Yans Tales
5 Capítulo 4 - Grifando o Exército do rei Colossos
Slash, Lory e eu, continuamos nossa jornada em direção à Windest. Chegamos lá por volta das cinco horas da tarde, quando o céu de Fandonya já se avermelhava e o sol se preparava para dormir. Ah… o sol… nessa prisão maldita… o sol faz mais falta que alimento.
– Mini-brother… essa é a floresta de Windest. Chegaremos em pouco tempo… mas a gente tem que comer alguma coisa… vamos nos separar para procurar comida.
– Tudo bem, como vamos fazer essa “separação”?
– Eu vou procurar na floresta. Você e a cobrinha aí procuram aqui do lado de fora… existem alguns pequenos animais que podemos comer e que não entram na floresta por medo.
– Ok, vamos começar, mas com o que vamos caçar? O que raios vamos usar para pegar esses animaizinhos?
– Você é um dos carinhas que eu confio que conseguem…
Slash pegou sua sacolinha que carregava nas costas e dela tirou uma pequena flecha.
– Eu não tenho outra coisa… só essa flecha, acha que consegue alguma coisa?
–Não… – Lory se aproximou de meus ouvidos e sussurrou algo. –Mas, de qualquer forma, dê-me essa flecha…
–Toma aí, mini-brother.
Separamo-nos, Slash entrou na floresta de Windest empunhando sua espada enquanto que eu e Lory seguimos nosso caminho pelas planícies cercanas, a área plana que há ao redor da floresta Windest.
– Tá bem Lory, qual é o seu maravilhoso plano?
– Finque a porcaria da sua flecha no chão, faça um circulo ao redor dela e depois a transforme em uma lança ou uma jaula, esqueceu que você é o mestre das mágicas? – O tom irônico dele me fez bater nele e derrubá-lo no chão, o que foi bom… assim pude, finalmente, aliviar o estresse, mas tinha de admitir que era uma boa ideia, a final, eu não havia cogitado a possibilidade aberta por Lory.
Depois de fazê-lo, caminhamos, Lory e eu, pelas planícies até que achamos uma formação rochosa alta de maneira que eu me sentia um anão perto daquelas pedras, mas no topo delas tinha um ninho, um GRANDE ninho.
– Lory você pode subir para ver de que é esse ninho?
Com um pouco de reprovação ele subiu até o ninho e voltou com uma expressão mais alegre em seu rosto, face, cara, ou o que quer que os mini-dragões tenham.
–Você acreditaria se eu dissesse que são ovos de Grifos?
Ah… os grifos… são criaturas maravilhosas, tem sua cabeça em forma de águias-reais e asas do mesmo tipo, porém corpo de leão, o que tornava esse animal, para mim, um dos mais belos que já existiram.
–O que pensa que vai fazer Yan?
–Um “truque” que aprendi com meu pai. – quando disse isso, lembrei-me da imagem dele sendo enfeitiçado, ou coisa do tipo, por aquele mago azul que eu tinha exilado. Só de lembrar a imagem de meu pai, Edmond Meltice, senti um arrepio na espinha. – Ele era um Beastmaster quando ele trabalhou para o rei Alexander, então aprendi a lidar com os animais.
Comecei a escalar aquelas pedras com cuidado, afinal, quão belas são aquelas criaturas, quão poderosas, fortes e ciumentas são.
Ao chegar perto do ninho, ouvi um pio alto e agudo, vindo em minha direção. Procurei a direção de origem daquele som que estava querendo dizer: você está em sérios apuros se eu chegar aí e, você, ainda estiver perto desse ninho.
E de fato eu estava em sérios apuros, era, sem dúvidas, o maior Grifo que já vira em toda minha vida, até hoje, ele tinha quase o dobro do tamanho dos Grifos que eu já havia visto. Mas, o animal, era, realmente, lindo… (Ok creio que tenha me dispersado um pouco em meus gostos).
– Lory, alguma ideia? – Acredite, quando se está há “poucos” metros do chão firme, seu cérebro parece ser feito de gelatina e você não consegue raciocinar.
– Faço a mínima ideia, tenta a sorte Yan.
– Foi de grande ajuda Lory, sério mesmo, quando você estiver em apuros eu estarei lá para… rir da tua cara.
O Grifo estava se aproximando rápido de mais para que eu pudesse descer dali ou, pelo menos, me firmar para lançar um feitiço, concluindo… haviam duas alternativas para mim naquele momento, me jogar e morrer ou, continuar nas pedras (subindo ou não) e morrer pelas patas do Grifo, fui pela mais lógica, me joguei.
Sabia que aqueles arbustos não seriam suficiente para acalentar minha queda, mas, ao menos, não iria morrer com o impacto tão grande ao encontro do solo.
Caí e acabei sobrevivendo, fiquei quase que desacordado, sem forças, e sem chance de esforços, continuei nos arbustos, caído, mas escondido.
Não tinha forças nem para me mexer no chão, que fiz? Fiquei eu, caído, de barriga para cima, cortes nos braços e no rosto além de estar com a coluna acabada, créditos ao tombo. O Grifo se aproximou de seu ninho, voou ao redor da pedra e, a pesar de terem um ótimo faro, parece-me que ele não me havia notado.
Passos, muitos passos, se aproximavam cada vez mais rápido.
– Todos vocês, peguem aquele animal, ele é um Grifo e Grifos conseguem matar qualquer tipo de Ciclope, até os Bíclopes, e sem nenhum esforço…
Confesso que minha cabeça fluiu de possibilidades, a final, se um grifo é tão poderoso assim eu precisaria de um Grifo para me ajudar, Lory se escondeu na moita bem perto de mim.
– Erh… Yan, o que vamos fazer?
– Faço a mínima ideia, tenta a sorte Lory.
– Não é hora de ironias Yan, é o exército do Colossos, levanta a sua cabeça e verá.
– Se pudesse, talvez… – Me esforcei um pouco, sentia como se meu corpo tivesse sido esmagado por uma tonelada de pedras, consegui levantar meu rosto, o bastante para que eu pudesse ver o exército, uma quantidade enorme de guerreiros do exército do rei, questionei-me se era necessário tal quantidade para apenas um grifo. – Deixando nosso desentendimento de lado, Lory, o que é que vamos fazer àquele animal…? não pode fazer isso com ele.
– Yan, o grifo não está fazendo nada que não se defender desses guerreiros, por que está bravo com ele?
– O animal que eu mencionei Lory, era o rei. – confesso que deixei escapar uma risada silenciosa. – Mas, temos que salvar aquele animal, agora eu estou me referindo ao grifo.
Com esforço consegui formar o símbolo no chão abaixo de mim: o símbolo mágico Fyi: ﮫ . Caso não tenha mencionado anteriormente, para cada magia há um símbolo que deve ser escrito/desenhado dependendo de suas características, decorei esses símbolos.
O símbolo Fyi serve para recuperações rápidas do corpo, uma ferida, por exemplo, assim, consegui com que meu corpo, enfim, voltasse ao estado original.
– Esse “truquezinho” foi bem útil, agora… o que você pretende fazer agora?
– Desenhar um pouquinho mais.
– O que raios é que você vai fazer agora?
– Uma distração.
Com meu corpo já regenerado não mais sentia dores, então tive mais dificuldade em fazer o símbolo da Adnensòït:อ , esse é o símbolo do guerreiro fantasma. Na verdade, uma ilusão feita de poeira, ar, umidade do ar e luz, nada melhor que uma boa magia para enganar seus maiores inimigos.
Assim que terminei de fazer o Adnensòït à figura se formou, uma armadura, uma espada em mãos, um elmo de caveira e uma sombra saindo de teu corpo, o que, ainda que fosse eu que conjurasse o Adnensòït, me dava medo; muito medo.
– Pra que raios é que você quer aprender a usar uma espada se você consegue usar magias tão poderosas?
– É uma velha profecia… escrita quando eu era pequeno.
– Se você está dizendo isso…
O guerreiro “fantasma” conseguiu assustar, apenas, os guerreiros mais fracos, os mais fortes não se convenceriam com um ser nem um pouco assustador, que seguia em sua direção e não era afetado por nenhum golpe.
Fiz então, por engano devo admitir um traço no símbolo do Adnensòït, tornando-o mais ou menos assim: ฮ , o guerreiro fantasma mudou sua forma, tornou-se maior, com corpo de leão, asas e face de águia, era um grifo-fantasma, confesso que não sabia que esse símbolo existisse, mas foi bom, os guerreiros, todos, fugiram. Deixando para trás apenas algumas pegadas, minha “jaula feita a partir de uma flecha” e, infelizmente, um grifo de verdade, morto.
Eles conseguiram o que queriam…
Dirigi meus olhos para cima no ninho, levantei-me dos arbustos e comecei a, novamente, escalar as pedras em direção ao ninho, ao chegar lá, não foi surpresa para mim, havia um ovo, um ovo dourado, um ovo maravilhoso, um ovo de Grifo.
Peguei-o nas mãos e ele se mexeu um pouco, eu disse, então:
– Prometo que vou cuidar de você, Grifatto.
Fale com o autor