Yellow
1 Look at the stars...
Notas iniciais
A música falou comigo então, se quiserem, leia a história ouvindo essa música maravilhoso. Aposto quenão vão se arrepender.
Look at the stars
Look how they shine for you
And everything you do
Yeah, they were all yellow
As estrelas.
Uma companhia agradável nos dias de angústia e solidão. Sempre minhas únicas companheiras. Eu as via, prateadas e brilhantes, iluminando o céu. Não como a Lua ou o Sol, mas com sua beleza particular.
Peculiar.
Pequeno brilho, quase insignificante comparado ao dos outros astros, mas com um destaque grandioso. Grandioso, ao menos para mim. Elas me definiam, me representavam, me delineavam como as curvas que possuíam nas pinturas. Tão pequenas para uma imensidão tão colossal. Tão belas para um mundo tão hediondo. Mas no fim não passavam de bolas gasosas que irradiavam sua luz. Nasciam e morriam. Como qualquer outro de nós, mas nunca comparada a nós. Nunca as consideramos como iguais. As pessoas tem esse vício. Preconceito humano, mas as estrelas nunca se importaram. Todas as noites elas continuam aparecendo, dando o ar de sua grandeza. Quem sabe até superioridade. Sempre me dando o prazer de poder observá-las. Nosso encontro marcado no telhado de minha casa, o lugar perfeito para se tentar chegar ao céu.
Mas acho que o céu não foi suficiente.
Não para uma delas. Uma estrela audaciosa e imponente. Ela não suportou a solitária imensidão. Era pequena demais para seus grandes sonhos. Então ela caiu. Por vontade própria. Saiu do céu para brilhar na Terra. Mas seu brilho não era prateado, nem chegava perto. Acho que foi um dos motivos que a fez se destacar. Seu brilho era dourado, amarelo puro, como os raios do Sol nascente. Concentraram-se nos cabelos de seda. Ondulações que me faziam flutuar. Uma beleza incomensurável. E como bênção, ou castigo, o destino me tornou seu vizinho. Tão perto, mas tão longe.
E, gradativamente ou num piscar de olhos, me vi apaixonado por um astro celeste. E, desde o dia que os olhos cristalinos dela me notaram, o brilho prateado das estrelas no céu se tornou dourado.
Amarelo como o brilho dela.
I came along
I wrote a song for you
And all the things you do
And it was called "Yellow. "
Eu, que vim de tão longe, me vi morando ao lado de meu milagre. Quão sorte eu tive. Minha bênção todos as manhãs, minha estrela todas as noites. Nós víamos todos os dias. Ao abrir a porta de casa, ao fechar o armário do colégio.
Ela sempre estava lá.
E eu a admirava. Encantado e hipnotizado.
E ela?
Nem ao menos desviava o olhar para o meu. Me ignorava irremediavelmente.
Seria de propósito?
Mas esse é o problema do amor. Mesmo não correspondido ele continua lá, corroendo. Ele não entende. Nós não tentamos entender. Eu não queria entender.
As estrelas foram esquecidas. Algo chamava mais a minha atenção, irradiando uma luz mais espetacular em minha janela. Ela estava lá, vestindo a jaqueta para ir a festas ou apenas deitada encarando seu céu particular.
Ela era o meu céu particular.
O céu de uma única estrela.
E lampejos de olhares cruzavam sua janela, seus diamantes azulados ferozmente focados em mim aliviavam e sorriam ao me encontrarem. Me davam esperança, talvez. Mas nada concreto, pois em milissegundos ela voltavam ao seu livro ou a suas músicas.
Eu não era mais do que uma distração.
Mas quem disse que meu coração se importava?
Seus olhares, seus sorrisos me tornaram um poeta.
Eu regredi no amor, ao mesmo tempo em que progredi. Escrevi canções em silêncio. Canções sobre ela. Quem ela era. O que ela era.
Sempre ela.
Sempre.
Sempre o azulado de seus olhos. A graça de seus movimentos. A resplandecência de seu sorriso. O dourado de sua madeixas.
Sempre o amarelo.
Sempre.
So then I took my turn
Oh what a thing to've done
And it was all yellow
Mas eu era invisível. O colega de escola. Nada menos. Nada mais.
Como mudar isso? Ela me via, mas não me enxergava. Eu era a carona em dias de chuva, o inteligente em semanas de prova, até o confidente em momentos de solidão.
Mas eu queria mais.
Ela não.
Fingia sorrisos luminosos quando ela me acenava da janela. Completamente arrumada, vestida para outro. Mas aquele sorriso sumia lentamente enquanto meu olhar a seguia até seu jardim. Alguém a esperava em um carro, ela seguia com a felicidade estampada em si. Uma felicidade que eu não via em seus olhos quando ela me encarava. Aquele que a buscava nem ao menos saia do carro, ela poderia ser apenas mais uma na lista dele. Quem sabe a quinta.
Ela era a primeira na minha.
Quem sabe a única.
Mas, no fim, o que isso importava? A situação não mudaria. A visão dela sobre mim não mudaria. O mundo continuava o mesmo toda manhã e terminava o mesmo toda noite.
Ela continuava a mesma. Toda manhã. Toda noite.
Porque mudaria? Seu mundo perfeito era completo. Eu até fazia parte dele. Pena que não da forma que desejava. Porque ela veria o garoto da casa ao lado de forma diferente?
Quem eu era para que ela me visse assim?
Comparado aos outros em sua vida, eu era nada mais do que a menor peça do seu quebra cabeça.
Mas eu esperei minha vez. Paciente. Cauteloso. Esperançoso.
Esperaria o tempo necessário.
Até que ela me enxergasse. Me visse não só por fora. Percebesse o que eu sentia.
Que coisa a se fazer?
Your skin
Oh yeah, your skin and bones
Turn into something beautiful
Do you know?
You know I love you so
You know I love you so
Sim, eu fui um tolo. Desesperadamente apaixonado. Nunca pensaria ficar assim. Por ninguém. Ninguém merecia minhas lágrimas. Ninguém merecia receber meu coração.
Ninguém.
Mas ela apareceu.
Assim. De repente.
Uma bênção. Algo inesperado na minha vida completamente planejada. Uma bagunça na minha impecável organização. Uma desigualdade na minha mesmice.
Mas eu não reclamei. Eu não encarei como algo ruim. Mudanças são boas.
Mudança de ares. Mudança de lugares. Mudança de vizinhos.
A sua mudança.
A minha mudança.
Como descrever a perfeição? Como mostrar a leitores algo vivido apenas na imaginação?
Esse era o meu dilema.
As palavras me fugiam ao vê-la. Escapavam como água nos trechos de rios. Como a presa foge da armadilha. Pena que eu estava mais para presa do que ela.
Oh, ela era linda. Nada menos do que linda. Essa é uma boa palavra.
Mas não suficiente.
Sua pele. Como esquecer? O brilho dos ombros, a maciez das mãos, os pelos dourados que cobriam os braços como um manto. O que eu não daria para confortá-la? O que eu não daria para que ela se entregasse a mim, sem medo?
Seus ossos, seu interior. Tudo nela beirava a perfeição.
Quem sabe não a possuía?
As curvas, os elegantes dedos, os lábios.
E mesmo assim não consigo ser objetivo. Não consigo descrevê-la honradamente. Não consigo mostrar quem ela é.
Quem ela foi...
Porque tudo isso, toda ela, se transformou.
Em algo diferente.
Algo que ela era.
Algo bonito.
Será que ela sabia?
Será que sabia que eu a amava tanto?
I swam across
I jumped across for you
Oh what a thing to do
'Cause you were all yellow
Mas o destino é traiçoeiro. Como algo tão belo, uma benção, poderia trazer tanta dor?
Como disse, ela também foi minha maldição.
Não de propósito. Ela nunca faria isso de propósito.
Mas quem faria?
Era apenas um dia comum. Dia de sair pela porta e ela acenar para mim com suas unhas impecavelmente azuis.
Mas nesse dia, elas era amarelas.
Que ironia.
Mas quem esperaria que aquela mudança era apenas a primeira? Que aquele dia não seria mais um dia comum?
Ela não esperou. Eu não esperei.
Saí com meu carro, olhando de relance para ela.
Não tive tempo. Ela entrou no carro do garoto sem me dar tempo de olhar em seus olhos.
Apenas seu cabelo dourado esvoaçou ao vento antes de sumir na escuridão dos vidros escuros.
O dourado. Pra sempre marcado em meu pensamento.
Essa foi a melhor forma de lembrar dela.
Eu só... não queria esquecer.
Eu poderia ter mudado o destino. Poderia ter tentado.
Porque não fiz nada?
Porque não fui me intrometi quando vi ela discutindo com o garoto de óculos escuros o colégio?
Porque não ofereci carona quando ela parecia se sentir forçada a ir no carro dele?
Porque não a puxei e revelei tudo o que sentia quando seus olhos azulados encontraram os meus?
Porque? Porque?
Eles pareciam implorar por mim, pareciam querer revelar um segredo há muito escondido. Pareciam me chamar.
Mas eu não fui. O medo não me deixou ir.
Como sempre, um covarde.
Como sempre, errando sucessivamente.
Mas esse erro me perseguiria eternamente.
Como descrever a sensação ruim que se apoderou de mim quando vi o carro em que ela entrou sair em disparada?
Meu coração pareceu sangrar.
Mas eu empurrei aquilo pro fundo da memória. Eu tentei ignorar.
Mas aquilo voltou mais cedo do que eu esperava.
Aquela sensação voltou quando entrei no carro e segui para casa. A sensação aumentou ao ver um aglomerado de pessoas interceptando a rua a minha frente.
Porque não seguimos nossas sensações? Quem sabe quantas catástrofes não seriam impedidas?
Quem sabe eu não teria impedido essa catástrofe?
E, sem pensar, eu me vi saindo do carro. Meus pés me guiavam para frente, enquanto meu coração parecia me forçar para trás. Ele não queria ver. Eu precisava ver.
Minhas mãos tocavam as pessoas, nadava entre elas, como separando folhas espessas em uma lago.
Eu trilhava um caminho em direção ao inesperado. Em direção a algo que me puxava, me chamava.
As pessoas. Pessoas e mais pessoas. Elas pareciam hipnotizadas com a cena a frente. Pareciam plateia de um espetáculo. Eu as atravessei. As empurrei, as afastei.
Gritei.
Ultrapassei a barreira que criavam.
Ultrapassaria qualquer coisa.
Mas eu não esperava pela cena, pelo espetáculo.
Ou quem sabe esperava, mas não queria acreditar?
Eu não podia acreditar.
Mesmo encarando, perplexo, a tragédia em minha frente.
Que coisa a fazer?
I drew a line
I drew a line for you
Oh what a thing to do
And it was all yellow
Nada. Nada no mundo consegue apagar aquela imagem da minha mente.
Ela fica voltando e voltando, como um filme arranhado. Como predador que puxa a presa para o fundo das profundezas.
Eu, como sempre, era a presa. Amarrada pela memória. Refém daquele momento. Para sempre.
Assim como é difícil descrever a perfeição, é tão difícil quanto descrever a tragédia. A dor.
A morte.
A minha frente um carro. Completamente destruído. Totalmente sem salvação.
Se você passasse por lá provavelmente veria ele assim: um carro. Apenas um carro.
Você seria como qualquer uma daquelas pessoas, qualquer um daquela plateia.
Mas eu não era. Eu não poderia ser.
Eu era diferente. Eu me sentia diferente.
Eu conhecia aquele carro. E o pior? Eu o havia visto há poucos minutos no passado.
O carro do garoto.
O garoto que a levou. Que a tirou de mim.
O carro estava ali, de encontro a um tronco, parado e estragado.
O garoto? Bem, se eu dissesse que me importava aonde ele estava, estaria mentindo.
Se eu era uma pessoa ruim em pensar assim? Com certeza.
Se eu me importava? Nem um pouco.
Porque todo o meu interesse estava nela.
Aonde ela estava?
Minha mente teimava em repetir a pergunta várias e várias vezes.
Mesmo tendo a certeza de onde ela estava.
Minha visão se desenrolava pelo lado do motorista. Não passava da metade do carro.
Eu não conseguia vê-la. Eu não queria vê-la.
E se ela...?
Não!
Eu estabeleci um limite. Uma linha imaginária que me deixava distante do outro lado do carro. Distante da dor e de todo sentimento incontrolável que eu sentiria se passasse pro outro lado.
Eu precisava continuar são.
Mas como? Como continuar lúcido quando a coisa mais importante da sua vida lhe é arrancada?
E, sem pensar, eu ultrapassei o limite. Eu saí do meu lugar seguro, pois a ansiedade não me deixava ficar longe dela.
Eu caminhei, como quem percorre o fim da vida. Me vi refletido na traseira do carro.
Não me reconheci. Eu parecia estranho. Parecia doente.
Ou melhor, eu simplesmente parecia triste.
Por fora eu estava apenas com a pior cara que já tivera.
Mas como explicar o que se passava por dentro?
Simples, não se explica!
E, ao chegar do outro lado, eu estanquei.
Paralisei e me transportei para outro lugar, em minha mente. Um lugar aonde ela era apenas a vizinha, a garota dos meus sonhos.
Um lugar aonde ela estava inteira e feliz.
Um lugar o onde o sorriso radiante dela iluminava a minha vida e seu cabelo era mais brilhoso que o próprio Sol.
Eu precisava disso. Precisava de algo para me lembrar de quem ela havia sido.
Um lugar onde ela ainda estivesse viva.
Your skin
Oh yeah your skin and bones
Turn into something beautiful
You know
For you I'd bleed myself dry
For you I'd bleed myself dry
E eu caí.
Minhas pernas falharam. Meu corpo parou. Minha mente vagou perdida.
Meus joelhos tocaram o chão bruscamente enquanto minhas mãos se arranhavam no asfalto.
Naquele momento eu não senti a dor que a queda me causou. Aquela pequena dor foi insignificante comparada a dor maior que perfurava meu peito.
Meus joelhos sangraram, minhas mãos ardiam, mas eu ignorei tudo. Tudo doía exteriormente.
Mas meu interior estava pior. Bem pior.
Eu apenas ergui a cabeça e encarem o banco do passageiro.
A última passageira.
Sua mão, com seus dedos elegantemente longos, pendia pela janela. Suas unhas amarelas estavam intactas.
A única parte intacta.
Seu belo cabelo descia serpenteando pela janela. Amarelo, não mais dourado. Ele pareceu perder a cor, perder o brilho.
Não era o mesmo cabelo.
Não era a mesma ela.
Sua cabeça suspensa na porta possuía um ângulo completamente anormal.
Mas não, não quero me lembrar dessa parte.
Apenas o cabelo, essa foi a visão que escolhi para ser a última.
O cabelo dela, o cabelo que mais amei.
O cabelo amarelo, as unhas amarelas. O amarelo.
Quando penso nela penso nessa simples cor. Não tão simples quando se compara a ela.
O amarelo a definia. O amarelo me fez lembrar dela naquela última imagem.
Amarelo...
Sua pele. Oh sua linda pele parecia rosas brancas e pálidas.
Assim como seus ossos.
Ela deixou de ser imponente, de ser radiante.
Deixou de ser ela.
Mas como eu a amava.
Senti uma lágrima salgada molhar meus lábios e vi o sangue escorrendo de meus joelhos.
Meu sangue.
Oh, eu daria todo ele para ela se isso a fizesse voltar para mim.
Mas meu sangue não faria esse milagre.
Não era disso que ela precisava.
Ela precisou de alguém antes. Eu não fui esse alguém.
Agora era tarde demais.
Só me restava ficar ali. Ajoelhado. Curvado. Culpado.
Vendo o sangue dela escorrer pela porta do carro. Tão vermelho. Tão... vivo.
Seu interior indo para o exterior.
Ouvia as pessoas falando e falando, possivelmente querendo me ajudar. Mas tudo soou abafado, como se eu estivesse embaixo da água.
Elas não poderiam me ajudar.
Ninguém poderia.
Eu sabia da culpa. Eu precisava dela para provar que ainda sentia algo. Que sentia qualquer coisa. Pois se não fosse isso, como sentir? Como voltar a sentir depois de perder metade da sua alma?
Não, naquele momento eu precisava da culpa.
Me levantei, as mãos enviando espasmos de dor, os joelhos pingando em vermelho. Me ergui com a cabeça erguida. Os olhos em lágrimas e a garganta seca.
Todos me olhavam. Alguns com surpresa. Outros com pena.
Mas nada daquilo importava.
Andei depressa de volta ao meu carro. Segurando a vontade de olhar para trás.
Prendendo o desejo de entrelaçar meus dedos no amarelo do cabelo dela. Do que adiantaria?
Ela estava morta!
Meu pensamento processou isso no momento em que sentei no carro.
Ela estava morta....
Essa era a terrível e desgraçada verdade.
O amor de minha vida estava morto...
Nada mudaria aquilo.
Sem mais sorrisos. Sem mais perfume. Sem mais dourado.
Sem mais amarelo.
Nada, apenas um corpo sem vida que iria para o fundo da terra.
Ela...
Estava...
Morta!
E um turbilhão escapou de meus olhos. Eu não consegui controlar. Eu não queria.
Lágrimas e cada vez mais lágrimas.
Como cachoeira. Capaz de inundar.
E aquilo era reconfortante de um certo modo.
Chorar. Eu precisava daquilo. Aquilo me fazia sentir vivo.
E não parei.
Nem quando liguei o motor. Nem quando dobrei as ruas perdidamente. Nem quando desci do carro e vi os pais dela correndo em direção a minivan.
Eles me viram. Minhas lágrimas continuavam descendo. O pai tampou a boca. A mãe desabou nos braços dele. Eu apenas confirmei e baixei a cabeça.
Uma conversa silenciosa, mas que dizia tanto.
Eles seguiram seu caminho. Eu segui o meu.
Não nos cruzaríamos novamente.
Abri a porta sentindo meu corpo fraco e subi. Primeiro andar, meu quarto, sacada e telhado. Um caminho rápido, um caminho já conhecido.
O único caminho que me acalmaria naquele momento.
It's true, look how they shine for you
Look how they shine for you
Look how they shine for
Look how they shine for you
Look how they shine for you
Look how they shine
Um garoto no telhado.
Observando as estrelas.
Filosofando sobre o mundo.
Voltamos ao início.
Mas eu não era o mesmo garoto.
Aquelas não eram as mesmas estrelas.
Pois elas eram belas, radiantes. E douradas. Tão douradas.
E, naquele momento, eu vi uma delas se destacar. Aquela mais brilhante. A mais impactante.
Ela surgiu como o amor surge no coração da gente: lenta e, ao mesmo tempo, rápida como um relâmpago.
Ela era tão linda. E todas as outras pareciam reverenciá-la. Pareciam girar em torno dela.
Pareciam brilhar por ela.
Aquela esplêndida estrela era ela.
Meu coração pareceu reconfortar. Ela estava ali.
Ela voltou ao seu lugar de direito.
O meu milagre. A minha bênção.
E, sem perceber, sorri. Sorri por ter sido amigo dela. Sorri por ter sido seu confidente.
Sorri por saber que ela confiara em mim como em nenhum outro.
Sorri pelo meu amor que era tão grande e dependia apenas de mim.
Eu a amava e isso bastava para mim.
Que honrar poder amar um estrela, não?
Quem pode dizer que teve essa honra?
Bem, eu tive.
E a aproveitei o tempo que pude.
Mas nem tudo é para sempre.
Eu ainda sentia falta da parte de mim que foi perdida. Ainda sentia a dor no peito que não parava. Mas reconhecia o infinito que tive.
O meu durou o tempo certo.
Ergui o pescoço e fechei os olhos sentindo a brisa me levar de encontro a ela.
E, em meio ao sorriso, sussurrei um breve “adeus”
Meus olhos cobriram a imensidão celestial e elas continuavam ali, brilhando.
As estrelas.
A minha estrela.
Para sempre.
Look at the stars
Look how they shine for you
And all the things that you do
Notas finais
Obg a todos que deram uma chance.
Bjs
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