Yes, Maybe, No.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordei assustada com o barulho do despertador, olhei para os lados e prestei bastante atenção no lugar onde estava: um quarto meio iluminado, pequeno e aconchegante. Do outro lado estava minha colega, Paula Jones, uma garota linda e loira dos olhos castanhos claros, muito inteligente e minha melhor amiga. Ela estava de pé se arrumando para ir para aula. Era esse meu cotidiano na Nancy’s School, uma escola interna no centro de Nova York totalmente cheia de segredos e emoções. Está bem, nem tantas emoções, minha vida era sempre a mesma, não tinha para onde ir, não tinha o que fazer, não tinha família, nada. Levantei-me correndo e fui ao banheiro, troquei de roupa, escovei meus dentes e voltei ao quarto. Paula estava arrumando o material da primeira aula.
— Dizer “bom dia” é bom senhorita Sunny- me disse com um tom irônico.
— Desculpa. Bom dia princesa da manhã. – disse dando um pequeno sorriso.
Paula me fazia bem, ser uma garota de apenas 16 anos sozinha no mundo não era tão fácil.
Hoje me senti animada, nossa primeira aula seria teatro, única coisa que eu me dava bem naquele lugar. A professora Clarisse White, uma mulher loira dos olhos cinzentos e com ótima aparência física, era a melhor professora do mundo; ela entendia minhas dificuldades e me ajudava. Por eu ter déficit de atenção e dislexia, eu era mal vista aos olhos dos outros professores. Não conseguia ficar parada, precisava me movimentar, falar, ou me distrair para esquecer de tudo o que passara.
— Bom dia Sun- ela me disse me abraçando forte.
— Bom dia Profª Cla – disse retribuindo o abraço e sorrindo.
Clarisse era como minha mãe, já que a minha morreu há muito tempo.
— Bom dia a todos os alunos. Hoje vamos fazer um exercício básico, nada de extraordinário, mas que é preciso.
Todos se posicionaram e fizeram o que a professora mandara; o famoso exercício de cair para o outro te segurar. Esse era o exercício que eu mais odiava, eu não conseguia fazer aquilo, não confiava em ninguém, em nada, nem em mim mesma.
— Sun, vamos fazer juntas?- Paula se aproximou.
-C-Claro. – disse piscando os olhos nervosamente.
Primeiro ela caiu, eu a segurei e a levantei pelo menos 3 vezes. Mas quando chegou minha vez eu paralisei; minhas pernas se fixaram ao chão e minhas mãos começaram a tremer.
- Sun, você está bem? — Paula perguntou-me.
Sem palavras era como eu estava; não conseguia falar nada, nem pensar. Sem mais delongas sai correndo, sem destino.
Na minha correria, esbarrei na pessoa que menos queria ver naquele momento: Louis. Ele era o garoto mais bonito que eu já conhecerá. Contia olhos verdes e cabelos negros, braços definidos e perfume suave. Ele me deixava boba, algumas vezes, até demais.
- Opa- ele disse me segurando. — Aonde vai com tanta presa?
-D-D-Desculpa. Bem, desculpa. Eu ... E-Eu — ele sorriu e olhou em meus olhos.
- Tudo bem, pode ir. Não vou te atrapalhar. Tchau, Sunny.- Ele disse me soltando e partindo.
Porque ficava tão boba perto dele? Porque me sentia assim? Tudo começou há 4 anos, depois de ser expulsa de tantas escolas, Clarisse me achou e me trouxe para aqui, somente por sua causa estou aqui até agora, e então ela pediu com que Louis cuidasse de mim, ela sabia que eu era especial e sabia que precisava de cuidados, e por conta disso passamos muito tempo juntos, percebi coisas nele que me impressionaram, que eram extraordinárias, que me completavam; eram coisas que eu não tinha coragem de fazer. Ele me animava com simples palavras no dia mais triste do semestre, me fazia rir com suas piadas bobas e me fazia feliz somente com a questão de estar perto de mim.
boba, boba, boba, pensei.
Sai correndo novamente, entrei no banheiro feminino mais próximo que avistei e tentei me acalmar. Olhei-me no espelho e vi meus olhos azuis refletidos; estavam dilatados, iguais aos olhos de filhotinhos.
Burra, pensei novamente.
Porque me apaixonavá tão facilmente assim? E a maior questão, porque não contava o que sentia de uma vez?
Arrumei meus enormes cabelos caramelos e sai dali.
Pensei em voltar para a sala de teatro mas então o sinal tocou e o corredor se encheu de alunos. Fico nervosa em lugares cheios e apertados quando estou sozinha, então comecei a entrar em pânico, não sabia para onde ir, estava em desespero. Então, senti algo me puxando e me derrubando ao chão.
- Eai, problemática, se cortando novamente?- Era ela, Julia Vagabunda Hernandez. Uma menina ruiva metida a valentona. Desde meu primeiro dia ela implica comigo, fazendo-me chorar várias noites seguidas. Não tinha coragem de enfrenta-la, até hoje.
-Não me corto , sua piranha.- Respondi tentando parecer mais confiante do que já estava.
- O que você disse? — ela disse indignada e pisando em cima de mim.
- V-Você me ouviu- disse com a voz estremecida.
Nesse momento ela pressionou a sola dos seus sapatos caros em minha barriga, me deixando ser ar. Em um golpe desesperado segurei sua canela e a puxei, fazendo com que ela caísse em cima de mim. Mas, rapidamente, rolei pelo chão saindo de seu caminho. Levantei-me o mais rápido que pude, meio atordoada, e então sai correndo.
Olhei para trás e a vi levantando e correndo atrás de mim. Meu coração pulou, comecei a entrar em desespero. Então, de repente, me puxaram. Eu cai em cima da pessoa, mas não consegui reconhece-la até ver seus olhos. Era Paula.
-Sua maluca, o que você fez? Por que a Julia esta atrás de você?- Ela disse com um tom preocupado.
— Longa história. Vamos, preciso sair daqui.- Disse e ela me compreendeu.
Partimos rumo a segunda aula, me livrei dela por tempo moderado, pois no intervalo tinha certeza que a encontraria.
Era aula de história, a matéria mais chata de todos os séculos. Era horrível, não conseguia ler, as palavras saltavam das paginas e então me encontrava dentro de uma sopa de letrinhas, e então, ficava desesperada.
O Profº Harold chegou totalmente animado na sala de aula, havia em suas mãos vários mapas e livros com desenhos estranhos, aparentemente desenhos gregos.
— Bom dia alunos- ele disse colocando sua bagagem em cima da mesa- Hoje teremos uma aula básica de mitologia.
Ouvi um coro de pessoas falando “aaah” com um ar de decepção.
— Calma gente, mitologia é a matéria mais legal do mundo.
— Só se for na cabeça dele- Paula disse.
A única coisa legal da aula do profº Harold era que ele nos deixava sentar em dupla. Como sempre eu estava com a Paula.
— Abram seus livros na pagina 58 e façam uma leitura rápida para começar.
Paula pegou seu livro e abriu, ela era a pessoa mais inteligente que eu já havia conhecido. Apesar de tudo ela era engraçada e animada, não exatamente como uma nerd.
— Sunny, quer começar a ler?- ela disse pois sabia que eu iria demorar um pouco.
MOTOLIGAI GEGRARA.
Desisti, eu não conseguia. Para o professor não me xingar, fingi ler. Fiquei reparando nos desenhos, em seus detalhes, afeições. Maravilhosos, pensei. Fiz isso até que uma coisa me chamou atenção, um desenho de uma mulher, aparentemente a Medusa, com algumas coisas em grego escritas no chão que pisava.
— O sangue do herói, a morte da humanidade. — Consegui ler em voz alta.
— O que?- Paula disse baixo.
— Aqui- apontei para o desenho- O sangue do herói, a morte da humanidade.
— Sunny, isso está em grego.
— Eu sei, mas por algum extinto eu sei que está escrito isso.
Paula me disse com uma cara de preocupação. Parecia que ela sabia de alguma coisa que eu não sabia. Eu sempre sentia isso, sabia que tinha alguma coisa errada.
— Sunny, você esta maluca. Culpa do Louis – ela disse rindo.
O professor percebeu nossa conversa e nos mandou calar a boca. O que foi inútil, pois começamos a rir.
— Paula, vamos sair hoje?
— O que? Sun é segunda, sexta já passou.
— Eu sei, mas, quero sair um pouco daqui.
— Quer dizer, fugir?
— Sim!
Ela sorriu, me olhando com um olhar malicioso.
O tempo passou, era a hora do intervalo. Estava desesperada, a Julia viria atrás de mim. Andava no corredor olhando para todos os lados, Paula estava junto de mim, falando e falando, mas eu não dava muita bola.
Chegamos ao refeitório, 10:30 da manhã, olhei para os lados, mas nada da Julia, fiquei preocupada. Ela estava armando algo, ela iria me pegar depois, muito mais forte.
Minha morte esta próxima, pensei.
— Posso me sentar aqui?- Era Louis se sentando ao nosso lado sem ao menos esperar a resposta.
Ele era 1 ano mais velho, estava no ultimo ano, mas a coisa que mais me impressionava nele era a questão de que ele não sentia vergonha de sentar perto de novatas como nós. Comecei a lembrar de quando conheci sua família. Era domingo, ele percebera que eu ficava triste, pois todos saiam da escola para encontrar suas famílias e eu continuava lá, então me chamou para almoçar com sua família. Sua mãe era linda, havia seus olhos e a mesma simpatia, mas seu pai era um britânico frio, não sorria, não falava mais do que o necessário. Ele me assustava, mas não sei por que lembrava meu pai, mesmo sem ao menos conhecê-lo. As vezes sentia falta de ter uma família, um pai e uma mãe do meu lado para me apoiar, pra mim era muito difícil. Já cheguei a dormir em baixo da ponte, pois fugira dos orfanatos que eu ficava, eles eram horríveis, malignos, obscuros, eu não aguentava isso. Mesmo estando com amigos, tendo a profª Clarisse me ajudando, eu me sentia mal, eu queria sair daquele lugar, mas não conseguia.
Me perdi nos meus pensamentos por estantes, e não percebi que Paula e Louis estavam conversando, quando voltei do transe ouvi a frase saindo da boca de Paula:
— Está apaixonada!
— Por quem? – Louis perguntou com uma cara de desespero.
— O QUE? – falei alto demais e eles riram.
— Sun, você ficou quieta por mais de 5 minutos, mesmo conosco falando sobre o Justin Bieber.
Eu ri, eles me zoavam por gostar do Justin Bieber, mas ele era uma inspiração para mim, ele me fazia acreditar que eu posso ser o que eu quiser.
— Por que vocês estavam falando do meu gato? – falei fazendo uma cara como de quem esta com ciúmes e eles riram.
— Sunny, esquece esse Justin. – Louis disse.
— Por que? – perguntei.
— Aannn.... porque... porque sim oras!
Paula o olhou e fez uma cara estranha, eu não entendia nada desse papo facial deles, então ficava quieta somente rindo.
O sinal bateu, Louis nos levou até nossa sala de aula e depois partiu.
— Sun, sua idiota.- ela disse.
— O que? – perguntei.
— Ai , Sun ele te ama sua idiota. Só você que ainda não percebeu.
— Ama nada!
— Ama sim, não discuta comigo. Eu sei o que falo.
Entramos na sala e tomamos nossos lugares, ela na frente e eu atrás, como sempre.
A aula começou, matemática. Paula estava toda animada com a professora Thalita e suas contas malucas. Ela era uma professora legal, mas não me interessava por sua matéria. Fiquei olhando os números escritos no quadro negro, e então comecei a pensar: e se ele gostar mesmo de mim? E se ele realmente me amar? Será que a Paula estava certa?
Resolvi contar a ele o que sentia, me sentia confiante, estava certa que não iria me arrepender.
Fim da aula , 2 aulas de matemática seguidas de 2 de historia ninguém merece, estava atordoada, mas ainda haveria 2 aulas de inglês. Eu e Paula seguimos a próxima sala para a aula, no caminho contei a ele sobre o que eu pensei durante a aula anterior, e ela sugeriu que eu saísse hoje com ele ao invés do que com ela. Eu assenti e gostei da ideia, mas como o chamaria para sair? E se ele falar não? Fiquei na duvida novamente.
Entrei na sala e a professora Patrícia já estava nos esperando. Eu sentia que ela não gostava de mim pelo fato de que eu era péssima em sua matéria.
— Bom dia garotas- ela disse a mim e a Paula.
— Bom dia professora- Paula disse empolgada enquanto eu somente sorria.
Nos sentamos e a professora passou a matéria na lousa, eu não conseguia entender nada do que ela escrevia ou explicava, então me desliguei do mundo e comecei a pensar no Louis e em poucos segundos a aula acabou.
Chegou a hora, pensei, vou chama-lo para sair.
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