticando? – Perguntou, levando o indicador ao queixo e se mantendo numa postura confusa.

–E então o que espera?

–O que está esperando para ir à sua bateria? É só não batucar tão alto, Karen. Nem tudo será agitação, então quero que fique preparada para possíveis melodias lentas. – Agora deu de costas e voltou a observar as teclas empoeiradas de seu piano. Também estava escrevendo algo em folhas amareladas que pertenciam à atinga agenda da mamãe.

–Eu não consigo. – Digo subitamente.

–Eu sei disso.

Descerro um sorriso e corro em direção à sala, direcionando minhas baquetas às paredes cor-salmão.

E novamente inicio o ritual: impactos ritmados, porém demasia histéricos aos ouvidos de meu pai.

Batidas lentas são tristes, e tristeza é o tipo de sentimento que procuro evitar.

Aqui, com as baquetas na mão e fitando atentamente os timbales, que também fora um presente de Richard, posso ser cantora e até fada madrinha!

As baquetas são minhas varinhas... Me fazem emitir uma melodia estrondosa que costumo chamar de poemas. Não me peça para controlar minhas batidas, outrora meus sentimentos... São coisas iguais. Não tenho controle sobre ambos.


Notas finais
OBS: Não sei ao certo se Zildjian (http://www.bizzimusic.com.br/loja/media/catalog/product/cache/1/image/1200x1200/e7fc049b571d15f92380dc68ee56f7c7/5/b/5bm_1.png) era a marca das baquetas de Karen, mas depois de ter visto algumas fotos, tirei a conclusão de que essas são bem semelhantes as dela, então decidi usá-las na fanfic. E sim, Karen é adolescente e na minha história, tem 19 anos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.